Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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segunda-feira, 17 de março de 2008

Plínio de Lima (1847 - 1873)

Plínio de Lima: O Primeiro Poeta de Caetité

O poeta Plínio Augusto Xavier de Lima nasceu em Caetité, aos 17-10-1847, numa casa onde hoje está a residência episcopal, filho do Ten. Cel. Antonio Joaquim de Lima e D. Francelina de Albuquerque Lima. Estudou Direito no Recife, onde travou amizade com Castro Alves, junto a quem fundou uma associação abolicionista, sendo em vida mais popular e conhecido que o confrade. Em trajetória inversa ao colega Ruy Barbosa, migrou da Faculdade do Largo de S. Francisco, em S. Paulo, para Pernambuco, onde formou-se retornando para a terra natal onde adoece, falecendo aos 17 de abril de 1873. Parte de seus poemas, ínfima, foi recuperada por João Gumes e publicada em 1928 pela "Seção de Obras d'O Estado de São Paulo", sob o título de "Pérolas Renascidas".

Quase perdida, com o concurso do Sr. Sylvio Gumes Fernandes, Acadêmico Emérito da ACL, foi reeditada eletronicamente pelo Município, em 2002.

Dr. Plínio Augusto Xavier de Lima, filho legítimo do Tenente Coronel Antonio Joaquim de Lima e de D. Francelina de Albuquerque Lima, nasceu na Cidade de Caetité, no Estado da Bahia, a 17 de Outubro de 1847.

Fez curso primário na terra natal, e iniciou o secundário com o professor Theotonio Soares Barbalho que regia a cadeira pública de latim naquela cidade.

Seguindo para a Capital do Estado, continuou o estudo de preparatórios no Gymnasio Bahiano, do saudoso diretor Dr. Abílio César Borges, Barão de Macaúbas, estudos que foi terminar em S. Paulo e Pernambuco, centros de intensa cultura para o jovem Plínio que assim ilustrara o seu tirocínio colegial e acadêmico.

Em 1867, matriculou-se na Faculdade de Direito de Pernambuco onde, por seu amor ao estudo e peregrinas virtudes, conquistou, por entre a estima geral de mestres e colegas, com aprovações plenas e distintas, o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em 29 de Novembro de 1871.

As suas tendências literárias, que se manifestaram desde os bancos escolares, fizeram-no poeta sagrado pelas musas.

Espírito superior, pertenceu a uma geração acadêmica distintíssima e tornou-se, graças às fulgurações do seu belo talento, fortalecido pelo estudo, um cultor primoroso do verso.

Assegura um dos seus contemporâneos - o jovem Plínio de Lima "era uma figura original de sertanejo: de cabeleira aloirada e olhos verdes, apresentando-se sempre com requintes de elegância de um parisiense, e primando por um espírito cintilante, por vezes finamente mordaz, só saindo de seu aspecto expansivo e risonho na hora da luta, em que se transformava num valoroso guerreiro.
Uma compleição de ateniense que fazia lembrar Alcebíades
."

Homem de ciência, poeta e escritor, gozou sempre do alto apreço que dão as prendas do estudo e da inteligência.

Nas teses cientificas e literárias que se apresentavam, nas discussões eruditas que se travaram, a sua palavra eloqüente soava sempre com prestígio singular.

"Múltiplas e superiores foram as manifestações de seu estro nesse último período de sua jornada acadêmica: nos comícios escolares, nas manifestações patrióticas dessa época de guerra, nas solenidades em que se iniciava, pujante, a cruzada emancipadora, a sua voz, de uma sonoridade empolgante, era sempre ouvida com encanto."

Espírito liberal, não foi como já vimos o jovem acadêmico estranho à causa do abolicionismo, em Pernambuco, pois, fundou, em 1867, com Castro Alves, Ruy Barbosa e João Baptista Regueira Costa, uma sociedade abolicionista que tinha a missão generosa de combater a escravidão, numa época em que era um crime não a ação, mas a simples palavra em favor da raça negra no Brasil, sendo seu presidente o glorioso Cantor dos escravos.

Estudioso, inteligente e sempre festejado pela mocidade do seu tempo, publicou Plínio de Lima, no Correio de Pernambuco, versos, sátiras e folhetins, cheios de humor, sobre fatos da vida social ou acontecimentos públicos da época, sob o pseudônimo de Lucio Luz.

Aos 19 anos de idade, prefaciando Lésbia, livro de versos do poeta baiano Antonio Alves de Carvalhal, foi Plínio de Lima, "definitivamente consagrado um dos primeiros literatos em uma legião de 500 acadêmicos".

Quando, em 1871, os doutorandos ofereceram ao Dr. Aprígio Justiniano da Silva Guimarães o seu retrato, foi Plínio aclamado o seu intérprete, missão que desempenhou em um discurso de peregrina eloqüência, publicado na imprensa pernambucana com elogiosas referências.

Não cabe, nos estreitos limites destas linhas singelas, de homenagem à sua memória, o estudo de sua obra literária, na qual figuram versos primorosos suficientes para lhe dar reputação de poeta.

O verso lírico foi a constante preocupação do poeta, cuja morte prematura tanto deploram as letras pátrias.

Faleceu o Dr. Plínio Lima na Cidade de Caetité, a 17 de Abril de 1873, contando apenas 26 anos de idade.

O seu enterro, escreve um contemporâneo, foi uma apoteose porque o Dr. Plínio era muito querido, por seu trato cativante, talento de escol e pelo muito que trabalhara pelo progresso de sua terra natal, a começar pela construção de um bom teatro, para o qual deixou o dinheiro que adquirira em subscrição.

Deixou muitas produções inéditas, entretanto não deixou livro publicado.

Entre suas poesias uma logrou grande popularidade, graças ao sentimento artístico de Xisto Bahia, que a pôs em música. Era a modinha preferida da mocidade e fez época na capital da Bahia.

Com o seu título - Ainda e sempre - é a seguinte:

Quis debalde varrer-te da memória
E o teu nome arrancar do coração!
Amo-te sempre! Que martírio infindo!
Tem a força da morte esta paixão!...

Eu sentia-me atado aos teus prestígios
Por grilhões poderosos e fatais;
Nem me vias sequer, - te amava ainda!...
Motejavas de mim, - te amava mais!...

Tu me vias sorrir. Os prantos d'alma
Só confiam-se a Deus e à solidão!...
Tu me vias passar calmo e tranqüilo,
Tinha a morte a gelar-me o coração!...

Quantas vezes lutei co'o sentimento!
Quantas vezes corei da minha dor!...
Quis até odiar-te... amava sempre
Sempre e sempre a esmagar-me o meu amor!

Em diversos cadernos, deixou o Dr. Plínio de Lima, colecionadas as suas poesias, ainda em grande parte inéditas, em poder de pessoas de sua família, mas devido à bela iniciativa do Dr. Affonso Fraga, ilustre filho de Caetité e conceituado advogado na capital de S. Paulo, foram elas, em parte, editadas à sua custa, no bonito livro, ora publicado que é o justo valor dos méritos do genial poeta Plínio de Lima.

Colaborou nesse generoso empenho, a pedido do Dr. Affonso Fraga, o ilustre professor João Gumes, distinto homem de letras e conhecido jornalista que se desempenhou com louvores da sua honrosa incumbência. O livro em apreço, impresso em papel superior, com capa alegórica, nas oficinas do Estado de S. Paulo, em 1928, recebeu, em falta de um nome dado pelo poeta, o título expressivo Pérolas Renascidas.

Da edição feita, apenas reservou o editor alguns exemplares que distribuiu pela imprensa e escritores de renome, remetendo para a cidade de Caetité os restantes para serem oferecidos, em partes iguais, à Caixa Escolar e à Sociedade das Senhoras de Caridade.

É mais um duplo e valioso serviço prestado pelo benemérito caetiteense à assistência social e às letras pátrias, fazendo ressurgir do olvido a que foi relegado, o nome do laureado poeta, para torná-lo redivivo no Panteão da nossa literatura.

Para julgar a importância da justa homenagem, prestada à memória de um poeta que muito honrou as letras e especialmente a terra do seu nascimento, transcrevemos abaixo o judicioso artigo do Diário Popular, de S. Paulo:

... Plínio de Lima, cujos trabalhos só agora saem a lume devido ao entusiasmo generoso de um admirador póstumo, faz parte daquela plêiade de talentosos rapazes que de 67 a 75 fizeram as delícias da mocidade baiana e pernambucana, irmanada sob as torres de Recife.

Condoreiros ricos de hipérboles, fascinantes de tropos, enchiam, com os seus lundus, com a poesia popular, as ruas de Olinda, as Academias de Recife.

Plínio de Lima, como Castro Alves, fizeram a alegria das raparigas do norte, depois de deixarem um sulco nostálgico na sua terra natal, a Bahia.

Num e noutros, sente-se não a influência da época, a influência do meio, o prestígio de Tobias Barreto que arrebatava as multidões.

Mais feliz, Castro Alves teve como cenário o palco do Santa Isabel com toda a munificência perdulária da cultura e inteligência baiana, de então.

Mais modesto, Plínio de Lima não alcançou o apanágio da glória e nem os prestígios sobre o coração feminino, quanto Castro Alves.

Ambos perlustraram o mesmo caminho: as Faculdades de Recife e de S. Paulo.

Ambos amaram, um em segredo, outro retumbantemente, pelos camarins das estrelas da época.

Mas, nenhum deles morreu de todo.

De Castro Alves a apoteose foi rápida: fê-la Ruy Barbosa, numa festa decenária na capital da Bahia; a apoteose de Plínio de Lima vem de a fazer o Snr. Affonso Fraga.

O entusiasmo do seu patrono é sincero e ainda vem a tempo.

A sua melhor recomendação fizeram-na o fulgor do seu talento, a beleza e o encanto dos seus versos, a delicadeza extrema com que canta os sonhos de moço e traduz os sentimentos dominantes na mocidade da sua época, em suma, tudo quanto a sua imaginação e organização poética produziram de belo e sensível em linguagem rítmica.

Affonso Fraga, que lhe patrocina a entrada nos umbrais gloriosos da popularidade, salvou do olvido um dos 5 cadernos legados pelo poeta, 4 dos quais soçobraram no oceano do tempo.

Daí denominar os preciosos remanescentes - Pérolas Renascidas.

E fê-lo com a sinceridade elegante de quem sabe afirmar:
"No que toca à dedução da harmonia, à propriedade das imagens, à precisão das figuras, à exação da rima, à justa observância dos preceitos da arte poética, enfim, ao merecimento intrínseco dos versos, nada diremos: somos profanos na matéria."

É uma afirmação errônea, porque, emocionado pelo talento de Plínio de Lima, fez-se não só seu divulgador, através do tempo, mas crítico sincero.

Esse pequeno volume que, por sua iniciativa, saiu das oficinas do Estado de S. Paulo, é a consagração do vate baiano.

Poderá a rima antiquada e o lirismo de antanho desagradar aos iconoclastas de hoje, mas a beleza de expressão talhada nos mármores de Paros, com a beleza também helênica da forma, ainda não foram vencidas, mesmo pela violência dos gênios da grandiosidade de um Miguel Ângelo.

Eis uma amostra magnífica:

Eu choro ao recordar estes instantes
de suprema ventura que me davas
Carinhosa e divina...
Eu contava-te a história de meus sonhos,
Tu me contavas - inocente e alegre -
Teus sonhos de Menina
.

Mas a glória é falaz.

Para Castro Alves foi bondosa e rápida; para Plínio de Lima, tardia, posto que igualmente bondosa.

Sua obra não se perdeu de todo; houve um pescador de pérolas que a soube salvar.

Fontes:
Plínio de Lima por Pedro Celestino da Silva (in Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia - n.58 "Notícias Históricas e Geográficas do Município de Caetité - IGHB, Salvador, 1932)
http://br.geocities.com/acadcaetiteenseletras/index2.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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