Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Cintia Moscovich (1958)


Nascida em 15 de março de 1958 na cidade de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, Cíntia Moscovich é escritora, jornalista e mestre em Teoria Literária, tendo exercido atividades de professora, tradutora, consultora literária, revisora e assessora de imprensa. Dentre vários prêmios literários conquistados, destaca-se o primeiro lugar no Concurso de Contos Guimarães Rosa, instituído pelo Departamento de Línguas Ibéricas da Radio France Internationale, de Paris, ao qual concorreu com mais de mil e cem outros escritores de língua portuguesa.

Em 1996, publicou sua primeira obra individual, "O reino das cebolas", co-edição da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e da Editora Mercado Aberto, que mereceu a indicação ao Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Um dos contos que integram a coletânea foi traduzido para o inglês e faz parte de uma antologia que reúne escritores judeus de língua portuguesa. Em 1998, pela L&PM Editores lançou a novela "Duas iguais - Manual de amores e equívocos assemelhados", que recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, na modalidade de Narrativa Longa, em 1999, e que acaba de ser reeditado pela Record. Em outubro de 2000, também pela L&PM Editores, lançou o livro de contos "Anotações durante o incêndio, que tem apresentação de Moacyr Scliar e reúne onze textos de temáticas diversas, com destaque ao judaísmo e à condição feminina, merecendo outra vez o Prêmio Açorianos de Literatura. A mesma obra recebeu nova edição pela Editora Record, em novembro de 2006.

Em 2004, publicou a coletânea de contos "Arquitetura do arco-íris", também pela Record, livro que lhe valeu o terceiro lugar em contos no prêmio Jabuti, além da indicação para o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira e para a primeira edição do Prêmio Bravo! Prime de Cultura.

Em novembro de 2006, lançou o romance "Por que sou gorda, mamãe?", também pela editora Record.

Em dezembro de 2007, lançou seu primeiro livro infanto-juvenil, "Mais ou menos normal", pela Publifolha; e seu sexto livro individual, o romance infanto-juvenil Mais ou menos normal, que faz parte da série Cidades visíveis, da Publifolha.

Ex-diretora do Instituto Estadual do Livro, órgão da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, também trabalhou como editora de livros do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Atualmente, dedica-se exclusivamente à literatura.

Obras
Reino das Cebolas, contos, 1996 (L&PM) – indicado ao Prêmio Jabuti
Duas iguais, novela, 1998 (L&PM) e 2004 (Record)
Anotações durante o incêndio, contos, 1998 – Prêmio Açorianos na categoria de Contos
Arquitetura do arco-íris, contos, 2004 (Record) – Prêmios Portugal Telecom e Jabuti de 2005.
Por que sou gorda, mamãe?, romance, 2006 (Record)

Participação em Antologias

"Geração 90: manuscritos de computador" - seleção realizada por Nelson de Oliveira, publicada em 2001 pela Boitempo Editorial.
"13 dos melhores contos de amor da literatura brasileira"(Ediouro, 2003), com organização de Rosa Amanda Sztraus
"Ficções Fraternas", organizado por Lívia Garcia-Roza e publicado pela Record, 2004.
"25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira", organizada por Luiz Ruffato, publicado pela Record.
"O viajante transcultural - leituras da obra de Moacyr Scliar", organizado por Regina Zilberman e Zilá Bernd (Edipucrs, 2004)
"O dever da memporia - o levante do gueto de Varsóvia" - organizado por Abrão Slavutzky (AGE, 2003)
"Contos para ler em viagem" - organizado por Miguel Sanches Neto (Record, 2005)
"Contos do novo milênio", organizado por Charles Kiefer (IEL, 2005)
"O livro dos sentimentos" - organizado por Márcio Vassalo e Maria Isabel Borja, publicado pela Guarda-Chuva em 2006.
"Os 100 menores contos do século" (Ateliê Editorial) - organizado por Marcelino Freire em 2005.
"Contos de bolso" - organizado por Laís Chaffe para a editora Casa Verde, em 2005.
"69/2 Contos eróticos" - organizado por Ronald Claver, publicado pela editora Leitura em 2006.
"Contos de bolsa" - organizado organizado por Laís Chaffe para a editora Casa Verde, em 2006.
“35 segredos para chegar a lugar nenhum” (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, organização de Ivana Arruda Leite).
“Guia de leitura: 100 autores que você precisa ler” (Porto Alegre: L&PM Editores, 2007 - organização de Léa Masina)
“Recontando Machado”. (Rio: Record, 2008 – organização de Luiz Antonio Aguiar

Fontes:
http://pt.wilipedia.org/
http://www.cintiamoscovich.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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