Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 9 de maio de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 26)

Uma Trova do Paraná
-
MAURÍCIO FERNANDES LEONARDO – Ibiporã

Semblante santificado
cabeleira cinza escuro,
mamãe viveu seu passado
planejando meu futuro.
==================
Uma Trova contra a Dengue, de Pedro Leopoldo/MG
 -
WAGNER MARQUES LOPES
Saneando nossas casas,
sem lixo na vizinhança,
mosquito não cria asas,
a dengue jamais avança.
====================== 
Uma Trova Lírica/Filosófica de Juiz de Fora/MG
-
GERALDA ARMOND

A saudade é simplesmente,
um claro espelho encantado,
mira-se nele o presente
e ele reflete o passado.
==================
 Uma Trova Humorística de Magé/RJ
-
MARIA MADALENA FERREIRA

Quando a foto iam bater,
meu patrício se escondia,
pois… queria aparecer…
… “de surpresa”… pra Maria!!!
==================
 Uma Trova do Feldman
-
JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
A mãe de minha mulher
diz que é sogra muito boa.
Sem querer meter colher,
no meu filme ela é viloa...
======================
Uma Trova Hispânica da Colômbia
-
MARTHA SENOVIA VELÁSQUEZ VÉLEZ
La justicia es patrimonio
de toda la humanidad;
es el mejor testimonio
de amor, paz y libertad.
=====================
Uma Trova de Góis/Portugal
-
CLARICE BARATA SANCHES

Como um tesouro fecundo,
a Caridade escondida,
se não se mostra no mundo,
ver-se-á na outra Vida!
===================
Trovadores que deixaram Saudades
-
BAPTISTA NUNES  – Rio de Janeiro/RJ
1883 – 1965

As dores e os desencantos
 têm dois destinos diversos:
 ou se dissolvem nos prantos,
 ou se desfazem nos versos.
===========================
Uma Trova sobre a Trova de Natal/RN
-
PROF. FRANCISCO GARCIA

Eu sempre quis numa trova
provar tudo quanto fiz;
mas nunca passei na prova,
nem fiz a trova que quis.
==================
Uma Quadra Popular Portuguesa
-
Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias
=========================
Um Haicai de Campinas/SP
-
Guilherme de Almeida
(1890-1969)


Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".
==================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba (1944 – 1989)


abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno
========================
Uma Poesia de Jaú/SP
-
ANGÉLICA TURINI FERREIRA


Neste labirinto que se chama terra,
que se chama cérebro
que se chama vida,
há estruturas complexas
fragmentos bíblicos
notícias escorrendo…

Pés sangrando.

Dragões alados
alfaias
palavras que se perdem
eis o resultado da meditação!
==========================
Uma Sextilha de Maringá/PR

A. A. DE ASSIS

Verdade, pura verdade,
a que esta sentença encerra,
válida agora e amanhã,
no Brasil e em toda a Terra:
– O amor sempre tem razão,
mesmo quando, às vezes, erra!
=====================
Uma Trova Ecológica de


===================
Uma Poesia de São Vicente/Cabo Verde
-
YOLANDA MARAZZO

Derrocada

A asa de um morcego transparente
e no canto um olho descaído
de pestanas longas espreitando
o ácido viscoso da loucura
escorrendo pelos telhados do mundo

Viajante incansável do pasmo
no silêncio das órbitas vagabundas
dos mares-mortos delírio-espasmo
do cansaço mole das brisas vazias
que do nada se afirmam nas florestas
do ódio de gigantes e anões liliputianos

Blocos monolíticos tristes quedos
imagens-desespero cancerosos
miasmas-visco cobras moribundas
agonizando em convulsões de magma
lanças setas envenenadas dirigidas
ao coração das virgens e crianças

Sombra parda pálida acutilante
teu vulto de insônia transparente
bóia nas trevas flutuantes
da noite dos espiões pelas estradas
das feras que matam as ovelhas
e apunhalam pastores no caminho

Sombra feroz invernal medonha
destroços e cadáveres pútridos
sugando o seio das madonas
e acalentando monstros nas cavernas
pelas horas taciturnas do medo dos teus passos.
============================
Um Soneto de Taubaté/SP
-
NOEMISE DE FRANÇA CARVALHO
Lua Cheia


À noite, ao chegar a lua cheia,
eu penso ser o mundo pequenino,
se imensa escuridão ela clareia,
apenas, com seu rosto cristalino,

e se a doce madrugada devaneia,
ouvindo de tão longe a voz de um sino,
a lua espera o sol, que serpenteia
nas luzes do arrebol, olhar divino…

Ó lua cheia em ninhos de plumagem
das nuvens, sonolentas, na voragem
de sonhos, com seus versos de poetas!

Ao ver-te dos vitrais de minha vida,
só chego a ti, se houver a despedida
das mortas ilusões em dores quietas.
==============================
Uma Poesia de Longe
-
WILLIAM BUTLER YEATS – Dublin/Irlanda
1865 – 1939
Quando Fores Velha


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
========================
Um Poetrix de Luanda/Angola
-
THOMAZ RAMALHO
Melancolia


Os cotovelos no parapeito da sacada
e o pensamento apoiado
na linha do horizonte.
=========================
Versos Melodicos
-
DOMINGOS CORREIA (versos) e SANTOS COELHO (melodia)
Flor do mal (Saudade eterna) (valsa, 1912)


O poeta Domingos Correia suicidou-se no dia 6 de maio de 1912, bebendo um copo do desinfetante Lisol, numa casa de chope no Rio de Janeiro. Antes, porém, perpetuou nos versos da canção "Flor do Mal" o motivo do suicídio: sua paixão não correspondida por Arminda Santos, uma jovem pernambucana que então iniciava carreira artística nos palcos da cidade.
"Oh! Eu me recordo ainda / desse fatal dia / em que tu me disseste, Arminda, / indiferente e fria / eis do meu romance o fim...".
Como não era compositor, fez esses versos tristíssimos em cima da melodia, mais triste ainda, de "Saudade Eterna", uma valsa do violonista Santos Coelho, autor de um método de guitarra portuguesa, muito usado na época.
Tendo recebido em 1909 a letra de Catulo da Paixão Cearense (sob o título de "Ó como a saudade dorme num luar de calma"). "Saudade Eterna" era apenas razoavelmente conhecida, tornando-se grande sucesso ao transformar-se em "Flor do Mal", talvez até pelo impacto da tragédia.
Segundo o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque), Domingos Correia "era branco, baixo e tinha uma. cabeça enorme", o que lhe valeu o apelido de Boneco nos meios boêmios onde bebia e cantava com voz possante". Com tal figura, era mesmo tarefa impossível ao Boneco conquistar a bela Arminda. (Cifrantiga)


Oh ! Eu me recordo ainda,
Deste fatal dia...
Em que tu me disseste, Arminda,
Indiferente e fria.
- Eis do meu romance o fim!
- Senhor!
- Basta!
- Esquece-te de mim,
Amor.

Por que?
Não procures indagar,
A causa ou a razão?
Por que?
Eu não te posso amar?
Oh ! Nunca quis não,
Será fácil te esquecer.
Prometo,
Oh! minha flor,
Não mais ouvir falar de amor.

Eu!
Hipócrita!
Fingido coração!
De granito...
Ou de gelo...
Maldição...
Ah!
Espírito satânico!
Perverso!
Titânico chacal...
Do mal...
Num lodaçal imerso...

Sofrer!
Quanto tenho sofrido!
Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído!
Por que?
Não posso ser então...
Oh, Não !

Que importa,
O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural!
Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente,
A Flor do Mal.

Sofrer!
Quanto tenho sofrido!
Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído!
Por que?
Não posso ser então...
Oh, Não!

Que importa,
O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural!
Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente,
A Flor do Mal....

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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