Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Maria Eliana Palma (Escrever: Entregue-se à dança das idéias e escreva )

Pintura de Sandro Boticcelli
O que é preciso para ser escritor? Criatividade, estudo, leitura, persistência, muito trabalho? Para Mário de Andrade, o segredo de escrever reside no exercício e na reflexão. “Escrever sempre, se aperfeiçoar aos poucos, progredir.”

Há quem diga que, para ser bom, o escritor deve sofrer, pois do parto dessa dor nasce a inspiração. Sem sofrimento não haveria talento.

Há quem defenda que o horário é importante para a criação: Katherine Mansfield sugeria escrever ao cair da tarde (esta é “a hora das horas”), outros acreditam que escrever rima com silêncio...madrugada... quando os únicos ruídos são os da alma.

Quantos citam os famosos percentuais de inspiração e transpiração? Uma pitada de imaginação e muitas horas de trabalho seriam as responsáveis por um bom texto.

Cada escritor tem suas teorias, e o processo de criação funciona de maneira própria e individual. O escritor é, antes de tudo, um ledor voraz, e a escrita será mais fácil quanto maior for o seu domínio da linguagem e mais amplo seu vocabulário.

Ler sempre e ler de tudo: prosa e poesia, revistas, jornais, romances e até gibis! Ler muito, exercitando a análise crítica para um posicionamento pessoal ante os fatos. Não se deixar levar pela opinião alheia: ter a própria, nascida de raciocínio, vivência e observação.

Quando sentimentos, valores e visão de mundo se formam com clareza, resta expô-los em tinta, buscando a originalidade de composição de maneira clara e verdadeira. É a hora da coragem de enfrentar a folha branca, despojar-se de pudores e revelar o âmago do ser, sem medo de críticas que fatalmente virão, já que perfeição não existe e é impossível agradar a todos. Se para alguns o que o autor tem a dizer é dispensável, outros certamente agra-decerão as lições recebidas, já que o ritmo do aprendizado é diferente para cada leitor .

Todos têm dons a transmitir e a aprender, e quem recebeu o dom da escrita não deve furtar-se ao papel de escrever!

Mas, o que faz uma pessoa gostar de escrever? Segundo Rachel de Queiroz, tudo começa com os elogios dos avós às primeiras frases! O incentivo da família é importante, porém o papel dos professores é fundamental no despertar dessa vocação. Quem, como eu, teve o privilégio de ter o grande Ary de Lima como mestre, sabe disso muito bem. Quando esse exemplar educador lia um texto de uma aluna e dizia: “minha filha, você tem TALENTO”, na verdade estava plantando mudas de amor literário naquela alma. E quantas frutificaram!

O melhor do ato de escrever, entretanto, é o tempo de reflexão que ele garante ao escritor.

Colocadas em palavras escritas, ações que provocaram sentimentos de revolta, inveja, ciúme, desamor receberiam reações mais mode-radas. Uma segunda leitura, em outro momento, faz perceber, na maioria das vezes, a inutilidade do sofrimento e da irritação ante fatos insignificantes. Sentimentos confu-sos tornam-se compreensíveis se colocados no papel. Qual padeiro, há que se deixar descansar a massa, sová-la novamente, dar a ela o tempo necessário para crescer e maturar-se antes de submetê-la ao forno quente.

Deixando o texto repousar antes de dar-lhe a aparência final ganha-se fôlego para repensar, analisar, saborear e, quantas vezes, alterar formas, burilar rimas ou complementar conceitos. O importante, citando Yoshiaki Oshiro é “insistir, persistir e nunca desistir!”

Então, o que resta a fazer é entregar-se à dança das idéias, no ritmo das rimas e no compasso dos parágrafos.

Fontes:
http://www.ingainformatica.com.br/maringa_ensina/artigos/visualiza_artigos.php?id_artigo=51
Pintura = http://libertas-vitalis.blogspot.com/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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