Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Helena Kolody (1912 — 2004)


Nasceu em Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004.

Seus pais nasceram na Galícia Oriental, Ucrânia, mas se conheceram no Brasil, onde se casaram em janeiro de 1912. Passou a maior parte da infância em Três Barras.

Foi professora do ensino médio e inspetora de escola pública.

De 1928 a 1931, cursa a Escola Normal Secundária (atual Instituto de Educação do Paraná).

Consta que foi a primeira mulher a publicar hai-kais no Brasil (1941).

Foi admirada por poetas como Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski, sendo que, com esse último, teve uma grande relação de amizade.

A partir de 1985, quando recebe o Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba, a sua obra passou a ter grande repercussão no seu estado e no restante do País.

Em 1988, é criado o importante Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody", realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná.

Em 1991, é eleita para a Academia Paranaense de Letras.

Em 1992, o cineasta Sylvio Back faz filme "A Babel de Luz" em homenagem aos seus 80 anos, tendo recebido o prêmio de melhor curta e melhor montagem, do 25° Festival de Brasília.

Em 2003, recebe o título de "Doutora Honoris Causa" pela Universidade Federal do Paraná.

Na minha infância conheci já moça a professora cujos olhos azuis irradiavam a ternura de uma eterna amiga. Mais tarde vim a perceber sua visão amorosa refletida em seus poemas, sínteses de suas idéias poéticas. Contemplando uma rosa sobre o muro, animava-a, sua visão era a de que a rosa estava sonhando. Na reflexão sobre o tempo, via -o como um mar que se alarga. Numa viagem de encontro ao sol, uma eterna madrugada. Helena Kolody é prova da visão amorosa do artista. Poesia pura, através de imagens de enlevo, doçura, sentimentos, amor sublimado, Helena descortina o belo e o bem no mundo. (Noel Nascimento)

Bibliografia:
Paisagem Interior (1941), edição da autora;
Música Submersa (1945), edição da autora;
A sombra no rio (1951), edição da Escola Técnica do Paraná;
Poesias Completas (1962), edição da Escola de aprendizagem do SENAI;
Vida Breve (1965), edição da Escola de Aprendizagem do SENAI;
Era Espacial e Trilha Sonora (1966), edição da Escola de Aprendizagem do SENAI;
Antologia Poética (1967), Gráfica Vicentina;
Tempo (1970), edição da Escola de Aprendizagem do SENAI;
Correnteza (1977, seleção de poemas publicados até esta data), Editora Lítero-Técnica;
Infinito Presente (1980), Gráfica Repro-SET;
Poesias Escolhidas (1983, traduções de seus poemas para o ucraniano), Tipografia Prudentópolis;
Sempre Palavra (1985), Criar Edições;
Poesia Mínima (1986), Criar Edições;
Viagem no Espelho (1988, reunião de vários livros já publicados), Criar Edições;
Ontem, Agora (1991), Secretaria de Estado da Cultura do Paraná;
Reika (1993), Fundação Cultural de Curitiba;
Sempre Poesia (1994, antologia poética);
Caixinha de Música (1996);
Luz Infinita (1997, edição bilíngüe);
Sinfonia da Vida (1997, antologia poética com depoimentos da poetisa);
Helena Kolody por Helena Kolody (1997, CD gravado para a coleção Poesia Falada);
Poemas do Amor Impossível (2002, antologia poética);
Memórias de Nhá Mariquinha (2002, obra em prosa);
Viagem no Espelho (1995), Editora da Universidade Federal do Paraná.

Fonte:
A Miranda

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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