Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Lino Sapo (Natal, Uma Cidade Turística: Um passeio entre versos)


Para começar o roteiro
Vamos apresentar Natal
Uma cidade perfeita
De um clima especial
Do Rio Grande do Norte
A sua linda capital.

Com história fascinante
Que muito abrilhantou
Quatrocentos anos
O aniversário comemorou
É menina debutante
Que a copa conquistou.

Rio Grande era capitania
Muito difícil de povoar
Pertencia a João de Barros
Que não veio habitar
E ao senhor Aires da Cunha
Que ainda quis tentar

Capitanias hereditárias
Por aqui não se projetou
Devido muitos índios
A colonização dificultou
E aliado aos franceses
Com os lusos se rebelou
O reino de Portugal
A Espanha se integrou
Foi quando as coisas aqui
De verdade é que mudou
Para expulsarem os franceses
Uma fortaleza se cogitou

E a fundação duma cidade
Para proteger o lugar
Juntos com a fortaleza
Essa terra conquistar
Assim nasceu Natal
Rodeada pelo mar

Em Seis de janeiro
Do ano de mil quinhentos
Da década e ano noventa e oito
Vive-se um novo momento
A fortaleza é construída
Cumprindo-se o intento

Natal nasce no natal
Um ano depois da fortaleza
Já nasceu cidade
E repleta de beleza
Primeiro constrói uma Capela
Era ordem da realeza.
Palco de grandes conquistas
Foi tomada pelos holandeses
Que mudaram o seu nome
Contrariando os portugueses
Chamou-se Nova Amsterdam
Para os novos povos burgueses

Na segunda guerra mundial
Natal também participou
Recebendo tropas aliadas
Pela geografia que herdou
Na posição privilegiada
Ao combate se integrou

Apresentado essa parte
Da história do lugar
Vamos mostrar os pontos
Pra quem quer nos visitar
Aqui tem de tudo
Pode vir comprovar
A Igreja Nossa Senhora
Denominada da Apresentação
Hoje está a Igreja Matriz
E foi marco da povoação
Com casamentos, batizados
Missas, novena e celebração

Por cima do Potengi
A Newton Navarro fica
Uma ponte interessante
Imponente e magnífica
Unindo a bela cidade
E a mantendo mais rica

A Fortaleza dos Reis Magos
Palco de tantos eventos
Nos arrecifes de pedras
Rodeado de mar e vento
É marco de nossa história
Testemunha de belos momentos

Teatro Alberto Maranhão
Um século de existência
Com arquitetura francesa
O TAM tem a decência
Palco de grandes espetáculos
Da cidade é referência
Museu Câmara Cascudo
Boda de ouro comemorou
Cinqüenta anos de história
Que a cidade presenciou
Ampliando o conhecimento
Que a vida nos ofertou

A praia de Ponta Negra
Americanos descobriram
Na segunda guerra mundial
E o turismo introduziram
Lá tem o morro do Careca
Que proibir subir decidiram

O Memorial Câmara Cascudo
Relembra um homem de valor
Estudante da cultura brasileira
Foi folclorista e historiador
Mil novecentos e oitenta e sete
Homenagearam o grande escritor

A linda Igreja do Galo
Beleza do solo potiguar
Com arquitetura barroca
E Santo Antônio a homenagear
Mil setecentos e sessenta e seis
Que se pode terminar

A querida cidade do sol
É rica em tanta beleza
Na messoregião do leste potiguar
Tem no ar grande pureza
Banhada pelo Rio Potengi
Paraíso terreno da natureza

Suas praias são perfeitas
Verdadeira criação divina
Que encanta e seduz
Parecendo ouro em mina
Visitada por todo Brasil
Povo bom aqui se destina

Tem a Feira do Alecrim
Pra completar o passear
O museu Café Filho
Pra o conhecimento ampliar
E o Instituto Histórico
Para a pesquisa aprofundar

O Palácio Felipe Camarão
Com estilo colonial
A Praça André de Albuquerque
Que também é sensacional
Tem ainda a Pinacoteca
Que essa é fenomenal

Não demore venha logo
Que Natal te receberá
Com carinho e muito amor
Por aqui não vai faltar
Temos enorme prazer
Em nossa terra te mostrar

Fonte:
Lino Sapo: Vida e Obra

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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