Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Entrevista com Cecim Calixto

A Revista virtual “Falando de Trovas e de Trovadores”, tendo por representante o grande trovador Lairton Trovão de Andrade tem o imenso prazer de entrevistar o eminente escritor Cecim Calixto que enriquece, com galhardia, o universo literário paranaense, trazendo à luz preciosos sonetos e trovas, poemas de elevado brilho literário, além de ser um dos expoentes raros da UBT-Paraná, o que muito nos orgulha e nos honra.

Lairton: Prezado Cecim, queira nos dizer onde nasceu e reside?

Cecim: Nasci no dia 17 de julho de 1926, em Pinhalão, conforme consta em todas as minhas publicações; terceiro filho de Abrão Calixto e Izahia Cecim, libaneses que constituíram uma prole de onze filhos.
Resido em Tomazina, onde iniciei a minha vida profissional, recentemente formado em Técnico em Contabilidade, pela faculdade de Ciências Econômicas “Plácido e Silva” de Curitiba.

Lairton: Apesar de ter nascido na vizinha cidade de Pinhalão, por que adotou Tomazina como sua cidade natal?

Cecim: Não tive sucesso profissional em Pinhalão, bem por isto eu com meu irmão mais velho, prático em contabilidade, transferimo-nos para a vizinha cidade de Tomazina. Na época a primeira Comarca da região, com nível social acima das outras. Com circunstâncias favoráveis: Banco comercial, algumas indústrias, Coletoria Estadual e Federal, sede de Juiz de Direito e Promotor Público. A prefeitura local administrava as vizinhas cidades de Pinhalão, Jaboti e japira. Na época, Tomazina registrava um volume de 28 mil habitantes (hoje com nada mais que 10 mil). Atualmente, outras cidades da região têm a primazia do desenvolvimento, como Ibaiti, Siqueira Campos, Wenceslau Braz etc.. Mesmo assim, perdurou nossa querência por Tomazina, por fatos de natureza fraterna. Nesta cidade, conheci minha atual esposa, criatura única e divina, a razão da minha vida e a minha eterna inspiradora - companheira inseparável que me deu, ainda nesta cidade, três filhos maravilhosos nascidos na terra da amada mãe.
Nunca deixei de amar e de criar especial afeto pela terra que me viu nascer, onde meus pais viveram por cinqüenta anos. Inesquecível minha infância em Pinhalão, onde fiz o curso no Grupo Escolar, andei descalço, nadei pelado na abençoada água desse ribeirão. Andei de calças curtas e de suspensórios feitos por minha mãe. E aí também conheci e gozei as alegrias do primeiro amor na puberdade.

Lairton: Fale-nos algo mais sobre a cidade de Tomazina.

Cecim: Necessário dizer que toda a beleza de Tomazina foi engenhosamente criação exclusiva da providência de Deus. É a beleza natural e deslumbrante.
Aqui me casei, aqui construí meu primeiro lar. Aqui tive a felicidade de conhecer o maior banqueiro deste país: Avelino A. Vieira, um idealista que fundou um pequeno Banco que se tornou o terceiro do Brasil, e que o deixou aos herdeiros com 1.340 agências espalhadas pelo território nacional. O mundo inteiro ouviu falar o nome desse humilde tomazinense e também o nome de sua cidade natal.

Lairton: Hoje, você curte a vida na turística cidade de Tomazina. Entretanto, por muitos anos, residiu em Curitiba, capital do Estado do Paraná. O que o levou a viver tanto tempo naquela Metrópole?

Cecim: Não vivi tanto na Capital. A minha vida foi reservada ao pioneirismo em Norte Novíssimo do Paraná. Ocupei a gerência do primeiro departamento bancário naquela região. Agi e administrei várias agências. Abri incontáveis departamentos nas cidades daquela região, muitas recentemente fundadas e invadidas por plantadores de café. Ocupei e administrei a maior região produtora de café do Brasil. Todos obtiveram espetaculares sucessos. Pelo êxito obtido, fui promovido a Diretor Regional. Em seguida, Diretor de um novo banco adquirido pelo Bamerindus. Atuei no setor de Crédito Imobiliário, no de Turismo e em muitos ligados à alta Direção do Banco.

Lairton: Como foi o início da sua vida no mundo fantástico das musas?

Cecim: Eu nasci poeta. Sempre vi a beleza de forma especial. Tudo da criação do Onipotente me deslumbrava. Minha aposentadoria e a minha maturidade fizeram-me voltar todo meu potencial de criação para as harmoniosas e divinas letras poéticas. Gostava de ler e, com tempo disponível, apenas lia e escrevia. Sempre tive às mãos um livro de poesia. Adorava os sonetistas e foi por aí que eu resolvi adotar a forma mais difícil na literatura poética: Sonetos.
Meu primeiro livro veio à luz nas vésperas do meu casamento. Recebi elogios e conselhos benéficos. No período bancário, nada publiquei, mas não deixei de rabiscar e guardar belos pensamentos. Aposentado, voltei à lide dos livros de poesias. Publiquei EMOÇÕES – A VOZ DO AMOR – LAMPEJOS – SETE POETAS (Antologia) e, por último, TENDA DE ESTRELAS, todos com noventa e nove sonetos. Meu último livro ultrapassou as minhas expectativa. Verdadeiro sucesso. Tenho ainda, na gaveta, para serem publicados, o livro de sonetos ecológicos e também o de trovas – Quadras e Sonhos.

Lairton: O primeiro livro marca sempre o início de possível caminhada no fantástico mundo da Literatura. Que lembrança incentivadora conserva sobre “Ninfas”, seu primeiro livro publicado?

Cecim: Foi maravilhoso ter em mãos o meu primeiro livro. Publiquei-o sem conhecer a técnica engenhosa da poesia. Recebi muitos elogios, conselhos e ensinamentos.

Lairton: Que importância tem a trova no contexto da Literatura Portuguesa?

Cecim: A trova é e será sempre sublime. Definitivamente vencedora. O resumo e a sua sensibilidade impressiona o mais insensível coração. No contexto da literatura, a trova ultrapassou as barreiras da predileção, levando em conta as características de pureza, inspiração e seu predicado maior: simplicidade.

Lairton: A UBT – União Brasileira de Trovadores – é o abrigo natural dos trovadores. Como ingressou na UBT ?

Cecim: O aroma exalado da casa dos trovadores inebria todo o poeta que ousar adentrá-la, mesmo por simples curiosidade. Assim aconteceu comigo.

Lairton. Que avaliação faz da UBT-Paraná?

Cecim: É a mais atuante do Brasil. A Presidente Vânia Ennes a elevou aos píncaros da sublimidade. Sou fã incondicional do seu eminente trabalho e capacidade de compor.

Lairton: Cecim Calixto foi sempre de incrível responsabilidade em tudo. Diante disso, que instituições literárias têm-no como membro atuante?

Cecim: CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ, ACADEMIA PARANAENSE DA POESIA, UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES, CENTRO DE ESTUDOS BANDEIRANTES.

Lairton: Do movimento trovista do Brasil, sobretudo da UBT – o que mais lhe agrada?

Cecim: Agrada-me o entusiasmo marcante dos trovadores do Paraná, mormente os residentes no interior: Dedicados, operantes, inspirados e, sobretudo, amistosos.

Lairton: O poeta não é dono de si mesmo. De quando em quando, sente necessidade de manifestar suas inspirações. Por isso, que projeto literário tem para o futuro?

Cecim: Muitos. Alguns surgirão brevemente.

Lairton: Neste número, a revista virtual “Falando de Trovas e de Trovadores” presta homenagens ao grande escritor pinhalonense, Elias Domingos. Você o conheceu muito bem. Fale-nos algo sobre Elias Domingos.

Cecim: Graças a Deus, Pinhalão se lembrou do seu filho mais ilustre. Notável professor da língua portuguesa. Autoditada por excelência. Perfeito conhecedor do idioma pátrio. Poucos escritores conheci com o potencial lingüístico de ELIAS DOMINGOS (Aliês A. Muchaile Mereb). Não deverá jamais ser olvidado pelos nossos conterrâneos dessa cidade que eu amo, como ele próprio a amava.

Lairton: Cecim Calixto escreveu muito sobre os mais diversos temas. Valeu a pena ter escrito tantos poemas, tantos sonetos, tantas trovas?

Cecim: A resposta a este item revela-se pelos prêmios inumeráveis pendurados nas paredes do meu escritório (minha preciosa TENDA). Em destaque, prêmios:
CONCURSO NACIONAL DE POESIA “HELENA KOLODY” – premiado duas vezes; CÂMARA MUNICIPAL CTBA – “MEDALHA DE MÉRITO FERNANDO AMARO”; ACADEMIA PARANAENSE DA POESIA – CADEIRA Nº11; PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS – CONCURSO “PINHEIRO DO PARANÁ” – primeiro lugar (soneto); CENTRO DE INFORMÁTICA DEFICIENTES VISUAIS – HONRA AO MÉRITO – inclusão de sonetos em obra editada em braille-Projeto luz e saber; UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES – NOMEADO DELEGADO EM TOMAZINA; ROTARY CLUBE ALTO DA GLÓRIA – Melhor livro do ano “LAMPEJOS”; BRASIL TELECON- PRÊMIO RECEBIDO REPRESENTADO POR 40.000 CARTÕES TELEFÔNICOS ESPALHADOS POR TODO O BRASIL (trova). Outros que serão enumerados oportunamente.

Lairton: A revista “Falando de Trovas e de Trovadores” é editada, através do Portal CEN – Cá Estamos Nós – uma extraordinária ponte literária entre Portugal e o Brasil, cujo presidente é o escritor Carlos Leite Ribeiro. Gostaria de conhecer melhor o Portal CEN? Para tanto, forneça-nos seu endereço eletrônico (e-mail).

Cecim: Gostaria muito de conhecer e manter contato com autores portugueses. Parabéns aos mantenedores dessa inteligente revista “FALANDO DE TROVAS E DE TROVADORES DO PORTAL CEN – CÁ ESTAMOS NÓS”. Um cordial abraço ao confrade e delegado da UBT de Pinhalão.
E-mail – cecim@ifinit.com.br

Lairton: Agradecemos a atenção que nos deu nesta entrevista e solicitamos algumas trovas de sua autoria. Um grande e fraterno abraço.

Cecim:

Se me tens em teu regaço,
no descanso desta lida,
invalidas meu cansaço
e os fracassos desta vida.

Sei agora onde é a nascente
da almejada inspiração.
Nasce e chega de repente
dos filões do coração.

No horizonte da fazenda,
quando a lua apareceu
todo o céu se fez em renda
e cobriu o colo teu.

Nunca vi tanta beleza
estampada num só rosto.
Quem o vê tem a certeza
ser de Deus tamanho gosto.

A tudo que hoje acontece
vale o ditado que aplico:
de fome o pobre padece
e o rico fica mais rico.

Fonte:
http://www.caestamosnos.org/

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to