Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de maio de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 42)


Uma Trova do Paraná
-
ARLENE LIMA - Maringá

Lavrador, ao fim do dia,
após a lida no chão,
tua enxada rodopia
celebrando a produção!
========================
Uma Trova sobre Esperança, do Rio de Janeiro
-
APARÍCIO FERNANDES

Pensando, na tarde calma,
logo me ocorre à lembrança
que a própria vida tem alma,
e a alma da vida é a esperança!
========================
Uma Trova Lírica/ Filosófica de Nova Friburgo/RJ
-
ELISABETH SOUZA CRUZ

Qualquer que seja o motivo
que a razão nos tente impor,
não se passa o corretivo
quando um erro é por amor.
=======================
Uma Trova Humorística, de Belo Horizonte/MG
-
MARIA DOLORES PAIXÃO LOPES

Um fantasma apaixonado,
disse à fantasma, no além:
me esquenta que estou gelado!
- Estou gelada também!...
======================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO  - Natal/RN
1951 - 2013

A “solidão” me parece,
ser um conforto sem fim…
quando um grande amor me esquece;
“Ela” se lembra de mim.
========================
Uma Trova Hispânica do Japão
-
JAVIER FERNANDO GARCIA PÁSARA

Como un arreglo floral
le das color a mis letras,
calor y punto final
como el Sol mi obra penetras.
===================
Uma Quadra Popular Portuguesa
-
Santo Antônio de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo Antônio
Que as moças lhe têm amor.
========================
Trovadores que deixaram Saudades
-
LUIZ SIMÕES JESUS – Guarapari/ES
1916 – 1993

Tu me chamaste de louco,
 mágoa nenhuma eu senti:
 - de fato o juízo é pouco
 de quem tem paixão por ti.
========================
Uma Trova sobre a Trova, do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
1916-1977

A Trova tomou-me inteiro,
tão amada e repetida,
que agora traça o roteiro
das horas da minha vida!...
========================
Um Haicai
-
OLIVIA ICEBERG

passarinha na mão
no sofá estendida
ronrona emoção
================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)
Lápide 1


 epitáfio para o corpo

Aqui jaz um grande poeta.
 Nada deixou escrito.
 Este silêncio, acredito,
 são suas obras completas.
======================
Uma Poesia de São Vicente/SP
-
CID SILVEIRA
1910 – ????
Elvira 


(Este crepúsculo espanta; .
o sol desfaz-se em estilhas
contra o dia que findou.)

Na rua, a menina canta:
- Quero uma de vossas filhas,
mato a tiro, tirorô.

(Passam duas sombras juntas,
de caminho para a igreja,
que a reza já começou.)
Fazem-se então as perguntas;
- Mas qual o senhor deseja,
- mato a tiro, tirorô?

(Luzes acendem-se. Em cada
luz, a mariposa gira,
na vertigem do seu vôo.)
Vem a resposta esperada:
- Eu quero a menina Elvira,
mato a tiro, tirorô.

(Surge o vulto venerando,
no peitoril da janela,
de um homem grave, um avô. )
E todos estão cantando:
- Mas que oficio dá pra ela,
mato a tiro, tirorô?

(Eis que um garoto se esconde;
quer ver melhor os sapatos
que o pai hoje lhe comprou.)
E a voz fraquinha responde:
- Dou oficio de lavar pratos,
mato a tiro, tirorô.

(Longe das outras, na esquina,
a menina delicada
põe-se a jogar diabolô.)
Responde a mesma voz fina:
- Esse oficio não lhe agrada,
mato a tiro, tirorô.
......................................................................
Passa o tempo. O mundo vira!
Penso na Elvira, coitada,
que nunca pratos lavou.
Porque... (coitada da Elvira... )
- é melhor não dizer nada -
mato a tiro, tirorô...
========================
Sextilhas de Carpina/PE
-
CARLOS AIRES
Esse é o Verdadeiro Amor!!!


Igual a qualquer poeta
Sou um mero sonhador
Que vagamente viaja
Nesse mundo encantador.
Passo a descrever belezas
E encantos que tem o amor

É tão nobre esse primor
Em seu grau de proporção
Acende a luz do desejo
Supera a voz da razão
E tem que ser bem guardado
Nos cofres do coração.

Pelo amor a Nação
Um jovem vai para guerra
Em favor da pátria amada
A sua vida se encerra
E assim é condecorado
Herói defensor da terra.

Eu amo meu Pé-de-Serra
Gestor dos meus ideais
A minha esposa e meus filhos
Eu prezo e amo de mais.
Amo a Deus e a natureza
A meus irmãos e meus pais

São amores fraternais
Os que aqui foram citados.
Mas vamos falar agora
Dos casais de namorados
Que numa troca de olhares
Ficam logo apaixonados

A atração dos dois lados
Vira um amor definido
No coração do casal
Logo que for atingido
E fatalmente crivado
Pela flecha de cupido

Entre mulher e marido
O amor é fundamental
É aí quando se atinge
O ponto mais crucial
Já não é só atrativo
Passa a ser amor carnal

Pra quem é sentimental
O amor é plena ternura
Mas existe o amor sádico
Que se transforma em tortura
Com seus gestos alterados
Que mais parece loucura

O amor se configura
De maneira especial
Esse dom vindo dos pais
É o puro amor paternal
E sendo a Deus representa
A grandeza Divinal

O amor é fenomenal
Não tem raça credo ou cor
Não tem pátria ou preconceito
Não quer “poder” nem “valor”
Só causa enlevo pra alma
Esse é o verdadeiro amor!
========================
Uma Poesia de Lisboa/Portugal
-
ALEXANDRE O' NEILL
(Alexandre Manuel Vahia de Castro O´Neill de Bulhões)
1924 - 1986
Ao Rosto Vulgar dos Dias


 Monstros e homens lado a lado.
Não à margem, mas na própria vida.

Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
À vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
========================
Um Soneto de Campos/RJ
-
VILMAR RANGEL
1937 -
Soneto do Amor Demais

 
Não sei conter o fogo desta chama,
este amor que me queima, cega e fere,
que não cabe em si mesmo e se transfere
a tudo que o rodeia, e tudo inflama;

é como estranha dor que se derrama
pelo corpo, pela alma, e com seu dente
vibra golpes de um gozo longo e ardente
e envolve de ternura aquele que ama;

tão numeroso amor, doido e sublime,
que a mais sábia palavra não define,
que canta, chora e morre de ciúme;

amor demais, total e delirante,
que só sossega, amor, se em ti reúne
a um tempo esposa, mãe, amiga e amante.
========================
Uma Poesia de Longe
-
WILLIAM BLAKE - Londres/Inglaterra
1757 - 1827
O Jardim do Amor


 Tendo ingressado no Jardim do Amor,
 Deparei-me com algo inusitado:
 Haviam construído uma Capela
 No meio, onde eu brincava no gramado.

E ela estava fechada; "Tu não podes"
 Era a legenda sobre a porta escrita.
 Voltei-me então para o Jardim do Amor,
 Onde crescia tanta flor bonita,

E recoberto o vi de sepulturas
 E lousas sepulcrais, em vez de flores;
 E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
 E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.

Tradução de Regina de Barros Carvalho
========================
Um Poetrix de Porto Alegre/RS
-
ALICE DANIEL
acordes


Se eu fosse um violão
queria a tua mão
tocando Lá, sem Dó

========================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902 - 1987
Acordar, Viver


 Como acordar sem sofrimento?
 Recomeçar sem horror?
 O sono transportou-me
 àquele reino onde não existe vida
 e eu quedo inerte sem paixão.

 Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
 a fábula inconclusa,
 suportar a semelhança das coisas ásperas
 de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

 Como proteger-me das feridas
 que rasga em mim o acontecimento,
 qualquer acontecimento
 que lembra a Terra e sua púrpura
 demente?
 E mais aquela ferida que me inflijo
 a cada hora, algoz
 do inocente que não sou?

 Ninguém responde, a vida é pétrea.
========================
UniVersos Melodicos
-
PIXINGUINHA e VINÍCIUS DE MORAES
Lamentos (choro, 1928)


 Morena tem pena
 Mas ouve o meu lamento
 Tento em vão
 Te esquecer

Mas olha, o meu tormento
 É tanto, que eu vivo em pranto,
 Sou todo infeliz
 Não há coisa mais triste, meu benzinho,
 Que este chorinho que eu te fiz

 Sozinho, morena
 Você nem tem mais pena
 Ai, meu bem
 Fiquei tão só
 Tem dó, tem dó de mim
Porque estou triste assim

 Por amor de você
 Não há coisa mais linda neste mundo
 Que o meu carinho por você
 Meu amor, tem dó
 Meu amor, tem dó
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
A ÁRVORE DA MONTANHA
1958


 Refrão:
A árvore da montanha / Olê aí a ô (4x)

Nesta árvore tem um galho
Ó que galho!
Belo galho!
Ai ai ai que amor de galho
O galho da árvore

Neste galho tem um ninho
Ó que ninho!
Belo ninho!
Ai ai ai que amor de ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Neste ninho tem um ovo
Ó que ovo!
Belo ovo!
Ai Ai Ai que amor de ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Neste ovo tem um pássaro
Ó que pássaro!
Belo pássaro!
Ai ai ai que amor de pássaro
O pássaro do ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Nesse pássaro tem uma pena
Ó que pena!
Bela pena!
Ai ai ai que amor de pena
A pena do pássaro
O pássaro do ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Nessa pena tem uma flecha
Ó que flecha!
Bela flecha!
Ai ai ai que amor de flecha
A flecha da pena
A pena do pássaro
O pássaro do ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Nessa flecha tem uma fruta
Ó Que fruta!
Bela fruta!
Ai ai ai que amor de fruta
A fruta da flecha
A fecha da pena
A pena do pássaro
O pássaro do ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore

Nessa fruta tem uma árvore
Ó Que árvore!
Bela árvore!
Ai ai ai que amor de árvore
A árvore da fruta
A fruta da flecha
A flecha da pena
A pena do pássaro
O pássaro do ovo
O ovo do ninho
O ninho do galho
O galho da árvore
(Fonte: Cifrantiga)

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to