Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 27 de junho de 2011

V Concurso Literário "Cidade de Maringá" (Sonetos Vencedores = Troféu Antonio Mestriner)


ALBA HELENA CORRÊA (Niterói/RJ)
Um Celeiro Diferente

No meu "celeiro", vou acumulando
os grãos do meu viver, tão variados...
Eu colho o que plantei, amontoando
sementes de atos certos e de errados.

Eu sou um lavrador, tenho o comando,
poderes que, por Deus, me foram dados,
mas surgem pelo chão, de vez em quando,
joios, que em meu trigal são infiltrados.

Que eu não descuide, pois, da sementeira,
esteja vigilante a vida inteira,
arranque ervas daninhas com vigor.

Transborde o meu "celeiro" de carinho
e, ao partir, restem messes no caminho
- frutos do que plantei com muito amor!

EDMAR JAPIASSÚ MAIA (Rio de Janeiro/RJ)
Gota a Gota

Um pingo apenas, percorreu-me a face;
um pingo estranhamente caudaloso,
que, umedecendo o meu perfil nervoso,
mostrou-me um veio que no peito nasce...

A lembrança do tempo desditoso
permitiu à tristeza que afogasse
numa só gota, as rugas que encontrasse
em meu semblante austero, ainda ansioso...

Aquele pingo foi a gota d'água
que fez extravasar a intensa mágoa
há muito represada a contragosto...

E as lágrimas, vazadas do celeiro
de minha alma angustiada de guerreiro,
fluíram nas ruínas de meu rosto!

GILSON FAUSTINO MAIA (Petrópolis/RJ)
À Minha Primeira Professora

Como eu faria a minha poesia,
escreveria neste meu caderno,
não fosse de Maria, o gesto terno,
pegar na minha mão com simpatia?

Do Carmo, paciente r com mestria,
com as bençãos do nosso Pai Eterno,
transformou minha vida, pôs no interno
do meu pobre existir, sabedoria.

A escola era na roça, na fazenda,
e Maria do Carmo, com ternura,
dividia o seu tempo, sua agenda.

Quatro turmas, coitada, a criatura,
do saber transformou-se em oferenda,
num celeiro de amor e de cultura.

JOSÉ MESSIAS BRAZ (Juiz de Fora/MG)
Céu da Madrugada

A abóbada celeste toda acesa...
um celeiro de luzes na amplidão!
- Embevecido, saio da incerteza
e no infinito encontro inspiração...

A madrugada esmera-se em beleza...
e o encanto do luar na imensidão
faz minha alma voar na profundeza
do espaço majestoso da ilusão...

No brilho das estrelas busco a rima...
e nos confins contemplo, lá de cima,
a Terra, indefinida, iluminada!

Sou nada ante a grandeza ou, muito pouco,
apenas sonhador - poeta e louco -
um grão de pó na vastidão do nada!...

LUCILIA ALZIRA TRINDADE DECARLI (Bandeirantes/PR)
Celeiros da Modernidade

Antigamente a sobra de tostões
ia direto a cofres bem pequenos.
As cédulas, guardadas nos colchões,
visavam novos dias... e serenos.

De cereais, lotados os galpões,
sem a penhora, livres os terrenos.
Nem cheques pré-datados, nem cartões...
Vaidade havia, só que muito menos.

Tempos modernos... Nestes, quase loucos,
endividados somos - salvo poucos -,
mil promoções, ofertas endeusadas...

De bugigangas cheios os armários;
grande aparato exposto nos "sacrários"
onde "coisas", por nós, são adoradas!...

Fontes :
AGULHON, Olga e PALMA, Eliana. V Concurso Literário "Cidade de Maringá". 1. ed. Maringá: Academia de Letras de Maringá, 2011.
Criação da Imagem por José Feldman, com foto e troféu obtidas na Internet. O troféu foi adaptado para esta postagem.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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