Uma Trova de Maringá/PR
Ó Deus, que nos deste a flor,
e as crianças e as estrelas,
dá-nos agora, Senhor,
a graça de merecê-las!
A. A. de Assis
Uma Trova ecológica de Pedro Leopoldo/MG
A poluição apronta
sobre o mar, o provedor.
O marasmo toma conta
do sofrido pescador.
Wagner Marques Lopes
Eternamente Drummond
Carlos Drummond de Andrade (MG)
A Folha
A natureza são duas.
Uma,
tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?
Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?
A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente à folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.
Uma Orelha Poética de Livro de Poesias, de Sorocaba/SP
André Augusto Passari
“Tempo, Solidão e Fantasia”
Ó Deus, que nos deste a flor,
e as crianças e as estrelas,
dá-nos agora, Senhor,
a graça de merecê-las!
A. A. de Assis
Uma Trova ecológica de Pedro Leopoldo/MG
A poluição apronta
sobre o mar, o provedor.
O marasmo toma conta
do sofrido pescador.
Wagner Marques Lopes
Eternamente Drummond
Carlos Drummond de Andrade (MG)
A Folha
A natureza são duas.
Uma,
tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?
Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?
A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente à folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.
Uma Orelha Poética de Livro de Poesias, de Sorocaba/SP
André Augusto Passari
“Tempo, Solidão e Fantasia”
As gerações são bafos que passam. O homem respira, aspira e expira.”
Victor Hugo
O tempo é fugaz, desliza entre os dedos. Mas o tempo é eterno, se perde no infinito. O ser humano criou o tempo, pois só assim pode criar a História. E ela não é nada mais do que uma sucessão de dores e fantasias.
Ah, as fantasias!
Quando um Deus, talvez bêbado, talvez lúcido demais, resolveu inventar a humanidade, não pensou senão em fantasias.
Pensou no Amor, que deveria conter mais tragédias do que alegrias. Pensou no Belo, só para contrapor a feiúra. Pensou na Glória, para humilhar os desgraçados. Pensou na Vaidade, que seria a chama que delicia e corrói a sociedade.
Foi algum Deus, talvez o mais pobre do Olimpo, talvez o mais esquecido, foi algum Deus que brincou de inventar a Esperança, pois das tragédias ele já sabia. Mas a vida não seria assim tão linda, pois é da tragédia e da esperança unidas que nasce a fantasia. Foi algum Deus, talvez o único do Olimpo, solitário.
Talvez bêbado, talvez lúcido demais
Victor Hugo
O tempo é fugaz, desliza entre os dedos. Mas o tempo é eterno, se perde no infinito. O ser humano criou o tempo, pois só assim pode criar a História. E ela não é nada mais do que uma sucessão de dores e fantasias.
Ah, as fantasias!
Quando um Deus, talvez bêbado, talvez lúcido demais, resolveu inventar a humanidade, não pensou senão em fantasias.
Pensou no Amor, que deveria conter mais tragédias do que alegrias. Pensou no Belo, só para contrapor a feiúra. Pensou na Glória, para humilhar os desgraçados. Pensou na Vaidade, que seria a chama que delicia e corrói a sociedade.
Foi algum Deus, talvez o mais pobre do Olimpo, talvez o mais esquecido, foi algum Deus que brincou de inventar a Esperança, pois das tragédias ele já sabia. Mas a vida não seria assim tão linda, pois é da tragédia e da esperança unidas que nasce a fantasia. Foi algum Deus, talvez o único do Olimpo, solitário.
Talvez bêbado, talvez lúcido demais
Uma Trova de Bragança Paulista/SP
Quero o amor bem pertinho,
ao alcance de meus braços;
não no virtual quadrinho,
tão longe dos meus espaços...
Lóla Prata
Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois
Palavras
Ásperas
ditas como ordens
assustadas
macias
ditas como esperas
controladas
raivosas
ditas como verdades
escancaradas
melífluas
ditas como mentiras
dissimuladas
rezadas
ditas como saudades
santificadas
cantadas
ditas como músicas
silenciadas
caladas
ditas como lembranças
extremadas.
Um Haicai de Balneário Camboriú/SC
Marasmo
Eliana Ruiz Jimenez
Marasmo diário.
Na rede do pescador,
garrafas e latas.
Uma Quadrinha Popular
O meu pai se chama Caco
minha mãe, Caca Maria
Ai, meu Deus, que tanto caco
sou filha da cacaria.
Um Soneto de Pedro Leopoldo/MG
Astronomia Humana
Wagner Marques Lopes
Se Galileu, Copérnico, Laplace,
Flammarion ou qualquer mago dos céus -
Para a Terra os olhos desviasse
Veria vários astros, sem mais véus.
Há homens-luas, pois refletem luz;
Homens-cometas a seguir às tontas;
Há homens-sóis... E cada um conduz
A energia do bem para as terras prontas.
A astronomia humana é rica à beça:
Planetas a girar... Uns mostram pressa;
Outros pouco avançando, em velhos ritos.
E todos em processo evolutivo -
Com seus reveses, tendo a dor por crivo,
Mas cumprindo papéis pelo Infinito!
Trova de Concurso
2009 – Jogos Florais de Niterói/RJ
Tema: Prêmio
No “grande prêmio” da vida,
É vencedor, sem igual,
Quem usa o Bem, sem medida,
Desde a largada ao final!...
Hermoclydes S. Franco (Rio de Janeiro/RJ)
Um Soneto de Coimbra/Portugal
Jaime Cortesão (1884-1960)
RENASCIMENTO
Nasci de novo. Eis-me liberto, enfim!
Foi por um Céu, de estrelas todo cheio,
Numa visão de Amor, que um Anjo veio
Descendo até poisar ao pé de mim.
O beijo que me deu não teve fim...,
Apertou-me nos braços contra o seio,
Abriu os lábios segredando..., e a meio
Bateu asas e levou-me assim.
Ai! como é doce o seio que me embala!
E como tudo é novo e mais profundo!...
Mas já não volta, ou, quando volta, é morto!
Noutro Mundo melhor eu vivo absorto,
E logo conheci que a esse Mundo
Quem vai não volta, ou, quando volta, é morto!
Um Poetrix de Portugal
morte
Anthero Monteiro
uma cadeira vazia na alameda
sentada numa tarde de outono
a olhar o meu ponto de fuga
Uma Trova de Natal/RN
Quando a jangada flutua
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua
nos olhos verdes do mar.
José Lucas de Barros
Trovadores que Deixaram Seu Nome nas Páginas da História
Curvado à lei dos pesares
Não sei se morro ou se vivo:
Senhor dos outros olhares,
Só do teu fiquei cativo.
Joaquim Osório Duque Estrada [1870-1927] (Vassouras/RJ)
Quero o amor bem pertinho,
ao alcance de meus braços;
não no virtual quadrinho,
tão longe dos meus espaços...
Lóla Prata
Um Poema de Itapema/SC
Pedro Du Bois
Palavras
Ásperas
ditas como ordens
assustadas
macias
ditas como esperas
controladas
raivosas
ditas como verdades
escancaradas
melífluas
ditas como mentiras
dissimuladas
rezadas
ditas como saudades
santificadas
cantadas
ditas como músicas
silenciadas
caladas
ditas como lembranças
extremadas.
Um Haicai de Balneário Camboriú/SC
Marasmo
Eliana Ruiz Jimenez
Marasmo diário.
Na rede do pescador,
garrafas e latas.
Uma Quadrinha Popular
O meu pai se chama Caco
minha mãe, Caca Maria
Ai, meu Deus, que tanto caco
sou filha da cacaria.
Um Soneto de Pedro Leopoldo/MG
Astronomia Humana
Wagner Marques Lopes
Se Galileu, Copérnico, Laplace,
Flammarion ou qualquer mago dos céus -
Para a Terra os olhos desviasse
Veria vários astros, sem mais véus.
Há homens-luas, pois refletem luz;
Homens-cometas a seguir às tontas;
Há homens-sóis... E cada um conduz
A energia do bem para as terras prontas.
A astronomia humana é rica à beça:
Planetas a girar... Uns mostram pressa;
Outros pouco avançando, em velhos ritos.
E todos em processo evolutivo -
Com seus reveses, tendo a dor por crivo,
Mas cumprindo papéis pelo Infinito!
Trova de Concurso
2009 – Jogos Florais de Niterói/RJ
Tema: Prêmio
No “grande prêmio” da vida,
É vencedor, sem igual,
Quem usa o Bem, sem medida,
Desde a largada ao final!...
Hermoclydes S. Franco (Rio de Janeiro/RJ)
Um Soneto de Coimbra/Portugal
Jaime Cortesão (1884-1960)
RENASCIMENTO
Nasci de novo. Eis-me liberto, enfim!
Foi por um Céu, de estrelas todo cheio,
Numa visão de Amor, que um Anjo veio
Descendo até poisar ao pé de mim.
O beijo que me deu não teve fim...,
Apertou-me nos braços contra o seio,
Abriu os lábios segredando..., e a meio
Bateu asas e levou-me assim.
Ai! como é doce o seio que me embala!
E como tudo é novo e mais profundo!...
Mas já não volta, ou, quando volta, é morto!
Noutro Mundo melhor eu vivo absorto,
E logo conheci que a esse Mundo
Quem vai não volta, ou, quando volta, é morto!
Um Poetrix de Portugal
morte
Anthero Monteiro
uma cadeira vazia na alameda
sentada numa tarde de outono
a olhar o meu ponto de fuga
Uma Trova de Natal/RN
Quando a jangada flutua
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua
nos olhos verdes do mar.
José Lucas de Barros
Trovadores que Deixaram Seu Nome nas Páginas da História
Curvado à lei dos pesares
Não sei se morro ou se vivo:
Senhor dos outros olhares,
Só do teu fiquei cativo.
Joaquim Osório Duque Estrada [1870-1927] (Vassouras/RJ)
Joaquim Osório Duque-Estrada (Paty do Alferes [Vassouras], RJ, 29 de abril de 1870 — Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 1927)
Duque Estrada nasceu no então município de Vassouras, no sul do estado do Rio de Janeiro.
Era filho do tenente-coronel Luís de Azeredo Coutinho Duque Estrada e de Mariana Delfim Duque Estrada. Era afilhado do general Osório, marquês do Erval. Estudou as primeiras letras na capital do antigo império, nos colégios Almeida Martins, Aquino e Meneses Vieira. Matriculou-se em 1882 no imperial Colégio Pedro II, onde recebeu o grau de bacharel em letras, em dezembro de 1888. Em 1886, ao completar o quinto ano do curso, publicou o primeiro livro de versos, Alvéolos.
Começou a colaborar na imprensa, em 1887, escrevendo os primeiros ensaios na Cidade do Rio, como um dos auxiliares de José do Patrocínio na campanha da abolição. Em 1888 alistou-se também nas fileiras republicanas, ao lado de Silva Jardim, entrando para o "Centro Lopes Trovão" e o "Clube Tiradentes", de que foi segundo secretário. No ano seguinte foi para São Paulo, a fim de se matricular na Faculdade de Direito, entrando nesse mesmo ano para a redação do Diário Mercantil. Abandonou o curso de Direito em 1891 para se dedicar à diplomacia, sendo então nomeado segundo secretário de legação no Paraguai, onde permaneceu por um ano.
Regressou ao Brasil, abandonando de vez a carreira diplomática. Fixou residência em Minas Gerais, de 1893 a 1896. Aí redigiu o Eco de Cataguases. Nos anos de 1896, 1899 e 1900 foi sucessivamente inspetor geral do ensino, por concurso; bibliotecário do Estado do Rio de Janeiro e professor de francês do Ginásio de Petrópolis, cargo que exerceu até voltar para a cidade do Rio de Janeiro, em 1902, sendo nomeado regente interino da cadeira de História Geral do Brasil, no Colégio Pedro II.
Deixou o magistério em 1905, voltando a colaborar na imprensa, em quase todos os diários do Rio de Janeiro. Entrou para a redação do Correio da Manhã, em 1910, dirigindo-o por algum tempo, durante a ausência de Edmundo Bittencourt e Leão Veloso. Foi nesse período que criou a seção de crítica Registro Literário, mantida, de 1914 a 1917, no Correio da Manhã; de 1915 a 1917, no Imparcial; e, de 1921 a 1924, no Jornal do Brasil. Uma boa parte de seus trabalhos desse período foram reunidos em Crítica e polêmica (1924). Tornou-se um crítico literário temido. Gostava de polêmicas. De todas as censuras que fez, nenhuma conseguiu dar-lhe renome na posteridade.
Como poeta, não fez nome literário, a não ser pela autoria da letra do Hino Nacional. Além do livro de estreia, publicado aos 17 anos, Flora de Maio, com prefácio de Alberto de Oliveira, reunindo poesias escritas até os 32 anos de idade. Revela sensível progresso na forma e na ideia. Conserva a feição dos poetas românticos, apesar de publicado em plena florescência do Parnasianismo, de que recebeu evidentes influxos, conservando, contudo, a essência romântica.
Foi eleito em 25 de novembro de 1915 para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Sílvio Romero. Recebeu premiação de literatura pelo livro: E O Papagaio Voou.
Obras:
Alvéolos, poesia (1887); A aristocracia do espírito (1899); Flora de Maio, poesia (1902); O Norte, impressões de viagem (1909); Anita Garibaldi, ópera-baile (1911); A arte de fazer versos (1912); Dicionário de rimas ricas (1915); A Abolição, esboço histórico (1918); Crítica e polêmica (1924); e mais: Noções elementares de gramática portuguesa; Questões de português; Guerra do Paraguai; História Universal; A alma portuguesa. Encontram-se trabalhos seus na Revista Americana; em O Mundo Literário; na Revista da Língua Portuguesa e na Revista da Academia Brasileira de Letras.
Duque Estrada nasceu no então município de Vassouras, no sul do estado do Rio de Janeiro.
Era filho do tenente-coronel Luís de Azeredo Coutinho Duque Estrada e de Mariana Delfim Duque Estrada. Era afilhado do general Osório, marquês do Erval. Estudou as primeiras letras na capital do antigo império, nos colégios Almeida Martins, Aquino e Meneses Vieira. Matriculou-se em 1882 no imperial Colégio Pedro II, onde recebeu o grau de bacharel em letras, em dezembro de 1888. Em 1886, ao completar o quinto ano do curso, publicou o primeiro livro de versos, Alvéolos.
Começou a colaborar na imprensa, em 1887, escrevendo os primeiros ensaios na Cidade do Rio, como um dos auxiliares de José do Patrocínio na campanha da abolição. Em 1888 alistou-se também nas fileiras republicanas, ao lado de Silva Jardim, entrando para o "Centro Lopes Trovão" e o "Clube Tiradentes", de que foi segundo secretário. No ano seguinte foi para São Paulo, a fim de se matricular na Faculdade de Direito, entrando nesse mesmo ano para a redação do Diário Mercantil. Abandonou o curso de Direito em 1891 para se dedicar à diplomacia, sendo então nomeado segundo secretário de legação no Paraguai, onde permaneceu por um ano.
Regressou ao Brasil, abandonando de vez a carreira diplomática. Fixou residência em Minas Gerais, de 1893 a 1896. Aí redigiu o Eco de Cataguases. Nos anos de 1896, 1899 e 1900 foi sucessivamente inspetor geral do ensino, por concurso; bibliotecário do Estado do Rio de Janeiro e professor de francês do Ginásio de Petrópolis, cargo que exerceu até voltar para a cidade do Rio de Janeiro, em 1902, sendo nomeado regente interino da cadeira de História Geral do Brasil, no Colégio Pedro II.
Deixou o magistério em 1905, voltando a colaborar na imprensa, em quase todos os diários do Rio de Janeiro. Entrou para a redação do Correio da Manhã, em 1910, dirigindo-o por algum tempo, durante a ausência de Edmundo Bittencourt e Leão Veloso. Foi nesse período que criou a seção de crítica Registro Literário, mantida, de 1914 a 1917, no Correio da Manhã; de 1915 a 1917, no Imparcial; e, de 1921 a 1924, no Jornal do Brasil. Uma boa parte de seus trabalhos desse período foram reunidos em Crítica e polêmica (1924). Tornou-se um crítico literário temido. Gostava de polêmicas. De todas as censuras que fez, nenhuma conseguiu dar-lhe renome na posteridade.
Como poeta, não fez nome literário, a não ser pela autoria da letra do Hino Nacional. Além do livro de estreia, publicado aos 17 anos, Flora de Maio, com prefácio de Alberto de Oliveira, reunindo poesias escritas até os 32 anos de idade. Revela sensível progresso na forma e na ideia. Conserva a feição dos poetas românticos, apesar de publicado em plena florescência do Parnasianismo, de que recebeu evidentes influxos, conservando, contudo, a essência romântica.
Foi eleito em 25 de novembro de 1915 para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Sílvio Romero. Recebeu premiação de literatura pelo livro: E O Papagaio Voou.
Obras:
Alvéolos, poesia (1887); A aristocracia do espírito (1899); Flora de Maio, poesia (1902); O Norte, impressões de viagem (1909); Anita Garibaldi, ópera-baile (1911); A arte de fazer versos (1912); Dicionário de rimas ricas (1915); A Abolição, esboço histórico (1918); Crítica e polêmica (1924); e mais: Noções elementares de gramática portuguesa; Questões de português; Guerra do Paraguai; História Universal; A alma portuguesa. Encontram-se trabalhos seus na Revista Americana; em O Mundo Literário; na Revista da Língua Portuguesa e na Revista da Academia Brasileira de Letras.
Um Soneto de Antequera/Espanha
Pedro Espinosa (1578-1650)
À Santíssima Virgem Maria
Como o triste piloto que pelo mar incerto
se vê, com turvos olhos, sujeito a dura pena
na onda curva, que, areia vomitando, o envenena
e o tem todo de espuma salpicado e coberto,
quando, sem esperança, de espanto quase morto
vê o fogo de santelmo cintilar sobre a antena,
e, adorando seu lume, de gozos a alma plena,
encontra a nau fendida surta num doce porto:
assim um mar sulcava de penas e de escolhos,
e, na tormenta fera, já das águas aziagas
meio coberto estava, já a força e a luz perdida,
quando fitei, ó Virgem, o lume de teus olhos,
com cujos resplendores, acalmadas as vagas,
chego ao ditoso porto onde resgato a vida.
(Trad. de Fernando Mendes Vianna)
Um Haicai de Maringá/PR
Cheiro bom no ar.
É a colheita da maçã.
Festa no pomar
A. A. de Assis
Uma Trova de Curitiba/PR
O tempo ficou parado
naquele retrato antigo
que, mesmo preso ao passado,
conversa sempre comigo...
Julieta Wendhausen de Carvalho Gomes
Vinicius de Moraes, Com Amor
Vinicius de Moraes (RJ)
A Impossível Partida
Como poder-te penetrar, ó noite erma, se os meus olhos cegaram nas luzes da cidade
E se o sangue que corre no meu corpo ficou branco ao contato da carne indesejada?…
Como poder viver misteriosamente os teus recônditos sentidos
Se os meus sentidos foram murchando como vão murchando as rosas colhidas
E se a minha inquietação iria temer a tua eloqüência silenciosa?…
Eu sonhei!... Sonhei cidades desaparecidas nos desertos pálidos
Sonhei civilizações mortas na contemplação imutável
Os rios mortos... as sombras mortas... as vozes mortas...
…o homem parado, envolto em branco sobre a areia branca e a quietude na face...
Como poder rasgar, noite, o véu constelado do teu mistério
Se a minha tez é branca e se no meu coração não mais existem os nervos calmos
Que sustentavam os braços dos Incas horas inteiras no êxtase da tua visão?...
Eu sonhei!... Sonhei mundos passando como pássaros
Luzes voando ao vento como folhas
Nuvens como vagas afogando luas adolescentes...
Sons… o último suspiro dos condenados vagando em busca de vida...
O frêmito lúgubre dos corpos penados girando no espaço...
Imagens... a cor verde dos perfumes se desmanchando na essência das coisas...
As virgens das auroras dançando suspensas nas gazes da bruma
Soprando de manso na boca vermelha dos astros...
Como poder abrir no teu seio, oh noite erma, o pórtico sagrado do Grande Templo
Se eu estou preso ao passado como a criança ao colo materno
E se é preciso adormecer na lembrança boa antes que as mãos desconhecidas me arrebatem?...
Cantinho do Ialmar
Ialmar Pio Schneider (RS)
Soneto a Laurindo Rabelo
In Memoriam – Nascimento do poeta em 8.7.1826
Foi poeta... sofreu e fez seus versos,
clamando que seriam ais sentidos,
pois quanto mais tristonhos, mais perversos,
representando corações partidos...
Mas sua obra é vasta e os dias idos
na existência de sonhos tão dispersos,
lamentou como se fossem perdidos
os cantos que compôs, os mais diversos...
E no soneto “O Tempo” põe sua alma
arrependida de gastá-lo em vão,
tal como se fosse perder a calma.
Um conselho final então dos diz:
de não desperdiçarmos, sem razão,
o tempo em que se pode ser feliz...
Uma Fábula
A Rede
Leonardo Da Vinci (Itália)
Naquele dia, como todos os dias, a rede subiu carregada de peixes. Carpas, barbos, lampreias, trutas, enguias e muitos, muitos outros peixes foram para as cestas dos pescadores.
Lá no fundo da água do rio, os sobreviventes, assustados e com medo, não ousavam se mexer. Famílias inteiras já haviam sido enviadas para o mercado. Diversos cardumes tinham caído na rede e terminado na frigideira. Que fazer?
Um grupo de jovens peixes promoveu uma reunião atrás de uma pedra e decidiu se revoltar.
- É uma questão de vida ou morte - disseram eles - todos os dias essa rede afunda na água, cada vez num local diferente, para nos aprisionar e nos levar embora de nosso lar. Vai acabar nos matando a todos, e o rio ficará sem peixe algum. Nossos filhos têm direito à vida e precisamos fazer alguma coisa para livrá-los deste flagelo.
- E que podemos fazer? - perguntou uma truta que seguira os conspiradores.
- Destruir a rede - responderam os outros em coro
As enguias encarregaram-se de rapidamente espalhar a notícia dessa corajosa decisão e convocaram todos os peixes para um encontro na manhã seguinte, numa pequena enseada protegida por altos salgueiros.
No dia seguinte, milhões de peixes de todos os tamanhos e idades reuniram-se para declarar guerra à rede.
A liderança foi entregue a uma sábia e velha carpa, que por duas vezes conseguira escapar da prisão, mordendo as malhas da rede.
- Ouçam com atenção - disse a carpa - a rede é da largura do rio, e todas as malhas têm um chumbo preso por baixo, para que a rede afunde. Dividam-se em dois grupos. Um dos grupos suspenderá os pesos de chumbo e os carregará até a superfície, e o outro segurará as malhas por cima com firmeza. As lampreias vão serrar com os dentes a corda que mantém a rede esticada entre as duas margens. As enguias vão partir já, para fazer uma inspeção e nos informar em que local a rede foi lançada.
As enguias partiram. Os peixes formaram grupos ao longo das margens. Os barbos encorajavam os mais tímidos, relembrando-lhes o triste fim de tantos amigos e exortando-os a não terem medo de ficarem presos na rede, porque daquele dia em diante nenhum homem seria mais capaz de arrastá-la para a margem.
As enguias retornaram, missão cumprida. A rede fora lançada a uma milha dali.
Então todos os peixes, como uma frota gigantesca, partiram atrás da velha carpa.
- Tomem cuidado - disse a carpa - pois a correnteza pode arrastar vocês para dentro da rede. Sigam devagar e usem bem as nadadeiras.
E então viram a rede, cinzenta e sinistra.
Os peixes, acometidos de súbita fúria, nadaram para atacar.
A rede foi suspensa por baixo, as cordas que a seguravam foram cortadas, as malhas foram rasgadas. Mas os peixes, enfurecidos não largavam mais sua presa. Cada um segurava na boca um pedaço de malha e abanando fortemente as caudas e as nadadeiras, puxavam de todos os lados a fim de rasgar e destruir a rede. E a água parecia estar fervendo enquanto os peixes finalmente libertavam o rio daquele perigo.
Um Poema de Rio Verde/PR
Ady Xavier de Moraes
Mulher
És bela, não porque se fez bela,
Mas porque tens no íntimo
O brilho de uma estrela
Que durante o dia se esconde
E, durante a noite, no infinito,
Mostra tua face que resplandece.
És linda, não porque se fez linda
Mas porque a natureza preparou
Para nascer e brilhar.
Tu não precisas de arranjos,
Porque uma flor já nasce
Com toda a beleza, tenra
E perfumada.
És perfeita, não porque se fez perfeita,
Mas porque a vida deu-te de tudo,
A simplicidade de um anjo,
A inocência de uma criança,
O carisma de uma rainha.
Quando sorri…
Com os lábios, com o coração.
Mostras com muita esperança,
A vontade de vencer na vida
E não sabe da virtude que tens,
por isso, és linda, és bela,
como a flor do meu jardim.
Música de capoeira
Esta Cobra te Morde
Solo
Esta cobra te morte
Coro
Sinhô São Bento (repete-se depois de cada verso)
Solo
Ói bote de cobra
Ói a cobra mordeu
O veneno da cobra
Ói a casca da cobra
Ó que cobra danada
Ó que cobra malvada
Ponto de capoeira colhido por Camargo Guarnieri, na Bahia, em 1937. Extraído de Oneida Alvarenga, Música popular brasileira, Rio de Janeiro, Editora Globo, 1960, p.217-218.
Uma Trova de Lisboa/Portugal
O moinho de café
mói grãos e faz deles pó.
O pó que a minha alma é,
moeu quem me deixa só.
Fernando Pessoa
Uma Poesia de Maringá/PR
José Feldman
Lágrimas nas Trevas
– In memoriam – Gwyddion (1997 – 2001)
Parem o tempo!
Silenciem os passarinhos,
Calem os saxofones
E com o toque de uma lira
Carreguem seu corpinho.
Que venham os guardiões do portal do destino,
Voem águias, gaviões e falcões,
E anunciem aos quatro ventos:
“Ele nos Deixou”.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos
Das pombas brancas da paz,
Caminhem sobre a grama, como se fosse algodão.
Ele era o norte, o sul, o leste e o oeste,
Os dias de trabalho e os dias de descanso,
O dia claro e a noite escura,
A noite clara e o dia escuro.
O dia-a-dia, a poesia e a canção
A esperança infinita
O caminho do amor
O carinho sem limite.
Ele era a criança sempre pura de coração
Era a chuva fresca após um dia de calor intenso,
Os raios de sol que despeja sobre a terra ao romper da manhã,
A brisa suave após um dia de trabalho.
Ele era a maior música que se conheceu,
A melodia que embalava o nosso sono,
O nosso bom-dia e o nosso boa-noite.
Ele nos Deixou…
Que importam as estrelas?
Parem de piscar!
Vão embora!
Porque a lua está brilhando?
Apague-a!
O sol?
Escondam-no!
Sequem os oceanos e
Varram os bosques,
Pois agora,
Para nada mais há de servir.
Adeus, meu doce molequinho,
Você sempre viverá dentro de nós.
Cantinho do Izo Goldman
A Rima Rara e a Rima Preciosa
Dentro dos diversos elementos que valorizam uma trova devemos destacar a “rima”.
“Rima é a igualdade ou semelhança de sons no fim de duas ou mais palavras, no extremo dos versos.
RARA– Quando formada palavras que tem poucas rimas, como: intrépido, lépido, tépido e trépido. Ou por rimas ricas, raramente usadas.
Dentro dos diversos elementos que valorizam uma trova devemos destacar a “rima”.
“Rima é a igualdade ou semelhança de sons no fim de duas ou mais palavras, no extremo dos versos.
RARA– Quando formada palavras que tem poucas rimas, como: intrépido, lépido, tépido e trépido. Ou por rimas ricas, raramente usadas.
Olhai, racistas, papalvos,
das mãos o exemplo de amor,
seios negros, seios alvos,
dão leite da mesma cor.
JACY PACHECO [1910-1989] (Niterói/RJ)
das mãos o exemplo de amor,
seios negros, seios alvos,
dão leite da mesma cor.
JACY PACHECO [1910-1989] (Niterói/RJ)
PRECIOSA – Quando as rimas usadas, são as únicas existentes, como: cisne e tisne, ágil e frágil.
Papai do Céu “tá” ranzinza
diz meu netinho assustado,
pintou todinho de cinza
o lindo céu azulado…
IZO GOLDMAN (São Paulo/SP)(Fonte: Curso de Trovas 1994 realizado por Izo Goldman no Instituto Cultural Israelita Brasileiro (SP)
diz meu netinho assustado,
pintou todinho de cinza
o lindo céu azulado…
IZO GOLDMAN (São Paulo/SP)(Fonte: Curso de Trovas 1994 realizado por Izo Goldman no Instituto Cultural Israelita Brasileiro (SP)
Um Poema de Curitiba/PR
Silviah Carvalho
Seu Amor é Tudo
Antes que seja aprisionada pelo seu sorriso,
E sinta que a vida não fará mais sentido sem você
Antes que tenha certeza que você é tudo que preciso
Antes que eu perca a razão e no amor volte a crer
Antes que sua solidão misture com minha carência
E suas mãos toquem novamente as minhas
Antes que eu seja vencida por minha impaciência
E passe a crer que perto de você eu não esteja sozinha
Eu voarei rumo aos pinheiros, perto da tristeza
Onde as noites são frias, os dias são longos
Eu estarei a meditar na sua simplicidade e pureza
Na paz que emana de você, na sua doçura e nobreza
Eu irei pensar no silêncio da minha incompreensão
Não diga nada, talvez eu não resista à dor de um sincero não
Eu cheguei no tempo que é para ti a alto-reconstrução
Em que preferes a solidão latente no seu meigo olhar
Eu irei antes que, seja dominada pelo desejo de ficar
E quando este papel envelhecer,
Saiba que esta poetisa que hoje te escreve apesar
De nada ser, desejou ter tudo, e este tudo é você.
Uma Trova de Curitiba/PR
Dormi... e sonhei contigo
na praia, com lua cheia!
Foi delírio, hoje prossigo
te procurando na areia!
Vânia Maria Souza Ennes
Cantos de Trabalho
Araúna
Xô, xô, xô, araúna,
Deixa ninguém te pegá, araúna
Tenho dinheiro de prata, araúna,
Para comprá as mulata, araúna
Puxada da rede. Extraído de Viva Bahia canta; coletânea de músicas folclóricas, pesquisa de Emília Biancardi Ferreira (Salvador, Secretaria de Educação e Cultura, 1973, p.37)
Um Haicai de Niterói/RJ
Livre é o pensamento,
é porém à flor dos lábios
pássaro detento
Jacy Pacheco (1910 - 1989)
Um Soneto de Chiriqui/Panamá
Santiago Anguizola (1898 – 1980)
Mãos
Seráficos feitiços benfazejos
para cingir as almas em cadeias,
mãos finas, mãos suaves, que são peias
e provocam fantásticos desejos.
São retalhos dos céus essas mãos calmas
pelo celeste azul que têm nas veias,
como asas de arcanjo, sempre cheias
da graça do Senhor em suas palmas.
Mãos das quais o milagre se pressente
de vê-las transformadas em estrelas
quando abrem os dedos suavemente;
encantadoras mãos que são tão belas
como para viver eternamente
acariciando o coração com elas.
Poesia de Cordel de Natal/RN
Walter Medeiros
Cordel do Português
O mundo é muito bom
Para quem sabe viver
E quem gosta de aprender
Sabe usar palavra e som;
Por isso vou escrever
O que já pude entender
Sem estresse ou frisson.
Falo da formulação
Da nova ortografia
Pois está chegando o dia
De virar obrigação;
E agora, quem diria!
Coisas que a gente escrevia
Não pode escrever mais não.
Não esquente, meu amigo,
Pois não é um teorema
Começando pelo trema,
Pois ele foi abolido;
Agora o novo sistema
Não é mais nosso problema
Só estrangeiro é mantido.
Para ser bem comedido,
Acho bom lhe explicar
Você só vai aplicar
O trema, quando ocorrido,
Se o nome que encontrar
For de país ou lugar
No estrangeiro definido.
Para se ter mais firmeza
Sobre as alterações
Novas normatizações
Para a língua portuguesa
Vêm de acordo dos bons
Que elimina os senões
E que traz muita certeza.
Brotando da natureza
Essa mudança tão boa
Foi assinada em Lisboa
Mas não é uma moleza
Pode não ter mais coroa
Mas é bela a ressoa
De Brasília a Fortaleza.
Sem ardil ou esperteza
Vamos ver o que mudou
O alfabeto ganhou
Três letras da língua inglesa
Todo mundo já usou
Pois não desacostumou
K, w, e y – beleza!
Quilômetro e quilograma
Têm símbolos com k,
Watt com w está
E o k em kafikiano;
Agora vamos grafar
Yang e show em pá
E playground todo ano.
Sem o trema vai ficar
Aguentar, arguir, bilíngue,
Cinquenta, sagui, delinque
Eloquente, ensanguentar
Equestre, frequente, ringue
Lingueta, quinquênio, brinque,
Tranquilo não mais terá.
Precisa também olhar
Toda acentuação;
Em muita situação
As regras irão mudar,
Mas não tem complicação
Basta prestar atenção
Para logo assimilar.
Vamos deixar de usar
Acento em ditongo aberto
Éi e ói não é mais certo
Na penúltima sílaba
Não olhe agora pro teto
Precisa ficar esperto
Prá nova forma encontrar.
A forma certa agora
É alcaloide, alcateia
Androide, apoia, plateia,
Asteroide e boia, ora!
Celuloide e colmeia
Claraboia e Coreia
Estreia, não te apavora.
Tem ainda debiloide,
Epopeia, estoico, estreia,
Geleia, heroico, ideia
Paranoia, paranoico,
Jiboia, joia, odisseia
enfim tramoia e plateia
O acento não é mais lógico.
Todos precisam saber,
Continuam acentuadas
As palavras terminadas
Com aquele mesmo dizer:
Papéis, herói, não mudadas
troféu, troféus muda nada
assim vamos escrever.
Quando for paroxítona
Vinda depois de um ditongo
O rol não é muito longo
Cabe nas cordas da cítara:
Baiuca, Cauila, um gongo,
bocaiuva até no Congo
e feiura sem barítono.
Vamos ver também aqui
Acentos que continuam,
Pois ainda se acentuam
No antes e no porvir;
tuiuiú, até na lua
tuiuiús, do campo à rua
E o majestoso Piauí.
Não se usa mais o acento
Em palavras terminadas
Em êem e ôo(s), cada,
Basta olhar num momento;
A escrita facilitada
Nestas letrinhas dobradas
Parece ser o intento.
Outra medida legal
Para ser apreciada
Pode ser logo adotada
Com o diferencial
Permanece acentuada
Pôde, pôr e quase nada
Só têm e vêm, e tchau.
Usando hífen agora
Não precisa se estressar
A palavra com h
Recebe o sinal na hora;
Quando um prefixo há
O termo composto está
Como em macro-história.
Também em proto-história
E sobre-humano hífen dá
Porém a exceção está
Na palavra subumano
Pois ela perde o h
E vamos ter de grafar
Sem motivo prá engano.
Quando vogais diferentes
Querem juntar as palavras
Hífen ali não se lavra
Nem para ser eloquente;
Forma o que se esperava
Do jeito que se falava
É feito um só elemento.
Aeroespacial
Coautor, coedição
Também autoinstrução
E agroindustrial;
Antiaéreo, irmão,
Autoescola em sua mão
Sem hífen é o normal.
Pode parecer maçante,
Mas é melhor acordar
Não precisa cochilar
Pois tem coisa interessante;
Como é aglutinar
Alguma vogal que há
Com umas certas consoantes.
Hífen vem com r e s,
Outras consoantes não
Como em autoproteção
Veja lá se não esquece
Aneprojeto, então,
Bem como coprodução
O acento não merece.
Parece consolação
Como um amigo disse
Quando se junta com vice
Aparece a exceção;
Não é nenhuma tolice,
Pois tem hífen, como disse,
Da capital ao sertão.
Vice-rei, vice-almirante
E por aí vai em frente
Mas a coisa é diferente
Quando a vogal vem antes
De elemento componente
Com r ou s iniciante
Duplica a letras da frente.
Antirrábico, ultrassom
Cosseno e contrarregra
Contrassenso, aí pega,
Antirracismo é bom
Antissocial é brega
Antirrugas, e a refrega
Minissaia e infrassom.
Para a mesma vogal
Deixar de se encontrar
O hífen tem de entrar
Na composição normal;
Veja contra-atacar
Como em semi-internar
Ficou assim bem legal.
Também com as consoantes
Acontece coisa igual
A mesma letra, e tal,
O hífen lá se garante;
Como em inter-racial
E inter-regional
Fica até bem elegante.
Diferentes consoantes
Se encontrando por ali
O hífen não vai surgir
Por mais que seja falante;
Hipermercado, já vi,
Superproteção senti,
E superinteressante.
Aqui não mostramos tudo
Pois era coisa demais
E nem mesmo os jornais
Mostraram tamanho estudo;
Quem quiser estudar mais
Pode ver os manuais
Que têm todo conteúdo.
Uma mensagem a vocês
Na hora de terminar
Precisam valorizar
Sendo assim o mais Cortez;
Língua mais bela não há
Aqui ou n’outro lugar
Que o nosso Português.
Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Em seus comícios, nas praças,
o casal cria alvoroços:
- Vai ele inflamando as massas!
- Vai ela inflamando os moços...
Rodolpho Abbud
Um Soneto de São Paulo/SP
Wilson de Oliveira Jasa
Abraço Amigo
Recebe o abraço amigo que ofereço,
também minhas palavras de amizade;
amigo de verdade não tem preço,
e quero para ti felicidade.
Nem sei se ser feliz assim mereço,
mas vivo com amor a realidade;
recebe meu abraço com apreço,
abraço que é sincero e de verdade.
Se a dor tu já sentiste nesta vida,
e no peito ainda tens uma ferida,
o abraço vai tirar o teu cansaço.
Não penses que na vida já morreu,
quem nasceu uma batalha já venceu,
renasça como a Fênix neste abraço.
Modinha
Jovelina
I
Jovelina é a mulher que eu tanto amava.
Ausentei-me, longe dela fui viver!...
Eu apenas disse a ela, somente:
- Hei de amar-te! Hei de amar-te até morrer!...
II
Quando eu saí, quando eu saí, ela não viu.
Ela não viu, porém sofreu tamanha dor!...
Eu olhava para o norte...
E dava adeus a Jovelina, meu amor!…
Extraída da série de modinhas anônimas publicadas em Modinhas do passado; investigações folclóricas e artísticas (Rio de Janeiro, 1956). Jangada Brasil
Um Soneto de Porto Alegre/RS
Mário Quintana (1906-1994)
Soneto
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
verde!... E que leves, lindas filigranas
desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando
Uma Trova de Santos/SP
A mulher merece apreço
dos mais finos madrigais.
E é porque não a conheço
que a adoro cada vez mais.
Martins Fontes (1884 – 1937)
Um Soneto de Boston/EUA
Edgar Allan Poe (1809-1849)
Annabel Lee
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
(tradução de Fernando Pessoa)
Cantigas Infantis
Constância
É uma roda de crianças, com uma no meio, que é a Constância:
Constância, minha Constância,
Não sei o que de ti será;
São acasos da fortuna,
São voltas que o mundo dá.
No jardim das belas damas
Qual delas escolhereis;
Escolha a que tu quiseres,
A mais bela eu tirarei
Silviah Carvalho
Seu Amor é Tudo
Antes que seja aprisionada pelo seu sorriso,
E sinta que a vida não fará mais sentido sem você
Antes que tenha certeza que você é tudo que preciso
Antes que eu perca a razão e no amor volte a crer
Antes que sua solidão misture com minha carência
E suas mãos toquem novamente as minhas
Antes que eu seja vencida por minha impaciência
E passe a crer que perto de você eu não esteja sozinha
Eu voarei rumo aos pinheiros, perto da tristeza
Onde as noites são frias, os dias são longos
Eu estarei a meditar na sua simplicidade e pureza
Na paz que emana de você, na sua doçura e nobreza
Eu irei pensar no silêncio da minha incompreensão
Não diga nada, talvez eu não resista à dor de um sincero não
Eu cheguei no tempo que é para ti a alto-reconstrução
Em que preferes a solidão latente no seu meigo olhar
Eu irei antes que, seja dominada pelo desejo de ficar
E quando este papel envelhecer,
Saiba que esta poetisa que hoje te escreve apesar
De nada ser, desejou ter tudo, e este tudo é você.
Uma Trova de Curitiba/PR
Dormi... e sonhei contigo
na praia, com lua cheia!
Foi delírio, hoje prossigo
te procurando na areia!
Vânia Maria Souza Ennes
Cantos de Trabalho
Araúna
Xô, xô, xô, araúna,
Deixa ninguém te pegá, araúna
Tenho dinheiro de prata, araúna,
Para comprá as mulata, araúna
Puxada da rede. Extraído de Viva Bahia canta; coletânea de músicas folclóricas, pesquisa de Emília Biancardi Ferreira (Salvador, Secretaria de Educação e Cultura, 1973, p.37)
Um Haicai de Niterói/RJ
Livre é o pensamento,
é porém à flor dos lábios
pássaro detento
Jacy Pacheco (1910 - 1989)
Um Soneto de Chiriqui/Panamá
Santiago Anguizola (1898 – 1980)
Mãos
Seráficos feitiços benfazejos
para cingir as almas em cadeias,
mãos finas, mãos suaves, que são peias
e provocam fantásticos desejos.
São retalhos dos céus essas mãos calmas
pelo celeste azul que têm nas veias,
como asas de arcanjo, sempre cheias
da graça do Senhor em suas palmas.
Mãos das quais o milagre se pressente
de vê-las transformadas em estrelas
quando abrem os dedos suavemente;
encantadoras mãos que são tão belas
como para viver eternamente
acariciando o coração com elas.
Poesia de Cordel de Natal/RN
Walter Medeiros
Cordel do Português
O mundo é muito bom
Para quem sabe viver
E quem gosta de aprender
Sabe usar palavra e som;
Por isso vou escrever
O que já pude entender
Sem estresse ou frisson.
Falo da formulação
Da nova ortografia
Pois está chegando o dia
De virar obrigação;
E agora, quem diria!
Coisas que a gente escrevia
Não pode escrever mais não.
Não esquente, meu amigo,
Pois não é um teorema
Começando pelo trema,
Pois ele foi abolido;
Agora o novo sistema
Não é mais nosso problema
Só estrangeiro é mantido.
Para ser bem comedido,
Acho bom lhe explicar
Você só vai aplicar
O trema, quando ocorrido,
Se o nome que encontrar
For de país ou lugar
No estrangeiro definido.
Para se ter mais firmeza
Sobre as alterações
Novas normatizações
Para a língua portuguesa
Vêm de acordo dos bons
Que elimina os senões
E que traz muita certeza.
Brotando da natureza
Essa mudança tão boa
Foi assinada em Lisboa
Mas não é uma moleza
Pode não ter mais coroa
Mas é bela a ressoa
De Brasília a Fortaleza.
Sem ardil ou esperteza
Vamos ver o que mudou
O alfabeto ganhou
Três letras da língua inglesa
Todo mundo já usou
Pois não desacostumou
K, w, e y – beleza!
Quilômetro e quilograma
Têm símbolos com k,
Watt com w está
E o k em kafikiano;
Agora vamos grafar
Yang e show em pá
E playground todo ano.
Sem o trema vai ficar
Aguentar, arguir, bilíngue,
Cinquenta, sagui, delinque
Eloquente, ensanguentar
Equestre, frequente, ringue
Lingueta, quinquênio, brinque,
Tranquilo não mais terá.
Precisa também olhar
Toda acentuação;
Em muita situação
As regras irão mudar,
Mas não tem complicação
Basta prestar atenção
Para logo assimilar.
Vamos deixar de usar
Acento em ditongo aberto
Éi e ói não é mais certo
Na penúltima sílaba
Não olhe agora pro teto
Precisa ficar esperto
Prá nova forma encontrar.
A forma certa agora
É alcaloide, alcateia
Androide, apoia, plateia,
Asteroide e boia, ora!
Celuloide e colmeia
Claraboia e Coreia
Estreia, não te apavora.
Tem ainda debiloide,
Epopeia, estoico, estreia,
Geleia, heroico, ideia
Paranoia, paranoico,
Jiboia, joia, odisseia
enfim tramoia e plateia
O acento não é mais lógico.
Todos precisam saber,
Continuam acentuadas
As palavras terminadas
Com aquele mesmo dizer:
Papéis, herói, não mudadas
troféu, troféus muda nada
assim vamos escrever.
Quando for paroxítona
Vinda depois de um ditongo
O rol não é muito longo
Cabe nas cordas da cítara:
Baiuca, Cauila, um gongo,
bocaiuva até no Congo
e feiura sem barítono.
Vamos ver também aqui
Acentos que continuam,
Pois ainda se acentuam
No antes e no porvir;
tuiuiú, até na lua
tuiuiús, do campo à rua
E o majestoso Piauí.
Não se usa mais o acento
Em palavras terminadas
Em êem e ôo(s), cada,
Basta olhar num momento;
A escrita facilitada
Nestas letrinhas dobradas
Parece ser o intento.
Outra medida legal
Para ser apreciada
Pode ser logo adotada
Com o diferencial
Permanece acentuada
Pôde, pôr e quase nada
Só têm e vêm, e tchau.
Usando hífen agora
Não precisa se estressar
A palavra com h
Recebe o sinal na hora;
Quando um prefixo há
O termo composto está
Como em macro-história.
Também em proto-história
E sobre-humano hífen dá
Porém a exceção está
Na palavra subumano
Pois ela perde o h
E vamos ter de grafar
Sem motivo prá engano.
Quando vogais diferentes
Querem juntar as palavras
Hífen ali não se lavra
Nem para ser eloquente;
Forma o que se esperava
Do jeito que se falava
É feito um só elemento.
Aeroespacial
Coautor, coedição
Também autoinstrução
E agroindustrial;
Antiaéreo, irmão,
Autoescola em sua mão
Sem hífen é o normal.
Pode parecer maçante,
Mas é melhor acordar
Não precisa cochilar
Pois tem coisa interessante;
Como é aglutinar
Alguma vogal que há
Com umas certas consoantes.
Hífen vem com r e s,
Outras consoantes não
Como em autoproteção
Veja lá se não esquece
Aneprojeto, então,
Bem como coprodução
O acento não merece.
Parece consolação
Como um amigo disse
Quando se junta com vice
Aparece a exceção;
Não é nenhuma tolice,
Pois tem hífen, como disse,
Da capital ao sertão.
Vice-rei, vice-almirante
E por aí vai em frente
Mas a coisa é diferente
Quando a vogal vem antes
De elemento componente
Com r ou s iniciante
Duplica a letras da frente.
Antirrábico, ultrassom
Cosseno e contrarregra
Contrassenso, aí pega,
Antirracismo é bom
Antissocial é brega
Antirrugas, e a refrega
Minissaia e infrassom.
Para a mesma vogal
Deixar de se encontrar
O hífen tem de entrar
Na composição normal;
Veja contra-atacar
Como em semi-internar
Ficou assim bem legal.
Também com as consoantes
Acontece coisa igual
A mesma letra, e tal,
O hífen lá se garante;
Como em inter-racial
E inter-regional
Fica até bem elegante.
Diferentes consoantes
Se encontrando por ali
O hífen não vai surgir
Por mais que seja falante;
Hipermercado, já vi,
Superproteção senti,
E superinteressante.
Aqui não mostramos tudo
Pois era coisa demais
E nem mesmo os jornais
Mostraram tamanho estudo;
Quem quiser estudar mais
Pode ver os manuais
Que têm todo conteúdo.
Uma mensagem a vocês
Na hora de terminar
Precisam valorizar
Sendo assim o mais Cortez;
Língua mais bela não há
Aqui ou n’outro lugar
Que o nosso Português.
Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
Em seus comícios, nas praças,
o casal cria alvoroços:
- Vai ele inflamando as massas!
- Vai ela inflamando os moços...
Rodolpho Abbud
Um Soneto de São Paulo/SP
Wilson de Oliveira Jasa
Abraço Amigo
Recebe o abraço amigo que ofereço,
também minhas palavras de amizade;
amigo de verdade não tem preço,
e quero para ti felicidade.
Nem sei se ser feliz assim mereço,
mas vivo com amor a realidade;
recebe meu abraço com apreço,
abraço que é sincero e de verdade.
Se a dor tu já sentiste nesta vida,
e no peito ainda tens uma ferida,
o abraço vai tirar o teu cansaço.
Não penses que na vida já morreu,
quem nasceu uma batalha já venceu,
renasça como a Fênix neste abraço.
Modinha
Jovelina
I
Jovelina é a mulher que eu tanto amava.
Ausentei-me, longe dela fui viver!...
Eu apenas disse a ela, somente:
- Hei de amar-te! Hei de amar-te até morrer!...
II
Quando eu saí, quando eu saí, ela não viu.
Ela não viu, porém sofreu tamanha dor!...
Eu olhava para o norte...
E dava adeus a Jovelina, meu amor!…
Extraída da série de modinhas anônimas publicadas em Modinhas do passado; investigações folclóricas e artísticas (Rio de Janeiro, 1956). Jangada Brasil
Um Soneto de Porto Alegre/RS
Mário Quintana (1906-1994)
Soneto
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
verde!... E que leves, lindas filigranas
desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando
Uma Trova de Santos/SP
A mulher merece apreço
dos mais finos madrigais.
E é porque não a conheço
que a adoro cada vez mais.
Martins Fontes (1884 – 1937)
Um Soneto de Boston/EUA
Edgar Allan Poe (1809-1849)
Annabel Lee
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
(tradução de Fernando Pessoa)
Cantigas Infantis
Constância
É uma roda de crianças, com uma no meio, que é a Constância:
Constância, minha Constância,
Não sei o que de ti será;
São acasos da fortuna,
São voltas que o mundo dá.
No jardim das belas damas
Qual delas escolhereis;
Escolha a que tu quiseres,
A mais bela eu tirarei
Este último verso - A mais bela eu tirarei - é cantado pela criança que está no centro da roda. Escolhida a menina, esta passa a ser a Constância e vai para o meio da roda.
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
Extraída de uma série de cantigas infantis, registradas por Veríssimo de Melo em Rondas infantis brasileiras (São Paulo, Departamento de Cultura, 1953).
Uma Quadra Popular
Todos nós temos defeitos
digo isto sem ar de riso
alguns são tortos do corpo
outros aleijados do juízo
Trova Capixaba (Origens)
Todos nós temos defeitos
digo isto sem ar de riso
alguns são tortos do corpo
outros aleijados do juízo
Trova Capixaba (Origens)
No Domingo seguinte, 27 de Janeiro de 1889, o Jornal “A Província do Espírito Santo” de número 1857, trazia na primeira página com o mesmo título: “Musa Popular - Cancioneiro Espírito - Santense”, mais de dez Trovas sem a indicação da autoria, isto é, de quem as fez. A primeira delas é a seguinte:
Você diz que eu sou sua
eu sou sua, mas não sei.
O mundo dá muitas voltas
eu não sei de quem serei.
eu sou sua, mas não sei.
O mundo dá muitas voltas
eu não sei de quem serei.
Nova publicação só ocorre no domingo 10 de Fevereiro de 1889. O Jornal é o de número 1868 e lá estão mais 11 Trovas. A primeira delas é a seguinte:
As estrelas miudinhas
fazem o céu muito composto
nunca pude, meu benzinho
falar contigo a meu gosto.
fazem o céu muito composto
nunca pude, meu benzinho
falar contigo a meu gosto.
(trecho do livro de Clério José Borges. Origem Capixaba da Trova. Serra/ES. Outubro de 2007)
Um Poema de Salesópolis/SP
Lucas Candelária (Lucan)
O Presente
Eu queria lhe dar como presente
Numa bandeja de astros marchetada,
Umas ondas do mar irreverente
E uns albores febris da madrugada,
Um pouco da beleza do poente
E um pouco da riqueza mais sagrada
Do lindo céu azul e florescente
Onde a felicidade faz morada.
E na carruagem de ouro os anjos bons
Levassem a você, enquanto sons
Se ouvisse dos clarins da rica sorte.
Mas, só posso lhe dar, em fantasia,
Neste soneto, humilde poesia,
Ó doce filha da Região do Norte!
Um Poema de Salesópolis/SP
Lucas Candelária (Lucan)
O Presente
Eu queria lhe dar como presente
Numa bandeja de astros marchetada,
Umas ondas do mar irreverente
E uns albores febris da madrugada,
Um pouco da beleza do poente
E um pouco da riqueza mais sagrada
Do lindo céu azul e florescente
Onde a felicidade faz morada.
E na carruagem de ouro os anjos bons
Levassem a você, enquanto sons
Se ouvisse dos clarins da rica sorte.
Mas, só posso lhe dar, em fantasia,
Neste soneto, humilde poesia,
Ó doce filha da Região do Norte!
Fonte:
seleção por José Feldman
Alguns textos foram fornecidos pelos autores, outros obtidos em diversos sites e blogs da internet, outros em livros, jornais e revistas.
Agradecimentos por sua constante colaboração:
Nilto Manoel (Ribeirão Preto/SP), Ialmar Pio Schneider (Porto Alegre/RS), Eliana Ruiz Jimenez (Balneário Camboriú/SC), Pedro Du Bois (Itapema/SC), Wagner Marques Lopes (Pedro Leopoldo/MG), Vãnia M. S. Ennes (Curitiba/PR), Hermoclydes S. Franco (Rio de Janeiro/RJ), Nemésio Prata Crisóstomo (Fortaleza/CE), Clevane Pessoa (Belo Horizonte/MG)
Agradecimentos especiais por sua amizade e colaboração direta ou indiretamente:
Carolina Ramos (Santos/SP), Izo Goldman (São Paulo/SP), A. A. de Assis (Maringá/PR), Ademar Macedo (Santana do Matos/RN)
seleção por José Feldman
Alguns textos foram fornecidos pelos autores, outros obtidos em diversos sites e blogs da internet, outros em livros, jornais e revistas.
Agradecimentos por sua constante colaboração:
Nilto Manoel (Ribeirão Preto/SP), Ialmar Pio Schneider (Porto Alegre/RS), Eliana Ruiz Jimenez (Balneário Camboriú/SC), Pedro Du Bois (Itapema/SC), Wagner Marques Lopes (Pedro Leopoldo/MG), Vãnia M. S. Ennes (Curitiba/PR), Hermoclydes S. Franco (Rio de Janeiro/RJ), Nemésio Prata Crisóstomo (Fortaleza/CE), Clevane Pessoa (Belo Horizonte/MG)
Agradecimentos especiais por sua amizade e colaboração direta ou indiretamente:
Carolina Ramos (Santos/SP), Izo Goldman (São Paulo/SP), A. A. de Assis (Maringá/PR), Ademar Macedo (Santana do Matos/RN)

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