Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 27 de maio de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 43)

Uma Trova do Paraná
-
APOLLO TABORDA FRANÇA - Curitiba

Saudade não tem idade
e do amor é conseqüência...
Dá-nos carga de ansiedade,
coração em turbulência!
========================
Uma Trova sobre Esperança, do Rio de Janeiro
-
EDGAR BARCELOS CERQUEIRA

A esperança é como um sopro
de vida, dado por Deus.
é o dia, depois da noite,
é a volta, depois do adeus.
========================
Uma Trova Lírica/ Filosófica do Distrito Federal
-
ANTÔNIO CARLOS TEIXEIRA PINTO

Fibra, amor, eu tive um dia:
Foi triste a separação...
- apertei-te a mão vazia
e enchi de adeus minha mão!
=======================
Uma Trova Humorística, de Ribeirão Preto/SP
-
RITA M.MOURÃO

De minissaia,acoroa
tenta a sorte... lá na praça.
De longe alguém diz: - "É boa...
Mas de perto... assusta a caça.
======================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO  - Natal/RN
1951 - 2013

Após causar desencantos
e nos fazer peregrinos,
a seca fez chover prantos
nos olhos dos nordestinos!
========================
Uma Trova Hispânica da Venezuela
-
CARLOS RODRIGUEZ SANCHEZ

Que no me toquen merengue
si en la iglesia voy a estar;
pues aunque el cura me arengue,
voy a tener que bailar.
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Uma Quadra Popular Portuguesa
-
Tem um decote pequeno,
Um ar modesto e tranqüilo;
Mas vá-se lá descobrir
Coisa pior do que aquilo!
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Trovadores que deixaram Saudades
-
DELMAR GERALDO BARRÃO – Rio de Janeiro/RJ
1916 – ????

Talvez eu fosse feliz
se conseguisse esquecer
o bem que pude e ‘não fiz,
o mal que fiz sem querer.
========================
Uma Trova sobre a Trova, do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
1916-1977

Digo tudo sem receio…
Sei amor que não aprovas.
Meu coração retalhei-o
e, de pedaços, fiz Trovas…
========================
Um Haicai de Itabira /Minas Gerais
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O senhor cultiva
epigramas?
Não, só a grama do meu jardim.
================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)
Lápide 2


 epitáfio para a alma

aqui jaz um artista
 mestre em desastres

viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
======================
Uma Poesia de São Paulo/SP
-
JOÃO DA ILHA
(Ciro Vieira da Cunha)
1897 - 1976
Variações  Sobre a Saudade


Saudade! teu olhar longo e macio
Derramando doçura em meu olhar...

Um bocado de sol sentindo frio,
Uma estrela vestida de luar...

Saudade! pobre beijo fugidio
Que tanto quis e não cheguei dar...
A mansidão inédita de um rio
Na volúpia satânica do mar...

Saudade! o nosso amor... o teu afago...
O meu carinho... o teu olhar tão lindo...
Um pedaço de céu dentro de um lago...

Saudade! um lenço branco me acenando...
Uma vontade de chorar sorrindo,
Uma vontade de sorrir chorando
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Uma Septilha
-
ANÍZIO


Poeta não se encontra
Poeta não tem pra se achar
Poeta é joia polida
Dificil de se encontrar
Não tem como se fazer
Nem mesmo tem pra vender
Se tiver não prestará.
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Uma Poesia de Viana do Castelo, Costa Verde/Portugal
-
AMADEU TORRES
Proesemar Facilidades


 Métrica, rima, ritmos, a parafernália
 Usual, secular caiu de escantilhão
 Nalguns, acaso e sorte tentam ritmaçào,
 Mas os versos protestam como em represália.

Prosa e verso já calçam a mesma sandália
 E aplaudem Mallarmé só por embirraçâo
 Co´a diferença e leis de discriminação,
 Não obstante as lições da Fonte de Castália.

 Mas quem quer lição hoje de outrem, afinal,
 Se o raso quer assentar praça em general
 E o poetrasto bisonho é Camões em Constância?

 Fazem-me rir a crítica e a sua bitola:
 Muita vez, não se sabe quem lidera a bola,
 Se a amizade, a nesciência, a cor, a petulância.
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Um Soneto de Santos/SP
-
VICENTINA MESQUITA DE CARVALHO
1890 - 1955
 Soneto X "

                
Houve quem me dissesse: - "A minha vida
depende só do que você me der".
E eu, femininamente distraída,
nada lhe dei, nem prometi sequer.

De outros ouvi a frase sempre ouvida:
"Meu amor será seu quando quiser..."
Mas deixaram apenas comovida
minha tola vaidade de mulher.

Depois, mais tarde, alguém, indiferente,
passou por mim, e, desvairada e cega,
segui em seu encalço, inutilmente...

E, desde então, minha alma não sossega
e vive da esperança, tão somente,
de um pouco desse amor que ele me nega.
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Poesia de Longe
-
WILLIAM CARLOS WILLIAMS - Nova Jersey/EUA
1883 - 1963
O Lavrador

 

Perdido em pensamentos o
 lavrador passeia sob a chuva
 por seus campos vazios, mãos
 nos bolsos,
 na cabeça
 a colheita já plantada.
 Um vento frio vem encrespar a água
 entre as ervas tostadas.
 Por toda parte
 o mundo rola friorento para longe:
 negros pomares
 escurecidos pelas nuvens de março -
 deixando espaço livre aos pensamentos.
 Lá embaixo, além da galharia
 rente
 ao carreiro encharcado de chuva
 assoma a figura artista do
 lavrador - compondo
 - antagonista

Tradução: José Paulo Paes
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Um Poetrix do Rio de Janeiro
-
LILIAN MAIAL
semeando


Para plantar,
Na terra a pá cava,
No livro a pa lavra.
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O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902 - 1987
Amar

 

Que pode uma criatura senão,
 entre criaturas, amar?
 amar e esquecer,
 amar e malamar,
 amar, desamar, amar?
 sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
 sozinho, em rotação universal, senão
 rodar também, e amar?
 amar o que o mar traz à praia,
 o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
 é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
 o que é entrega ou adoração expectante,
 e amar o inóspito, o cru,
 um vaso sem flor, um chão de ferro,
 e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
 de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
 distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
 doação ilimitada a uma completa ingratidão,
 e na concha vazia do amor a procura medrosa,
 paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
 amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
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UniVersos Melodicos
-
JOUBERT DE CARVALHO e OLEGÁRIO MARIANO
Tutu Marambá (canção, 1929)

 
Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições. (Cifrantiga)

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De tanta alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
A única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Ronda o berço
O menino está dormindo
Então a vó de maldizente
Vai cantando no finalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...
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Uma Cantiga Infantil de Roda
-
VINÍCIUS DE MORAES/TOQUINHO
A Aula de Piano
(LP A Arca de Noé - 1980)


Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegar
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim

Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a mão daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E a agora o sol, fá
Pra lição acabar

Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
E finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade, tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela menina e bela
Abria o berrador
(Fonte: Cifrantiga)
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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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