segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Folclore Japonês (Tanabata)


Através do céu estrelado de uma noite de verão, é possível avistar duas estrelas, em lados opostos: Altair e Vega. Dizem que estas duas estrelas foram, há muito tempo, um homem e uma mulher, que agora só se encontram um vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês, 7 de julho. A lenda a seguir é a história dos dois.

Era uma vez um homem, chamado Mikeram. Um dia, quando voltada do trabalho e andava perto de um lago, avistou uma manto preso a uma árvore. Era feito de tecidos finos, muito bonito e brilhante. “Que lindo manto! Deve valer uma fortuna”, pensou o rapaz. Ele pegou o manto e guardou consigo.

“Com licença senhor”, ouviu alguém dizer enquanto se preparava para ir embora. “O senhor viu o meu manto, ele estava aqui, sobre esta árvore?” Mikeram mentiu, “não, não vi nada parecido com um manto aqui”. “Ai, como voltarei agora para o meu reino, acima das nuvens, sem meu manto eu não consigo.”, disse a jovem mulher.

Ela se chamava Tanabata. Mikeram apaixonou-se pela linda mulher à primeira vista e tinha medo que, ao devolver o manto, ela partisse para longe. “Venha comigo, você pode ficar na minha casa enquanto não encontra seu manto sagrado”.

Eles se casaram e viveram juntos por alguns anos. Mas Tanabata olhava para as estrelas todas as noites, ela tinha muita saudade de seu reino. Todos os dias Mikeram saía para trabalhar e Tanabata ficava em casa, com os passarinhos. Um belo dia, ela viu um passarinho bicando algo no telhado e logo percebeu que era o seu manto.

“Então foi Mikeram que pegou meu manto, ele sabia o tempo todo”. Preparou-se para partir, vestiu seu manto e ia subindo, quando ouviu Mikeram gritando. “Você encontrou seu manto, me perdoe, não vá, eu te amo”. Tanabata gritou, “Se realmente me ama, faça mil pares de chinelos e enterre-os perto de um broto de bambu. Assim nós nos encontraremos novamente, eu estarei esperando”. E partiu voando.

Assim, dia após dia e noite após noite, Mikeram produziu chinelos e mais chinelos. Quando finalmente conseguiu juntar mil pares, correu para um broto de bambu e os enterrou. De repente, o bambu cresceu e cresceu. Sem perder tempo, Mikeram subiu até as nuvens. Mas, quando chegou perto do topo, percebeu que não havia mais árvore para subir e ainda faltava um pouco para chegarão topo. Na verdade, ele havia errado na conta, construíra somente 999 pares de chinelo.

“Tanabata, Tanabata, me ajude a subir, sou eu, Mikeram”. Tanabata ouviu os gritos do marido e correu para ajuda-lo. Quando ele finalmente conseguir subir, os dois se abraçaram. Mas de repente, ouviram um grito, “quem é você?”, perguntou o pai de Tanaba a Mikeram.

“Ele é meu marido e eu o amo”, disse Tanabata. O pai não gostou nada de Mikeram, ele era de outro reino e não servia para sua linda filha. “Para ficar aqui, meu rapaz, você terá que cumprir algumas tarefas. Está vendo aquelas cestas, eu quero que você plante todas as sementes que estão nelas”. “Sim, senhor, farei isso.”, respondeu timidamente Mikeram.

Havia milhares de sementes e ao final de três dias, Mikeram plantara todas. “Mas, o que significa isso? Você plantou as sementes no campo errado”, disse o pai, enfurecido. “Você terá que plantar todas novamente e rápido”, ordenou. Pobre Mikeram, levaria anos para achar todas as sementes e planta-las novamente.

Felizmente, Tanabata teve uma grande idéia: chamou seus pássaros de estimação e pediu para que eles achassem e replantassem todas sementes, juntos com outros pássaros amigos. Assim, o céu ficou coberto de pássaros, que cumpriram a tarefa.

O pai de Tanabata mal pode acreditar no que viu. Logo pensou em outra tarefa difícil para Mikeram: ele deveria cuidar da plantação de melancias por três dias e três noites, sem comer ou beber nada. “Tome muito cuidado, Mikeram, melancias são frutas sagradas no meu reino”, advertiu Tanabata, “não coma uma sequer.”

Após dois longos e cansativos dias, Mikeram estava exausto, como muita fome e sede. Ele não resistiu e abriu uma das milhares de melancia. De repente, uma enorme quantidade de água jorrou da melancia, como um rio turbulento, arrastando Mikeram para longe, muito longe do reino das estrelas e de Tanabata.

A partir deste dia, Tanabata e Mikeram se encontram somente uma vez por ano, no dia 7 de julho. Nesta data, o pai de Tanabata convoca todos os pássaros do reino para formar uma grande ponte, que leva Mikeram a Tanabata.
(autor desconhecido)
===================

O Festival Tanabata, ou Festival das Estrelas, combina tradição chinesa com crenças japonesas. Tanabata celebra o encontro de dois amantes míticos simbolizados pelas estrelas: Kengyu (a estrela Altair) e Shokujo (Vega). Estão separados pela Via Láctea, mas reúnem-se uma vez por ano, nos princípios de Julho. Muito famoso, o Festival Tanabata efetua-se de 6 a 8 de Agosto em Sendai, no distrito de Miyagi. Cada família local ergue um poste de bambu, profusamente decorado com tiras de papel colorido. As decorações mais elaboradas são colocadas ao longo das ruas do comércio. Dos tetos dos centros comerciais pendem centenas de decorações em papel, cada uma com mais de dez metros de altura. Na véspera do Festival Tanabata de Sendai, os organizadores montam uma fantástica exibição de mais de 10 mil peças de fogo de artifício para os dois milhões de turistas que assistem. O Tohoku Shinkansen (comboio rápido) leva-os de Tóquio a Sendai em pouco mais de duas horas
--------------------------
Fonte:
Imagem = http://painandpower.blogger.com

Nenhum comentário: