Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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sábado, 24 de abril de 2010

Pedro Silva (Jovens Escritoras Portuguesas)


Ao longo da minha vida aprendi a apreciar a literatura. Sem sucesso procurei, nos últimos anos, concretizar um projeto de revista literária e cultural, em formato impresso. Deste modo, resta-me a interessante alternativa da crónica literária. Assim nasce, portanto, a presente iniciativa que pretende manter a relevância e qualidade pretendida, no que diz respeito à divulgação da literatura de Portugal.

Sucinto, fluido e aberto a todos os que estejam interessados na literatura de qualidade, este espaço é, portanto, de todos nós.

Tal como o próprio título indica, este é o local para discorrer sobre jovens escritoras portuguesas. Portanto, de forma automática, isso significa que aqui estarão presentes as obras e as autoras de que realmente gosto, após efetivo conhecimento, por intermédio da leitura, de algumas das suas obras.

Infelizmente, para muitos a palavra “ler” acarreta uma ideia de algo “maçador”. Porém, é nossa função, enquanto promotores da cultura, demonstrar o contrário. Daí a lista de títulos abaixo ser uma referência lógica para autores de qualidade e obras que despertam o interesse pela leitura.

Centenas, se não mesmo milhares, de obras já nos passaram pelas mãos, tendo lido a sua grande maioria. Até hoje ainda não houve um só título que não nos tivesse ensinado algo. E isso é outro dos grandes trunfos da literatura.

Bendita cultura e benditos momentos de ócio que nos permitem ter acesso a livros tão belos quanto aqueles referidos na presente crónica.

A cultura não é apenas motivo de divulgação intelectual. Da nossa parte, acreditamos que serve também para um intercâmbio entre pessoas do mundo inteiro. E foi com esse intuito que tomámos contacto com escritores de diversas nacionalidades, versando sobre temas diversos. Aqui iremos conhecer vários autores que permite uma maior amplitude no mundo das letras.

Se é verdade que, até por defeito profissional, apreciamos sobretudo os livros de cariz ensaístico, também não é menos real afirmar que, entretanto, após termos tido a oportunidade de contactar com tantos e tão bons autores, renasceu em nós um carinho especial pela boa ficção.

Conforme tem sido possível perceber, podemos viajar imenso, sem sair do lugar, apenas com a magia da literatura. Voemos alto, com os pés bem assentes na terra, pois então…

Desta feita, a nossa opção passar por três escritoras portuguesas, jovens e a criar o seu próprio currículo literário e, quem sabe, o seu próprio lugar ao Sol dentro de uma perspectiva de atividade no campo da escrita.

Em primeiro lugar, deslocamo-nos para o Oceano Atlântico, para visitamos a bela ilha de Angra do Heroísmo, onde conhecemos a autora Sónia Bettencourt Vieira, autora de “Pena e pluma” (2003, 31 pp.) que a coloca como um jovem valor português no campo literário. Com um estilo de escrita bastante moderno, Sónia Bettencourt não se coíbe de aventurar-se por vários estilos literários, como crónicas. Porém, é na poesia que mais se distingue, tendo, recentemente, tido a felicidade de publicar alguns dos seus trabalhos no Brasil, nomeadamente na editora independente Demónio Negro.

Um bom auspício para uma jovem nascida em 1977 que, de forma paralela, se vem destacando profissionalmente no campo do jornalismo. Publicou, igualmente, a obra “As três faces de Eva”, pela portuguesa Corpos Editora e vai paulatinamente criando o seu próprio espaço na literatura nacional. Poderá conhecer melhor o seu trabalho através do seguinte website: http://www.soniabettencourt.com/

Igualmente nascida no ano de 1977, oportunidade agora para conhecer a jovem Cláudia Sousa Mira que, a partir de Lisboa, nos apresenta três obras de cariz vincadamente literário, a saber: “Dançando à margem do infinito” (Carlos Monteiro Editores, 1999, 75 pp.), “Às 24 badaladas do sul ausente” (Ed. Minerva, 2006, 55 pp.) e “Na incógnita de ser quem sou” (Ed. Minerva, 1997, 53 pp.). Particularmente a obra “Dançando à margem do infinito”, em estilo poético, revela-nos a força de uma jovem escritora que, em 65 poemas, aborda ideias e vivências. Para além destes três importantes títulos, Cláudia publicou ainda “Laivos, simplesmente laivos – raiando a terra para além do mar” um livro que a própria autora define como «belo, provocador, irreverente, transfigurador, inquietante».

Natural da cidade de Setúbal, à beira-mar plantada, Cláudia – que, diga-se desde já, é licenciada em Psicologia – mostra-se uma profunda conhecedora dos sentimentos humanos, dominando as palavras como poucos e prometendo novos títulos de qualidade, aguardando pela sua merecida oportunidade de publicação no estrangeiro. Mais sobre a autora em: http://claudiamira.no.sapo.pt/

A mais jovem deste trio de escritoras portuguesas é Ana Macedo que, natural da cidade de Vila Nova de Gaia (1985), em “Sem pecados na culpa” (Gailivro, 2005, 212 pp.) demonstra toda a sua vitalidade literária. Da mesma editora é também a obra “Lágrimas coloridas” (2005), escrita ainda na adolescência e que se tornou o ponto de partida de uma carreira que, actualmente, vai caminhando a passos largos para um justo estatuto de romancista de qualidade. Para além do mais, a sua juventude permite-lhe uma maior proximidade com os jovens leitores.

Deste modo, Ana Macedo vem desenvolvendo importante divulgação da literatura, em escolas, demonstrando que compete a todos os escritores uma parte activa na promoção dos livros, do saber e da cultura. O espaço da autora na Internet encontra-se em: http://anamacedoescritora.blogs.sapo.pt/

Com alguma nostalgia à mistura, mas com a sensação de dever cumprido, chegamos ao fim desta crónica literária. Não apreciamos despedidas, até porque, também no campo das letras, os textos escritos podem ser lidos até ao infinito, desde que permaneça um registo do que escrevemos. Aos autores que destacámos, o nosso agradecimento e, naturalmente, fortes encómios pela qualidade da escrita, pela amabilidade na troca de contactos e votos de sucesso para o futuro.

É com todos eles que nós, leitores, iremos formar – segundo creio – uma “aliança” cultural, que promova a literatura e que dê espaço para novos escritores.

Fonte:
Colaboração do Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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