Antonio Abel Fernandes (Cascata Poética)
INSPIRAÇÃO
Novamente estou feliz hoje...
A alegria chegou no meio da madrugada
Como uma gaivota de asas prateadas
Planando leve como pluma ao vento...
Chegou como chega uma saudade,
Como chega uma verdade...
Como chega um esperado momento...
Chegou silenciosa...
Como pétala de rosa
Desprendida
E livre...
Chegou como uma folha de outono
Carregada pela brisa fresca e perfumada...
Chegou como um fiapo de algodão ao vento...
Como um leve e etéreo pensamento...
Como o sonho de uma criança feliz...
Como o som de palavras que um jovem enamorado diz
À sua amada...
Chegou como o eco de uma música distante...
Como o canto de um pássaro errante...
Como a primeira gota de chuva em terra quente...
Como o brilho fugaz e tremulante
De uma estrela cadente...
Chegou discreta,
Sem ruído...
Como chega o poeta
Em sua mesa predileta...
Num cantinho qualquer
De um bar
Por aí, perdido...
Chegou de mansinho
Como águia em seu ninho,
Como chega ao telhado o passarinho...
Mas chegou para ficar!
Pois aqui é o seu lugar!
RESPIRAÇÃO
De uns tempos para cá
Estou sentindo algo inusitado!...
Sinto-me feliz, em paz e relaxado!...
Já não me preocupo mais com o presente,
Nem com o futuro...
Esse tirano obscuro
Esse algoz inexorável
Que arrasta tanta gente
A um sofrimento inútil e interminável...
Nem me preocupa mais o meu passado...
O que fiz ontem de certo ou de errado
Tudo já caiu no esquecimento...
Creio até que já fui perdoado!
O amanhã, para mim,
Já não é mais assustador!...
Já não sinto mais aquele medo de doença ou “dor”...
Ouço apenas as batidas do meu coração...
E o ruído agradável e aveludado
Da minha respiração...
Há, sem dúvida alguma
Uma ligação
Entre o meu respirar
E o pulsar
Compassado
Do meu coração...
É no meu respirar que está o mistério,
O segredo
E o sagrado...
Durante o dia eu pratico uma respiração ritmada...
O ar entra e sai dos meus pulmões
Como o descer e o subir harmonioso
Dos degraus de uma perfeita escada!...
De uma forma tranqüila, sem pressa.
E sem agitações...
Sinto uma energia boa percorrendo a espinha...
E uma alegria
Diferente
Que é só minha!...
Creio que é nesta minha habitual atitude
Que está o segredo do meu bem-estar continuado...
E do meu prazer de viver
Pleno de saúde,
Sem tédio e sem enfado!...
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Fonte:
Colaboração do poeta.
Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)
DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.
Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.
Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?
Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.
Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?
Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.
Não tenho água para beber, e estou tão cansado.
Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.
Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.
Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.
Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.
Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.
Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.
Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.
Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.
Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.
Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.
Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.
Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.
Amém.
Coleção Memória Viva: Trovas
Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul
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Almanaque criado por José Feldman, com artigos nos moldes do blog.
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Especial do número 9 - Francisco Neves de Macedo
Um comentário:
Quero expressar aqui minha gratidão por incluir meus dois mais recentes poemas, escritos no dia 14\03\2010, durante a madrugada, neste Boletim Cultural criado e patrocinado por Jose Feldman... É bom ter a nossa disposição, gratuitamente, uma revista virtual literária maravilhosa como esta, graças ao esforço e boa vontade de pessoas tão dedicadas como é o nosso ilustre amigo escritor e poeta José Feldman, um estudioso e pesquisador incansável dessa nossa querida lingua Luso-brasileira... Creio que a maioria dos que colaboram neste boletim o fazem generosamente, amorosamente, sem visar qualquer lucro, a não ser o prazer de divulgar valores já consagrados, e alguns que ainda estão a caminho do reconhecimento e da fama. Mas com certeza a recompensa virá de forma muito mais rica e preciosa do que se poderia imaginar! As flores que doamos aos nossos amigos perfumam também as nossas mãos... Muito obrigado, caro amigo José Feldman, que este Boletim, ou Revista Virtual alcance um sucesso cada vez mais visível e expressivo no Brasil e no mundo. Abraços. Abel Fernandes
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