Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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Coleção Memória Viva
Paraná Poético
Almanaque Paraná de Trovas
Trova Brasil
Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul

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quarta-feira, 31 de março de 2010

J.G. de Araujo Jorge (A Poesia Popular)


Somos felizmente um povo inteligente e de grande sensibilidade. Se querem um exemplo da inteligência do povo brasileiro, de sua filosofia, do seu senso de humor, procurem observar as frases que comumente se encontram escritas nos parachoques ou na própria carroceria dos caminhões que trafegam pelas estradas.

São de uma graça e de uma acuidade, às vezes profundas, em sua simplicidade. Sozinhos, viajando durante dias, longe do lar e de seus amores, os motoristas de caminhões são como os marinheiros. Mas a permanente presença da terra, tira-lhes á saudade aquele tom de grande lirismo do homem do mar, realmente desligado de tudo, cercado de silêncios e horizontes. E espouca em seus espíritos a sátira, a alegria boemia dos que fazem a vida de aventuras, em prazeres de cada momento.

Já pensei em comprar um caderninho para anotar as frases que leio nos parachoques dos caminhões. Tenho a convicção de que acabaria por ter um verdadeiro retrato do espírito popular, um verdadeiro "compêndio" dessa filosofia de vida, tão interessante e cheia de sutilezas, do homem da rua.

Uma das trovinhas que compõem o meu "Cantigas de Menino Grande" eu a fiz, aproveitando um pensamento de uma dessas frases que vi num caminhão, quando dirigia meu carro rumo a Friburgo. Dizia o seguinte

"Eu dirijo, Deus conduz".

Nada mais, simples e profundo. E pensando no que acabara de ler fui arrumando mentalmente os outros versos, já que o pensamento vinha num verso de sete sílabas. No meio da serra a quadrinha estava pronta:

"No meu carro vou tranqüilo
tenha a estrada sombra ou luz,
pois bem sei que ao dirigi-lo:
- eu dirijo, Deus conduz.

Numa crônica que preparei para volumes anteriores desta coleção, afirmei:

"Do mesmo modo que os provérbios e adágios representam o pensamento do povo que se vai cristalizando através do tempo, as trovas, são a sua alma. E os poetas, tocados pela "graça" das trovas, os intérpretes dessa alma."

O povo fala em versos, sem sentir e, instintivamente, nos seus provérbios e sentenças, procura a rima, que é um elemento oral de enfeite e de memorização mais fácil. Observem os provérbios. este, por exemplo, bem conhecido:

"Água mole em pedra dura
tanto bate até que fura."
Dois. versos de sete sílabas, rimando.

E este outro:
"Ha sempre um chinelo velho
Pra um pé doente e cansado."

Glosei, também, numa trova:

O tal ditado é um conselho,
não te mostres desolado...
"Ha sempre um chinelo velho
Pra um pé doente e cansado..."

Nem tal fato é de se estranhar, quando sabemos que as línguas neolatinas esgalharam-se do tronco secular do velho latim, na língua poética, dos trovadores medievais, nas suas cantigas.

Sobre trovas populares e anônimas, escrevi, na crônica citada :

"Uma trova, (ou como a chamam também, uma quadrinha) é tanto mais expressiva quanto maior o grau de fidelidade ou de identidade do poeta com o sentimento popular. Cai então, pode-se dizer, no gosto do povo, que a recolhe, decora e divulga, e sua expansão se faz de modo permanente, extenso e profundo.

Seu processo de popularização é tamanho, que ela acaba desgarrada de quem a criou, filha de ninguém. Ou melhor: lhe arranjam um pai, lhe atribuem uma paternidade, ou várias, o que vem a ser a mesma coisa. É uma trova anônima.

Glória efêmero e paradoxal. No momento mesmo em que a atinge, o trovador a perde. E são quase sempre, as maiores trovas, aquelas que acabam no anonimato, emaranhadas em meio a dúvidas e suposições. Tratando-se de pequenas composições poéticas, facilmente reproduzíveis, acontece com as publicações o mesmo que se dá com a difusão oral. Jornais e revistas de toda a parte, álbuns e cadernos de poesia as divulgam com autores diversos, tornando cada vez mais difícil a identificação, e mais penosa a pesquisa."

"A Ilíada" e a "Odisséia", memorizadas durante séculos pelo povo grego, e mandadas escrever por Psístrato, guardaram a glória de Homero, ainda que lendária, intacta. Eram grandes poemas. Mas as pequeninas trovas, estilhaçam qualquer glória, e torna-se impossível identificar através dos tempos, os nomes dos seus verdadeiros autores, quando elas caem “na boca do povo”
* * *

Mas, trovas populares e anônimas, não são apenas as trovas "eruditas" dos grandes poetas, as trovas literárias, que um dia se perdem no rio da grande popularidade, afogando seus autores. São também as trovas rústicas e imperfeitas que nascem da alma do povo, na boca dos cantadores, dos violeiros, dos sanfoneiros, dos poetas populares anônimos que enxameiam pelo interior do Brasil e de Portugal. Verdadeiros filões de ouro de nossa sensibilidade e de nosso espírito.

Na sua obra, farto acervo de folclore e poesia, "Mil quadras brasileiras", ( "Mil quadras populares brasileiras" (Contribuição ao folclore). Recolhidas e prefaciadas por Carlos Góis. (Catedrático do Ginásio Mineiro, membro da Academia mineira de Letras). F. Briguet & Cia., Editora. Rio de Janeiro. 1916).

Carlos Góis observa:

“É no interior do país, longe do bulício convencional e cerimonioso das grandes cidades, onde mais intensamente floresce a poesia popular.
Quem se internar no sertão do Brasil, verá, na razão direta da distância dos grandes centros populosos, a expandir-se a alma do povo em expressões rítmicas de um cunho espontâneo, subitâneo, flagrante. Só quem como nós já assistiu de viso, aos descantes ao som da viola e do violão, poderá aquilatar do grau de fluência e espontaneidade que jorra da musa popular".

Ainda recentemente, aqui no Rio, tive a oportunidade de conhecer os irmãos Batista, (Otacílio e Dimas), exímios cantadores e improvisadores do Nordeste (de Campina Grande), e outros violeiros e repentistas, alagoanos e baianos. Durante horas, com seus violões ao peito, lançam-se reciprocamente desafios, e os versos vão brotando em catadupas, com uma espantosa facilidade, ricos de verve e imaginação.

Rodolfo Cavalcanti, que é, na Bahia, o Presidente do Grêmio Brasileiro de Trovadores, é um poeta popular típico do Norte. Homens simples, emotivos, sem quase instrução, com uma poesia fácil e "bem falante", compõe longos poemas a propósito de tudo. Publica-os em folhetos que ele mesmo vende nas ruas de Salvador. E vive disto, como verdadeiro trovador de seu tempo.

Já se começa a dar valor também a essa manifestação literária do povo brasileiro. Os próprios críticos de gabinete, desligados até agora das raízes de nossa formação literária voltam-se para o estudo e a observação de extraordinário manancial de riquezas. O atual surto de trovadores, verdadeiro movimento ,de incentivo à poesia popular, obriga-os a reconsiderarem suas atitudes puramente intelectuais, e a perceberem o que há de autêntico e real nessa manifestação -de nossa sensibilidade e de nossa cultura.
Não foi sem razão, que defini:

Ó trovador: professor
de poesia popular!
Com suas trovas de amor
o povo aprende a cantar!

Fonte:
J. G. de Araújo Jorge. Cem trovas populares. Coleção Trovadores Brasileiros.

Márcia Maia (Cristais Poéticos)


CARTA DE NAVEGAÇÃO

romper cadeias e escrever além dos códices
e dos modismos da vanguarda — além do cânone
ultrapassar a concisão do verso mínimo
compor sonetos no rigor de rima e métrica
tentando ingleses portugueses e simétricos
aventurar-se do insensato ao ultra-lúcido
do social ao pornográfico e ao lírico
e ainda ousar o verso livre e — sem metáforas
desembocar meio a haicais belos e herméticos
e retornar a esgrimir o econômico
minimalismo da palavra exposta ao máximo
usufruir a criação de modo ávido
na liberdade de dizer-se o que é legítimo
fiel apenas à poesia em si e à ética

(BARR)OCO

um oco mais oco que o oco
do coco esquecido da água
que escorre do oco do coco
e um oco mais oco que o oco
no corpo do coco destrava

um oco mais oco que o oco
um oco sem corpo e sem coco
um oco mais copo que corpo
repleto do oco mais oco
que o oco do oco — nonada

ÔMEGA

voem os peixes sobre as árvores de enforcados
e no escuro mais profundo do oceano possam
os pássaros finalmente erguer seus ninhos

teça o vento tsunamis de estrelas de napalm
que derramem-se e derretam todo olho toda pele —
salgue o sangue o que era leite o que era rio

e da terra que era terra e que ora nada nenhuma
vida rebente até que em frio faça-se o quente
até que o que era consciência seja caldo elemental

até que um deus qualquer desperte e o ciclo todo recomece

O QUADRO

complacente ela se aquieta e espia
não o toca nada neles diz intimidade

estão ali há séculos imóveis sentados
o silêncio retumbando em cores vívidas

SEQUÊNCIA

toco a teia de ausência nesta tarde
que semelha mais outono
que verão

e o silêncio se me gruda à pele e arde
qual lamento de sem dono
gato ou cão

colhendo fado e infância em cada parte
deste réquiem de abandono
sem perdão

que ora entoo

QUASE UM FREVO-CANÇÃO

era a noite era o pátio era o frevo
era o povo era o passo era a rua

a cerveja esfriava na mesa
e uma a uma as orquestras passavam

se uma história doída findava
(sem sequer revelar-se à tevê
cuja luz bem ali se acendia)
uma nova se já pressentia
(só a lua sabia o porquê)
quando spok edgar jazzeava

e as canções do coral evocavam
do passado o valor e a beleza

nos despiram depois noite e lua
e mais nada direi — não me atrevo
============

Márcia Maia (1951)



Márcia de Souza Leão Maia nasceu em Recife em 1951. Médica e poeta.

Teve seus poemas primeiramente publicados na Revista Poesia Sempre nº 15, da Fundação Biblioteca Nacional, em novembro de 2001. Apesar de ter começado a publicar recentemente Márcia é uma das poetas recifenses que vem ganhando destaque na cena literária pernambucana e o seu talento vem sendo reconhecido e seus livros premiados em vários concursos de poesia.

Em 2002, Espelhos foi premiado no 3º Concurso Blocos de Poesia; Cotidiana e virtual geometria ganhou o Prêmio Violeta Branca Menescal, concedido pelo Conselho de Cultura de Manaus, em 2007 e em 2008 o livro Onde a Minha Rolleiflex? venceu o Concurso de Poesia Eugênio Coimbra Júnior, promovido pelo Conselho de Cultura da Cidade do Recife.

Ainda nesse ano seu poema quase um réquiem obteve o segundo lugar no Prêmio Off-Flip.

Poeta articulada na intenet edita com regularidade os blogs tábua de marés e mudança de ventos e faz parte do site escritoras suicidas.

Livros:
Espelhos - Livro Rápido/Recife, 2003;
um tolo desejo de azul - Livro Rápido/Recife, 2003;
Olhares/Miradas - coleção Poetas de Orpheu, Livraria e Editora do Maneco, RS, 2004;
em queda livre - Edições Bagaço/Recife, 2005;
cotidiana e virtual geometria - Editora Muiraquitã/ Manaus, 2008.

Participação em coletâneas:
Antologia Poetrix - Editora Scortecci;São Paulo, 2002;
Antologia Escritas - Edição dos autores, 2004;
Poesia do Nascer (organizada por Mário Cordeiro), editada em Lisboa/Portugal, 2005;
Pernambuco, terra da poesia (organizada por Antônio Campos e Cláudia Cordeiro) – IMC/Escrituras, 2005;
Poesia nos Blogs, editada em Portugal - Apenas Livros Ltda, 2006;
Saboreando Palavras - SESC/MG, 2006.
Livro da Tribo - Editora da Tribo, 2004, 2005, 2007, 2008 e 2009.

blogs da poeta
http://tabuademares.blogger.com.br
http://mudancadeventos.blogger.com.br

Fonte:
http://www.interpoetica.com/

Pedro Silva (O "Meu" Brasil)


Parece incrível aquilo que vou aqui afirmar, mas "achei" o Brasil há poucos anos (cerca de sete). Para todos aqueles que julgavam que o "achamento" do Brasil se tinha concretizado em 1500, será uma declaração assaz polêmica. Mas, naturalmente, quando me refiro a Brasil, não estou a entrar em questiúnculas históricas, mas sim a falar do "meu" Brasil, de um espaço físico aonde jamais fui, mas que a Internet trouxe até mim por volta de 1997/98.

Nessa altura era ainda um muito jovem aspirante a escritor, mas foi então que nasceu o meu fascínio pelo país e povo que habita nesse meu país-irmão. Poderão indagar-se da razão, mas, para ser absolutamente sincero, nem eu consigo responder de forma directa e inequívoca - muitos apaixonam-se pelo Brasil pelo fato de ser um país solarengo (mas para quem, como eu, não aprecia sobremaneira o calor, e, para além disso, nunca foi ao Brasil, isso não seria uma razão válida); outros apaixonam-se pelas paisagens paradisíacas (apenas as conheço por televisão, livro ou ecrã de computador - e pode ter pesado um pouco nesta minha paixão, mas não creio que totalmente); ainda outros, finalmente, apreciam o modo aberto e franco do povo brasileiro (parece-me, de fato, ser este o motivo; nós, portugueses, somos mais introvertidos, mais formais e lidar com os meus amigos e amigas brasileiros deu-me uma nova noção de relacionamentos pessoais).

Desde logo, a par com a labuta diária pela minha carreira literária em Portugal, decidi que o Brasil teria de ser encarada numa perspectiva igualitária ao do meu país, ou seja, sempre que tivesse uma obra pronta a publicar, daria similar possibilidade a editores brasileiros e portugueses de a publicar. É assim que, em 2001, após a publicação da minha primeira obra em Portugal, um ano antes, surge um livro meu editado no Brasil que, ainda hoje, se mantém como referência extremamente positiva do carinho que os brasileiros me proporcionaram.
Sinto, de alguma maneira, estar em dívida para com o povo-irmão, não apenas os muitos milhares que decidiram adquirir aquilo que eu tinha escrito, mas todos os que decidiram apostar nas minhas qualidades de escritor e também todos os que me têm apoiado ainda antes de ver um título meu lançado para as prateleiras das livrarias e que depois disso continuam a ser meus amigos.

Porque, aparte todas as vendas que se possam ou não fazer, no final de "espremida a laranja literária", sobre apenas o "sumo da amizade".

É isso que realmente nos conforta, que nos alegra, que nos dá alento e proporciona que continuemos nestas andanças culturais, em busca de deixar algo aos vindouros.

Não escrevo para mim; escrevo para todos. Obviamente que, se não me der prazer o que estou a escrever, então dificilmente conseguirei fazê-lo. Um verdadeiro escritor (na acepção da palavra que me tem guiado nestes, ainda, parcos anos) pensa, em primeiro lugar, no leitor e só depois na sua própria pessoa. Porque, se pensar em escrever para si, não valerá a pena publicar.

Não pretendendo alongar-me muito mais nesta minha primeira colaboração neste simpático espaço cultural da Internet, não queria terminar sem agradecer aos fazedores deste website, endereçando-lhes os parabéns pelo fato de conseguirem levar a bom porto a sempre complicada nau literária.

E o "meu" Brasil, esse, continua sempre aqui no coração. Tal como a vontade de um dia vir a conhecer fisicamente esse espaço geográfico que povoa a minha mente de uma maneira tão esplendorosa.
___________________
Nota de José Feldman: O website que o escritor se refere é o Casa da Cultura, de meu irmão de letras e de jogo de xadrez, André Masini.

Fontes:
http://www.casadacultura.org/
Pintura = http://www.caminhodasindias.blog.br/

Pedro Silva



O autor Pedro Silva nasceu em Tomar (Portugal). Cedo deu provas do seu interesse pela escrita, tendo alcançado o seu primeiro prêmio literário com apenas dez anos de idade. Colaborador assíduo de diversos órgãos de comunicação social, o autor alcançou a sua estréia literária em 2000, através da obra sobre os Templários chamada "Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã". Um ano depois lançou no Brasil "História e Mistérios dos Templários". No ano de 2002, lança-se no campo da ficção, com um conjunto de contos apelidados "Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como a tempestade)".

Com o lançamento de "Ku Klux Klan: Pesadelo Branco", o autor reata a sua paixão pelo ensaio histórico, é um estudo intenso sobre a sociedade secreta norte-americana. Em 2005, lança "Tripla Imparável I: Juventude em Acção".

Paralelamente a isso, é cronista dos seguintes órgãos de comunicação portugueses:
Tribuna da Marinha Grande, Jornal O Templário, O Almonda e foi Diretor da revista templária "Das Brumas do Templo e do Graal.

Bibliografia:
- "Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã" (Ulmeiro, Portugal, 2000) Ensaio
- "História e Mistérios dos Templários" 2ª Edição Esgotada (Ediouro, Brasil, 2001) Ensaio
- "Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como a tempestade)" Esgotado (Publicações Senso, Portugal, 2002) Contos
- "Ku Klux Klan: Pesadelo Branco" (Magno Edições, Portugal, 2003) Ensaio
- "Tripla Imparável I: Juventude em Acção" (Magno Edições, Portugal, 2005) Ficção Juvenil
- "Os Templários e o Brasil" (Flâmula Editora, Brasil, 2005) Ensaio
- "Templários em Portugal (a verdadeira história)" (Ícone Editora, Brasil, 2005) Ensaio
- "Templários em Portugal (a verdadeira história)" (Dinalivro/Ícone Editora, Portugal, 2005) Ensaio
- "Templários (Ordem Militar e Religiosa)" (Catedral das Letras, Brasil, 2005) Ensaio
- "Confraria Mística Brasileira: a História" (MAP, Brasil, 2006) Ensaio
- "Símbolos e Mitos Templários" (Centauro Editora, Brasil, 2006) Ensaio
- "Mistérios da Humanidade" (Via Occidentalis, Portugal, 2006) Ensaio
- "O Sol de Rita" (Corpos Editora, Portugal, 2006) Ficção
- "Roteiro Místico de Portugal" (Editora Leitura, Brasil, 2006) Turismo
- "Assassini (uma seita esotérica)" (Via Occidentalis, Portugal, 2006) Ensaio
- "História dos Lusitanos" (Editora Prefácio, Portugal, 2006) Ensaio
- "Romance na Net" (Idea Editora, Brasil, 2006) co-autor: Eliete Madureira / Ficção
- "Os Grandes Mistérios da Humanidade" (Axcel Books, Brasil, 2006) Ensaio
- "Já Passou" (Corpos Editora, Portugal, 2006) Ficção
- "Assassinos" (Pulso Editorial, Brasil, 2006) Ensaio
- "O Código da Maçonaria" (Universo dos Livros, Brasil, 2007) Ensaio
- "1977" (Pulso Editorial, Brasil, 2007) Crónicas
- "Portugal-Brasil: A Aventura do Descobrimento" (LGE Editora, Brasil, 2007) co-autor: Jean Angelles / Ilustrações: Gleydson Caetano / Ficção Infantil
- "Cátaros (história de uma heresia)" (Via Occidentalis, Portugal, 2007) Ensaio
- "História Mística de Portugal" (Saída de Emergência, Portugal, 2007) Ensaio
- "Templarios (Cruz y Medialuna)" (Bajo Los Hielos, Chile, 2007) co-autor: Sergio Fritz Roa / Ensaio
- "Roteiro do Portugal Templário" (Letras e Magia, Brasil, 2007) Turismo
- "História Mística do Brasil" (Centauro Editora, Brasil, 2007) Ensaio
- "Codex Templi (Os Mistérios Templários à Luz da História e da Tradição" (Zéfiro, Portugal, 2007) participação como autor do capítulo XXX "Os Templários e o Brasil (Terra de Vera Cruz)" / Ensaio
- "O dia em que a Corte Portuguesa chegou ao Brasil" (Pulso Editorial, Brasil, 2007) Ensaio
- "Tomar (cidade templária)" (Edições Outrora, Portugal, 2007) Ensaio
- "As Maiores Personalidades da História" (Universo dos Livros, Brasil, 2007) Primeiro Volume da Colecção "História Extraordinária do Mundo" / Ensaio
- "O Nascimento do Reino de Portugal" (Edições Chimpanzé Intelectual, Portugal, 2007) Ilustrações: Filipa Canhestro / Ficção Infantil
- "Templários (História Integral)" (Letras e Magia, Brasil, 2007) Ensaio
- "Dos Templários à Ordem de Cristo" (Via Occidentalis, Portugal, 2007) Ensaio
- "As Maiores Civilizações da História" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Segundo Volume da Colecção "História Extraordinária do Mundo" / Ensaio
- "Aljubarrota: da Independência à Grande Batalha" (Edições Chimpanzé Intelectual, Portugal, 2008) Ilustrações: Filipa Canhestro / Ficção Infantil
- "Los Templarios en España y Portugal" (Editorial Europa Viva, Espanha, 2008) Tradução: Maiquel da Costa Brito / Ensaio
- "Os mais belos lugares para se conhecer (antes que eles acabem)" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Ensaio
- "A Magia das Palavras" (LGE Editora, Brasil, 2008) Ilustrações: Fernando Reis / Ficção Infantil
- "Grandes Enigmas do Passado (Desvendando o Inexplicável)" (Pulso Editorial, Brasil, 2008) Ensaio
- "A Lança Sagrada de Hitler" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Ensaio
- "Baphomet – um enigma templário" (Letras e Magia, Brasil, 2008) Ficção
- "Ordem dos Assassini: os primeiros terroristas da humanidade" 1ª Reimpressão (Pulso Editorial, Brasil, 2009) Ensaio
- "Historia Misteriosa de España y Portugal" (Editorial Europa Viva, Espanha, 2009) co-autor: Jordi Buch Oliver / Tradução: Maiquel da Costa Brito / Ensaio
- "Portugal (país de tradição)" (Ramiro Leão, Portugal, 2010) Ensaio

Fontes:
– Colaboração do autor.
http://www.misteriosantigos.com/
- Foto: http://www.blogdamulher.com

terça-feira, 30 de março de 2010

Trova 135 - Pedro Mello (São Paulo)

II Jogos Florais de Caxias do Sul - 2010 (Classificação Final)


UBT SEÇÃO DE CAXIAS DO SUL E ACADEMIA CAXIENSE DE LETRAS

TROVAS PREMIADAS

ÂMBITO NACIONAL = TEMA "TREM"

VENCEDORES


O trem da vida ao destino
chega no horário marcado:
- Por que não desce o menino
que embarcou tão animado?
Olympio Coutinho - Belo Horizonte/ MG

Na ferrovia do ardor...
a paixão dita o preceito:
sou trem que conduz... o amor,
sobre os trilhos do teu leito!G
Ailto Rodrigues - Nova Friburgo/ RJ

MENÇÃO HONROSA

Prevendo a grande viagem
a qual farei qualquer dia,
reservei uma passagem
para o trem da poesia.
Adilson Galvão - Nova Friburgo/ RJ
-

O “te esquecer” me conflita
e a razão manda que eu tente
mas...quando a saudade “apita”,
cresce um “trem” dentro da gente!
José Ouverney - Pindamonhangaba/ SP
-
MENÇÕES ESPECIAIS

Na estação do meu anseio,
nos perdemos de nós dois...
-Não foi o trem que não veio:
fui eu que cheguei depois...!
Pedro Mello - São Paulo/ SP

Lá vai o trem ofegante
montanha acima, e um véu
de fumaça esvoaçante
falseia nimbos no céu!
Francisco José Pessoa - Fortaleza/ CE

ÂMBITO ESTADUAL = TEMA "TRILHO"

VENCEDORES

Penso que assim como os trilhos
levam e trazem o trem,
o pai conduz os seus filhos
pelo caminho do bem.
Clênio Borges/ Porto Alegre -RS

Caminhando pelos trilhos
em noites enluaradas,
as estrelas lançam brilhos,
que salpicam as estradas!
Delcy Canalles/Porto Alegre -RS

MENÇÕES HONROSAS

Quando o percurso é distante
e os trilhos correm sem fim,
é bem nesse exato instante,
que Deus alia-se a mim!
Lisete Johnson/Porto Alegre -RS

Doces lembranças guardadas,
no peito, quem não as tem?
de caminhar de mãos dadas
pó sobre os trilhos do trem.
Neoly de O. Vargas/Sapucaia -RS

MENÇÕES ESPECIAIS

Belos gestos de inocência,
bênçãos de amor despertaram,
e, nos trilhos da existência,
só saudade carregaram...
Olga Maria Dias Ferreira/ Pelotas-RS

Quando um filho perde a trilha
perseguindo falsos brilhos,
toda a vida da família,
geralmente, sai dos trilhos.
Milton Sousa/Porto Alegre-RS

ÂMBITO MUNICIPAL = TEMA "COLHEITA"

VENCEDORES

Enquanto a vida se enfeita
com sorrisos e amizades,
vou preparando a colheita
das lembranças e saudades.
Alice Brandão

Cada semente lançada,
com amor e com cuidado,
traz a colheita sagrada
do sonho mais esperado.
Amália Marie Gerda Bornheim

MENÇÃO HONROSA

No momento da partida
queira Deus, Nosso Senhor,
que a colheita desta vida
seja só frutos do amor.
Lucí Barbijan

A nossa farta colheita
árduo trabalho revela:
uma estrada tão estreita
tornou-se fértil e bela!
Jussára C. Godinho

MENÇÃO ESPECIAL

A colheita da estação,
junto aos vastos parreirais,
traz a marca e o coração
dos mais nobres ancestrais...
Amália Marie Gerda Bornheim

Desde o plantio à colheita
quanto trabalho e beleza!
A família satisfeita
alegra de uva a mesa!
Jussara C. Godinho
---------
Fonte:
Colaboração de Giuseppe Stromboli Barbosa

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tatiana Belinky (O Diabo e o Granjeiro)


Um pobre lavrador precisava construir a casa de sua pequena granja, mas não conseguia realizar esse sonho, pois o que ganhava mal dava para alimentá-lo, junto com sua mulher. Por mais economia que fizesse, não conseguia juntar o necessário para começar a construção.

Um dia, estando a caminhar pelo seu pedaço de chão, mergulhado em tristes pensamentos, deu com um velho esquisito que lhe disse com voz desagradável:

— Pára de preocupar-te, homem. Eu posso resolver o teu problema antes do primeiro canto do galo, amanhã cedo.

— Como assim? — espantou-se o lavrador.

— Tu precisas construir a casa da granja, certo? Pois eu me encarrego de construir e entregar-te essa obra, antes do canto do galo, em troca de uma pequena promessa tua.

— Que promessa? Não tenho nada para te oferecer em troca de tal serviço.

— Não importa: o que quero que me prometas é um bem que tu tens mas ainda não sabes. É topar ou largar.

O pobre granjeiro pensou com seus botões “o que é que eu tenho a perder?” e, sem hesitar
mais, respondeu ao velho que aceitava o trato e fez a promessa.

— Só que quero ver a casa da granja construída, amanhã, antes do canto do galo — observou
ele, ainda meio incrédulo.

E voltou correndo para casa, para comunicar à esposa o bom negócio que acabara de fechar.

A pobre mulher ficou horrorizada:

— Tu és um louco, marido! Acabas de prometer àquele velho, que só pode ser o próprio diabo, o nosso primeiro filho, que vai nascer daqui a alguns meses!

O homem, que não sabia da gravidez, pôs as mãos na cabeça, mas não havia mais nada a fazer: o pacto estava selado.

A mulher, porém, que não estava disposta a aceitá-lo, ficou pensando num jeito de frustrar o plano do diabo.

E naquela noite, sem conseguir dormir, ficou o tempo todo escutando apavorada o barulho que o demônio e seus auxiliares infernais faziam, ao construírem a tal obra, com espantosa rapidez. A noite ia passando, aproximava-se a madrugada.

Mas, pouco antes de o céu clarear, quando faltavam só umas poucas telhas para a conclusão da obra, a atenta mulher do granjeiro pulou da cama e, rápida e ágil, correu até o galinheiro, onde o galo ainda não despertara.

Tomando fôlego, imitou o canto do galo, com tal perfeição que todos os galos da vizinhança, junto com o seu próprio, lhe responderam com um coro sonoro de cocoricós matinais, momentos antes do romper da aurora.

Como um trato com o diabo tem de ser estritamente observado, tanto pela vítima como por ele mesmo, a obra em final de construção teve de ser parada naquele mesmo instante, por quebra de contrato “antes do primeiro canto do galo”.

E o diabo, espumando de raiva por se ver assim ludibriado e espoliado, se mandou de volta para o inferno, junto com seus acólitos, para nunca mais voltar àquele lugar.

Mas a casa da granja permaneceu construída, para alegria do granjeiro, faltando apenas umas poucas telhas que jamais puderam ser colocadas.

Fonte:
O diabo e o granjeiro. In: Revista Nova Escola, BELINKY, Tatiana. São Paulo, n. 84, mar. 1995.

Tatiana Belinky toma posse na Academia Paulista de Letras


Dia 15 de abril de 2010, às 19,00 horas, no Colégio Dante Alighieri, haverá a solenidade de posse de TATIANA BELINKY, a grande dama da Literatura e da TV e tradutora das obras russas no Brasil, na ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, com saudação do acadêmico FRANCISCO MARINS.

Tatiana Belinky é uma das escritoras de livros infantis mais conhecidas no Brasil. Curiosamente, ela nasceu na Rússia, em 1919, e veio pequena ao Brasil, com apenas dez anos de idade. Além dos livros infantis, Tatiana ficou famosa por ter sido responsável pela primeira adaptação do "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", de Monteiro Lobato, para a televisão. Já recebeu muitos prêmios pelas suas histórias e trabalhos realizados na televisão e no teatro. Nesta entrevista concedida ao CRE, a escritora reafirma a importância do hábito da leitura para as crianças.

"Capitu que me desculpe, mas a Emília é a maior heroína literária brasileira". Esta declaração já virou marca registrada de Tatiana Belinky, que acaba de completar 91 anos e também de entrar para a Academia Paulista de Letras. "Nunca imaginei que fossem me indicar, fiquei até um pouco assustada. Mas fui eleita e agora vou à festa da posse. Estou pensando em quem convidar", diverte-se a escritora com o entusiasmo infantil que nutre desde menina, quando queria ser bruxa para praticar travessuras sem receio. Ruth Rocha, sua amiga e membro da Academia, participou do convite, o que a deixou ainda mais lisonjeada.

Ainda hoje, Tatiana é apaixonada por Monteiro Lobato e o coloca acima de todos os outros escritores que se dedicaram ao universo da criança, inclusive estrangeiros. O amor surgiu logo no primeiro contato, quando se mudou de São Petersburgo, à época parte da União Soviética, para São Paulo com sua família. Ela vinha munida de toda a cultura cultivada em casa - a mãe cantava, o pai escrevia poesia - e de três idiomas na ponta da língua (russo, alemão e letão). Logo aprenderia muito bem o português, e o adotou como a língua oficial de sua escrita.

Outra novidade de Tatiana são seus contos, entre eles "A coruja e a onça", republicados na coleção Ciranda Cirandinha, da Editora Paulus, que reúne grandes autores da literatura infanto-juvenil. Os volumes vêm engrossar a lista já impressionante de mais de 100 livros publicados, sem contar com as muitas traduções de obras-primas assinadas por ela, como dos contos de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm. Tatiana foi responsável, ainda, pela primeira adaptação de "O Sítio do Picapau Amarelo" para a TV, veiculada na década de 1950 pela Tupi. Seu marido, Júlio Gouveia, dirigia os episódios. Ganhou, mais tarde, o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano em 1989. Além disso, ao longo de sua carreira, traduziu muitos compatriotas, entre os quais Gogol, Tchekhov e Tolstoi, mas a criança sempre foi seu público favorito. "Tomei conta do meu irmãozinho, que me ensinou metade de tudo que sei sobre crianças. Desde então, minha preferência é falar com os pequenos, e sei falar com eles", declara.

Tatiana Belinky em Xeque


Entrevista concedida a Carlos Moraes, para a Revista da Cultura.

Tem mulher mais brasileira que aquela cujo primeiro texto literário que leu em português foi uma história de Monteiro Lobato no verso de um folheto do Biotônico Fontoura? E cujo primeiro êxtase foi ver um cacho de bananas? Escritora, tradutora, educadora, roteirista pioneira de programas de TV para crianças – e russa. Cada vez que se fala de Tatiana Belinky a toada é sempre a mesma. Mais de 70 anos de Brasil, vários prêmios, mais de cem livros escritos em bom português (entre os mais recentes estão O Cão Fantasma e Histórias de Bulka), jeito brasileiro, maroto, de viver e falar, mas russa, todo mundo acrescenta. Então não tem jeito mesmo, é pela Rússia que vamos começar.

CM: A Rússia é grande. Onde mesmo a senhora nasceu?
Em São Petersburgo, que já foi Petrogrado, virou Leningrado e hoje é São Petersburgo outra vez. Uma cidade que surgiu do nada, como Brasília, com Pedro, o Grande trazendo arquitetos e artistas da Itália, da França. Meu pai estava lá completando seus estudos.

CM: Como foi sua infância?
Minha infância foi em Riga, na Letônia. A cidade é banhada pelo Rio Dángava, por onde os navios não paravam de passar a caminho do Mar Báltico. Da janela do nosso apartamento a gente via três grandes pontes, a dos carros, a dos trens e uma que os alemães construíram durante a guerra. No inverno o rio ficava congelado e pelo seu leito passavam pessoas, trenós puxados a cavalo... Na primavera, grandes blocos de gelo começavam a estourar, a explodir. Um barulho infernal, parecia um bombardeio. Um dia vi uma vaca desesperada em cima de um grande bloco de gelo a caminho do mar. As quatro estações eram dramaticamente bem definidas. Os crepúsculos eram lentos. Fui rever São Petersburgo quando fiz 9 anos. E sabe qual foi meu presente de aniversário? Uma visita ao Museu Hermitage. Nunca vou esquecer. As obras famosas, os grandes corredores, e eu ali, deslumbrada com tanta beleza.

CM: Os livros já faziam parte da sua vida?
Se faziam! Eu tinha uma estante bem provida. Nunca me lembro de mim sem livros. Meu pai lia ou me contava histórias. Aos 4 anos eu já sabia ler, primeiro em russo, depois em alemão. Em Riga, as placas das ruas eram em três línguas. Russo, alemão e letão, a língua da terra. Eu morava na Rua dos Navios.

CM: Por que a decisão de emigrar?
Por vários problemas sociais e políticos. A Letônia sempre foi um ponto de passagem. Volta e meia alguém pisava lá e tomava conta. Chegamos como imigrantes, em 1929. Sem nada. Minha mãe já era dentista formada havia dez anos, veio com seus instrumentos. Eu cheguei com uma correntinha no pescoço e um livro na mão. A correntinha tinha medalha do Moisés, o da Bíblia, que eu achava muito parecido com meu avô. O livro era do Turguêniev, de contos. Que tenho até hoje. Está ali, se desmanchando. Precioso, cheiroso. É o próprio cheiro do passado.

CM: E a chegada ao Brasil, como foi?
O navio aportou no Rio e foi um assombro atrás do outro. Minha primeira estranheza no Brasil foi ver o sol se apagar de repente, como uma lâmpada. As pessoas todas de branco e chapéu de palha. Mas sabe qual foi o meu maior susto? Quando vi lá no porto um cacho de bananas. Em Riga a gente só via banana uma a uma, e uma vez por ano. Meu pai trazia de longe. Ela era repartida entre os três irmãos. E, de repente, lá embaixo, aquele cacho enorme. A gente não sabia nada do Brasil, o máximo que imaginava da América eram os arranha-céus de Nova York. Mas aquele cacho de banana ali solto, imenso, de vários andares... Eu disse: “mãe, acho que estamos em Cocanha, aquele país imaginário onde é tudo fácil e a comida chega do céu...” Mais tarde aprendi que o nome científico da banana é Musa Paradisíaca. Por isso acho que, no Paraíso, não foi maçã coisa nenhuma, foi banana...

CM: Como foi sua transição do russo para o português?
Natural. Criança aprende as coisas naturalmente. Mas não perdi o contato com as minhas outras línguas. Logo que nos estabelecemos na Rua Jaguaribe (SP), onde minha mãe abriu seu consultório, nós nos inscrevemos e passamos a alugar livros em duas bibliotecas circulantes, uma russa e outra alemã. Dona Eva Herz, mãe dos fundadores da Cultura, era dona de uma dessas imprescindíveis bibliotecas.

CM: E sua descoberta de Monteiro Lobato?
O primeiro texto que me caiu nas mãos foi um folheto do Biotônico Fontoura com uma história dele no verso. Era uma história do Jeca Tatuzinho. Eu tinha pouco mais de 10 anos e gostei muito, já lia em português com fluência. Mais tarde, tive um sério problema na biblioteca do Colégio Mackenzie, onde estudava. É que não me deixavam pegar os livros que queria. Só podia ler livros para – meninas! Eu tinha uns 12 anos e fiquei escandalizada. Como uma escola pode ter livros para meninas e livros impróprios? Nem sabia direito o que era impróprio, mas já não gostei. Fui me queixar para meu pai. Minha mãe era feminista e comunista, mas, nesses casos, não intervinha. O poeta e contador de histórias era meu pai. Ele foi, sentou na escrivaninha e, em bom português, escreveu dois bilhetes, um para a diretora e outro para a bibliotecária, nos seguintes termos: “Minha filha Tatiana tem a minha autorização para retirar da biblioteca os livros que ela quiser ler”. Foi um escândalo. Então uma fedelha dessas pode ler qualquer coisa? Mas como o pai era a última instância, passei a ler o que quisesse.

CM: Dizem que até no seu casamento com o psiquiatra e escritor Júlio Gouveia os livros foram importantes.
Nosso casamento foi também um encontro de nossas estantes. Tem uma história engraçada. Éramos namorados, durante o dia ele estudava e eu trabalhava, de forma que a gente se encontrava à noite. Eu morava na Rua Itacolomi e depois do jantar íamos passear ali perto, na Praça Buenos Aires. Uma noite, lá estávamos nós conversando num banco quando de repente chega um guarda e pergunta: “mas vocês são namorados mesmo?” Respondi, irritada: “somos sim, e daí? Não pode?” E ele: “não, tudo bem, é que nunca vi namorado falando tanto, vocês só falam”. E a verdade é que tínhamos sempre muito assunto. Júlio era poeta, lia livros diferentes dos meus e tínhamos muitas convergências, mas também muitas divergências. É claro que a gente não só falava, mas aquela noite calhou de ter muito assunto e as discussões foram ficando muito acesas, para o espanto do guarda.

CM: Como começou, por volta de 1952, o trabalho de vocês no teatro?
Na festa de aniversário de uma menina de 4 anos, filha de amigos. Júlio gostava muito de teatro. Ele chegou e disse: “por que, em vez de uma boneca, a gente não dá de presente um teatrinho para essa menina?”. Ele foi e adaptou um trecho do Peter Pan, reunimos os irmãos, os amigos e, na festa, apresentamos o espetáculo. Foi um sucesso. Um funcionário da Secretaria de Cultura sugeriu que a peça fosse aumentada e apresentada no Teatro Municipal, em benefício de uma escola. Outro sucesso. Naquela época, não existia um teatro para crianças. Durante quase três anos fizemos isso. Foi assim que começou o nosso Teatro Escola de São Paulo, num aniversário de criança.

CM: E a televisão?
Nosso grupo foi ficando conhecido e a TV Tupi nos convidou para apresentar algumas peças. Era um teatro meio cinema. Com três câmeras se aproximando, se afastando... O público adorou e o telefone da emissora não parava de tocar: eram pais pedindo mais programas para criança na TV. Começamos com Fábulas de Esopo, fábulas alemãs, peças curtinhas, de uns dez minutos. O nome era Fábulas Animadas. Depois de algumas semanas, a Tupi nos pediu algo brasileiro. Foi então que entrou a adaptação do Sítio do Picapau Amarelo. O primeiro foi o Júlio quem escreveu. Ele tinha experiência, era diretor do teatro amador do Sesc. No segundo espetáculo ele disse: “agora é com você”. E foi assim que virei roteirista.

CM: O espetáculo, claro, era ao vivo. Como faziam em caso de falhas?
O grupo ensaiava muito, horas e horas, às vezes até tarde da noite. Eu já tinha sacado bem o funcionamento das três câmeras, mais o som, a iluminação. Às vezes a câmara passava de um cenário para o outro. Algum problema, o que era raro, a gente simplesmente trocava de cenário. Foi tudo muito heróico e maluco durante... doze anos! E tudo sem contrato. Não queríamos que ninguém interferisse. Comerciais, só antes e depois do espetáculo. O livro, donde saía a história, era mostrado para o telespectador.

CM: A senhora conheceu Monteiro Lobato?
Uma vez, bem antes da TV e mesmo do teatro, ele nos procurou. Eu já estava casada, tinha dois filhos. Uma noite o telefone toca e uma voz meio áspera lá do outro lado pergunta: “Aí é a casa do Júlio Gouveia?” “É, quem quer falar com ele?” “Aqui é o Monteiro Lobato”. A minha reação: “Ah é? Pois então eu sou o rei Jorge da Inglaterra?” Ele riu, me explicou que era ele mesmo, que havia lido um texto do Júlio sobre sua obra e perguntou se podia nos visitar. Às nove horas tocou a campainha. Júlio abriu a porta e ele foi logo dizendo: “Na sua idade, eu tinha a sua cara”. Engraçado que o meu pai disse a mesma coisa quando conheceu o Júlio. Todos queriam ser bonitos como ele!

CM: Como foi a visita?
Conversamos por umas duas horas. Na hora de fazer o café, telefonei para meu irmão Benjamin, pedi que viesse correndo conhecer Monteiro Lobato em pessoa. Tínhamos todos os seus livros, ele era objeto da nossa suprema admiração. Tanto que Benjamin me respondeu: “Isso é hora de trote?” Depois veio correndo e ficou meio paralisado diante da figura do Lobato. Quando apertou sua mão, como que se esqueceu de retirar. Depois me cochichou: “Nunca mais lavo esta mão”.

CM: Cinema, televisão e, agora, Internet. Que será do livro?
Nada jamais vai substituir o livro. O livro é algo seu, você leva aonde quer, lê, relê, é um amigo mesmo. Nada como ele para estimular a cabeça, a imaginação. Um mesmo livro é quantos leitores ele tiver. Porque cada um deles vai entender do seu jeito. Outro milagre: em cada releitura o livro é diferente para a mesma pessoa. O livro que alguém relê aos 40 anos vai dizer coisas diferentes daquelas da primeira leitura, aos 20... Um bom livro não tem começo nem fim, é infinito.

CM: Como os pais podem estimular a leitura?

Lendo, tendo livros em casa. Criança é curiosa, graças a Deus. Se vê um livro ali, fechado, ela vai abrir. Mas tem de ter o livro. O Ziraldo diz que ler é mais importante que estudar. Porque para a criança o importante não é estudar, é aprender. E ela aprende o tempo todo. Profissão de criança é aprender, mesmo quando está brincando. Especialmente quando lê, está aprendendo.

CM: O que é um livro bom para as crianças?
Minha neta disse uma vez: “Sabe, Tati, livro que não dá pra rir, que não dá pra chorar e não dá pra ter medo não tem graça”. É isso aí.

CM: O que um escritor de livros infantis deve levar em conta?
Senso de humor é importante. E não se preocupar muito com a moral da história. Com esse negócio de isso pode, isso não pode, isso é bonito, isso é feio, isso é de menino, isso é de menina... Desde pequena gosto de fábulas, mas sempre achei que a tal moral da história é um desaforo. A boa história é a que se explica por si mesma. E se a criança quiser entender de uma forma diferente? Mais original, mais bonita, mais dela? A criança sabe tirar suas conclusões. Ética é bom, mas não deve ser imposta. Criança tem muito senso de justiça.

CM: Dentre seus muitos livros, Coral de Bichos, O Grande Rabanete, tem um que se chama Limerique das Coisas Boas. O que vem a ser um limerique?
O limerique é um estilo de verso inspirado numa cidade da Irlanda, Limerick, e desenvolvido pelo poeta Edward Lear. São cinco linhas, três versos rimando, o primeiro, o segundo e o quinto; o terceiro e o quarto, mais curtos, rimam entre si. Isso dá ritmo, é ótimo para fazer algumas brincadeiras. Aprendi na Playboy americana. Claro que o autor lá se valia do limerique de uma forma maliciosa. Mas aí eu pensei: posso brincar com isso de outra maneira. A idéia é ressaltar uma coisa que é o contrário do que penso, e a criança, que não é nada boba, vai entender direitinho. Olha este exemplo aqui:
“Quem pensa que eu sou uma ogra
No seu pensamento malogra.
Língua bifurcada?
Só quando enfezada.
Porque eu sou mesmo é sogra.”

CM: A senhora é escritora de sucesso, foi pioneira na televisão e uma guerreira do livro. Qual é, na sua visão, a grande figura feminina da literatura brasileira?
Capitu e Machado de Assis que me perdoem, mas é a Emília, do Monteiro Lobato, por sua impertinência e sua independência. Ele conta que, quando estava ali, formatando seus textos, a Emília ficava ao seu lado, dando palpites, cobrando. Um dia ele perguntou: “Quem é você, afinal?” Ela respondeu: “Eu sou a independência ou morte

Fonte:
Revista da Cultura – edição 3 – outubro de 2007.

sábado, 27 de março de 2010

Trova 134 - Nei Garcez (Curitiba/PR)

Hilda Persiani (Antigamente era assim...)

Confeitaria Colombo (Rio de Janeiro)
Depois do cochilo costumeiro da tarde,
Diante do espelho, as vaidosas mocinhas,
Davam seu último retoque e com alarde,
Saiam com as amigas . Nunca sozinhas ...

Na esperança que na Confeitaria elegante,
Como naquele tempo era de costume,
Encontrassem um belo rapaz galante,
Que ao vê-las belas, sentindo seu perfume,

Entre todas, por uma delas se encantasse
E se aproximando, com o peito a ofegar,
Com a voz embaraçada, lhe dissesse :

Você é a moça que elegi para minha rainha,
Com os seus lindos olhos vivo a sonhar,
Se você quiser, serei seu e você, será minha! ...
==============


O Teatro no Brasil

Teatro Brasileiro de Comédia
O teatro no Brasil surgiu no século XVI, tendo como motivo a propagação da fé religiosa. Dentre uns poucos autores, destacou-se o padre José de Anchieta, que escreveu alguns autos (antiga composição teatral) que visavam a catequização dos indígenas, bem como a integração entre portugueses, índios e espanhóis. Exemplo disso é o Auto de São Lourenço, escrito em tupi-guarani, português e espanhol.

Um hiato de dois séculos separa a atividade teatral jesuítica da continuidade e desenvolvimento do teatro no Brasil. Isso porque, durante os séculos XVII e XVIII, o país esteve envolvido com seu processo de colonização (enquanto colónio de Portugal) e em batalhas de defesa do território colonial. Foi a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822.

O ator João Caetano formou, em 1833, uma companhia brasileira. Seu nome está vinculado a dois acontecimentos fundamentais da história da dramaturgia nacional: a estréia, em 13 de março de 1838, da peça Antônio José ou O Poeta e a Inquisição, de autoria de Gonçalves de Magalhães, a primeira tragédia escrita por um brasileiro e a única de assunto nacional; e, em 4 de outubro de 1838, a estréia da peça O Juiz de Paz na Roça, de autoria de Martins Pena, chamado na época de o "Molière brasileiro", que abriu o filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da tradição cênica brasileira.

Gonçalves de Magalhães, ao voltar da Europa em 1867, introduziu no Brasil a influência romântica, que iria nortear escritores, poetas e dramaturgos. Gonçalves Dias (poeta romântico) é um dos mais representativos autores dessa época, e sua peça Leonor de Mendonça teve altos méritos, sendo até hoje representada. Alguns romancistas, como Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, e poetas como Álvares de Azevedo e Castro Alves, também escreveram peças teatrais no século XIX.

O século XX despontou com um sólido teatro de variedades, mescla do varieté francês e das revistas portuguesas. As companhias estrangeiras continuavam a vir ao Brasil, com suas encenações trágicas e suas óperas bem ao gosto refinado da burguesia. O teatro ainda não recebera as influências dos movimentos modernos que pululavam na Europa desde fins do século anterior.

Os ecos da modernidade chegaram ao teatro brasileiro na obra de Oswald de Andrade, produzida toda na década de 1930, com destaque para O Rei da Vela, só encenada na década de 1960 por José Celso Martinez Corrêa. É a partir da encenação de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, que nasce o moderno teatro brasileiro, não somente do ponto-de-vista da dramaturgia, mas também da encenação, e em pleno Estado Novo.

Surgiram grupos e companhias estáveis de repertório. Os mais significativos, a partir da década de 1940, foram: Os Comediantes, o TBC, o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro dos Sete, a Companhia Celi-Autran-Carrero, entre outros.

Quando tudo parecia ir bem com o teatro brasileiro, a ditadura militar veio impor a censura prévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Prova disso é que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente.

Com o fim do regime militar, no início da década de 1980, o teatro tentou recobrar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de estímulo a uma nova dramaturgia.

Fonte:
Wikipedia

Alex Giostri (O Ator e a Palavra)

A distância entre o ator e a palavra é tão mínima que nem se quiséssemos nós conseguiríamos separá-los para uma análise mais profunda. É - das profissões, a que mais requer o bom uso e o pleno conhecimento da própria palavra, de seu significado e significante, assim como também de sua simbologia – valor mágico - e de sua identificação com a massa, que é o público.

Um dos exercícios mais importantes e fundamentais para um ator é estar sempre em contato com a boa leitura, com bons livros, bons autores. É prioridade na vida do ator a intimidade com a palavra. E intimidade no sentido pleno mesmo. O ideal é que o ator estude primeiro a sua língua e a sua cultura para então estudar as técnicas de interpretação, ou então que faça as três coisas ao mesmo tempo, em horários diferentes para aproveitar todas as informações oferecidas.

O conhecimento da palavra multiplica a força do ator. Sua habilidade em conduzir uma frase, em pausar no momento correto, em dar a inflexão exata é fundamental para transformá-las, as palavras, em impressões.
É fundamental que as palavras na boca do ator sejam transformadas em impressões. Os espectadores querem ser impressionados por algo, não importa se por algo bom ou ruim, mas quando se deixam levar por uma obra de ficção, o que querem é serem impressionados. E é do ator essa responsabilidade.

Nota-se, portanto, que as palavras são fundamentais para qualquer relação, seja profissional ou pessoal. Não há comunicação sem a existência da palavra, seja falada, pensada, desenhada, enfim. Todas as emoções são emoções, mas também são palavras. Mesmo o silêncio, o silêncio é ausência, mas também é palavra.

É interessante se observarmos que só podemos oferecer um novo mundo a alguém se nós o tivermos desenhado de modo concreto, para nós mesmos. Não importa se o que oferecemos é invisível à maioria, se o que oferecemos não existe de fato; o fato é que se o que oferecemos para uma platéia está construído de modo concreto; se o que oferecemos é fruto de uma vivência interna muito bem elaborada, com recordações emocionais sólidas, todos, sem exceção, abarcarão em nossas sensações e buscarão - cada um com a sua subjetividade e suas palavras, adentrar na nossa experiência e respirá-la como se estivesse lá, concretamente.
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Fonte:
Alex Giostri.
http://www.alexgiostri.com.br/

Qorpo Santo (Hoje Sou um, e Amanhã Sou Outro)



Personagens
Fernando e Carlos, guardas
Eulália e Tibúrcia, damas do Paço
4 Oficiais
Criado
Soldado da Guarda Imperial

ATO PRIMEIRO

Cena Primeira

O REI - (para o Ministro) Já deste as providências que te recomendei ontem sobre os indigitados para a nova conspiração que contra mim se forja!?

MINISTRO - Não me foi possível, Senhor, pôr em práticas vossas ordens.

O REI - Ludibrias das ordens de teu Rei? Não sabes que te posso punir, com uma demissão, com baixa das honras, e até com a prisão!?

MINISTRO - Se eu referir a V. M. as razões ponderosas que tive para assim proceder, estou certo, e mais que certo que V. M. não hesitará em perdoar-me essa que julga uma grave falta; mas em verdade não passa de ilusão em V. M.

O REI - Ilusão! Quando deixas de cumprir ordens minhas?

MINISTRO - Pois bem, já que V.M. o ignora, eu lhe vou cientificar das cousas, que me obrigaram a assim proceder.

O REI - Pois bem: refere-as; e muito estimarei que me convençam e persuadam de que assim devemos proceder.

MINISTRO - Primeiramente, saiba V . M. de uma grande descoberta no Império do Brasil, e que se tem espalhado por todo o mundo cristão, e mesmo não cristão! Direi mesmo por todos os entes da espécie humana!

O REI (muito admirado) Oh! Dizei; falai! Que descobriram - é erro!?

MINISTRO - É cousa tão simples, quanto verdadeira:

1.ª - Que os nossos corpos não são mais que os invólucros de espíritos, ora de uns, ora de outros; que o que hoje é Rei como V. M. ontem não passava de um criado, ou vassalo meu, mesmo porque senti em meu corpo o vosso espírito, e convenci-me, por esse fato, ser então eu o verdadeiro Rei, e vós o meu Ministro! Pelo procedimento do Povo, e desses a quem V. M. chama conspiradores persuadi-me do que acabo de ponderar a V.M.

2.ª - Que pelas observaç5es filosóficas, este fato é tão verídico, que milhares de vezes vemos uma criança falar como um general; e este como uma criança. Vemos por exemplo um indivíduo colocado no cargo de presidente de uma Província; velho, carregado de serviços; com títulos, dignidades; e mesmo exercendo outros empregos de alta importância ter medo, Senhor: não poder abrir a boca diante de um homem considerado talvez pelo Povo, sem um emprego pessoal, sem mulher, talvez mesmo sem o necessário para todas as suas despesas, finalmente um corpo habitado por uma alma. Que quer dizer isto, Senhor? Que esse sobrecarregado de cargo e dignidades humanas é zero perante este protegido ou bafejado das dignas leis Divinas. Eu, pois, ontem estava tão acima de Vossa Majestade, porque sentia em mim o dever de cumprir uma missão Divina, que me era impossível cumprir ordens humanas. Podeis fazer agora o que quiserdes!

O REI - Estou pasmo - com a revelação que acabo de ouvir. Se isto se verifica, estou perdido!

MINISTRO - Não temais, Senhor... Todo o Povo vos ama, e a Nação vos estima; mas desejo que aprendais a conhecer-vos, e aos outros homens. E o que é o corpo e a alma de um ente qualquer da espécie humana: isto é, que os corpos são verdadeiramente habitaç5es daquelas almas que a Deus apraz fazer habitá-los, e que por isso mesmo todos são iguais perante Deus!

O REI - Mas quem foi no Império do Brasil o autor da descoberta, que tanto ilustra, moraliza e felicita - honrando!?

MINISTRO - Um homem, Senhor, predestinado sem dúvida pelo Onipotente para derramar esta luz divina por todos os habitantes do Globo que habitamos.

O REI - Mas quais os seus princípios, ou os de sua vida?

MINISTRO - É filho de um professor de primeiras letras; seguiu por algum tempo o comércio; estudou depois, e seguiu por alguns anos a profissão de seu Pai, roubadO~lhe pela morte, quando contava apenas de 9 a 10 anos de idade. Durante o tempo do seu magistério, empregou~Se sempre no estudo da História Universal; da Geografia; da Filosofia, da Retórica - e de todas as outras ciências e artes que o podiam ilustrar. Estudou tAMbém um pouco de Francês, e do Inglês; não tendo podido estudar também - Latim, conquanto a isso desse começo, por causa de uma enfermidade que em seus princípios o assaltou. Lia constantemente as melhores produções dos Poetas mais célebres de todos os tempos; dos Oradores mais profundos; dos Filósofos mais sábios e dos Retóricos mais brilhantes ou distintos pela escolha de suas belezas, de suas figuras oratórias! Foi esta a sua vida até a idade de trinta anos.

O REI - E nessa idade o que aconteceu? Pelo que dizes reconheço que não é um homem vulgar.

MINISTRO - Nessa idade, informam-me... isto é, deixou o exercício do Magistério para começar a produzir de todos os modos; e a profetizar!

O REI - Então também foi ou é profeta!?

MINISTRO - Sim, Senhor. Tudo quanto disse que havia acontecer, tem acontecido; e se espera que acontecerá!

O REI - Como se chama esse homem!?

MINISTRO - Ainda não vos disse, Senhor, - que esse homem viveu em um retiro por espaço de um ano ou mais, onde produziu numerosos trabalhos sobre todas as ciências, compondo uma obra de mais de 400 páginas em quarto, a que denomina E... ou E... de. .. E aí acrescentam que tomou o titulo de Dr. C... s.... - por não poder usar o nome de que usava - Q... L..., ou J... J... de Q. .. L..., ao interpretar diversos tópicos do Novo Testamento de N. s. Jesus Cristo, que até aos próprios Padres ou sacerdotes pareciam contraditórios!

O REI - Estou espantado de tão importante revelação!

MINISTRO - Ainda não é tudo, Senhor: Esse homem era durante esse tempo de jejum, estudo, e oração - alimentado pelos Reis do Universo, com exceção dos de palha! A sua cabeça era como um centro, donde saíam pensamentos, que voavam às dos Reis de que se alimentava, e destes recebia outros. Era como o coração do mundo, espalhando sangue por todas as suas veias, e assim alimentando-o e fortificando-o, e refluindo quando necessário a seu centro! Assim como acontece a respeito do coração humano, e do corpo em que se acha. Assim é que tem podido levar a todo o mundo habitado sem auxílio de tipo - tudo quanto há querido!

O REI - Cada vez fico mais espantado com o que ouço de teus lábios!

MINISTRO - É verdade quanto vos refiro! Não vos minto! E ainda não é tudo: esse homem tem composto, e continua a compor, numerosas obras: Tragédias; Comédias; poesias sobre todo e qualquer assunto; finalmente, bem se pode dizer - que é um desses raros talentos que só se admiram de séculos em séculos!

O REI - Poderíamos obter um retrato desse ente a meu ver tão grande ou maior que o próprio Jesus Cristo!?

MINISTRO - Eu não possuo algum; mas pode se encomendar ao nosso Cônsul na cidade de Porto Alegre, capital da Província de São Pedro do Sul, em que tem habitado, e creio que ainda vive.

O REI - Pois serás já quem fará essa encomenda!

MINISTRO - Aqui mesmo na presença de V . M. o farei. (Chega-se a uma mesa, pega em uma pena e papel, e escreve:)

"Sr. Cônsul de...

De ordem de Nosso Monarca, tenho a determinar a V. Sa. que no primeiro correio envie a esta Corte um retrato do Dr. Q... S..., do maior tamanho, e mais perfeito que houver.

Sendo indiferente o preço.

O Primeiro Ministro
DOUTOR SÁ E BRITO"

Corte de..., maio 9 de 1866.

(Fechou, depois de haver lido em voz alta; chama um criado; e manda por no correio - para seguir com toda a brevidade, recomendando.)

ATO SEGUNDO
A RAINHA E SUAS DAMAS - (entrando) Não é esta, Senhor (para o Rei) a primeira vez que sabendo haverdes querido encadear ou condenar à morte homens a quem julgo inocentes, venho perante vós impetrar o seu perdão! Chegou ao meu conhecimento que desconfiastes da fidelidade de vossos maiores e mais sábios Amigos, Henrique e Gil Gonzaga! É por estes sábios vassalos, e que tantas vezes têm ocupado os mais importantes cargos do Estado, que vos venho pedir; é a liberdade, ou não perseguição de suas pessoas que desejo!

O REI - Bem conheço, Senhora, o interesse que tomais em tudo quanto diz respeito à minha, à vossa e à felicidade do Estado que por herança ou Vontade Divina - governo: ora com sábios conselhos; ora com vossas felizes lembranças; ora com as mais justas - vossas reflexões! Estais portanto servida, Senhora, em vosso pedido; mesmo que o não fizésseis, a conversação que acabo de ter com um dos nossas mais distintos políticos, e atualmente na primeira pasta do Governo, seria bastante para perdoar a esses, de quem tive denúncia de que conspiram contra o nosso Governo!

A RAINHA - Quanto me apraz, Senhor, ouvir de vossos lábios, doces e salutares palavras! Estou tranqüila, e volto feliz aos trabalhos em que sempre me costumo ocupar! (Para o Ministro:) Senhor Ministro, continuai com vossos sábios conselhos a ilustrar vosso Grande Rei, e contai sempre com a proteção de vossa assaz afetuosa Rainha! (Sai com as Damas.)

OS GUARDAS - (entrando) Senhor! Senhor! (Fatigados e cheios de temor) Aproximam-se de nossas praias alguns vasos de guerra com bandeira de uma Nação com que estamos em guerra! Houveram alguns tiros entre os de guerra Nacionais e esses que se aproximam de nossa barra: é portanto mister pôr tudo em armas para repelir a audaz invasão!

O REI - (para o Ministro) É preciso darem-se as mais terminantes ordens a fim de que não sofra a cidade o menor mal! Escrevei já as seguintes ordens para o General comandante da Guarnição: (o Ministro senta-se e escreve) De ordem de s. M. nosso Rei, determino a V. Exa. que imediatamente ponha em armas, e pronta para repelir qualquer tentativa estrangeira, toda a tropa que faz a guarnição desta cidade! Mande tocar tambores pelas ruas para que se reúna não só toda a Guarda Nacional ativa, como também a reserva, dividida toda a tropa em colunas por todo o litoral da cidade, principalmente por suas praias mais vulneráveis, ou despidas de Fortalezas! (O Rei entrega o ofício a um, sai acompanhado de Guardas e volta imediatamente.)

O MINISTRO - (para outro) Parte imediatamente (depois de haver feito outro ofÍcio), leva este à Fortaleza da Laje; dizei ao respectivo Comandante que igual resolução comuniquei a todos os outros comandantes! (Sai o Guarda. [O Ministro] para o Rei:) Peço licença a Vossa Majestade para ir em pessoa dar as mais providências que em tão melindrosas circunstâncias são necessárias.

O REI - Vai, e não te demores a vir dar-me parte do que ocorre; pois se for necessário, quero ir eu mesmo em pessoa, com a minha presença, animar as tropas; exortar o Povo; e fazer, como me cumpre, quanto em mim cabe em proveito dele, e da Nação! (O Ministro parte.)

O REI - (passeando) Por mais saber que se tenha; por mais previdente que seja um monarca; por mais benefícios que derrame sobre seus Povos, e mesmo sobre os estrangeiros, com sua ciência, e com seu exemplo; sempre lhe sobrevém males inevitáveis, que o dever, e a honra, e a dignidade obrigam a repelir! E às vEzes com que dureza ele é obrigado a fazê-lo! Com que doR em seu coração Ele prevê os numerosos cadáveres juncando os campos da batalha! Céus! eu estremeço, quando vejo diante de meus olhos o horrível espetáculo de um açougue de homens! E se fossem só estes os que perecem; mas quantas famílias desoladas! Quantas viúvas sem marido! Quantas filhas sem Pai; quanta orfandade!... Quanto pesa o Cetro na destra daquele que o empunha com os mais inocentes desejos; com as mais sãs intenções! (Tomando um aspecto resoluto.) Tudo isto é verdade; mas quando a Pátria periga! Quando o inimigo audaz se atreve a insultá-la; quando pode tudo gemer, se o Rei fraquear; não deve ele reflexionar sobre as conseqüências; tem uma única resolução a tomar: Ligar-se ao Povo, ao Estado ou à Nação; identificar-se com eles, como se fora um só Ente, e debelar aquele, - sem poupança de forças, dinheiro, e tudo o mais que possa concorrer para o mais completo, e glorioso triunfo! Vamos pois em pessoa dar todas as ordens, dispor tudo, e expor se for necessário este peito às balas; este coração ao ferro insultante! Guarda! prepara-me um dos melhores cavalos em que eu cinja esta espada.

O GUARDA - Pronto, Senhor. (Sai.)

O REI - (veste a sua farda de General, depois de haver despido a capa com que se achava, e parte apressadamente. Ao sair, ouve um tiro de peça; desembainha a espada, dizendo:) São eles! (e segue.)

A RAINHA - (acompanhada das Damas) Não sei que mau influxo, destino, ou planeta, acompanha, guia, e muitas vezes transtorna as mais sábias administrações do Estado! Por quão pouco tempo gozam estes daquela paz que os tranqüiliza e felicita! Daquele progresso que a todos eleva; que a todos anima; que a todos enche de bens, e de venturas! Havia ainda tão pouco tempo que a Providência divina nos havia dado o triunfo contra os inimigos internos que pretendiam debelar-nos; e quando acaba de tranqüilizar os nossos corações, envia-nos talvez a mais cruel guerra estrangeira! Enfim, como não há mal algum, que não traga algum bem, devemos contar e esperar que este, como todos os outros, nos felicitará. (Ouvem-se numerosos tiros de peça e de fuzilaria. A Rainha, para as Damas:) Enquanto, Damas, os nossos canhões marítimos destroem os nossos inimigos, vamos desta janela animar as nossas tropas de terra com nossa presença, a fim de que se houver algum desembarque, eles conheçam que seríamos capazes de os acompanhar com uma arma em punho! (Aproximam-se de uma janela.)

UMA DAS DAMAS - V . M. vê? Lá se incendia um vaso inimigo! Lá caiu um mastro de uma galera!

A OUTRA - Ih!... Como a metralha varreu o convés daquela nau! Se continua assim, deste instante a duas horas, está o combate terminado, triunfando as nossas armas!

A RAINHA - Vocês vêem as tropas que estão desembarcando lá naquela ponta de península Anglicana?

AS DAMAS - Vemos; vemos! Que bicharia! Parecem corvos, ou nuvens de outros bichos! E quem sabe se as nossas ainda não viram esse desembarque!? Seria bom avisá-las! É lugar algum tanto escondido. Convém mandar saber!

A RAINHA - Dá cá o meu apito!

O CRIADO - (dando uma espécie de trombetinha) Eis, Senhora.

A RAINHA - (apita; um soldado da guarda imperial ou real responde com um toque de cometa; ela torna a apitar; ele fala.) Corre; voa onde está o Rei, e dize-Lhe que desembarcaram tropas inimigas na península! (O Guarda parte a todo o galope. A Rainha, olhando por um Óculo, e muito atentamente:) Ainda agora é que reparo! A fumaça não Me deixava ver bem! Os nossos vasos (dois) partem cheios de tropas para o lugar do desembarque! Numerosas lanchas os acompanham; daqui por cinco minutos, deve estar toda a tropa inimiga debelada! Embalde os traidores procuraram uma posição tão importante para destruir-nos... Serão destruÍdos e completamente aniquilados! Como saltam cabeças, pernas braços pelos ares! Que carnificina horrível se observa!? Como se matam; como se destroem entes humanos!

UMA DAS DAMAS - V. M. vê? Lá vem o Rei a galope! Seu cavalo vem banhado de suor; seu rosto é carmesim! Sua espada, ainda desembainhada, vem tinta de sangue! Céus! quão grande deve ser o triunfo conquistado hoje por nossas felizes armas!

O REI - (entrando banhado em sangue e suores; para a Rainha) Senhora, mandai-me vir outro fardamento limpo para mudar.

RAINHA - Entremos nesta câmara. (Entram, e passados alguns minutos, ele se apresenta com nova farda, calças, etc.) Adeus! Volto ao combate; e juro-vos que antes de pôr-se o sol, não ficará um soldado inimigo em território nosso. (Parte.)

A RAINHA - Deus abençoe os nossos projetos; e proteja os nossos esforços! (Acompanha-o até à porta; voltam à cena [a Rainha e as Damas)).

UMA DAS DAMAS - São horas, minha Senhora e Rainha, de tOmar os alimentos de costume com que reparais as forças que gastais em minha, e em utilidade de todos os vossos criados.

A OUTRA - Sim; até se não fora hoje um dia tão extraordinário, por certo teríamos faltado a um dos nossos mais importantes deveres. Pois o relógio marcou já uma hora da tarde; e o que agora oferecemos, devia ter sido apresentado a V. M. ao meio dia!

A RAINHA - Eu não trato, nem tenho disposição, ainda, disso; vamos. (Saem.)

ATO TERCEIRO
O REI - (distribuindo prêmios aos numerosos guerreiros que o auxiliaram no triunfo dos combates; conversando ora com um, ora com outro) Eis, Senhores, a recompensa daqueles, que sabem cumprir bem seus deveres, defendendo os interesses da Pátria, e com eles suas próprias fortunas. Estes recebem o saboroso prêmio de suas fadigas; a recompensa de seus trabalhos. Assim como os usurpadores recebem a morte, e tudo o mais que os pode inutilizar e destruir, quando tentam roubar, matar, ou de qualquer outro modo apossar-se, e fruir os bens que só a outrem pertencem, que só a outrem é permitido gozar! (Pegando uma medalha, e pendurando ao peito de um oficial-general:) Eis como revelarei ao Mundo a tua coragem e valentia. (Pondo outra em outro:) Eis com que despertarei no espírito de vossos concidadãos, a lembrança de milhares de cadáveres, com que a meu lado fizestes juncar o campo da batalha. (Pondo em outro:) Eis a prova mais evidente de meu amor por aqueles que me auxiliam no mais importante cargo que se pode exercer sobre a Terra o de governar os Povos, bem como do reconhecimento de vossos raros merecimentos! (Para outro:) É quanto basta para que o Mundo vos olhe com respeito; vossos Irmãos de armas com prazer, se não com emulação. (Pegando em umas caixinhas:) As gratificações que dentro encontrardes (dando a um dos oficiais) deveis cada um de vós entregar aos oficiais superiores e subalternos, que debaixo do meu e do vosso comando praticaram atos da maior bravura e valor. Para os soldados, outras distinções serão feitas, que atestam por toda a sua vida seus meritórios serviços; a recompensa da Pátria; e o afeto e gratidão do Rei! Transmiti-lhe entretanto este apertado abraço que a todos vós dou. (Abraça os quatro oficiais.)

ELES - (beijando a mão) Gratos e reconhecidos aos altos, nobres e elevados sentimentos de Vossa Majestade, protestamos perante Vós, Deus e as Leis, (arrancando um pouco as espadas) desembainharmos... (arrancando todas) estas espadas e com elas - defender-vos e a Nossa mais que todas virtuosa Rainha, fazendo cair cadáveres quantos se lhe opuserem; ou cairmos por terra banhados em nosso próprio sangue. (Fazem profunda reverência, e saem.)

A RAINHA - (e um pouco depois as Damas, entrando apressadamente e atirando-se nos braços do Rei) Meu querido esposo, quanto me fizeste pensar sobre a tua existência, sobre o teu futuro! Sobre a paz e felicidade do nosso Reino! (Desprendendo-se mui devagar de seus braços:) Sim, caro amigo! Quando milhares de feras tentavam lançar-nos talvez fora de nossos territórios deles se apossarem, destruir nossos bens, aniquilar nossa Pátria e fazerem destarte a desgraça geral não era para menos que para sentir-se o maior receio por tantos males de que nos achávamos ameaçados. Felizmente houve um triunfo completo. Os mares repletos de cabeças, de corpos que boiavam dos nossos inimigos, como se uma peste houvesse destruído a vida de milhares de peixes, como algumas vezes havemos observado. Na península em que tentaram um desembarque, eram tantos que bem se podia dizer que era um matadouro público de carneiros para alimentar uma grande cidade. Felizmente, viveremos, continuaremos a viver tranqüilos e felizes!

O REI - É tudo isso verdade minha muito querida esposa. Agora. porém, só nos cumpre continuar a velar sobre quanto diz respeito aos interesses públicos d'outra ordem. Eu continuarei a pensar; a meditar; a estudar; a cogitar quanto possa fazer a felicidade dos homens. Tu que és mulher, de igual modo procederás a respeito das de teu sexo. Combinaremos depois, e todos os dias por duas horas pelo menos de cada um, sobre tais assuntos; o que for julgado melhor, isso se porá em prática.

A RAINHA - Com muito prazer vos acompanharei em vosso modo de pensar e futura disposição. São horas de descanso, não quereis acompanhar-me?

O REI - Tenho ainda alguma cousa a fazer nesta sala. Não estou bem certo do que é; porém sei que me falta não sei o quê.

A RAINHA - Vede o que é; e se eu vos posso auxiliar.

O REI - Não me recordo; iremos portanto dar um passeio ao jardim, e depois se me lembrar voltarei. Ah! agora me lembro: é o rascunho da participação que cumpre fazer a todos os governadores que nos auxiliam em nosso importante Governo. (Senta-se; pega a pena, e escreve:) "Meus muito amados súditos e Governadores das diversas Províncias do meu importante Reino! Participo-vos, e sabei que quase inesperadamente fui surpreendido por numerosos traidores, ladrões e assassinos, mas que em um dia, hoje cercado dos meus generais e dos mais valentes, denodados soldados, obtive o mais completo triunfo sobre eles. É sempre a Providência Divina que auxilia nossas Armas e que, se por alguns momentos, como para experimentar a nossa crença, nos envia alguns flagelos, estes desaparecem logo, como as sombras da noite aos raios da loura Aurora. Publicai este fato glorioso de nossos concidadãos; de nossa fé; de nossa religião;. de nossa moral; e de nossa valentia. E conservai-vos, como sempre, no desempenho tão honroso, quão importante do Governo que vos conferiu O vosso Rei Q... s, - m. - Palácio das Mercês, Abril 9 de 1866."

O REI E A RAINHA - (para o publico) Sempre a Lei, a Razão e a Justiça triunfam da perfídia, da traição e da maldade!

Desce o pano, e termina o 3.º ato, e com ele a comédia.

Produzido em 15 de Maio de 1866, por José Joaquim de Campos Leão Qorpo-Santo, no beco do Rosário, em Porto Alegre, sobrado por cima do número 21.

Fonte:
www.biblio.com.br

Antonio Brás Constante (Cenas de um teatro em papel: Homenagem ao dia mundial do teatro)

Teatro del Principe (Espanha)
O pano sobe soberbo, parindo de suas entranhas um novo jogo de cenas. O mistério aos poucos vai sendo desvendado, drama profundo, tema engraçado. Mentes envolvidas pelas histórias ali oferecidas;

O ator é ser pulsante de muitos nomes, de várias vidas. Criatura de sonhos delirantes. Dono da arte ali estabelecida. Figura feita de textos, costurados no tecido da fantasia. Ente fictício e forjado na emoção, que revive no tempo de uma apresentação;

Cada ato é uma mentira consciente que toca os sentimentos do público de forma displicente. A imaginação transborda empurrada pela ilusão. A realidade lá fora não mais existe, pois agora tudo é doce utopia;

E segue a viagem imóvel em busca de distração, onde a encenação é placebo que se toma como verdade, feita de palavras, sons, gestos mudos. Belos mundos;

O palco é caixa profunda e rasa, tela sem vidro, janela sem paredes, caminho sem estrada. E uma energia vital e sem tomada, vai dançando dentro de si. Vazio transformado em espetáculo, pois da simbiose entre ator e palco um novo show nasce em esplendor teatral;

Enfim, mas não menos importante por ser fundamental, encontra-se a platéia ali presente. Mar murmurante em ondas de aplausos, impulsionados pelos movimentos apaixonantes dos gestos feitos na boca de cena sobre um tablado. Baixa o véu, termina o enredo, que agora repousa em segredo nas lembranças do espectador. Para encerrar esta obra textual, lhes digo um último fato: A arte quando chamada pelo nome é conhecida como TEATRO.

Fonte:
Colaboração do autor.

Carlos Leite Ribeiro (O Teatro)

Ninguém sabe ao certo como e quando surgiu o teatro. Provavelmente nasceu junto com a curiosidade do homem, que desde o tempo das cavernas já devia imaginar como seria ser um pássaro, ou outro bicho qualquer. De tanto observar, ele acabou conseguindo imitar esses bichos, para se aproximar deles sem ser visto numa caçada, por exemplo.

Depois, o homem primitivo deve ter encenado toda essa caçada para seus companheiros das cavernas só para contar a eles como foi, já que não existia ainda linguagem como a gente conhece hoje. Isso tudo era teatro, mas ainda não era um espetáculo.

Egito Antigo, Índia, China, Creta e a própria Grécia possuíam um teatro, antes mesmo do então chamado teatro grego. Tinha como característica principal sua estruturação toda baseada na religião, podemos, portanto, apontar o teatro apenas litúrgico. Este mesmo aspecto é o que de fato diferencia os egípcios, hindu, chinês, cretense e o teatro apenas litúrgico grego do teatro grego.

No século VI a.C., a mistificação na Grécia em relação aos seus deuses e crenças extrapolava o campo religioso e passava a fazer parte da rotina das pessoas. Essa religião politeísta dava um panorama ao homem grego de todas as ocorrências inexplicáveis do mundo sem a ajuda da ainda arcaica ciência ocidental. Os deuses eram os benfeitores ou malfeitores da Terra e possuíam um poder sobre o homem, sobre o céu e sobre a terra. Assim surgiram lendas que, divulgadas por mecanismo de oralidade primária, ou seja, oralmente, de pai para filho, procuravam instruir toda a civilização para que essa atuasse em detrimento da subjectividade daquela sociedade e do bem em comum, seguindo regras de comportamento e um padrão paradigmático que não podia jamais ser quebrado.

Só para ter uma ideia da grandeza dessa credulidade, quando o Colosso de Rodes foi parcialmente destruído por um terremoto, em 248 a.C., o rei egípcio Ptolomeu se propôs a reconstruir a enorme estátua (que homenageava o Deus Apolo, o Deus do Sol), sofrendo porém a recusa da população de Rodes, que ao consultar um dos oráculos (que segundo os gregos, eram homens que representavam os deuses na Terra) foi desmotivada a permitir a reconstrução, pois, segundo o oráculo, o terremoto havia sido um recado do Deus que não tinha gostado da homenagem. Assim, o Colosso de Rodes, até hoje reconhecido como uma das sete maravilhas do mundo, ficou aos pedaços, sendo completamente destruído pelos árabes, na invasão em 654 d.C.

Como a vida dos deuses estava diretamente relacionada à vida dos homens na Grécia antiga, a ciência e a arte tenderam a seguir esse mesmo percurso, de forma que os deuses influenciavam até mesmo as guerras dos homens, como a Guerra de Tróia, que foi narrada pelos gregos com um misto de fábula e realidade, com um laço muito tênue entre a mitologia e o acontecimento real, de forma que os historiadores nunca souberam muito bem o que realmente aconteceu durante essa famosa guerra entre gregos e troianos. A arte por si própria não deixa de ser mítica, ou até mesmo mística, pois é elevada pelo homem como elemento fundamental para a relação humana, em seu sentido mais amplo, no tocante às emoções, ao sentimento humano, ao caráter, à personalidade, cultura e expressão do homem social. A ciência é a busca do bem comunitário, das inovações, da quebra incessante de barreiras que impedem o crescimento humano. A ciência e a arte tornam-se elementos biunívocos, ou seja, ligados entre si, pois o homem possui a vontade de exteriorizar todas as suas curiosidades, a fim de desenvolver métodos para criar, construir, transformar, unir, pesquisar, compreender e finalmente explicar.

A cultura na Grécia antiga era restrita à louvação dos deuses, em festas e cultos religiosos, de forma que, as pessoas reuniam-se para aclamar aos deuses, agradecê-los ou fazer oferendas. As festas em respeito a Dionisio, o Deus da Alegria e do Vinho, realizava-se sob rígida fiscalização do legislador, que não permitia sacrilégios e manifestações cuja retórica fosse avessa à concepção religiosa da sociedade. Porém, para entreter a massa, Sólon, o legislador da época (Séc. VI a.C.) permitiu em certa ocasião que um homem, que possuía um talento especial para imitar os outros, fizesse uma apresentação para o público. Eis que esse homem, a quem chamavam de Tespis, subiu em uma carroça diante do público afoito por novidades, colocou uma máscara, vestiu uma túnica e, impondo-se dramaticamente, expressou: "eu sou Dionísio, o Deus da Alegria". A forma como o homem postou-se diante de todos, como um Deus, causou revolta e medo em alguns, porém muitos viram essa postura como um louvor ao Deus do Vinho. Sólon impediu a apresentação, mas o público queria mais, pois era fascinante e surpreendente a forma como aquele homem demonstrava seu talento. Durante um bom tempo foi proibido esse tipo de apresentação, julgada como um grande sacrilégio, de forma que a proibição perdurou até o começo da era mais brilhante da Grécia: a era democrática. Sem restrições e maior opressão ao livre arbítrio da sociedade (salvo mulheres e escravos), as pessoas tomaram gosto por essa arte tão criativa de se imitar, de forma que, com a democracia, os governantes começaram a incentivar aqueles que, por ventura se interessavam em entreter o público nas festas que homenageavam os deuses, realizando competições e distribuindo prémios diversos para aqueles que imitassem melhor pessoas e deuses.

No começo, a arte dramática restringiu-se apenas às festas dionisíacas, passando a ocupar um espaço maior na cultura grega com o passar dos anos, tornando-se mais acessível e mais aceita pelos gregos, que começaram a elaborar no Séc. V a.C. melhores formas de entretenimento pelo viés da arte cênica. Assim, constituíram fábulas e histórias diversas a serem encenadas para o público. Essa forma inovadora de se passar mensagens através de histórias dramáticas ficou conhecida como Tragédia Grega, onde os atores utilizavam máscaras e túnicas para interpretar seus personagens. A tragédia se passava em uma ampla plataforma chamada proskénion, situada na costa sudeste de Acrópole, local sagrado de Dioniso, no théatron ("local onde se vê"), cuja plateia era reservada para os espectadores. As apresentações cênicas eram compostas por um coro que narrava e tecia comentários a respeito da história principal que era interpretada pelos actores principais.
As Tragédias foram escritas por homens que marcaram seus nomes na história da humanidade. Os mais conhecidos são Eurípedes (485 – 406 a.C., autor de "Alceste" e "Ifigênia em Tauride"), Ésquilo (525 – 456 a.C., autor de "Os Persas"), Sófocles (496? – 406? a.C., autor de "Édipo Rei", "Antígona" e "Electra") e Aristófanes (autor de "As Nuvens", "Plutão" e "As Rãs"). Esses autores buscavam passar para o público a visão divina da natureza, expressavam a imagem dos deuses e as crenças do povo.

O respeito pelo théatron começava a fazer um efeito que perdura até hoje: a arte cénica tornou-se uma forma de ritual, onde quem encenava no proskénion pretendia passar uma informação de grande necessidade para a sociedade, com um trabalho corporal, com voz e interpretação, submetendo-se à catarse, cuja explicação advém de Aristóteles (384 – 322 a.C.), o primeiro filósofo que proferiu teses sobre a arte dramática. Segundo Aristóteles, a catarse faz com que as emoções do intérprete sejam liberadas numa construção fictícia. Aristóteles constituiu a primeira estética da arte dramática, cujo nome era bem apropriado: "Poética". As Tragédias seguiam causando furor, em espetáculos longos, com poesias e grandes textos que pretendiam mostrar um enredo. Para maior receptividade do público, que demandava de tramas bem articuladas e enredos intrigantes, os gregos criaram dois elementos até hoje reconhecidos: o protagonista (o herói) e o antagonista (o vilão), de forma que as tragédias falavam a respeito da realidade e da mitologia, versando contextos de conhecimento de todos. Os temas eram atribuídos a grandes heróis, aos deuses, sob argumento fundamental de expor uma ética, uma lição de vida e a moralidade

Fonte:
Colaboração de Carlos Leite Ribeiro

Artur de Azevedo (Elefantes e Ursos)


Era uma delícia ouvir o coronel Ferraz contar as suas façanhas de caça; mas ele só vibrava, e só era verdadeiramente genial a inventar carapetões quando tinha um bom auditório, quando via em volta de si olhos espantados e bocas abertas.

Dizem que na intimidade, conversando com um amigo, ou mesmo dois, era incapaz de pregar uma peta.

Ora, uma ocasião estava ele no meio de um grupo de vinte pessoas, em que estavam representados ambos os sexos e todas as idades.

As palavras do coronel, proferidas com aquela voz reboante e áspera, feita para comandar exércitos, eram avidamente bebidas. Apenas um rapaz do grupo, o Miranda, o maior estróina que Deus pusera no mundo, tinha na fisionomia um ar de mofa e parecia não tomar a sério as proezas cinegéticas do nosso herói.

Mas isso não foi nada - dizia este retorcendo as pontas dos seus enormes bigodes grisalhos. - Isso não foi nada à vista do que me aconteceu numa aldeia do Ganges, aonde me levou a minha vida aventurosa. Um casal de elefantes corria atrás de um moço que lhes maltratara o filho, um elefantinho deste tamanho (e o coronel indicou o tamanho de um elefantão). O macho ia atingir o moço com a tromba, quando o abati com um tiro da minha espingarda, que nunca falhou. Mas restava a fêmea... A arma estroa descarregada, mas eu, carioca da gema, lembrei-me do nosso jogo de capoeira, e passei-lhe uma rasteira tão na regra, que a prostrei por terra! Antes que se erguesse aquela pesada massa, tive tempo de carregar a espingarda e mandá-la passear no outro mundo. O moço estava salvo.

Houve no auditório um murmúrio de admiração. O coronel continuou:

- O moço, mal o sabia eu, era um príncipe, filho de um rajá, ou coisa que o valha, muito estimado na localidade: por isso, ergueram sobre o corpo do elefante macho uma espécie de trono em que me colocaram, deram-me a beber um licor sagrado, investiram-me não sei de que dignidade oficial, e fizeram-me assistir a umas danças intermináveis. Foi uma festa a que concorreram mais de vinte mil pessoas.

Passado o frêmito do auditório, o Miranda tomou a palavra:

- O coronel foi mais feliz no Ganges do que eu em Ceilão.

- Você já esteve em Ceilão? - perguntou o coronel.

- Ora! Onde não tenho estado? Um dia, estando a caçar - sim, porque também sou caçador! - saiu-me pela frente um enorme urso, que avançou para mim. Quis levar a mão à espingarda, mas tremia tanto, que não consegui pegá-la. E o urso a avançar! Nisto, senti um bafo no meu cachaço. Olhei para trás: era outro urso, de goela aberta e dentes arreganhados!

- E que fez você? - perguntou o coronel, interessado deveras.

- Não fiz nada - respondeu o Miranda. - Fui comido!

Fonte:
http://www.biblio.com.br/

Neida Rocha (Mundo (i)mundo)


Caos!
Negação da ordem.
Mundo imundo,
desordenado,
sem sentido.
Organizo meu mundo
e tiro o caos emocional.
Recrio o mundo
e harmonizo os sentimentos.
Faço do adjetivo o subjetivo.
Imundo > MUNDO.
Sou meu próprio sujeito.
Sou livre para Amar.
Recrio meu próprio mundo.
==================

Fonte
Colaboração da poetisa

Iara Melo (Caminhos)


Quantos caminhos percorremos
Quantos caminhos tropeçamos
Quantos caminhos almejamos
Quantos caminhos sofreamos,
Quantos percalços
encontramos...

Quantos viajantes expulsamos
Quantas almas alentamos
Quantos beijos doamos
Abraços que não nos aquecem
Palavras ao vento jogamos...

Ah, alma cansada
Não desalentes a falha
Dos que ignoram o amor
Luta é a tua máxima
Vês diamante em pedra bruta
Fabricas pedras de amor
Não virarás as costas aos percalços
Encontrados no teu caminho
Seguirás mente e corpo
Sofreando e vencendo a dor.

Tua alma reluzente
Dorme no alento da calmaria
Acorda no sorrir do orvalho
Caminha na relva da mansidão
Recebe o abraço da alvorada
Teus dias são de glória
Tua vida é retidão.

Segues nas flores
da tua alma
Na luz do sol nascente
No luar que te ilumina
Na brisa que te reluz
No espelho que te flameja
Cintila o teu esplendor
Demonstres, irradies,
Apontes...
Recebas...
Meu manancial de Amor!
============
Fonte:
Colaboração da poetisa

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Trova Brasil especial n.4 - Luiz Carlos Abritta

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Almanaque Parana n. 12

Trovadora Destaque: Olga Agulhon (Maringá) Leia em seu Monitor ou Baixe para seu Computador

Paraná Poético n.3

Emiliano Perneta Poetisas Paranaenses

Paraná Poético 2

Leia no Monitor ou Baixe para seu Computador Emílio de Menezes Alberto Paco - Janske Schlenker - José Feldman...

Coleção Memória Viva: Trovas

COLEÇÃO MEMÓRIA VIVA: TROVAS

Livretos de aproximadamente 100 páginas cada, com trovas de trovadores vivos ou falecidos, separados por Estados.

Escolha e clique sobre os abaixo para fazer o download:

Paraná Trovadoresco Livreto 1

Paraná Trovadoresco Livreto 2

São Paulo Trovadoresco Livreto 1

Rio Grande do Norte Trovadoresco Livreto 1

Minas Gerais Trovadoresco Livreto 1

Rio de Janeiro Trovadoresco Livreto 1

Hermoclydes S. Franco (Livro de Trovas e Poesias)

Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul


Almanaque Literário O Voo da Gralha Azul

Almanaque criado por José Feldman, com artigos nos moldes do blog.


Faça o download dos números publicados na íntegra, em pdf.

Escolha o número e clique sobre ele para copiar em seu computador.

NUMERO 1 (74 paginas)
NUMERO 2 (95 paginas)
NUMERO 3 (117 paginas)
NUMERO 4 (177 paginas)
NUMERO 5 (131 paginas)
NUMERO 6 (265 paginas)
NUMERO 7 (163 paginas)
NUMERO 8 (184 paginas)
NUMERO 9 (242 paginas)

Especial do número 9 - Francisco Neves de Macedo

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