Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 8 de novembro de 2008

Literatura Chinesa



Conjunto de obras literárias escritas e publicadas ao longo da história da China.

Existem duas tradições na literatura da china: a literária e a popular ou coloquial. A última remonta a mais de mil anos antes da era cristã e permanece até nossos dias. No princípio consistia em poesia mais tarde em teatro e romance, e depois foi incorporando obras históricas, relatos populares e contos. Os intelectuais da classe oficial que ditavam os gostos literários, não a creditavam digna de estudos por a considerarem inferior, sendo que, até o século XX, este tipo de literatura não obteve o reconhecimento da classe intelectual. Seu estilo brilhante e refinado marca os princípios da tradição literária ortodoxa, que começou há 2.000 anos.

ÉPOCA CLÁSSICA
A época clássica é correspondente a da literatura grega e romana. As etapas de formação tiveram lugar do século VI ao IV a.C. nos períodos da dinastia Chou (c. 1027-256 a.C.). Desta época são as obras de Confúcio, Mencio, Laozi (Lao-tsé), Zhuangzi e outros grandes filósofos chineses. Culminou com a recopilação dos chamados cinco clássicos, ou clássicos confucianos, além de outros tratados filosóficos

A obra poética mais importante do período clássico foi o Shijing (Livro das odes ou Clássico da poesia), antologia de poemas compostos em sua maioria entre séculos X e VII a.C. A lenda diz que foi o próprio Confúcio quem seleccionou e editou os 305 poemas que formam a obra. Trata-se de poemas simples e realistas da vida camponesa e cortesã.

O estilo aristocrático ou cortesão alcança sua máxima expressão com os poemas de Chu, estado feudal ao sul da China central que foi a terra de Qu Yuan, primeiro grande poeta chinês.

Durante a dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) as tendências realista e romântica: deram lugar à escolas poéticas. Os versos de Chu foram o começo de um novo gênero literário, o fu, o poema em prosa. Mais tarde, a poesia se enriqueceu com canções populares reunidas por Yüeh-fu, no século II a.C.

Os primeiros trabalhos em prosa formam, junto com o Shijing, os cinco clássicos. São o I Ching (Anais do Chin), livro de adivinhacões; o Shujing (Livro dos documentos), um conjunto de antigos documentos de Estado; o Liji (Memória sobre os ritos), coleção de códigos governamentais e rituais, e o Chunqiu (Anis da primavera), a história do estado de Lu desde 722 até 481 a.C. Do século VI até o III a.C. foram escritas as primeiras grandes obras da filosofia chinesa, como os Analectas de Confucio, aforismos recompilados por seus discípulos; os eloqüentes debates de Mencio, discípulo de Confúcio; o Doodejing (Clássico da forma e sua virtude), atribuído a Lao Tse, fundador do taoísmo, e os ensaios de Zhuangzi, o outro grande filósofo taoísta. Também são importantes os ensaios de Mozi, Xunzi e Han Fei Zi. Sima Qian escreveu o Shiji (Memórias históricas), história da China até a dinastia Han. Os discípulos de Confúcio criaram, as bases da tradição literária da prosa chinesa, adotando uma linguagem literária própria, diferente da linguagem falada.

ÉPOCA MEDIEVAL
Do século III ao século VII d.C., a China estava dividida em estados rivais, porém com a difusão do budismo vindo da Índia e a invenção de um tipo de imprensa viveu um dos períodos mais brilhantes da história de sua literatura.

Durante os períodos de agitação política, poetas encontraram refúgio e consolo no campo. Alguns eram ermitãos e criaram uma escola de poesia a que chamaram Campo e jardim. Outros escreveram os melhores poemas populares chineses, como os de amor atribuídos a poetisa Tzu-yeh. O melhor poeta destes séculos turbulentos foi Tao Qian, também conhecido por Tao Yuanming, que cantava as alegrias da natureza e da vida solitária.

A melhor poesia chinesa foi escrita durante a dinastia Tang (617-907), da qual se conservam mais de 49.000 poemas escritos por 2.200 poetas. Os três poetas mais famosos foram Wang Wei, filósofo e pintor; Li Po, líder taoísta da escola romântica, e seu amigo e rival Tu Fu, meticuloso em seus esforços para conseguir um realismo preciosista, cuja obra influenciou o poeta Po Chu-i, que utilizava a poesia como um meio para a crítica e a sátira.

Durante a dinastia Song (960-1279), Su Tung-po foi o melhor poeta chinês de tsu (estilo poético que fixa o número de versos e seu comprimento segundo o tom e o ritmo). A poetisa chinesa Li Qingzhao alcançou grande popularidade por seus versos tsu sobre sua viudedad. Han Yu, mestre da prosa Tang, exigia a volta da escrita direta e simples do estilo clássico.

A tradição literária prlongou-se na dinastia Song com Ouyang Xiu, mais conhecido por suas maravilhosas descrições de paisagem. Os engenhosos ensaios de Su Xun são os melhores do estilo clássico.

O teatro propriamente dito não se desenvolveu até o final do período medieval. Na época Tang, os atores já ocupavam um lugar importante entre os artistas populares e se agrupavam em companhias profissionais, que atuavam em teatros construídos para receber milhares de pessoas.

ÉPOCA MODERNA
A época moderna começa no século XIII e chega até nossos dias.

No século XIV, a narrativa popular chinesa foi cada vez mais importante. Dois dos primeiros romances desta época, Sanguozhi Yanyi (Histórias romanceadas dos reinos) e Shuihuzhuan (À beira d'água), podem ser considerados a épica em prosa do povo chinês. Cao Xueqin escreveu o romance realista Hongloumeng (Sonho do quarto vermelha).

No século XVII, apareceram numerosas coleções de breves histórias. A mais popular é Jinguqiguan (Contos maravilhosos do passado e do presente), composto de 40 histórias.

No século XX, influenciados pela literatura ocidental, os escritores chineses, guiados por Hu Shi, começaram uma revolução literária conhecida como o renascimento chinês. Intencionavam utilizar a linguagem coloquial com fins literários. Com ensaios e histórias mordazes atacavam a sociedade tradicional, e escritores como Lu Xun (pseudônimo de Zhou Shuren) ajudaram ao avanço da revolução socialista.

Durante os anos da Revolução Cultural (1966-1978) os artistas e escritores se adaptaram as necessidades do povo e a influência burguesa ocidental foi atacada duramente. Desde então tem se permitido uma maior liberdade de expressão, tolerando-se o renovado interesse pelas idéias e as formas ocidentais.

Fontes:
http://portalliterario.sites.uol.com.br/chinesa.htm
Desenho =
http://www.lendo.org

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to