Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Isabel Furini (Conceitos - Poesia e Poema)


Poesia é quase um sinônimo de beleza, de estética.

O céu azul é lindo, podemos dizer que é poético.

Uma flor é bela, afirmamos que uma flor é poesia.

Poesia é beleza, encantamento estético. Pode expressar-se de diferentes formas

POEMA?

Poema é a poesia transformada em verso.

A poesia se transforma em poema quando alguém escrever versos – transforma emoção, arrobamento, de beleza ou encantamento estético em versos.

VERSOS?

Cada linha de um poema é um verso. Por exemplo: uma trova é composta por quatro versos.

Podem ser versos pequeninos ou gigantes. O autor tem “licença poética” para expressar suas emoções, seus sentimentos, sua forma de ver o mundo.

Veja poema pequenino:

Tufão na floresta
entre as árvores tombadas
os pássaros mortos. (Isabel Furini)

E um poema longo:

TECNO ESCRAVOS

Malabaristas.
Objetos desenham formas curvilíneas no ar infectado de mosquitos.

Não muito longe, o pantanal aflito
Grita por socorro no fechado nevoeiro.
Ninguém escuta! Há música e cervejinha
e há risos e mais música e mais cerveja.

A vida se transformou em pantomima.
A morte os surpreende de fininho...
A vida é diversão que se prolonga...
ninguém se atreve a discordar da maioria .
Recriação da caverna de Platão,
circo romano
e televisão são alegria.

E alguém escreve: A Idade Média voltou... ou nunca ficou extinta?
Os senhores feudais são chamados empresários,
mas tem as mesmas mordomias.

Hipótese descartada.
Monografias exigem citações
só doutores tem direito ao pensamento,
o povo é considerado burro (A Terra
é um lugar onde os clones clonam seres clonados).

E o circo continua com poucas variações.

O intruso da monografia está enclausurado,
os manicômios estão repletos de poetas,
filósofos, livre-pensadores e outros bichos cavernícolas.

A sociedade aplaude tecno escravos (aptos e bem equilibrados).

Globalização exige competência – com alto grau de astúcia.
É preciso esmagar a concorrência!
Moradores do Terceiro Milênio, viciados em Internet e em fast food.
escravos da alta tecnologia – tecno escravos,
números que nascem e morrem ao acaso.
Formatados pelo sistema, fingem ser felizes no espaço
reduzido de uma tela em branco.

Malabaristas em um mundo escravizado.

Jogam novamente os bastões no ar e o circo continua...
(Poema de Isabel Furini)

ESTROFE

Estrofe é um conjunto de versos. Um poema pode ter uma ou várias estrofes. As estrofes de um poema são separadas por uma linha em branco.

Segundo o número de versos (linhas) as estrofes recebem um nome:

Estrofe de um verso
Dois versos: dístico.
Três versos: terceto.
Quatro versos: quadra ou quarteto.
Cinco versos: quinteto ou quintilha.
Seis versos: sexteto ou sextilha.
Sete versos: sétima ou septilha.
Oito versos: oitava.
Nove versos: novena ou nona.
Dez versos: décima.

Assim quando lemos que um soneto é composto de duas quadras e dois tercetos, sabemos que são 4 estrofes: a primeira e a segunda estrofes de quatro versos cada uma, e a terceira e a quarta de três versos cada uma.

Fonte:
http://livrodoescritor.blogspot.com/2011/12/conceitos-poesia-e-poemas.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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