Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de junho de 2011

V Concurso Literário “Cidade de Maringá” (Troféu Emilio Germani: Trovas Vencedoras)


Abaixo transcrevo as 10 trovas vencedoras, entre as 597 que foram enviadas ao Concurso.
A partir de amanhã as crônicas, sonetos e poemas livres.

MODALIDADE TROVA: TROFÉU EMILIO GERMANI

TEMA: CELEIRO

Nos campos do mundo inteiro
há um contraste que angustia
porque a mão que enche o celeiro
quase sempre é mão vazia!
ARLINDO TADEU HAGEN (Belo Horizonte/MG)

Num lar...que falte o sabor
do quitute predileto...
mas, o celeiro do amor
que esteja rempre repleto!
CAROLINA RAMOS (Santos/SP)

Os voos alegres, tristonhos....
Diversidade completa!
Pulsa um celeiro de sonhos,
no coração do poeta!
ÉDERSON CARDOSO DE LIMA (Niterói/RJ)

Coração, velho celeiro,
tanto amou na mocidade
que está cheio, por inteiro,
de sementes de saudade...
HÉRON PATRÍCIO (São Paulo/SP)


O meu celeiro está cheio
de feno, alfafa e capim;
e eu; vazio, aqui no meio,
quem sabe farto de mim?
JOSAFÁ SOBREIRA DA SILVA (Rio de Janeiro/RJ)

Da safra não faça alarde,
nem deixe o celeiro aberto,
porque a inveja dorme tarde,
vive atenta... e mora perto!
JOSÉ OUVERNEY (Pindamonhangaba/SP)

Decerto é o ventre materno,
com a semente contida,
um abrigo meigo e terno,
celeiro da própria vida.
MÁRCIA JABER DE BARROS MOREIRA (Juiz de Fora/MG)

Por tantos celeiros cheios
e tantos pratos vazios,
a vida nos mostra veios,
de desumanos desvios!
MARIA HELENA OLIVEIRA COSTA (Ponta Grossa/PR)

Lavrador, são tuas mãos
que, em celeiros colossais,
deixam nas pilhas de grãos
as impressões...digitais!
MARIA LÚCIA DALOCE (Bandeirantes/PR)

Sem meus filhos ao meu lado,
contemplo, sem alegria,
o celeiro abarrotado
e a casa-grande...vazia!!!
NEIDE ROCHA PORTUGAL (Bandeirantes/PR)

Fontes :
AGULHON, Olga e PALMA, Eliana. V Concurso Literário "Cidade de Maringá". 1. ed. Maringá: Academia de Letras de Maringá, 2011.
Montagem da Imagem por José Feldman, com imagens obtidas na Internet.

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to