Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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domingo, 24 de junho de 2012

José Luis Peixoto (Livro)


artigo por Ana Lucia Santana

Nesta bela história o autor exercita a criação dos ancestrais romances de formação. Aqui é Ilídio que protagoniza uma intensa e dramática jornada existencial, permeada pela constante presença da literatura. Sua infância é marcada pelo abandono; a mãe parte e o deixa só em uma via pública, aos 6 anos, espiando o livro confiado por ela a suas mãos e espreitando o tempo que passa veloz e logo converte a luz do sol nas sombras da noite.

Este evento dá início à primeira parte da obra, que retrata a infância e a juventude do protagonista, seus traumas, o encontro com o pedreiro Josué, amigo da mãe, que o acolhe e educa, e a posterior paixão pela doce Adelaide. O autor também apresenta o leitor ao amigo mais intimo do protagonista, Cosme; a um jovem singelo que toma conta do irmão portador de deficiência e de um bando de pombos, Galopim; e Adelaide, a dona do coração de Ilídio, a qual vive com a tia, proprietária do estabelecimento comercial da vila.

No início da trama os caminhos dos dois jovens se entrecruzam e se perdem no percurso entre Portugal e França. A tia de Adelaide, disposta a impedir o romance, a força a partir para Paris. Aí a protagonista desembarca com um livro nas mãos, lembrança de Idílio, a mesma que sua mãe lhe legou quando ainda era um menino.

Em terras francesas a garota, profundamente infeliz, se une em matrimônio a outro homem; seu esposo, porém, supostamente se interessa mais pelos acontecimentos políticos do que por ela, embora os dois tenham se aproximado novamente graças a um livro.

Mesmo assim, ambos alimentam a esperança de se rever, e o protagonista vai para a França à procura de Adelaide, abandonando seu pai adotivo, Josué. Mas é sinuosa a jornada empreendida pelo herói na tentativa de rever a mulher que roubou seu coração. Como nos contos de fadas, os obstáculos se multiplicam ao longo do caminho. Cartas são extraviadas, demandas não se concretizam e paixões atingem um alto grau de complexidade.

A segunda parte desta obra relembra o leitor do significado de seu título; o livro não é um mero artefato, é igualmente o narrador, o fio condutor da história. Ele é filho da jovem Adelaide, e esse é seu nome de batismo. Nesta etapa final o personagem recorre excessivamente ao recurso da metaliteratura, o que converte esta narrativa em um instrumento quase lúdico.

José Luis Peixoto nasceu em Galveias, Portugal, no ano de 1974. Ele cursou línguas e literaturas modernas – inglês e alemão – na Universidade Nova de Lisboa. Em 2001 foi agraciado com o Prêmio José Saramago por seu livro Nenhum Olhar. Sua obra foi vertida para aproximadamente vinte línguas.

Fonte:
http://www.infoescola.com/livros/livro/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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