Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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domingo, 17 de maio de 2009

Mario Benedetti (14 Setembro 1920 – 17 Maio 2009)



14 de Setembro de 1920 (Paso de Los Toros, Uruguai) – 17 de Maio de 2009 (Montevidéo, Uruguai)

Mario Benedetti foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.

Filho de Brenno Benedetti e Matilde Farugia, Mario Benedetti nasceu em 14 de Setembro de 1920, em Paso de Los Toros, Tacuarembó, Uruguai.

Aos quatro anos de idade sua família muda-se para Montevidéu. Inicia seus estudos no Celógio Alemão de Montevidéu, onde fica até 1933. Em 1934 ingressa na Escuela Raumsólica de Logosofía. Permanece apenas um ano e em seguida parte para o Liceu Miranda. Mas por problemas financeiros, acaba por seguir seus estudos de maneira auto-didata. Desde os quatorze anos trabalha na empresa Will L. Smith S.A., da Argentina.

Em 1938 muda-se para Buenos Aires, Argentina, onde permanece até 1941.

Em 1945 passa a integrar a equipe de redação do semanário Marcha, de Montevidéu - onde permaneceu até 1974, ano em que o semanário é fechado pelo governo de Juan María Bordaberry. Em 1953 publica Quién De Nosostros. Em 1954 é nomeado diretor literário do semanário.

Em 1946 casa-se com Luz López Alegre. Em 1948 dirige a revista literária Marginalia e publica o volume de ensaios Peripecias y Novela.

Em 1949 torna-se membro do conselho de redação da revista literária Número, uma das revistas mais destacadas na época. Participa ativamente no movimento contra o Tratado Militar com os EUA, sua primeira ação como militante. Ainda nesse ano, ganha o Prêmio do Ministério de Instrução Pública, por sua primeira antologia de contos, Esta Mañana.

Em 1960 publica La Tregua. Romance levado às telas de cinema pelo diretor Sergio Rénan. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1974, perdendo a estatueta para Amarcord, do italiano Fellini.

Em 1964 trabalha como crítico de teatro e co-diretor da página literária semanal Al Pie de Las Letras, do diário La Mañana. Colabora como humorista na revista Peloduro. Escreve crítica de cinema na Tribuna Popular.

De 1968 a 1971 foi diretor do Centro de Pesquisas Literárias da Casa de las Américas, de Havana, Cuba, o qual foi membro fundador.

Em 1971 participa ativamente da vida política uruguaia, como membro do Movimiento 26 de Marzo. É nomeado diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu.

Sob o Golpe de Estado de 27 de Junho de 1973, Mario Benedetti renuncia ao cargo na Universidade. Por suas posições políticas, deve deixar o Uruguai, partindo para o exílio em Buenos Aires, Argentina. Posteriormente, exila-se no Peru, onde foi detido e deportado, indo imediatamente, em 1976, para Cuba.

Volta ao Uruguai em 1983, inciando o autodenominado período de desexílio, motivo de muitas obras. Em 1986 recebe o Prêmio Jristo Botev da Bulgária, por sua obra poética e ensaística.

Desde os anos 50 até hoje a obra de Mario Benedetti foi contemplada com muitos prêmios e homenagens, dentre eles o título de Doutor Honoris Causa, em 1997, pela Universidade de Alicante, Espanha.

Depois do falecimento de sua tão estimada esposa Luz López, em Abril de 2006, vítima de Alzheimer, Mario Benedetti se mudou definitivamente para sua residência no bairro Central de Montevidéu. Em função dessa mudança, dôou parte de sua biblioteca pessoal ao Centro de Estudos IberoAmericanos Mario Benedetti da Universidade de Alicante, Espanha.

Seus livros foram traduzidos para mais 20 idiomas e é considerado um autor do primeiro plano da literatura latino-americana contemporânea.

Em 2008, o escritor foi hospitalizado quatro vezes em Montevidéu devido a diversos problemas físicos.

Morreu aos 88 anos, no dia [17 de Maio de 2009] em Montevidéu. O autor tinha um estado de saúde bastante delicado e estava em sua casa, na capital uruguaia, quando morreu. A primeira vez foi entre janeiro e fevereiro de 2008, após sofrer uma enterocolite que fez com que ficasse desidratado. Já em março ele foi internado com problemas respiratórios, enquanto a terceira vez se deu em maio do ano passado por causa de um quadro clínico instável geral. Após a última vez em que Benedetti foi hospitalizado, de 24 de abril até 6 de maio, o escritor recebeu alta e voltou para casa, após 12 dias internado pelo agravamento de uma doença intestinal crônica.

A última obra publicada, o poemário "Testigo de Uno Mismo", foi apresentada em agosto de 2008. Antes da última entrada no hospital, Benedetti estava trabalhando em um novo livro de poesia cujo título provisório é "Biografía para Encontrarme".

Prêmios
Recebeu os prêmios Ibero-americano José Martí (2001) e Internacional Menéndez Pelayo (2005).

Obras

Conto
Esta Manhã e Outros Contos, 1949.
Montevideanos, 1959.
Datos para el viudo, 1967.
A Morte e Outras Surpresas, 1968.
Con y sin nostalgia, 1977.
Geografías, 1984.
Recuerdos olvidados, 1988.
Despistes y franquezas, 1989.
Buzón de tiempo, 1999.
El porvenir de mi pasado, 2003.
El otro yo

Drama
El reportaje, 1958.
Ida y vuelta, 1963.
Pedro y el Capitán, 1979.

Novela
Quem De Nós, 1953.
A Trégua, 1960.
Gracias Por El fuego, 1965.
El cumpleaños de Juan Ángel, 1971.
Primavera con una esquina rota, 1982.
A Borra do Café, 1992.
Andamios, 1996.

Poesia
La víspera indeleble, 1945.
Sólo mientras tanto, 1950.
Te quiero, 1956.
Poemas de la oficina, 1956.
Poemas del hoyporhoy, 1961.
Inventario uno, 1963.
Noción de patria, 1963.
Próximo prójimo, 1965.
Contra los puentes levadizos, 1966.
A ras de sueño, 1967.
Quemar las naves, 1969.
Letras de emergencia, 1973.
Poemas de otros, 1974.
La casa y el ladrillo, 1977.
Cotidianas, 1979.
Viento del exilio, 1981.
Preguntas al azar, 1986.
Yesterday y mañana, 1987.
Canciones del más acá, 1988.
Las soledades de Babel, 1991.
Inventario dos, 1994.
El amor, las mujeres y la vida, 1995.
El olvido está lleno de memoria, 1995.
La vida ese paréntesis, 1998.
Rincón de Haikus, 1999.
El mundo que respiro, 2001.
Insomnios y duermevelas, 2002.
Inventario tres, 2003.
Existir todavía, 2003.
Defensa propia. 2004.
Memoria y esperanza, 2004.
Adioses y bienvenidas, 2005.
Canciones del que no canta, 2006.

Ensaio
Peripecia y novela, 1946.
Marcel Proust y otros ensayos, 1951.
El país de la cola de paja, 1960.
Literatura uruguaya del siglo XX. 1963.
Letras del continente mestizo, 1967.
El escritor latinoamericano y la revolución posible, 1974.
Notas sobre algunas formas subsidiarias de la penetración cultural, 1979.
El desexilio y otras conjeturas, 1984.
Cultura entre dos fuegos, 1986.
Subdesarrollo y letras de osadía, 1987.
La cultura, ese blanco móvil, 1989.
La realidad y la palabra, 1991.
Perplejidades de fin de siglo, 1993.
El ejercicio del criterio, 1995.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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