Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

E-Books

E-books para Download ou Leitura em seu Monitor, ao pé da página, após a Oração do Cão Abandonado.

Coleção Memória Viva
Paraná Poético
Almanaque Paraná de Trovas
Trova Brasil
Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul

Marcadores

Marcadores

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Folclore Brasileiro – Região Sudeste (A Lagoa Azul)


Tão logo souberam que estas terras eram ricas em ouro e diamantes, diversos homens ousados e ambiciosos vieram para cá, na esperança de enriquecer. Nem todos alcançaram seu objetivo. Uns ficaram mais pobres do que eram, outros conseguiram remediar-se e alguns poucos ficaram realmente ricos.

Estes eram, de fato, poderosos e sua vontade era lei. Entre estes últimos estava o pai de Dalva. Ele possuía importantes garimpos de ouro e diamantes, de onde inúmeros escravos extraíam a riqueza necessária para seu amo viver luxuosamente.

A moça era filha única e seu pai lhe dava o que havia de melhor: roupas trazidas do estrangeiro especialmente para ela, jóias que fariam inveja a uma rainha, perfumes finíssimos...

O mal era que o orgulho dele escravizava a filha de tal modo que, muitas vezes, ela desejou ser pobre, mas viver com mais liberdade.

- Por que não posso ser como as outras moças? Por que hei de sair sempre com o rosto coberto, como se estivesse escondendo-me de alguém? – perguntou ela, um dia.

- Ora, será que você não compreende? – resmungava ele. Você é a filha do homem mais rico deste lugar?!

- E o que tem isso?

- Não é qualquer um que tem o direito de ver seu rosto! Essa gente não merece tal privilégio!

A moça não tinha outro recurso, senão continuar a sair com o rosto coberto.
Às vezes, um moço menos avisado aproximava-se da casa do ricaço, movido pela curiosidade de conhecer a bela Dalva. Pobre dele! Se o homem percebia, mandava alguns de seus escravos mais fortes fazer-lhe uns carinhos com chicotes e porretes...

Um dia, Dalva quis saber:

- Por que o senhor faz isso, meu pai?

- Ora, por quê?! Não vê? São uns aventureiros. Pretendem casar-se com você para ficar com o meu dinheiro, Mas podem desistir. Não vai ser fácil, não. Pelo menos, enquanto eu estiver vivo...

- O senhor não deveria preocupar-se com isso. Sabe que nem tomo conhecimento da presença deles. Não há necessidade de maltratá-los tanto.

- Como não? Eles precisam aprender.

Os escravos já estavam cansados de tanto surrar os rapazes que tentavam conhecer Dalva.

Certa ocasião, quando ela saiu a passeio pelo campo com algumas escravas, resolveu tirar o véu, com o qual sempre cobria o rosto.

- Olhe, Sinhá, seu pai não vai gostar disso. Pode fuçar bravo, disse uma das mucamas.
A moça achou graça:

- Ele não quer que os estranhos vejam meu rosto. Mas quem é que vai encontrar-me neste lugar? Só se forem as aves, os bichos.

- Sabe como o patrão é, tornou a mucama, quando dá uma ordem, é para ser cumprida.

- Não tenho medo, afirmou a moça. A ordem que ele deu é para a cidade. No campo, não tem valor.

As escravas acabaram por concordar com a argumentação da moça.

Dalva e as mucamas sentaram-se na relva e começaram a conversar sobre os mais variados assuntos. Uma das escravas era muito engraçada e sabia contar anedotas como ninguém. Dalva e as outras riam até não poder mais.

Estavam assim, distraídas, quando surgiu um cavaleiro. Vinha devagar e seu cavalo aparentava cansaço. Aproximou-se das moças, tirou o chapéu e perguntou-lhes diversas coisas sobre a região. Enquanto falava não conseguia tirar os olhos de Dalva. Nem ela nem as escravas lembraram-se da ordem de seu pai.

O cavaleiro ficou encantado com Dalva e ela, por sua vez, não deixou de se impressionar com o porte do forasteiro: forte, decidido, desenvolto, porém de uma simplicidade encantadora.

Contou-lhe que era um garimpeiro à procura de fortuna.

Antes de ir embora, o moço perguntou onde era a casa de Dalva. Ela deu a informação, diante dos olhos surpresos das mucamas.

Uma das escravas não resistiu:

- Sinhá! Se ele se aproximar da casa será espancado por ordem de seu pai!

- Eu ia avisá-lo! – respondeu a moça. E contou ao jovem como era seu pai.
O estranho ficou horrorizado e disse que dinheiro nenhum pagava aquele sofrimento.

Ele partiu, prometendo escrever-lhe.

E, assim começou a troca de bilhetes. Uma das mucamas, a mais amiga de Dalva, foi escolhida para ser a recadeira. Os bilhetes iam e vinham cada vez em maior quantidade e o namoro foi ficando cada vez mais firme.

Como para todo segredo existe um traidor, uma das mucamas incumbidas de fazer companhia à Dalva conclui que, se falasse ao pai da moça sobre o namoro, por certo seria recompensada.

O pai de Dalva ficou furioso e tomou todas as providências para castigar o audacioso garimpeiro. Colocou escravos espiões atrás do moço, para que ele fosse surpreendido no momento de enviar algum bilhete. Mandou que os escravos acompanhassem a mucama e lhes disse:

- Procurem ter certeza de que ele é o homem. Depois, fiquem atrás dele, até surgir uma boa oportunidade. Aí... já sabem o que fazer, não é mesmo? – e fez um gesto significativo.

Por outro lado, avisado pela escrava traidora, surpreenderia a mucama recadeira, para lhe dar o castigo que achava merecido.

Guiados pela escrava, não demorou muito para que vissem a mucama de confiança de Dalva receber um bilhete de um moço. Então, era aquele! Trataram de ir atrás do namorado. Ele saiu a cavalo e os escravos, também.

Enquanto isto, a mucama foi entregar o bilhete à sua patroa. No momento exato, o pai de Dalva apareceu:

- Muito bem, disse ele, quer dizer que você esqueceu as minhas ordens?! Pois nunca mais esquecerá nada, pode ficar sossegada!

Imediatamente, ele chamou alguns escravos e mandou que levassem a mucama para o castigo.

De nada valeram os gritos da infeliz. Dalva implorou ao pai que não castigasse a escrava, pois a culpa era sua e de mais ninguém. Ele não quis saber de nada. Mandou que a filha fosse para o quarto e de lá não saísse até segunda ordem. Depois, foi assistir ao castigo da mucama.

Mandou que a amarrassem a um poste de madeira e ordenou aos escravos que batesse, até que ela não queixasse mais.

A coitada não resistiu às chicotadas e morreu ali mesmo.

Um pouco mais distante, os escravos, que estavam seguindo o namorado de Dalva, encontraram a esperada oportunidade. O garimpeiro apeou perto da lagoa, conhecida por Lagoa Azul, para dar de beber ao seu cavalo. Um escravo apontou-lhe a espingarda e atirou.

Foi enterrado ali, na beira da lagoa.

O pai de Dalva ficou muito satisfeito com o resultado. Resolveu dar pessoalmente à sua filha o que ele considerava uma boa notícia.

- Pois é, minha filha, disse ele, com uma expressão de alegria, posso afirmar-lhe que a mucama recadeira não fará mais o que fez. Creio que ela ganhava dinheiro daquele malandro, que só queria a minha riqueza. Agora, ele não tem mais quem lhe traga os recados. Sabe por que? Porque ela está morta. E também, ele não precisaria mais dela, já que não poderá escrever mais.

A moça, percebendo que algo de ruim tinha acontecido ao namorado, perguntou, aflita:

- Por que? O que aconteceu a ele?

O ricaço deu uma gargalhada e respondeu bem devagar:

- A esta hora, ele está descansando, para sempre, perto da Lagoa Azul.

Dalva, completamente transtornada, correu para fora da casa, montou um cavalo e partiu para a lagoa, em cujas águas se atirou.

Em sua perseguição, vinham o pai e diversos escravos, mas, com a força do desespero, ela corria mais depressa que o vento e eles não conseguiram alcançá-la.

Dalva nunca mais foi encontrada.

Os garimpeiros têm muito medo de chegar perto deste lugar. Alguns afirmam já ter visto a pobre moça, chorando na beira da lagoa, em noites de luar.

Como até hoje ela tem esperanças de encontrar o seu namorado, costuma atrair, com seus olhos lindos e luminosos como diamantes, o garimpeiro que se aproxima, levando-o para o fundo das águas. Ela quer ver, de perto, se ele não é o seu amado...

Fontes:
Histórias e Lendas do Brasil (adaptado do texto original de Gonçalves Ribeiro). - São Paulo: APEL Editora
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/sudeste/contosude.html

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Coleção Memória Viva: Trovas

COLEÇÃO MEMÓRIA VIVA: TROVAS

Livretos de aproximadamente 100 páginas cada, com trovas de trovadores vivos ou falecidos, separados por Estados.

Escolha e clique sobre os abaixo para fazer o download:

Paraná Trovadoresco Livreto 1

Paraná Trovadoresco Livreto 2

São Paulo Trovadoresco Livreto 1

Rio Grande do Norte Trovadoresco Livreto 1

Minas Gerais Trovadoresco Livreto 1

Rio de Janeiro Trovadoresco Livreto 1

Hermoclydes S. Franco (Livro de Trovas e Poesias)

Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul


Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul

Almanaque criado por José Feldman, com artigos nos moldes do blog.


Faça o download dos números publicados na íntegra, em pdf.

Escolha o número e clique sobre ele para copiar em seu computador.

NUMERO 1 (74 paginas)
NUMERO 2 (95 paginas)
NUMERO 3 (117 paginas)
NUMERO 4 (177 paginas)
NUMERO 5 (131 paginas)
NUMERO 6 (265 paginas)
NUMERO 7 (163 paginas)
NUMERO 8 (184 paginas)
NUMERO 9 (242 paginas)

Especial do número 9 - Francisco Neves de Macedo

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to