Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 28 de novembro de 2010

Átila José Borges (O Dia em que os Ases da Esquadrilha da Fumaça Aterrisaram sem seus Aviões!)


Eu e meu irmão Ayrton possuíamos dois minúsculos carrinhos da marca Fiat, batizados na Itália de Topolino 500 (ratinho).

O do Ayrton, pintado de branco, era alcunhado pelo nome feminino de Susy.

O meu era conversível pintado de vermelho e era chamado carinhosamente de “Bolinha”.

Eram carros frágeis, com motorzinhos também fracos. Foram praticamente produzidos para acomodarem o motorista e um carona... Com muita boa vontade poderiam levar um passageiro na parte traseira. Embora limitadíssimos, eram para nós, como se fossem Mercedes Benz nanicas.

Certa feita recebemos em nosso programa, seis ases da Esquadrilha da Fumaça para uma entrevista. Foi um sucesso! Após o programa e almejando sermos gentis com, os nosso entrevistados, educadamente oferecemos nossos “carrões” para leva-los até o hotel onde estavam hospedados. Não esperávamos uma pronta e sonora afirmativa em alto bom tom...Toparam de imediato!

Curitiba havia assistido ao espetacular show promovido pelos nossos brilhantes ases. O público presente ao espetáculo e os telespectadores que acompanharam “ao vivo”, não cansaram de aplaudir os “heróis” da FAB.

Passamos então a acomodar os nossos ilustres caronas. A “Susy” aceitou milagrosamente três deles, naturalmente os de estatura mais baixa. Einstein explica...

Sobrou para o “Bolinha” levar os outros três, altões. Justifica-se: como o meu carro era conversível e os grandões foram acomodados (?) nele, naturalmente com muito esforço. Espreme daqui, espreme dali e na falta de uma calçadeira gigante, usamos o critério e a técnica de acomodação usada em lata de sardinha... Depois de muito aperto estavam prontos para a “missão”...

É importante ressaltar que todos os componentes da Esquadrilha da Fumaça usavam seus vistosos macacões de voo.

O estúdio do Canal 12 era na Rua José Loureiro e o pátio de estacionamento ficava a sua frente. O pátio tinha um declive que auxiliou sobremaneira a nossa “decolagem”.

A saída para a rua exigia uma “curva direita” em virtude do sentido do trânsito. E lá fomos nós. Inegavelmente o comboio era de chamar a atenção. Era um espetáculo inusitado, fora das câmaras.

O Ayrton conseguiu fazer a curva de saída, mas o meu “Bolinha” não agüentou o esforço e literalmente derreou... A suspensão chocou-se com o chão e os passageiros foram catapultados (expressão em homenagem aos irmãos Wright), para fora do carro.

Três ases da Esquadrilha aterraram na calçada da José Loureiro, em uma acrobacia que eu peço que não me perguntem qual o nome.

Um dos pilotos caiu com a cabeça no chão produzindo um corte em seu rosto.

Refeito do susto e sacudindo o pó do macacão, o “ferido” no pouso, não se conteve, soltou um palavrão e exclamou:

- Já fiz centenas de demonstrações por todo o Brasil... Igual a essa, nunca!

Os “pousos” acabaram em gostosas gargalhadas ouvidas pelos circunstantes que se aglomeraram ao redor dos ases, acredite: até para pedir autógrafo!
=================
Obs: o programa chamava-se Entre Nuvens e Estrelas, produzido pela TV Paranaense, Canal 12, esteve no ar por 20 anos.

Fonte:
BORGES, Átila José. Emoções eu vivi... Curitiba: Ed. do Autor, 2008.

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to