Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ângela Lago (1945)


Ângela Maria Cardoso Lago (Belo Horizonte, 1945) é uma escritora e ilustradora brasileira.

A maior parte de sua obra é dedicada às crianças. Em alguns de seus livros não usa palavras, apenas imagens.

Entre suas obras destaca-se Cena de Rua, premiado na França e na Bienal de Bratislava. Cena de Rua foi publicado no México, na França, nos Estados Unidos da América e no Brasil.

Escritora e ilustradora, mineira, nascida em Belo Horizonte, em 1945, Angela Lago, inicia sua formação superior na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais. Freqüentou o atelier do escultor Bitter, com um grupo de artistas plásticos.

Em 1969, leciona na Escola de Serviço Social e trabalha como assistente no Instituto Psico-Pedagógico, para crianças com dificuldades psico-pedagógicas e psiquiátricas.

Tendo recebido bolsa de estudos, passa três meses em Denver, Colorado, Estados Unidos, para um curso de psicopedagogia infantil. Vive fora do país durante a década de 1970, em razão do trabalho do marido.

Na Venezuela, onde permanece de 1970 a 1973, trabalha como professora da escola de Serviço Social da cidade de Puerto Ordaz. Em seguida, e após alguns meses em Londres, transfere-se para Edimburgo, onde frequenta o curso de artes gráficas no Napier College de 1973 a 1975.

De volta ao Brasil, começa a se dedicar à literatura infantil, atividade em que reúne sua experiência com crianças e a produção literária, iniciada com poemas publicados no Suplemento Literário de Minas Gerais, dirigido por Murilo Rubião (1916 - 1991).

Em 1980, são lançados os dois primeiros livros com texto e ilustrações de sua autoria: O Fio do Riso e Sangue de Barata.

Em 1985, depois de dez anos de atividade, fecha seu ateliê de programação visual para publicidade.

Ainda no fim da década de 1980, incorpora o computador a seu processo de criação, diversificando as técnicas usadas na produção de ilustrações, que incluem bico de pena e tinta acrílica.

Nos anos 1990, quando lança mais de dez livros - entre os quais Festa no Céu (1995) e ABC Doido (1999) -, trabalha como artista convidada em faculdades da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Desde então, dedica-se com exclusividade à literatura, tendo publicado cerca de trinta títulos, além aqueles em que atua apenas como ilustradora.

Algumas de suas obras são lançadas primeiramente no exterior, como é o caso de João Felizardo e o Rei dos Negócios, editado em 2006 no Brasil após ter sido publicado no México em 2003.

Comentário critico
Dialogando com artistas plásticos consagrados e compondo narrativas inspiradas na tradição popular brasileira, Angela Lago produz livros, sobretudo a partir de 1986, em que as ilustrações não se limitam a explicar o texto: a superposição dos elementos gráficos ultrapassa a temporalidade e a espacialização sugeridas pela palavra, ampliando as possibilidades interpretativas.

O diálogo com a cultura tradicional estrutura a obra de Lago desde O Fio do Riso (1980), sua estreia, em que a ilustração está ainda a serviço do texto. Nesse título, Nina, a protagonista, sozinha e entediada em sua casa, decide telefonar para um número aleatório. É atendida pela fada Plimpinar, que transporta a menina para o seu fantástico mundo, sob única condição: que não ria do que ali encontrar, ou a viagem se encerrará. Trata-se da mesma restrição imposta a Orfeu, que para resgatar a amada Eurídice do reino de Hades não pode ceder à tentação de encará-la durante a viagem.

A garota, contudo, ri - passando a ocupar, aos olhos da cozinheira Maria, a posição de quem é vítima da risada: "Que menina engraçada,/ esta que sonha acordada.'/ Nina ficou zangada:/ 'Não me faça de piada'". O aprendizado implicado no desfecho revela outra característica estruturante do trabalho de Lago: a combinação entre espaço real e onírico que amplia os limites da narrativa.

As fontes eruditas estarão sempre ao lado das populares - sendo estas patentemente presentes em Uni, Duni e Tê (1982). Trata-se, desde o título, de uma retomada de textos infantis. A narrativa apresenta a procura de uma comunidade por um assaltante que invade as casas para comer salame e sorvete, deixando um bilhete em código: "Uni duni e tê/ Salamê minguê/ um sorvete colorê/ uni duni e tê". As personagens são todas extraídas de fontes semelhantes: Zé do Cravo, que briga com a namorada Rosa; Dona Xica, em cujo gato um pau é atirado; Samba Lelê, apelido do delegado Lelevaldo, que fica doente e com a cabeça "quebrada".

O jogo metalinguístico vai além da presença do intertexto, passando a determinar também o comportamento do narrador. Embora se trate de um observador, e não de alguém que participa da trama, ele invade a história e dialoga com as personagens. A certa altura, por exemplo, uma das moradoras da vizinhança, durante discussões sobre a autoria do crime, diz às personagens: "Espera aí". O subtítulo que inaugura o trecho seguinte da narrativa se chamará "Vamos esperar".

Em 1986, a autora publica Chiquita Bacana e Outras Pequetitas. Nesse livro, uma garota recebe visitas noturnas das personagens-título, que lhe roubam objetos diversos, e por isso decide aprisioná-las. Chiquita, entretanto, não é capturada: à medida que se desenvolve a busca por ela, dentro da casa, outros elementos narrativos vão sendo revelados.

Na profusão de detalhes, o próprio tempo indicado - "uma noite de lua cheia" - é posto em questão: há pinturas na parede do quarto que, de uma página para a outra, se modificam, compondo narrativas paralelas e baseadas em andamento temporal particular. Uma delas retoma a fábula "João e o Pé de Feijão", ilustrando o crescimento da planta. Outra, inspirada na sequência L'enfant au pigeon, de Pablo Picasso, mostra uma menina camponesa que, observando a liberdade dos pássaros, começa a voar. Há ainda, entre outros, imagens que retomam Chapeuzinho Vermelho.

A soberania da narrativa verbal é também posta em xeque, pois as estrofes em que se conta a história são impressas em páginas de livros trazidas pelas pequetitas. Os versos se tornam, dessa maneira, fio condutor para a leitura dos detalhes.

Os procedimentos serão intensificados em O Cântico dos Cânticos (1992), versão ilustrada de Angela Lago para o poema bíblico. Inspirada nos quadros do holandês Maurits Cornelis Escher (1898 - 1972), a artista transpõe a narrativa dos encontros e desencontros entre os amantes para figuras labirínticas em que não há orientação espacial ou linear.

O livro pode ser percorrido da primeira página à última ou da última à primeira: o encontro entre o casal ocorre nas imagens centrais, de modo a fundir o labirinto da amante, retratado sempre nas páginas pares, ao labirinto do amado, nas ímpares. O júbilo da realização amorosa é simbolizado pela irradiação, a partir de um centro onde está o casal, de luminosidade intensa e de uma força que faz sacudir páginas fictícias contidas dentro das páginas de fato.

A adaptação inclui ainda a transformação do cenário descrito nos versos da Bíblia em elementos que compõem as molduras das imagens. Pássaros, árvores, fontes tornam-se detalhes das bordas, que trazem ainda detalhes referentes ao Oriente Médio, como parreiras e arabescos, em uma retomada da atmosfera predominante no texto original.

Os exemplos ilustram a intrincada estrutura das obras de Angela Lago. Os abundantes elementos secundários - sejam detalhes gráficos ou personagens distantes da trama central - atuam na valorização e amplificação dos elementos centrais, inaugurando percursos diversos para a leitura.

Alguns Livros de Angela-Lago

Cena de Rua, Editora RHJ, Belo Horizonte, 1994
Tampinha, Editora Moderna, São Paulo, 1994
A festa no céu, Editora Melhoramentos, São Paulo, 1995
Uma palavra só, Editora Moderna, São Paulo, 1996
Um ano novo danado de bom, Editora Moderna, São Paulo, 1997
A novela da panela, Editora Moderna, São Paulo, 1999
Indo não sei aonde buscar não sei o quê, Editora RHJ, Belo Horizonte, 2000
Sete histórias para sacudir o esqueleto, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2002
A banguelinha, Editora Moderna, São Paulo, 2002
Muito capeta, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004
A raça perfeita, Angela-Lago e Gisele Lotufo, Editora Projeto, Rio Grande do Sul, 2004
A casa da onça e do bode, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
A flauta do tatu, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
O bicho folharal, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
João felizardo, o rei dos negócios, Cosac-Naif, São Paulo, 2006
Um livro de horas, Editora Scipione, São Paulo, 2008

Fontes:
COELHO, Nely Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil / juvenil brasileira: 1882-1982. 2. ed. São Paulo: Quíron / Brasília, 1984. Disponível na wikipedia
Enciclopédia Itaú Cultural

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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