Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ponto de Leitura e Varal de Poesias são atrações no Parque Maurílio Biagi, em Ribeirão Preto

Foto por Roberto Galhardo
Ponto de leitura para troca e doações de livros e Encontro com Escritores é uma das atrações no domingo; Varal da Poesia e academia ao ar livre é sucesso entre o público

Parque Maurílio Biagi recebe grande público, especialmente nos finais de semana

No lugar de um varal de roupas, um “Varal de Poesias” extremamente sensível e cultural. Essa é uma das opções de quem visita o Parque Maurílio Biagi, aos domingos, logo às 9 horas. O local tem recebido grande público diariamente, desde a sua reabertura, especialmente nos finais de semana.

O Projeto Ponto de Leitura, do Instituto do Livro, que acontece todos os domingos, das 9h às 13h, é uma das referências de quem chega ao local.

Nos estandes, o público pode não apenas ler um livro, como também doar uma obra ou fazer a troca de livros de seu interesse, ou mesmo relembrar aquele livro de um autor famoso lido ainda infância, na adolescência, e que deixou recordações.

São mais de 3 mil títulos de autores como Cervantes, Shakespeare, Machado de Assis, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, autores locais como Luiz Puntel, clássicos da Literatura e infantis, entre tantos outros, que valem muito a pena ler ou reler.

O Varal de Poesias e os Contadores de História são outras formas de comunicação literária ao ar livre, embaixo das árvores, depois de uma manhã de exercícios físicos e de cuidados especiais com a saúde.

Varal de Poesia – O Varal de Poesia, para quem ainda não conhece é mais uma das ideias do Instituto do Livro para incentivar na população o hábito de ler e deixar poesias no local, como troca de experiências e sentimentos. Para o superintendente do Instituto do Livro, Edwaldo Arantes, ler uma poesia é encher a alma de esperança e de bons pensamentos e proporcionar ao leitor um momento de paz interior e de reflexão. “O Instituto do Livro está muito feliz com esse trabalho. Poder estar aqui trazendo essa qualidade de lazer a nossa população em meio à natureza nos faz acreditar que o ser humano, cada vez mais, necessita dessa estrutura para superar melhor os obstáculos do dia a dia”, enfatizou. A opinião de Edwaldo soma-se a dos freqüentadores do parque que estão satisfeitos com o Projeto que tem atraído quem passa por ali.

Todo mundo que vem aqui deveria trazer uma poesia no bolso para colocar no varal. Eu mesma estive aqui na semana passada, levei uma poesia do varal embora, e hoje estou retornando para deixar uma poesia de Carlos Drummond de Andrade para que alguém a leve embora com muito carinho”, afirmou a pedagoga e dona de casa Elisete Passos Vieira, que imprimiu o poema “Canção Amiga”, de Drummond, para presentear algum visitante do Parque.

“O mundo precisa de poesia, e um trabalho como esse jamais pode passar despercebido”, afirmou a freqüentadora do parque, Eliana Cristina, que assiduamente está no local “Vamos fazer com que esse varal se torne tradicional a cada dia”, enfatizou ela “ Perseverar por essa forma de comportamento é contribuir por um mundo melhor e mais humano”, completou.

Vale lembrar que este final de semana o público recebeu o carinho do escritor e trovador Nilton Manoel e o talento das contadoras de história Cassiana Freitas e Adriana Paim. “Meus filhos adoram vir aqui. Eles ficam à vontade, ouvem e interpretam as histórias e tiram suas conclusões do que ouviram”, admitiu a administradora de empresas Isis Soares, mãe de Bianca, de 8 anos, e David, de 6.“Todos os Parques em Ribeirão Preto deveriam ter esse projeto, mesmo os mais longe do Centro”, concluiu.

O Projeto do Instituto do Livro conta, todos os domingos, com o trabalho do superintendente Edwaldo Arantes, Rosangela Passeri, diretora administrativa; Ednéia Regina Souza Moraes, Naiara Maria Gomes Leite, Rayne Borges, Patrícia Souza Gomes, Ednéia Coutinho, Luciene Bidio, Victor de Carvalho. “Esse é um Ponto de Leitura e um ponto de encontro de todas as formas de manifestações culturais. Quero convidar a população para que esteja conosco neste projeto a Céu Aberto, que venha fazer exercícios e traga seus filhos para ouvir uma história, escolher um livro e levar um belo poema para a família que ficou em casa”, concluiu Edwaldo.

Fonte:
Nilton Manoel

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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