Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 22 de maio de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 38)

Uma Trova do Paraná
-
GLYCÍNIA DE FRANÇA BORGES - Curitiba

Saudade, aquele quesito
que nos punge, que devora.
Aquele amor infinito
sem piedade, foi-se embora.
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Uma Trova Sobre a Trova, de Natal/RN
-
FRANCISCO MACEDO

A trova nascida da alma
tem mensagem diferente,
ela incendeia e acalma
as atitudes da gente.
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de Fortaleza/CE
-
FRANCISCO JOSÉ PESSOA

Meu coração safenado
me fez ficar mais feliz,
pois está recauchutado
pra mulher que eu sempre quis!
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Uma Trova Humorística, de Pindamonhangaba/SP
-
WALTER LEME

Um político eloqüente,
num tropeço vai ao chão:
limpa a boca e exclama:  Gente,
quis beijar este torrão!
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Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO  - Natal/RN
1951 - 2013

A vida escreve-me enredos
com finais que eu abomino.
Meus sonhos viram brinquedos
nas mãos cruéis do destino…
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Uma Trova Hispânica da Argentina
-
NORA GRACIELA LANZIERI

Mis sueños al sol están
y mi alma en ti descansa
tu eres mi hombre galán,
tú, amor de mi esperanza.
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Uma Quadra Popular Portuguesa
-
Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta:
Foi da festa ou foi da gente?
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Trovadores Que Deixaram Saudades
-
HEITOR STOCKLER DE FRANÇA - Palmeira
1888 – 1975

O céu de estrelas constela
o infinito azul de Deus,
mas, nenhum dos astros vela
o fulgor dos olhos teus.
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Uma Trova sobre a Trova, do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
1916-1977

Uma trova pequenina,
tão modesta, tão sem glória,
bem pouca gente imagina,
que também tem sua história.
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Um Haicai de São Paulo/SP
-
EUGÉNIA TABOSA

no aconchego da terra
a semente
vive a espera
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O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)
Carta ao acaso


 a carta do baralho
 grande gilete
 corta sem barulho
 o olho do valete
 o rei a fio de espada
 a água e a farinha
 uma só passada
 a espada na rainha
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Uma Trova Ecológica, de Taubaté/SP
-
ANGELICA VILLELA SANTOS

Por entre o verde da mata,
permeia o rio azulado,
que nas cheias arrebata
árvores, casas e o gado.
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Uma Poesia de Ubá/MG
-
ANTONIO OLINTO
1919 – 2009
Noturno


Os rios da noite passam pelos desvãos do homem,
por todos os pedaços vazios da memória,
pelos olhos secos de tanta sombra.

É uma presença física
de palavras batidas de vida,
de silêncio oscilante da iminência do grito.

As árvores estão sós - o vento é morto
é preciso um avançar exato do gestos
para captar a vida sob as horas imóveis.

Um piano aberto na areia,
diante do mar e das pedras.
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Uma Setilha de Caicó/RN
-
PROF. GARCIA
Tive uma longa passagem
no mundo da educação,
ensinei por trinta anos
sempre naquela ilusão
de ver alguém mais feliz,
fazendo o que sempre quis
dono da própria razão.
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Uma Poesia de Porto/Portugal
-
ALBERTO DE OLIVEIRA
1873 – 1940
Bíblia do Sonho


 O Mar agita-se, como um alucinado:
a sua espuma aflui, baba da sua Dor...
Posto o escafandro, com um passo cadenciado,
Desce ao fundo do Oceano, algum mergulhador.

Dá-lhe um aspecto estranho a campânula imensa:
Lembra um bizarro Deus de algum pagode indiano:
Na cólera do Mar, pesa a sua Indiferença
Que o torna superior, e faz mesquinho o Oceano!

E em vão as ondas se enroscam à cabeça:
Ele desce orgulhoso, impassível, sem pressa,
Com suprema altivez, com ironias calmas:

Assim devemos nós, Poetas, no Mundo entrar,
Sem nos deixarmos absorver por esse Mar
- Pois a Arte é, para nós, o escafandro das Almas!
=================================
Um Soneto de Jundiaí/SP
-
WENCESLAU QUEIROZ
1863 - 1921
Revelação 

               
Nada te digo nem direi... Mas penso
que o meu olhar, quando em teus olhos pousa,
te revela em segredo alguma cousa,
alguma cousa deste amor imenso...

Minha boca - bem vês - como uma lousa
é muda, embora num desejo intenso
arda meu corarão como um incenso,
envolto no mistério em que repousa...

Que outros proclamem seu amor em frases
de fogo, alçando a voz enternecida,
cheios de gestos e expressões falazes...

Eu, não... Nada te disse nem te digo...
Mas sabes que este amor é minha vida
e que em silêncio morrerá comigo...
======================================
Uma Poesia de Longe
-
JOHANN WOLFGANG VON GOETHE - Frankfurt Am Main/Alemanha
1749 - 1832
Aos leitores amigos


Poetas não podem calar-se,
 Querem às turbas mostrar-se.
 Há de haver louvores, censuras!
 Quem vai confessar-se em prosa?
 Mas abrimo-nos sob rosa
 No calmo bosque das musas.

Quanto errei, quanto vivi,
 Quanto aspirei e sofri,
 Só flores num ramo - aí estão;
 E a velhice e a juventude,
 E o erro e a virtude
 Ficam bem numa canção.
===================
Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
-
ISRAEL DOS SANTOS
clave de dó


Ao som do piano
Não mais sorvia
Pausa nem harmonia.
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O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902 - 1987
Retorno

Meu ser em mim palpita como fora
do chumbo da atmosfera constritora.
Meu ser palpita em mim tal qual se fora
a mesma hora de abril, tornada agora.

Que face antiga já se não descora
lendo a efígie do corvo na da aurora?
Que aura mansa e feliz dança e redoura
meu existir, de morte imorredoura?

Sou eu nos meus vinte aons de lavoura
de sucos agressivos, que elabora
uma alquimia severa, a cada hora.

Sou eu ardendo em mim, sou eu embora
não me conheça mais na minha flora
que, fauna, me devora quanto é pura.
==================
Universos Melódicos
-
Zequinha de Abreu (melodia) e Duque de Abramonte (versos)
Branca (valsa, 1924) -


"Aurora", "Branca" e "Elza" são os nomes femininos que intitulam três das mais conhecidas valsas de Zequinha de Abreu. Dessas, pelo menos "Branca" seria inspirada por uma musa verdadeira, a jovem Branca Barreto, filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro, terra do compositor.
Conta João Bento Saniratto - amigo de Zequinha, citado por Almirante num artigo publicado em O Dia - que a valsa foi composta de improviso, na presença de um grupo que conversava à porta do Grêmio Literário Recreativo. Como na ocasião a moça passasse pelo local, o autor (que era seu admirador) resolveu homenageá-la na composição.
"Branca" é uma bela valsa sentimental, de melodia triste, uma característica predominante na música de Zequinha de Abreu. Composta por volta de 1918, ganhou popularidade a partir de 1924, quando teve a sua primeira edição. Mas, ao que se sabe, somente seria gravada em 1931, no mesmo disco que lançou o Tico-tico no fubá. Tem uma letra de Duque de Abramonte (Décio Abramo), embora seja uma valsa essencialmente instrumental. (Cifrantiga)


 Há tempos que a vi
Que eu a conheci
 Ela era linda, um primor, de amor
 Misto de estrela e de flor
 Mas também sofreu
Eu sei vou contar
 Pois li naquele olhar,
Cansado de chorar

 De tarde ao chegar
Os trens um a um
 Ela viu desembarcar
Um estranho tentador
 Vi Branca cismar
Num sono de amor
 Ficou logo apaixonada
Do mancebo tentador

 Mas essa flor
Não sentiu florir o amor
 Nunca o sentiu florir
Porque ele teve que partir
 Viu-o embarcar
Como um dia após o amar
 E nunca mais /
Sentiu o puro amor
 Do jovem tentador

VEJA ESTA VALSA NA INTERPRETAÇÃO DE FRANCISCO PETRÔNIO EM http://www.youtube.com/watch?v=GLs70tDoyTM

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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