Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Daniel Mazza (1975)



1975 – Daniel Mazza Mattos nasce na cidade de Fortaleza (CE), Daniel Mazza Matos, filho de Marcílio Dias de Matos e Ivêlda Maria Mazza Matos.

1992 – Escreve os seus primeiros poemas.

1993 – Entra para a faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

1996 – Tem o seu poema “O Muro”, publicado pelo jornal O Bíceps, da Escola Paulista de Medicina, pelo fato de o mesmo ter alcançado o primeiro lugar no concurso nacional de poesias realizado no XXVI Encontro Científico dos Estudantes de Medicina (Maceió-AL).

1998 – Forma-se em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

2000 – Conclui o curso de residência em clínica médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Muda-se para Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

2003 – Conclui o curso de residência em hematologia e hemoterapia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

2004 – Publicação do seu primeiro livro, Fim de Tarde.

2005 – Torna-se mestre em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo.

2007 – Vence o X Prêmio Ideal Clube de Literatura (Prêmio Gerardo Mello Mourão-Poesia) categoria "livro inédito".

Publicação de " A Cruz e a Forca".

2009 – Torna-se doutor em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo.

O premiado poeta e médica cearense, Daniel Mazza Matos teve o seu poema “O Muro”, inicialmente publicado pelo jornal O Bíceps, da Escola Paulista de Medicina, pelo fato de o mesmo ter alcançado o primeiro lugar no concurso nacional de poesias realizado no XXVI Encontro Científico dos Estudantes de Medicina, em Maceió-AL. Depois ele recebeu um segundo concurso: o X Prêmio Ideal Clube de Literatura - Premio Gerardo Mello Mourão, pelo seu segundo livro “A cruz e a forca”.

Assim , Daniel Mazza traz, inicialmente, o seu primeiro livro “Fim de tarde”, que é formado de três partes, a primeira delas “O começo da tarde” dedicado aos sonetos; depois “o meio da tarde”, trazendo odes e outros poemas; até “O fim da tarde” onde o poeta expressa os seus haicais.

O livro ainda acompanha um posfácio, com o poema “Fim de tarde”:

Vejo ao longo
O horizonte
No fim de tarde
O sol aconchega-se
Atrás nuvens...
No fim de tarde
Onde os pássaros bailam no poente...
Onde as chaminés das casinhas da roça
Assopram os últimos laivos de fumaça...
Onde os sinos das igrejas badalam
Três vezes as ave-marias
Onde as crianças correm nos parques
E adulçonaram-se com sorvetes...
No fim de tarde
Onde a vida é morna
Onde a dor é branca.
No fim de tarde
Onde a esperança
Cheira a mato molado
E
Resplandece no amarelo-ouro
Do arrebol...
(suplícios
as angustias
as vinganças
adormecem
no fim de tarde...)
no fim de tarde
onde nos sentimos
mais humanos.
O sol está cansado...
O impávido
Sol
Está cansado.
Meu Deus
Estou cansado...
Estou deveras cansado...
Luzem as primeiras estrelas
No céu ainda claro...
Minha alma vespertina
Cansada
No fim de tarde....


Neste livro Daniel Mazza demonstra o seu vigor poético em sonetos, odes, haicais, tudo em sua múltipla expressão poética, a ponto de levar o poetamigo e professor de Literatura Brasileira da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Leontino Filho a expressar a respeito: “(...) Sua poética respira a mais ardente sensibilidade, consegue nos repassar o sentimento de tranqüilidade, um halo de serenidade e uma sensação de paz ausentes nos dias que correm. (...) FIM DE TARDE revela a grandeza do seu espírito e a força harmônica de sua veia poética, é um livro que nos encanta pela vasta amplitude dos sentimentos de amor, paz, e sabedoria. Em cada verso, a simplicidade (algo tão difícil e, quase nunca, valorizada, pela onda de artificialismo que campeia a arte em geral) dá o tom e o ritmo da serena e precisa musicalidade deste belo FIM DE TARDE”.

Também o poeta e advogado Ronaldo Cagiano comentou sobre o livro: “(...) Na confecção de seus poemas você demonstra grande versatilidade, pois se nota que você transita, com muita ambiência, do clássico ao moderno. (...) Há uma variedade temática em sua poesia, conferindo, assim, um caráter de universalidade”.

Por fim, a poeta, professora universitária e acadêmica sul-mato-grossesse, Raquel Naveira, assinala que: “(....) Um belo livro! Todo no tom melancólico e poético do Crepúsculo, da Tristeza e da Solidão. Você demonstra a segurança do poeta que transita do soneto ao haicai, passando pelos poemas de versos livres, com mão firme e vigor”.

Tais depoimentos só confirmam o valor da poesia e do poeta Daniel Mazza que com o seu segundo livro “A cruz e a forca”, que foi destacado no meu blog Varejo Sortido (http://varejosortido.blogspot.com/2008_02_01_archive.html), ganhou o X Prêmio Ideal Clube de Literatura - Prêmio Gerardo Mello Mourão-Poesia na categoria "livro inédito", levando, inclusive, o poeta, contista e critico literário, Anderson Braga Horta a mencionar: “(...) Neste volume, breve, mas poeticamente significativo, Mazza enfrenta com galhardia, no plano formal, os desafios do verso medido que não se quer rígido, do soneto que se recusa ao bafio das gavetas esquecidas, e, finalmente, do verso livre que se quer genuinamente novo, sem ingenuidades anárquicas. (...) O rigor com que o poeta exerce o seu ofício, bem como, em oximoro apenas aparente, sua metrificação avessa aos rigores parnasianos, evidencia-se, naturalmente, em todo o volume”.

O poeta Daniel Mazza publicou apenas 2 livros e ganhou 2 prêmios. Este jovem com a grandeza de sua expressão, com a maestria da sua dicção e a riqueza de criação, promete ser uma dos mais promissores nomes da poesia brasileira, induvitavelmente. Eu mesmo já aplaudo desde sua primeira publicação, se confirmando no cenário da excelente poesia contemporânea. Aproveite e veja mais desta ótimo poeta acessando o seu sítio pessoal.

FONTES:
MATOS, Daniel Mazza. Fim de tarde. Ribeirão Preto/SP: FUNPEC, 2004.
______. A cruz e a forca. Fortaleza: Book, 2007.
http://www.danielmazza.com/
http://www.sobresites.com.br/poesia/poeta/daniel_mazza_matos.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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