Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Roland Barthes (1915 - 1980)


Roland Barthes (Cherbourg, 12 de Novembro de 1915 — Paris, 26 de Março de 1980)
escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês.
Canhoto num mundo de destros, protestante num país católico como a França e órfão de pai - um oficial de marinha falecido na primeira guerra ­ foi sustentado pela mãe que trabalhava como encadernadora de livros.

Expatriado nos anos 50, seguiu firme na contramão da sociedade conservadora assumindo abertamente sua homossexualidade. Assim foi Roland Barthes - escritor, semiólogo, pensador, crítico literário - nascido em Cherbourg, Normandia, em 2/11/1915.

Com a morte do Comandante Barthes, Henriette e o filho mudaram-se para Bayonne e, em seguida, para Paris onde Roland se formou na Sorbonne (1939) em literatura clássica, gramática e filologia.

Ao mesmo tempo em que estudava linguística e lexologia, Barthes participou do grupo "Defesa Republicana Anti-Fascista", reagindo aos movimentos de extrema direita que sacudiam a Europa.

A alma voa

A luta contra uma tuberculose renitente o obrigou entre 1934 a 1947, a ser internado em diversos sanatórios. Enquanto tinha que manter o corpo em repouso, a alma voava: lia as obras de Marx e produzia artigos para o "Combat" - importante jornal esquerdista na época da resistência aos nazistas. A partir de 1948, trabalhou como professor convidado e bibilotecário na Universidade de Bucarest (Romenia) e foi conselheiro literário na Universidade de Alexandria (Egito).

De 1952 a 1959, foi pesquisador de lexicologia e sociologia do Centre National de la Récherche Scientifique em Paris, participando do lançamento de revistas como "Argumentos" e "Quinzena Literária".

Fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure e Bloomfield animou o movimento da Nova Crítica e fundou a revista "Teatro Popular".

Reconhecimento oficial

Dificuldades materiais e questões de saúde o fizeram perder o exame agrégation, que o direcionaria às carreiras ditas "ortodoxas". No entanto, aos 44 anos, foi indicado - graças ao conjunto de sua obra - para ocupar um posto na École Pratique des Hautes Études. Aos sessenta, já consagrado mundialmente por mudar a forma de ver e entender os significados e significantes, passou a ensinar no prestigioso Collège de France.

Para Barthes, o significado seria a representação psíquica de uma "coisa" e não a "coisa" em si. O significado de uma imagem é sua representação gráfica. O significante materializaria a figura do significado (a figura propriamente dita) com seu significado segmentado e entendido de várias formas, segundo as diferenças culturais de cada leitor ou observador.

Publicou obras em linguagem acessível ao grande público, o que contribuiu para que suas idéias vanguardistas fossem divulgadas além da comunidade acadêmica, por exemplo: Mitologias, Ensaios Críticos, Roland Barthes por Roland Barthes (autobiografia irônica).

Foi figura de referência em semiologia, estruturalismo e crítica literária e é considerado por alguns estudiosos, baseados na vasta bibliografia sobre o assunto, um pensador e teórico do que se chama hoje "cultura gay".

Em 1976, criou a cadeira de Semiologia Literária no Collège de France. Suas aulas e conferências eram freqüentadas por um público sempre perplexo e extasiado.

A Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais"), é a ciência geral dos signos e da semiose, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Em oposição à lingüística, que se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico - artes visuais, música, fotografia, cinema, culinária, vestuário, gestos, religião, ciência, etc.

Arquiintelectual

A gama dos temas abordados pelo semiólogo era imensa: moda, o império dos signos (título de um livro), música, fotografia, mitologia, diversões, cinema, arte em geral e arte japonesa em particular, culinária, discurso amoroso (outro título de livro, no qual Barthes explica o que deve ser dito e quando, para incrementar um relacionamento amoroso), imagens visuais, literatura, teatro, as mensagens da propaganda e a força do marketing.

Pintor, músico, erudito, professor, escritor, teórico social, crítico e amante da vida, chocou a burguesia francesa, abordando de seu ponto de vista privilegiado, a política, a sociologia e a teoria literária. Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político.

Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.

De acordo com seus textos autobiográficos percebe-se, muito discretamente, que teve uma vida amorosa infeliz.

Morte na Rue des Écoles

Henriette, mãe e companheira de toda vida, morreu em 25/10/1977 e Barthes sentiu, do ponto de vista de homem gay, a perda de uma permanente fonte feminina de amor. Barthes dizia que, sem a mãe, parecia "ter perdido a alma".

O interesse de Barthes pela fotografia passa pelo parodoxo de possuir uma prova material do objeto para sempre perdido (a presença da mãe, no caso). Jacques Derrida, filósofo recentemente falecido, comentando esta obra disse que se trata de "uma forma de vigília e de encarar a morte jamais capturada em toda a história da literatura"

Ao sair de uma aula em 25/2/1980, foi atropelado por um carro de entregas de uma lavanderia, nas Rue des Écoles, em frente ao Collège de France.
Em 6 de março, nove dias depois, morreu em conseqüência dos ferimentos e lesões.

Entre seus vários livros podemos citar O grau zero da escrita (1953), Mitologias (1957), Elementos de semiologia (1964), Crítica e verdade (1966), O prazer do texto (1973), Fragmentos de um discurso amoroso (1977) e A câmara clara (1980).

Fontes:
PIRES, Thereza. Roland Barthes Hoje. 26/11/2004. Disponível em
http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/biografias/bio5/bio5.asp

http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/barthes.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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