Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Maria Nascimento Santos Carvalho (Discurso no Concurso Anual da UBT – Seção São Paulo – 2010)


São Paulo 18, de julho de 2010.

Srs. Membros da Mesa, Autoridades presentes, queridos Irmãos Trovadores, Amigos da Trova, minhas senhoras, meus senhores.

Hoje, é um dia muito especial em minha vida, como tantos outros, que ainda recordo com saudade, guardando no coração o agradecimento que, muitas vezes, as palavras morrem presas na garganta, ou se ditas, não conseguem expressar o nosso sentimento, a nossa emoção.

A UBT e várias outras entidades literárias já me prestaram significativas homenagens, inclusive a UBT São Paulo, quanto foram realizadas duas palestras focalizando o meu modesto trabalho poético, pelas quais renovo os meus agradecimentos aos queridos irmãos Trovadores Maria Bruna e Jayme Silveira da Pina.

Mas, como me reporto em meu novo livro, ainda no prelo, “Alem do Infinito”,

Ontem foi passado... passou... Hoje, é ao mesmo tempo, passado, presente e futuro... Amanhã, é um advérbio de tempo e apenas um expectativa de vida.

Por isso mesmo, tenho muito a agradecer pelos acontecimentos passados e viver intensamente este momento mágico que estou vivenciando, graças à generosidade dos irmãos Trovadores da UBT – São Paulo, lamento profundamente a ausência do querido irmão Trovador Izo Goldeman, almejando o seu feliz retorno ao nosso meio, com bastante saúde, salientando a falta que nos faz a sua presença amiga.

Desde criança, inventei que sabia fazer poesias e numa véspera de São João, com 9 anos, declamei o meu primeiro trabalho que recebeu muitas gargalhadas de deboche e repreensão. – Eu dizia:

Me lembro que certa feita
pertinho de uma fogueira,
desejei uma caneta
só para escrever besteira...

E eu sabia lá o que era certa feita?

No momento das risadas, pensei que havia falado um bruto palavrão, mas não desanimei e continuei produzindo, a meu modo, poesias que só a minha imaginação acreditava que era poesias.

Iniciei no movimento trovadoresco em janeiro de 1963, quando passei a frequentar o Grêmio Brasileiro de Trovadores, dirigido pelo saudoso Trovador Luiz Otávio, de quem recebi o maior incentivo.

Confesso que, apesar de passados quarenta e sete anos, ainda mantenho o mesmo entusiasmo, a mesma vontade de colaborar com a União Brasileira de Trovadores, uma das grandes razões da minha vida, pelos laços de fraternidade que me unem aos Trovadores e à UBT, desde o dia 21 de agosto de 1966, quando foi fundada, vitoriosamente.

Mesmo ficando até 1968 sem ganhar nem uma medalhinha como prêmio de consolação, para me alegrar, continuei concorrendo nos Concursos de Trovas e Jogos Florais.

Parece que eu estava seguindo o exemplo da Trova do saudoso Trovador Élton Carvalho, que diz:

Trovador “cobrão” eu sou,
pois nos concursos passados
reparem que sempre estou
entre os “des... classificados...”

Em 1969 descobri “o caminho das pedras” e felizmente, nunca mais o esqueci, nem por ele fui esquecida.

Por todos esses motivos, ilustre Presidenta Selma Patti Spinelli, esta homenagem é, sem dúvida, o maior prêmio que já recebi em minha vida, não só pelo seu valor, em si, mas pelo amor que devoto a UBT São Paulo, Seção em que fui tantas vezes premiada, pela gratidão inconteste por seus gestos de amizade e pelo respeito com que sempre me distinguiu, razão do meu eterno reconhecimento, bem como pelos seu profículo trabalho em prol da União Brasileira de Trovadores, que tanto amamos.

E eu fui falando... falando,
quase esquecendo o presente...
Mas volto lhes confessando
Tudo que a minha alma sente...

Permitam-me lhes dizer
com infinita humildade
que nem sei como conter
meu grau de felicidade...

Estou realmente encantada
por tudo que me fizerem
e levo na alma guardada
toda a atenção que me deram.

Em meio a tanta afeição
a minha emoção é tanta
que as frases de gratidão
morrem presas na garganta.

E abrindo o meu sentimento
lhes confesso, agradecida,
que este momento é o momento
mais feliz da minha vida.

A UBT, desejo a glória
e trajetória infinita,
para escrever sua história
da maneira mais bonita.

Que toda a Diretoria
que tem sempre ideia nova
como eterna estrela guia
guie os destinos da Trova...

Pela amizade, que fez
maravilhoso o meu dia,
eu partilho com vocês
todo esplendor deste dia.

Caros irmãos Trovadores
num preito de gratidão
lhes trouxe milhões de flores
no jardim do coração.

Findando esta cerimônia
que me deixou encantada,
eu quero ter muita insônia,
para sonhar acordada.

Agradecimento à querida Irmã Trovadora, Selma Patti Spinelli, Presidenta da UBT São Paulo, aos demais membros da Diretoria, aos Sócios, aos amigos de Trova de referida Seção, e todos os presentes que testemunharam a alegria que se reflete no meu semblante e cala em minha alma, finalizando dizendo:

Deus é tão amigo dos poetas que lhes deu inspiração para cantar, em versos, a grandiosidade da Natureza e dotou o “homem comum” de sensibilidade para entender a bendita linguagem do amor e da poesia...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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