Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Roberto de Souza Causo (Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica)

Editora: Devir Livraria
Edição: 1ª
Ano: 2010
Número de páginas: 192

Sinopse

O primeiro conto o mais antigo, denomina-se “Nova Califórnia” segue com o enredo fixando-se em algumas críticas austeras referentes à política e a sociedade. No primeiro conto, escrito por Lima Barreto, onde um químico se instala em uma pequena cidade e causa admiração e indignação aos moradores quando ficam sabendo que o cientista roubava ossos do cemitério da cidade em busca de material para fazer ouro. Mas no final, todos os moradores apoiam o químico que busca a formula que criou. Um exemplo clássico de sovinice, da ganância, que excedem os limites da moral em busca de beneficio, podemos dizer; - lei de levar “eu” a vantagem em tudo.

O segundo data de 1929, é “A Vingança de Mendelejeff”, de Berilo Neves, o primeiro escritor brasileiro a publicar ficção cientifica. Esse conto é melodramático, contem preconceitos políticos inacreditáveis, com histórias cômicas, com um cientista maluco.

Outro conto o “Delírio”, de Alfonso Schmidt de 1934, considero mais espirita do que ficção cientifica sobre pessoas em fase terminal ou como dizem os espiritas desencarnando, relata experiências do além, com fantasia e ficção, mas religiosa.

De André Carneiro “O Homem que Hipnotizava”, de 1963 se fixa numa descrição que envolve hipnose feita por um homem que tenta iludir as pessoas sobre sua vida.

“Sociedade Secreta”, de 1966, autor Domingos Carvalho da Silva, fala sobre o inverso da utopia, de um futuro tecnológico e coletivo, que sobreviventes de uma era anterior sentem-se fora do contexto, o autor parece querer relacionar ao ambiente da ditadura militar, um anticomunismo.. O protagonista demonstra ser sobrevivente do capitalismo e da democracia, o inimigo é coletivismo e foi escrito no período do governo Castelo Branco.

De Jerônymo Monteiro, “Um Braço na Quarta Dimensão”, de 1964, é uma história trágica e intrigante de um caiçara pobre residente na cidade de Mongaguá que carrega uma maldição.. o dom da desmaterialização ao sentir perigo, e quando se materializa novamente surge em maior risco do que ao se desmaterializar.

A próxima história trata de um encontro com OVNIS e os misteriosos tripulantes complicados pelo fato do personagem principal que faz os contatos imediatos é um fugitivo do manicômio.

“Seminário dos Ratos”, de Lygia Fagundes Telles, (1977), trata da ditadura militar, satirizada pelo autor, refere-se a um militar que vai a uma casa de campo organizada para reuniões com assessores do governo de Washington que o auxiliarão combater a repugnante praga de ratos que está acabando com a cidade, Uma boa história de terror.. mas um conto que não está muito para ficção.. mas muito bom!!

1977, Marien Calixte, escreveu “O Visitante”, apresenta à viúva de um pescador que se envolve com um misterioso homem que a engravida, o homem louro, olhos azuis. Começam a surgir comentários a respeito de uma linda luz que surge do céu nos dias que a mulher recebe o visitante que parece um alienígena, no mais parece no relato uma entidade encantada do folclore, um ser fantástico.

“Uma Semana na Vida de Fernando Alonso Filho” publicado em 1984, escrito por Jorge Luiz Calife. A história se passa no futuro, acontece com população de habitantes do planeta Vênus, que esta se transformando num segundo planeta terra, e está numa era de chuvas, essa história segue convenções da ficção cientifica, ou seja, ficção original. Na imaginação do autor em Vênus só existiria rocha.. assim segue parece interessante..

Bráulio Tavares em 1989 escreve “Mestre-de-Armas” seu conto fixa-se em desenvolvimentos sociais e políticos, ou seja, ciências naturais critica ao militarismo, imperialismo da ficção, descreve a depressão da carreira de um guerreiro do espaço a caminho do espaço, imortalização. Critico a idealização da conquista militar do espaço.. ficção cientifica muito boa!!

“O fruto Maduro da Civilização” de Ivan Carlos Regina (1993), enredo pessimista, com conotação cientifica, tecnológica, e atual sobre um autêntico trabalho de discussão do homossexualismo de uma forma que só mesmo a ficção científica poderia propor.

Cid Fernandez (1998) escreveu “Engaiolado”, texto interessante. Retrata a ufologia, mistério que assombra um pobre imigrante do interior que chega à Capital é envolvente, original, suspense admirável.

“Controlador”, de Leonardo Nahoum (2001) é uma história a respeito de peregrinos de uma religião que busca a morte em outro mundo que seja dominado por um ser artificial, de poderes quase divinos, capaz de transformar a realidade à sua vontade, o conto toma rumos divergentes do idealismo do protagonista, o semideus, o fim é marcante.. muito recomendável..

Vale a pena!!! A leitura Os melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica - Fronteiras: editado por Roberto de Souza Causo é uma seleção de exemplos marcantes da ficção científica nacional, reunindo autores que se firmaram dentro do gênero, ao lado de grandes nomes da literatura brasileira que ousaram escrever ficção científica. Inclui quatorze narrativas publicadas originalmente ente 1910 e 2001, para definir o gênero a partir da variedade de temas e estilos. Afinal, o país da maior diversidade do mundo e de culturas diferenciadas, muitas raças e também de um país em que as fronteiras culturais se aproximam e se fundem.

Essa seleção de contos da mais alta qualidade de grandes autores brasileiros. Apresenta personagens variados, desde químicos loucos e personagens que tramam constantemente, Este livro é uma agradável mistura de sociologia, crítica e ficção!

Fonte:
Shvoong – Resumos e Críticas

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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