Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ialmar Pio Schneider (Cristais Poéticos)


INGRATIDÃO

Eu andava por todos desprezado,
Minha vida era intenso sofrimento,
Meu coração que procurava alento
Só encontrou o teu olhar irado.

Que tristeza a meu ser desesperado !
Que maldição a meu amor sedento,
Que esperava um alívio pr´o tormento
Que pungia minha vida no passado !

Correu-me o pranto pela face aflita
E ninguém me ajudou nessa ilusão,
Pois os amigos na hora da desdita

Nos deixam na mais negra solidão,
Sofrendo uma tristeza que é infinita,
Morrendo lentamente o coração.

SONETO À CASA DO POETA RIOGRANDENSE
Para o Nelson Fachinelli - In Memoriam

São quarenta e sete anos que a CASA DO POETA RIOGRANDENSE
festeja e comemora.
e será, dia a dia, mais concreta
congregando a Irmandade tempo afora...

Seja a Luz do Ideal a sua meta,
tal como o foi na Fundação outrora,
e que leve a mensagem predileta
ao coração que sofre... ou ama... ou chora...

Vinte e Quatro de Julho marca o início
de uma nova seara da Cultura
cuja semente achou solo propício...

Portanto, levantemos estandartes
p’ra saudar a Entidade que perdura:
A CASA DO POETA em prol das Artes...

SONETO A SÃO CRISTÓVÃO – Dia 25 de julho -

Ó São Cristóvão, Padroeiro forte
dos motoristas que andam pela vida,
assim a percorrer do Sul ao Norte
e vice-versa, a estrada mais comprida...

Dai-nos coragem quando da partida
e ao longo da viagem o suporte,
p´ra que tenhamos sempre nesta lida
vossa bênção que a todos nos conforte.

Vós passastes o rio e o Deus Menino
em vossos ombros já pesava tanto
que quase poderíeis afundar;

porém, Jesus, cumprindo o Seu destino,
vos disse, então, causando-vos espanto,
que era o Senhor do Mundo a carregar...

FELIZ DIA DO(A) AMIGO(A) -

Depois de tantos versos que escrevi
pensando num amor que não havia,
agora cai a ficha e penso em ti,
para te dedicar minha poesia...

Eu sei que vais andando por aí
e sem pensar em mim preenches teu dia,
enquanto vou sofrendo o frenesi
de alimentar-te em minha fantasia...

Preciso te dizer versos antigos,
embora tenham sido revelados
bem antes de te amar e conhecer...

porque eles foram sempre meus amigos
e não podem ser hoje recusados,
pois sei que me ajudaram a viver...

SONETO À CIDADE DE SÃO LEOPOLDO

Bem sei que ali chegaram os Schneider,
que vieram da Alemanha para amar
um magno Novo-Mundo a desvendar,
onde encontrassem a prosperidade...

Trouxeram seu amor e na saudade
ficou a Velha Pátria de Além-Mar,
e todos construíram novo lar
aqui no solo da felicidade...

Tenhamos para sempre em nossa vida,
juntamente com os outros imigrantes,
a doce paz que invade os corações.

A todos a coragem na subida
que leva aos píncaros mais inebriantes,
e vencendo, cultuar as tradições !...

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

Um comentário:

ialmar pio disse...

Prezado confrade amigo José

Quero agradecer-lhe a gentileza de publicar meus sonetos, tão bem postados em seu importante blog, porque não dizer, site de tantas páginas de nossa rica literatura.
Parabéns !

Abraço,

Ialmar Pio

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Trova Brasil especial n.4 - Luiz Carlos Abritta

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