quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.31)


Trova do Dia

Mesmo soltas e espalhadas,
as pétalas são formosas;
porém somente abraçadas
é que elas se tornam rosas!
A. A. DE ASSIS/PR

Trova Potiguar

Soluções, para esta vida,
cabe a todos procurar.
Não se veja assim vencida,
antes mesmo de lutar!
IEDA LIMA/RN

Uma Trova Premiada

2008 > Balneário Camboriú/SC
Tema > LÁGRIMA (s) > Vencedora

No teu adeus fui altiva,
silente calei meus ais,
mas a lágrima furtiva,
disse tudo e muito mais...
CAMPOS SALES/SP

Uma Poesia livre

Evaldo da Veiga/RJ
SINTO QUE SIM.

Se um dia nos encontramos por aí,
nesses doces acaso da vida,

garanto que vou te reconhecer,
como sendo o que sempre busquei.

Tanta ternura no ar,
uma expectativa suave de amor,

é você que está próxima,
sinto você chegando...

VEM!

Uma Trova de Ademar

Do fogo no matagal,
na fumaça que irradia,
vejo um câncer terminal
no pulmão da ecologia!...
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram:

Juventude, não me afeta,
se na vida és passageira.
Quem tem alma de poeta
será moço a vida inteira...
ORLANDO BRITO/MA

Estrofe do Dia

Nem o grande Rui Barbosa,
nem nosso mestre Cascudo,
puderam um dia explicar
como um homem sem estudo
arranca do seu juízo
tanto verso de improviso
com beleza e conteúdo!
FRANCISCO MACEDO/RN

Soneto do Dia

Amilton Maciel Monteiro/SP
PEDRA BRUTA

Pedra bruta que sou, me dá trabalho
Tirar de mim as lascas a cinzel...
Quantas vezes que eu já errei o malho,
Deixando a outra mão feito um pastel!

Quantas vezes também eu me atrapalho,
Mandando o que já fiz pro beleléu...
E o recomeço deixa-me em frangalho,
Pois bem sei eu como isto é cruel!

Já foram, assim, dez lustros de labuta,
Mas continuo ainda pedra bruta...
E mil pedaços já arranquei de mim!

Vou ter que contratar alguém bem destro
Que a essa lapidação coloque um fim,
E eu volte a trabalhar só com meu estro!

Fonte:
Ademar Macedo

Academia Paulista de Letras (Conferências em Homenagem a Miguel Reale)



A ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS convida para a série de conferências em homenagem a MIGUEL REALE, cujo centenário de nascimento se celebra em 6 de novembro de 2010.

Elas ocorrerão às 18,30 horas na sede do Largo do Arouche, 324, todas as quintas-feiras de novembro - 4, 11, 18 e 25 - e a primeira quinta-feira de dezembro - 2 de dezembro de 2010.

Falarão, pela ordem:
MIGUEL REALE JÚNIOR, EBE REALE, CLÁUDIO DE CICCO, CELSO LAFER, ADA PELLEGRINI GRINOVER e JOSÉ PASTORE.

O contexto equivale a um Curso de Extensão de 20 horas de duração.

Os que comparecerem a 4 conferências receberão um certificado expedido pela ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

Inscrição pelo e-mail acadsp@terra.com.br

Venham e divulguem entre os amigos.

ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

José Feldman (Publicação do E-Book Santuário de Trovas vol.3)


Foi publicado o e-book Santuário de Trovas vol.3, contendo cerca de 90 trovas com imagens. Homenagens in memoriam, dedicatórias.

Organização e montagem por José Feldman.

Faça o download de seu exemplar aqui.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.30)


Trova do Dia

Fiz de você minha musa
minha vida e coração,
meu pijama, minha blusa,
a taboa de salvação.
JOSÉ FELDMAN/PR

Trova Potiguar

Na fauna de estimação
tem bicho como tu és.
Com plumas feito pavão
mas sem olhar para os pés!
MARCOS MEDEIROS/RN

Uma Trova Premiada

2010 > Camboriú/SC
Tema > SEGREDO > Vencedora

Eu já fui um beija flor
em outras vidas passadas:
- era segredo em louvor
às flores desamparadas.
MARIA LUIZA WALENDOWSKY/SC

Uma Poesia livre

Suely Nobre Felipe/RN
UM SOPRO DE VIDA.

A vida jaz lá fora.
Aqui dentro,
Contento-me com o som das ruas.
Alenta-me o balé descompassado das nuvens
Levitando na pequena fenda da minha janela.
É o que me resta do dia.
Inerte, sinto um sopro de vida
Quando o vento beija o meu rosto
E, mançamente abraça o meu corpo.
Alegro-me também,
Quando de tempos em tempos
Um pequeno pássaro desfila inocente
Cruzando a pequena fenda da minha janela,
Assobiando uma bizarra cantoria
Ali donde antes,
Bailavam nuvens descompassadas
Trazendo a ilusão do movimento.
Inerte, porém, sinto a noite chegar
Sorrio para o último pássaro.
Aqui dentro,
A vida jaz em mim.
Lá fora,
O dia escurece.

Uma Trova de Ademar

Quando o amor se consolida,
mesmo que vire rotina;
termina tudo na vida,
mas esse amor não termina!...
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram

Tudo é festa quando assomas
e com festa me seduzes,
teu beijo, festa de aromas,
teus olhos, festa de luzes!
VENTURELLI SOBRINHO/MG

Estrofe do Dia

Vi no jardim da poesia
Botões de versos se abrindo,
As rimas todas sorrindo,
Estrofes em harmonia...
Nesta cena de alegria,
A tristeza sobressai...
Uma borboleta cai
Na grande teia de aranha.
Vendo a agonia tamanha,
EU SOLTEI A BUTTERFLY.
DJALMA MOTA/RN

Um Sonetilho

Thalma Tavares/SP
UM DILEMA

Vivo um dilema terrível
entre a virtude e o pecado.
Quem dera fosse possível
voltar inteiro ao passado

Assim meu pecado horrível
seria, então, anulado
e eu, num milagre incrível,
voltaria imaculado.

Então não mais pecaria.
Sem transgressões não teria
remorsos a me culpar....

Mas quando tu apareces,
e me abraças e me aqueces,
eu quero mesmo é pecar.

Fonte:
O Autor

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

João Barbosa (Balaio das Letras)


MINHA MORADA

Encostada ao pé da serra,
Num pedacinho de terra,
Construí minha morada.
Vivo cheio de esperança,
Como vida de criança,
Não desconfio de nada.

Minha casa é amarela,
Bem na frente uma janela
E uma varanda espaçosa.
No meu pequeno jardim,
Um belo pé de alecrim
E muita flor perfumosa.

Uma coisa mui bonita,
Toda tarde nos visita,
Um casal de seriema.
São coisas da natureza,
Num recanto de beleza,
Num pedacinho de Extrema.

Tem muito amor e vida,
Nesta Terra querida,
Que me viu nascer.
É motivo de emoção,
Bate forte o coração
Que o peito faz doer.

EXTREMA

Subi no alto da serra
E não pude me conter,
As belezas desta terra
Que Deus fez pra se ver.

Vi os montes e as matas;
Também os vales e colinas;
Vi montanhas muito altas
E as verdejantes campinas.

Vi também minha cidade
Encostada ao pé da serra;
Quão grande felicidade
No meu coração encerra.

- Extrema cidade querida,
Berço de encantos reais;
Tu és a mais preferida
No Sul de Minas Gerais.

VIDA SOFRIDA

Meu amigo está velho
E muito cansado;
Quanta recordação
Do tempo passado!
Eu perguntei:
- E a sua vida?
Ele respondeu:
- Está muito sofrida!

Há tempos atrás
Eu vivia contente;
Sempre cantava
Muito sorridente;
Chegou a velhice
E a necessidade,
Deixei o sertão
E vim pra cidade.

Procurei meu direito
Na previdência;
Fiz meu pedido
Com certa urgência,
Que me concedesse
O meu benefício;
Pra conseguir
Foi um sacrifício.

Esta é a vida
De um trabalhador,
Que muito lutou,
Derramou suor,
E nunca enjeitou
Serviço pesado;
E hoje só vive
Num banco sentado.

NA SOMBRA DO BOSQUE

Na sombra do bosque
A brisa refrescante
Passa, a todo instante;
E as borboletas multicores
Ruflam as asas, com singeleza;
Saudando a natureza
Por entre as belas flores.

Na sombra do bosque
O garboso bem-te-vi
Pousando aqui e ali
Na ramagem perfumada
Solta seu belo canto,
Que se admira tanto
O caminheiro da estrada.

Na sombra do bosque
Tem pássaros canoros
De cantos sonoros
Com tanto queixume.
A relva florida
Tem beleza, tem vida,
E suave perfume.

HERÓIS DA LIBERDADE

Em terras estranhas,
Distante das montanhas
Desta Terra brasileira,
Muitos foram obrigados
A ficarem exilados
Além da nossa fronteira.

Alguém até inocente,
Longe da nossa gente,
Cabisbaixo e calado;
Enfrentou sério dilema,
Pra resolver o problema
E voltar ao nosso lado.

Os heróis da nossa Terra
Enfrentaram fortes guerras
E lutaram pra vencer;
Em busca da liberdade,
Lutaram com fidelidade
Sem jamais esmorecer.

A nossa liberdade,
Devemos na verdade,
Aos heróis altaneiros,
Que com grande glória,
Alcançaram a vitória
Neste país brasileiro.

Fonte:
http://www.balaiodasletras.com.br

João Barbosa (Lançamento do Livro Balaio das Letras vol. 2, em Extrema/MG)


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João Barbosa

Sou poeta, sou sonhador, como a trova que escrevi:

O poeta é um sonhador,
Que sonha acordado;
Inspirado no amor,
Sonha sonho rimado.


Nasci no município de Extrema, estado de Minas Gerais, no dia 23 de junho de 1948. Poeta desde a infância. Fui professor nas escolas municipais na zona rural. Fui também funcionário de indústrias e aposentei como autônomo.

Moro num recanto, no pé da Serra da Mantiqueira. Minha casa é amarela como as flores do ipê, no meio da natureza, entre árvores de verdejantes ramagens, onde tenho o privilégio de ouvir o cantar dos pássaros, principalmente o gorjeio do sabiá. Vez em quando, sou visitado por um casal de seriema, que quando vão se distanciando, de cima do morro, brinda-me com um canto forte e estridente. Também saracuras cantam um pouco mais longe.

E dentro de mim cantam meus versos, inspirado pelo amor, pela fé, pela natureza, pela saudade, pela família, pela Pátria, enfim... Por Deus, que me concedeu este dom de poder deixar nesta terra as minhas mais variadas páginas poéticas.

Publiquei três livros:

A VOZ DE UM POETA, lançado em 14 de novembro de 2005,
CANTIGA DE POETA, lançado em 30 de novembro de 2007 e
SÓ... SONETOS, lançado em 6 de novembro de 2009.

Para correspondência:
Caixa Postal, 154 – CEP 37640-000 – Extrema – MG.
E-mail: jbpoeta@hotmail.com

Fontes:
O Autor
Balaio das Letras

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.29)


Trova do Dia

Melhor ser mais ponderado,
que ser altivo demais;
o barco mais equipado,
nem sempre retorna ao cais.
NEIDE ROCHA PORTUGAL/PR

Trova Potiguar

Eu creio que o cientista
que tenta o homem clonar,
vai ser mais um derrotista
tentando a Deus se igualar.
IVANISO GALHARDO/RN

Uma Trova Premiada

2002 > Amparo/SP
Tema > FOME > Menção Especial

Na rua, a infeliz criança
vagando, entre outras sem nome,
jamais provou a esperança,
mas sabe o sabor da fome.
THEREZA COSTA VAL/MG

Uma Poesia livre

Edla Feitosa Costa/PE
AMBIÇÃO

Da vida quero o hoje, o agora.
Do mundo, apenas amor.
Das flores, perfume e cor.
Da mata, seu verde e seu frescor.
Do céu estrelado quero apenas uma estrela.
Uma única estrela. A mais distante,
A mais sozinha, a mais quieta.
Com ela quero sonhar, quero voar,
Quero escapar, quero esquecer.
Do meu imaginário quero viver
E do meu futuro, nada prever...

Uma Trova de Ademar

Num cenário de beleza,
nas peripécias do Outono,
me apossei da natureza
como se eu fosse seu dono.
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram

O tempo, com seu poder,
tudo altera sem clemência,
mas não me faz esquecer
os sonhos da adolescência.
REINALDO AGUIAR/RN

Estrofe do Dia

Um sutil vaga-lume reluzente
Ofertava os fulgores à criança;
O meu peito brotava a esperança
Me deixando feliz e mais contente.
Compreendi a grandeza da semente
Quando brota e depois revela a flor.
Vi que a vida se mostra com amor
Entre os ramos floridos do carinho,
Onde o afeto constrói plácido ninho
E recebe da aurora o seu fulgor.
GILMAR LEITE/PE

Soneto do Dia

Gilson Faustino Maia/RJ
CONFISSÃO

Eu já não minto, amor, eu me condeno.
Eu revelo o que sinto no meu peito,
que não sabe o que é certo e o que é direito
e não teve da sorte o nobre aceno.

Os mistérios do amor eu, tão pequeno,
envolvido por tantos preconceitos,
registrei no meu ser, quase desfeito,
Nas noites de luar tão puro e ameno.

És meu raio de luz na escuridão.
És um fato gravado, eu não te esqueço.
A pedra preciosa do meu chão.

E, nos braços da noite, eu, que enlouqueço,
confesso com meu grito à imensidão:
-Tu és, do amor, a essência que padeço!

Fonte:
Ademar Macedo

domingo, 24 de outubro de 2010

Luiz Otávio (Aspectos da Trova Humorística)


Autor: Luiz Otávio (Editado pela U.B.T. - União Brasileira de Trovadores) designada para estudar alguns aspectos da Trova Humorística

1- A MALÍCIA:

Embora o conceito de malícia seja variável de pessoa para pessoa, há certo tipo de malícia que chova, de imediato, a quem a ouve. Assim, o leitor de alguma sensibilidade e cultura saberá distinguir a malícia fina, daquela que traz humorismo grosseiro.

A malícia, em nossa opinião, mesmo tendendo para o plano sexual, quando bem dosada, sutil, é perfeitamente aceitável em Trova.

Vejamos, por exemplo, esta trova de A. Bobela Mota, trovador português, em que há malícia com fundo sexual e que, entretanto, é plenamente aceitável:

“Graças a certo percalço,
Encontraste, enfim, marido...
Como vês, um passo em falso
Nem sempre é um passo perdido...”

Ou esta outra de Antônio Carlos Teixeira Pinto:

“Minha sogra é mesmo o fim,
eu digo e sinto vergonha:
dúvida tanto de mim,
que acredita na cegonha...”

De resto, até mesmo em trovas líricas, pode aparecer o erotismo explorado de maneira sutil e inteligente, emprestando força poética à mensagem, sem chocar a sensibilidade do ouvinte ou leitor.

2- A CRÍTICA, A SÁTIRA, A IRREVERÊNCIA

É inconveniente a trova que, de modo intencional, ofende, genericamente, um grupo, uma instituição, uma classe... Todavia, consideramos que é perfeitamente válida, aquela que toma, individualmente, um elemento pertencente a uma determinada profissão ou grupo, para desse indivíduo, assim isolado, fazer motivo de humor.

Como exemplo. Citaremos a conhecida trova de Antônio Salles, que satiriza, ao mesmo tempo, um militar e um médico, sem que, com esta sátira, ofenda a classe médica ou militar:

“ Eis um médico fardado
-que perfeito matador!-
quem escapar do soldado,
não escapa do doutor...”

Excepcionalmente, pode-se aceitar a trova, mesmo quando faz crítica a uma classe, porém sem premeditação de ofensa, isto é, com intenção, apenas, de fazer graça.

Tomemos, para exemplo, a Trova de Elton Carvalho que, por coincidência, é militar:

“ A mulher do militar
deve pagar mais imposto,
só pelo fato de usar
sempre um marido... com...posto...”

Ora, ainda que seja uma graça extensiva a toda uma classe – a mulher do militar - não há absolutamente , ofensa ou crítica, mas tão somente, o humorismo ingênuo de um trocadilho.

3- EMPREGO DE NOMES PRÓPRIOS

Os nomes próprios vêm sendo usados, sem discriminação, em vários gêneros literários. Na prosa, Machado de nomes adequados, para dar maior ênfase àquilo que escreviam. O sofrimento ou o riso, não raro se estampavam no nome que era dado ao personagem, principalmente o riso, pois Assis, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e outros, escolhiam os temas humorísticos facilitam enormemente a escolha do nome, vamos dizer, engraçado. Na poesia desde os clássicos, quantas vezes os nomes inventados ou verdadeiros passaram a ficar indissoluvelmente ligados aos autores, Quem não se recorda de Marília de Dirceu, de Laura de Petrarca, de Beatriz de Dante? Na música popular, vemos uma infinidade de nomes que se tornaram celebres, através de valsas, polcas, canções, no passado,e, em outros gêneros musicais, no presente. Branca, Gilca, Maria, Neusa, Nanci, Amélia, Dora, Aurora, Marina, e, Bem recentemente, Carolina, Luciana, Ana Maria, Isabela, etc... etc... São alguns dos nomes focalizados pela música popular. Nos anúncios de rádio e da televisão, anúncios muitas vezes estudados por equipes compostas de elementos formados em faculdades de comunicação, quantas vezes, o nome próprio aparece para facilitar a memorização daquilo que se pretende anunciar. Então aí os Apolônios, Jeremias, os Sugismundos...

Na própria trova lírica ou filosófica, quantas premiadas em concursos, ou consagradas pelo gosto popular, trazem nomes próprios!

Exemplo:
“ Maria, só por maldade,
deixou-me a casa vazia:
Dentro da casa a saudade,
E na saudade, -Maria!”

Esta trova, de Anis Murad, é uma das muitas que poderíamos citar e que foi classificada em 1º lugar, nos II Jogos Florais de Nova Friburgo. E quantas mais, não só em Nova Friburgo. Como em outras cidades, têm aparecido, principalmente, com o nome de Maria, quase um símbolo dos trovadores...

Há, além dos argumentos acima, outros que poderemos lembrar, em favor do aproveitamento de nomes próprios na trova humorística, tais como:

a- O nome próprio, em alguns casos, dá mais autenticidade ao assunto;

b- Há nomes próprios que, por si sós, pelo grotesco que apresentam, trazem mais humor à trova;

c- Em alguns casos, a trova gira, essencialmente, em torno do nome próprio usado;

d- Se encontramos, muitas vezes, trovas de rimas forçadas – humorísticas ou não – por que não usar o nome próprio que, além de facilitar a rima, pode trazer mais graça e fluência à trova?

Portanto, em nosso entender, é perfeitamente válido o uso de nomes próprios nas trovas, principalmente, humorísticas.

4- USO DE GÍRIA

No capítulo da gíria, cabem as mesmas considerações que fizemos com relação aos nomes impróprios. Tanto na poesia humorística, como na prosa e, principalmente, no teatro, a gíria está presente.

Não esqueçamos, também, que a gíria de hoje, amanhã poderá estar incorporada ao vernáculo. Assim tem acontecido em várias épocas, no processo evolutivo das línguas.

Chega-nos, agora, através do rádio, a notícia que o DNER do Ceará, numa experiência inusitada, está, em alguns lugares, substituindo as clássicas advertências de “cuidado”, “devagar”, por outras, bem modernas, onde a gíria é o principal ingridientes: ”manera aí, bicho!”, ou “vá em marcha de paquera”, etc...

Portanto, achamos perfeitamente natural o uso da gíria em trova humorística, por sua característica eminentemente popular.

5- PORNOGRAFIA

Muito embora o teatro moderno venha usando, ostensiva e abusivamente, a pornografia, quer parecer-nos que quase tudo isto é feito com fins comerciais ou sensacionalistas. Devemos, ainda, considerar que ao Teatro, comparecem aqueles que, com conhecimento de causa, estão dispostos a ver de perto tudo aquilo. Devemos frisar ainda que, muitas vezes, a censura faz imposições, limita a entrada a pessoas de determinadas idades. Isto acontece, também, em livros do mesmo estilo, em que se exige sejam os mesmos colocados em envelopes lacrados, com etiquetas proibitivas de venda a menores, Tal porém, não acontece com a trova pornográfica que, se declamada em público ou colocada em livro, poderá surpreender, desagradavelmente, o ouvinte ou o leitor.

Embora nos itens anteriores, tenhamos demonstrado nossa compreensão quanto ao uso da malícia, irreverência, do emprego de nomes próprios, da gíria, achamos que a trova nada lucraria com o uso de palavras obscenas, ainda que veladas.

6- ANEDOTAS

Embora seja aceitável a publicação em livros, jornais, revistas, etc, as trovas humorísticas calcadas em anedotas, julgamos que, em concursos e jogos florais, há outros aspectos importantes a considerar, além da graça, como seja a criatividade, a originalidade, enfim. Nessa ordem de idéias, é desaconselhável a classificação de trovas com aproveitamento de anedotas.

Acontece porém, que as comissões julgadoras poderão não conhecer as anedotas aproveitadas pelas trovas, o que torna interessante, portanto, o apelo que, ultimamente, os organizadores de concursos vêm fazendo, durante a classificação preliminar, no sentido de que, concorrentes ou leitores cooperem com as comissões, indicando as trovas que apresentem idéias já conhecidas (como anedotas), desde que, devidamente comprovadas, a fim de serem eliminadas do concurso.

7- USO DO “PRA”

Sabemos que a União Brasileira de Trovadores pretende criar Comissão para, entre outros assuntos, examinar o discutido emprego, em trovas, da palavra “pra”. Entrementes, julgamos essa “síncope” perfeitamente aceitável, principalmente nas trovas humorísticas, por ser expressão essencialmente popular.

Comissão de estudos: Luiz Otávio, Carlos Guimarães, Elton Carvalho, Joubert de Araújo Silva, Maria Nascimento Santos, P. de Petrus, Colbert Rangel Coelho. O relatório foi aprovado pelo Conselho Nacional da UBT- União Brasileira de Trovadores

Fonte:
Nilton Manoel

Nelson Fachinelli (Eu Sou Apenas Um Operário)


Da vida eu ainda sou aprendiz
Não sei tudo o que ela ensina.
Tenho procurado ser feliz
e ver os outros felizes me fascina.

Sigo o que meu coração diz,
a razão nem sempre predomina.
Me faz mal ver alguém infeliz,
a fraternidade me domina.

Não sou santo, nem mesmo demônio,
me preocupa a camada de ozônio,
a violência que corrói a humanidade.

Eu sou apenas um operário
cumprindo na terra seu fadário,
na busca eterna da felicidade.

Fontes:
Casa do Poeta Rio Grandense

Dino Franco (Capricho do Destino)


Considerações de Pedro Ornellas:
Considero o clássico "Capricho do Destino", do meu amigo Dino Franco, uma das melhores músicas de todos os tempos.
Ganhou destaque na década de 70 com Belmonte e Amaraí que também foi minha dupla sertaneja preferida. Teve diversas regravações. Gravei em duas vozes, com arranjos do maestro Netinho, de Cianorte e fiz formatação do vídeo para o Youtube.
Convido você a assistir, e caso não conheça a música, preste atenção à história que ela conta.
http://www.youtube.com/watch?v=3xxq2jTHm3k
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Capricho do Destino
Autor: Dino Franco

Depois de três anos que eram casados
Nasceu um filhinho que tanto sonharam
Por mais alguns tempos viveram felizes
Depois cruelmente os dois se apartaram
Ele foi embora para bem distante
E não mais souberam do seu paradeiro
Ela ficou so com o filhinho
Chorando a saudade do seu companheiro

Um dia porem já muito cansada
Do triste martírio que ela sofria
Por falsa ilusão deixou de ser nobre
Passou a viver so na boemia
Num triste abandono ficou o menino
Longe dos seus braços sem os seus carinhos
Enquanto os seus pais seguiram outro rumo
Ele foi crescendo só em maus caminhos

E foi numa noite quando o trem noturno
Fez a parada naquela estação
Um passageiro sacou de uma arma
E sem piedade matou um ladrão
Entre a multidão que ali se ajuntou
Ela foi tambem pra ver o ocorrido
E com grande espanto sem vida encontrou
Na plataforma seu filho caido

Tal qual uma louca chorando e gritando
Focou os seus olhos ao criminoso
E neste momento reconheceu
Que aquele homem era o seu esposo
Assim é o capricho da vida enganosa
Que o destino exibe em cenas reais
Crianças de crescem desamparadas
Pagam os erros que devem os seus pais

Fonte:
Pedro Ornellas

Workshop "Técnicas para Escrever Ficção"


Onde e quando: Salvador - 27/11/2010 (sábado - 09:00/18:00), Recife - 04/12/2010 (sábado - 09:00/18:00), São Paulo - 11/12/2010 (sábado - 09:00/18:00), Rio de Janeiro - 15/01/2010 (sábado - 09:00/18:00).

Quem: Julio Rocha (escritor)

Informações: www.jrocha.com.br/workshop

VAGAS LIMITADAS.

Após o lançamento de Teia Negra, surgiu a idéia de publicar uma newsletter com dicas para escritores de ficção. Logo de cara, foi um sucesso. Milhares de pessoas se interessaram e as dicas tornaram-se um sucesso de público e crítica. Isso me ajudou a vender livros e, principalmente, demonstrou a carência de informações sobre como escrever e publicar trabalhos de ficção aqui no Brasil. Quando as dicas atingiram um número de leitores estimado em mais de 100.000 pessoas, percebi que podia fazer algo mais, surgindo a idéia do workshop. Durante o workshop, tenho a oportunidade de transmitir conhecimento de uma forma muito mais efetiva e personalizada, ajudando escritores ou candidatos a escritores a agregarem as poderosas técnicas utilizadas pelos grandes autores ao seu talento e estilo. Sendo estes últimos pessoais e intransferíveis.

O conteúdo do workshop é ministrado em 8 horas de teoria e prática através de exercícios monitorados. Na semana seguinte, são oferecidas consultas individuais por e-mail (ilimitadas) para dúvidas e reforço do aprendizado.

O workshop trata dos seguintes tópicos principais:

Como Escrever as Primeiras Linhas
é muito bom quando sentamos em frente ao teclado e começamos a escrever imediatamente. As idéias parecem surgir como mágica em nossa mente e conseguimos progredir bastante em um curto espaço de tempo. Pena que isso não acontece todos os dias, pelo menos para a maioria de nós. E quando a inspiração não aparece, o que fazer?

Como Escrever um Bom Início
Você já reparou como um livro é analisado por um possível comprador em uma livraria? Ele olha a capa, lê a sinopse no verso e procura por informações nas orelhas. Além disso, na maioria das vezes, o leitor lê as primeiras páginas e toma sua decisão de ficar ou não com o livro com base no início da história! O papel do primeiro capítulo ou prólogo é fazer com que o leitor tenha vontade de continuar lendo.

Como Descrever Personagens, Locais e Objetos
Este costuma ser um ponto em que o escritor torna-se superficial demais ou acaba exagerando nas descrições e deixa o leitor cansado e desanimado com a leitura. Bom, encontrar um meio termo nem sempre é fácil, mas temos algumas coisas para levar em conta antes de descrever um local, um objeto ou personagem.

Como Estabelecer o Ponto de Vista
Este é um tópico muito importante para quem escreve romances ou textos que exigem a definição de um ponto de referência através do qual a cena que está sendo narrada irá ser filtrada. Ponto de vista, mais conhecido como POV (Point of View), quando não usado corretamente pode deixar o leitor confuso e tornar a leitura cansativa.

Como Escrever Diálogos
Aqui é que seus personagens ganham vida. é através dos diálogos que o leitor se aproxima do personagem e interage com ele mais intensamente. Um bom escritor deve saber como escrever um diálogo verdadeiro e compatível com os personagens e a com a trama.

Como Construir Personagens
Toda história tem ao menos um personagem. Pode ser uma pessoa, um animal, uma planta ou um objeto qualquer, mas ele sempre estará lá. é o personagem que trás vida para um livro. Faz rir, chorar, amar, respirar... Se você quiser contar uma boa história, terá que construir bons personagens.

Como Despertar Emoções
Você já ficou, alguma vez, com lágrimas nos olhos enquanto lia um livro? Creio que a maioria de nós já experimentou essa sensação de sofrimento diante de acontecimentos que envolvem os personagens de uma história. O principal motivo que leva o leitor a derramar lágrimas com o que está lendo é o seu vínculo com o personagem. Como criar este vínculo? Como fazer seu leitor chorar, rir e se apaixonar?

E ainda:
Como Escrever Finais, Como Escrever Lutas e Combates, Como Escrever Cenas de Sexo, Como Escrever Cenas de Suspense, Como Revisar seus Textos e Como Publicar Seus Trabalhos.

Acesse o site e assine a newsletter
"Dicas para Escrever Ficção": http://www.jrocha.com.br/
E siga as novidades pelo Twitter: http://twitter.com/juliowriter

Fonte:
Julio Rocha

Workshop “Como Publicar Seu Livro”



Se você é escritor, quer ser escritor ou tem apenas curiosidade sobre esta carreira, terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a profissão e o mercado literário.

Workshop: "Como Publicar seu Livro"

Onde e quando: São Paulo - 06/11/2010 (sábado - 09:00/18:00)

Quem: Tomaz Adour (Editora Usina de Letras), Sérgio Pereira Couto (escritor) e Julio Rocha (escritor)

Neste workshop, Tomaz Adour e Julio Rocha ensinam o "caminho das pedras" para quem quer publicar e vender livros. (faça sua inscrição)

Entre outros assuntos, serão abordados os seguintes tópicos:

Panorama do mercado editorial brasileiro e mundial
Editoras
Livrarias
Autores
Títulos publicados
Público alvo

Como conseguir uma editora
Agentes
Editoras tradicionais
Editoras sob demanda
Gráficas
Qual a melhor opção para cada caso?

O processo de publicação do livro
Revisão
Copidesque
Editoração
Capa, acabamento
Tiragem
Preço de venda

Distribuição e vendas
Lançamento
Divulgação
Sessões de autógrafos
Estratégia de marketing
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Feiras, palestras, aulas
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VAGAS LIMITADAS.

Fonte:
Julio Rocha

Sessão de Autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre



CONVITE

Ialmar Pio Schneider tem o prazer do convidar você para a sessão de autógrafos do livro abaixo.

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS
na Terça-Feira - 09/11/10
- dia dos 75 Anos de Nelson Fachinelli -

às 16 horas no

Memorial do Rio Grande do Sul
Praça da Alfândega

CONTAMOS CONTIGO!

Coletânea da Casa Do Poeta Rio-Grandense 46 anos/2010

Nossa Coletânea em Prosa e Verso

CASA DO POETA RIO-GRANDENSE 46 ANOS /2010

Organização : Ieda Cunha Cavalheiro

Editora Alternativa
.
Nossos Autores
Capa
: Velas - aquarela de Marlene Cafruny
Criação Gráfica: Neil Jouyssance
Poema: José Moreira a Silva
Prefácio Joaquim Moncks

Poetas e Prosadores
Adilar Signor - Alba Pires Ferreira - Alcione Sortica - Alda Mezeck - Alencar Torres Porto - Altayr Venzon - Ancila Dani Martins - Antonio Augusto Bandeira - Antonio Filipe Sampaio Neiva Soares - Antônio Vilela Pereira - Benedito da Costa Pereira - Carlos Alberto Fontoura Luis - Carlos da Silva Santos Neto - Cida Valadares - Clair Alves - Clarisa Rosa Ibarra Chaves - Clevane Pessoa - Dalva Leal Martins - Edison da Silva Boeira - Eloísa Rodrigues Porazza - Fídias Telles - Ialmar Pio Schneider - Iára Pacini - Ieda Cunha Cavalheiro - Ilda Maria Costa Brasil - Ilzoni Cunha de Menezes - Inalda Peters da Silva - Isabelle Cavalheiro de Mello - Joaquim Moncks - Jorge Duarte Barbosa - Jorge Ricardo Peixoto - José Araújo - José Moreira da Silva - Kátia Chiappini - Lígia Antunes Leivas - Maira Vicenzi Knop - Margarete Soares da Silva - Maria Clara Segóbia - Maria da Glória Jesus de Oliveira - Marísia de Jesus Ferreira Vieira - Mariza Nonohay - Milton José Pantaleão - Moacir Índio da Costa - Nara Regina Latorre - Neida Rocha - Neil Jouyssance Ribeiro - Odone Antônio Silveira Neves - Rosângela Cunha de Menezes - Rozelia Scheifler Rasia - Sonia Lucia de Souza Gomes - Tati Telles - Vany Campos - Yeda Araújo Pereira
Mensagens
Clevane Pessoa - Belo Horizonte
Édison Almeida - Ilha da Madeira - Portugal
Luciana Carrero - Viamão

AGRADEÇO A SUA PRESENÇA.

Fonte:
Ialmar Pio Schneider

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.28)


Trova do Dia

Quis dar-te amor... Sofri tanto
e tantas mágoas carrego
que, hoje, desfeito o quebranto
até o desprezo eu te nego!
THEREZINHA DIEGUES BRISOLLA/SP

Trova Potiguar

Era espinho o seu amor,
mas tinha a flor da ternura;
há tempos morreu a flor
mas o espinho ainda fura.
JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN

Uma Trova Premiada
2010 > Rio de Janeiro/RJ
Tema > CONVITE > Vencedora

Um desencontro, acredite,
o meu passado marcou:
O nosso amor foi Convite
que o destino extraviou!...
HERMOCLYDES S. FRANCO/RJ

Uma Poesia livre

J. G. de Araújo Jorge/AC
NADA MAIS...

Nada mais que isto: sentir em meu corpo
teus braços, como longas amarras
me prendendo...

Chegar... E na boca salgada e vazia
a doçura da terra em teus lábios
a frescura das águas em teus beijos...

Nada mais que isto: depois dos dias inclementes
recolher-me à sombra dos teus cabelos,
e embalar _ como em macia rede - o infinito cansaço
para dormir em teu corpo, como uma criança
em paz...

Nada mais que isto, nada mais...

Uma Trova de Ademar

De tanto não ver chover,
vertendo prantos aos molhos,
fiz uma seca nascer
na cacimba dos meus olhos.
ADEMAR MACEDO/RN

...E Suas Trovas Ficaram

Meu mundo de fantasias
me faz viver mais feliz!
Finjo ouvir todos os dias,
o que você não me diz!
VERA MARIA BASTOS/MG

Estrofe do Dia

Pelo destino grosseiro
a vida jamais lhe agrada,
se sente a alma picada
tem que ir ao picadeiro,
não pode ser altaneiro
nem tem repouso uma hora,
chagas dentro, rosas fora,
guarda espinhos mostra flor;
misto de alegria e dor,
palhaço que ri e chora.
LOURIVAL BATISTA/PE

Soneto do Dia

Palmira Wanderley/RN
BEM-TE-VI

Todas as tardes, sempre à mesma hora,
vem visitar-me um passarinho amigo...
Canta cantigas que eu cantava outrora,
canta coisas que eu sinto, mas não digo.

De onde ele vem, não sei; nem onde mora;
se lembranças me traz, guarda-as consigo.
Sinto, no entanto, quando vai-se embora,
que a minha alma não quer ficar comigo.

Hoje tardou... Há chuva nos caminhos,
mas chuva não faz mal aos passarinhos
e ele há de vir, a tarde festejando...

Lá vem ele, ligeiro como um sonho...
Canta coisas tão minhas, que eu suponho
ser o meu coração que vem cantando.

Fonte:
O Autor

sábado, 23 de outubro de 2010

José Cláudio Adão (Tá Certo, Mestre)


Tá certo, seu Rubem, “da tristeza é que brota a poesia
Onde então, meu mestre, enfio eu a minha alegria
quando, incontida, me invadir o peito?
Numa prosa desvairada, num canto de euforia?

Eu faço uns versos com tristeza, isso eu faço sim
Mas também tem momentos que o que me contagia
É um desafogo, uma mania fora de contexto
não me resta outra saída, enfim

Descarrego então, com júbilo, sem pretexto
de ensinar ou dividir, é apenas sentimento
E vai saindo um ou outro excerto
dos confins de meu pensamento.

Deixo ao sabor do vento,
que sopra dos olhos de quem lê
E concedo a quem acredita e a quem não crê
a prerrogativa do depoimento.

Fonte:
http://marimilaxavier.blogspot.com/

Silviah Carvalho (Estigma)


Construís-te sua casa na areia,
Serei a tempestade a jogá-la no chão,
Até que me libertes, pois não ando em nuvens,
Clamo, tire sua vida das minhas mãos.

Não sou da vida o presente, pouco estimo o passado,
Num branco vazio da manhã, direi adeus a este mundo,
Desfaça dessa imagem que de mim tens criado,
Assim, seguirei meu próprio rumo.

Sou do mar a fúria, do vulcão as lavas,
Sou da moeda a outra face, procurando achar-me neste espaço,
Sou a carta na manga de quem ganhou
Do que perde sou a dor - não me verás em qualquer braço.

Olhei na água, vi meu reflexo,
Paradoxo do que sou,
Os olhos são as janelas da alma!
Abri os seus, ainda assim, não sabe quem sou.

Diga meu amor que não consegue me ver quando me olha
Parece bom, me fiz enigma, me satisfaz,
Se for um jogo darei as cartas, se não for, perderá ainda mais!

Não sou a aura que vês, nem a calma que criaste,
Não sou o esteio, nem o principio, penso não poder sustentar-te,
Procura achar felicidade nisto, porque mais, não posso dar-te.

Fonte:
A Autora

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n.27)

Trova do Dia Maria-mole gigante sonhou comendo, o doceiro... Quando acordou, ofegante - faltava-lhe o travesseiro! PEDRO ORNELLAS/SP Trova Potiguar Virgindade, com certeza tornou-se coisa banal; existe enquanto está presa no cordão umbilical. HELIODORO MORAIS/RN Uma Trova de Ademar Numa aflição extremada num desespero doído, deixou na beira da estrada Tudo o que tinha comido... ADEMAR MACEDO/RN ...E Suas Trovas Ficaram Ela foi tão apertada quando ainda era mocinha, que ficou apelidada de botão de campainha! NEY DAMASCENO/RJ Estrofe do Dia Pra não morrer de saudade, Vou voltar pra minha gente. Tomar banho na nascente, Desnudo da vaidade. Já me cansei da cidade, Com fuligem de motor. Quero ser o condutor, Da vida que eu almejo. Regressar é o meu desejo, Cansei de ser sofredor. DAMIÃO METAMORFOSE/RN Soneto do Dia Miguel Russowsky/SC BAIRRO DAS FOFOCAS. O meu bairro tem gente fofoqueira... Viúvas, sei de três, sempre à janela, terríveis, cada qual mais tagarela e são formadas em falar besteira. Tem uma professora...mãe solteira, Que é linda de morrer!...Mas eu, com ela, fingimos não nos ver e por cautela erguemos entre nós uma barreira. Seu filho?...Há casos que o imprevisto apronta... Namoro ou não, ao pai ela não conta e sem... ou com razão... aconteceu. Que mulherão, ó céus! Um monumento! Quando ela passa, nem a cumprimento... Irão dizer que aquele filho é meu. Fonte: Ademar Macedo

Daniel Defoe (Moll Flanders)


Leia a sinopse e a análise desta obra em ANATOLI: Um blog Cultural. http://anatoli-oliynik.blogspot.com/

Moll Flanders é um romance do escritor ingles Daniel Defoe escrito em 1722. O título original é "The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders Who Was Born In Newgate, and During a Life of Continu'd Variety For Threescore Years, Besides Her Childhood, Was Twelve Year a Whore, Five Times a Wife [Whereof Once To Her Own Brother], Twelve Year a Thief, Eight Year a Transported Felon In Virginia, At Last Grew Rich, Liv'd Honest, and Died a Penitent. Written from her own Memorandums." .

Defoe escreveu essa obra após trabalhar como jornalista e panfletário. Ele tinha sido reconhecido como um novelista de talento após o sucesso do livro Robinson Crusoe, lançado em 1719. Se envolveu na disputa política entre o Whig ( British Whig Party) (liberais) e os Tory (da aristocracia). Com a ascensão ao governo de Robert Walpole, antigo partidário Whig, Defoe (e outros artistas) passaram a criticá-lo. A história de Defoe sobre uma prostituta, faz referências a esse momento da história inglesa.

Alguns definem a obra como um conto sobre o capitalismo, com diversas alusões a dinheiro, contratos, etc, que outros consideram como próprias da personalidade calculista de Moll, pois o conceito econômico não era familiar na época.

O tom do livro o torna um conto picaresco sobre a moralidade. Nesse segundo aspecto, a história de Moll possui dois ângulos: ao desejar ser uma dama (lady) ela comete adultério, prostituição, abandono de crianças e incesto. Por outro lado, ela pode ser vista como uma criminosa que alcança a paz com a confissão cristã e almeja a redenção. Dessa forma, a novela explora as ideologias conservadoras e liberais do século XVIII.

Fonte:
Wikipedia

Sérgio Rodrigues e Antônio Xerxenesky (em Autores & Idéias, de Novembro)


SÉRGIO RODRIGUES
Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista, é autor de diversos livros e titular de duas colunas no site Veja.com: Todoprosa, referência da blogosfera literária brasileira, e Sobre Palavras, que trata de questões polêmicas e curiosas da língua portuguesa. Como ficcionista, estreou em 2000 com o volume de contos "O homem que matou o escritor" (Objetiva), cuja história-título foi publicada também na revista literária americana "Words Without Borders", e lançou ainda os romances "As sementes de Flowerville" (Objetiva, 2006) e "Elza, a garota" (Nova Fronteira, 2009), além da coletânea de contos satíricos "Sobrescritos" (Arquipélago, 2010). Como cronista dedicado a assuntos linguísticos, publicou "What língua is esta?" (Ediouro, 2005). "Elza, a garota" e "What língua is esta?" foram lançados também em Portugal pelas editoras Quetzal e Gradiva, respectivamente. Em sua longa carreira jornalística, trabalhou como editor ou colunista nas principais empresas de comunicação do país. Hoje dedicado à literatura, colabora esporadicamente para publicações como "Bravo!", "Piauí" e a revista americana "Vanity Fair". Sérgio nasceu em 1962, é mineiro de Muriaé e vive há trinta anos no Rio de Janeiro.

ANTÔNIO XERXENESKY
Antônio Xerxenesky (Porto Alegre, 1984) é ficcionista, autor do romance Areia nos dentes ( Não Editora , 2008; Editora Rocco, 2010). Já publicou narrativas curtas em antologias como Ficção de Polpa e no momento finaliza o volume de contos A página assombrada por fantasmas , que será lançado pela Editora Rocco em 2011. Seu conto "O desvio" foi adaptado para a TV por Fernando Mantelli em 2007. Atua como editor na Não Editora , onde organiza a revista online de crítica literária Cadernos de Não-Ficção . Já colaborou com artigos para a revista Vida Simples e para os jornais Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora.
Site pessoal: www.antonioxerxenesky.com
Twitter: www.twitter.com/xerxenesky

Laíde Cecilia de Sousa
Assistente de Atividades
SESC- Maringá
(44) 3262-3232
Ramal - 2755
http://www.sescpr.com.br

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Míriam Cris Carlos (Palestra na Oficina Cultural Grande Otelo, em Sorocaba)


A crônica, representada pelos autores Rubem Braga, Érico Veríssimo e Dalton Trevisan, é o tema da palestra que será realizada pela escritora e pesquisadora Míriam Cris Carlos, na Oficina Cultural Grande Otelo, na próxima sexta-feira, dia 22, a partir das 19h30.

Míriam explica que, na contemporaneidade, fica cada vez mais difícil falar sobre gêneros estanques, já que há uma grande mistura entre as formas literárias e ressalta que escolheu estes escritores para sua abordagem pela singularidade de suas obras, que misturam a crônica, o conto e até mesmo a poesia na prosa, como é o caso de Rubem Braga.

A palestra será dividida com um panorama histórico sobre a narrativa e suas características, acompanhado de exemplos extraídos dos autores escolhidos e que, muitas vezes, destoam do panorama, por irem de encontro aos conceitos pré-estabelecidos para o gênero crônica; desta forma, o que se pretende, também, é incitar o debate sobre a validade da categorização da literatura em gêneros.

A palestra interessa a professores, estudantes de letras e apreciadores da literatura.

Míriam Cris Carlos é graduada em Letras, mestre e doutora em Comunicação e Semiótica e professora / pesquisadora do programa de Mestrado em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba. Autora de “Quase tempo”, “Comunicação Antropofágica”, “Arteiras Sorocabanas” e “A pele palpável da palavra”.

Mais informações podem ser obtidas na Oficina Cultural Grande Otelo:

Praça Frei Baraúna - s/nº - Sorocaba/SP
Telefone: (15) 3224-3377
e-mail: gotelo@oficinasculturais.sp.gov.br
Funcionamento: segunda a sexta-feira – 10 às 22 h.

Fonte:
Luciana Lopez