Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 28 de maio de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 44)


Uma Trova do Paraná
-
CAMILO BORGES NETO - Curitiba

Faixa, amigo, é garantia,
do pedestre ajuizado,
pra não ir parar um dia,
no hospital... Todo quebrado!

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Uma Trova sobre Esperança, de Juiz de Fora/MG
-
DINARTE BARBOSA ARMOND

Esperança - chama acesa
no coração a brilhar.
quando ela morrer, a tristeza
vem tomar o seu lugar
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de São Paulo/SP
-
SELMA PATTI SPINELLI

Quando me pego tristonho,
de pensamento disperso,
tiro um sonho de outro sonho,
vou passear no universo!
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Uma Trova Humorística, de Ribeirão Preto/SP
-
NILTON MANOEL

Leia a sorte, meu senhor!
- Que sorte tenho,cigana?
Mão de pobre professor
vive sem linhas e grana.
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Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO  - Natal/RN
1951 - 2013

A pergunta é meio louca,
mas, conhecendo o roteiro;
quero é dar beijo na boca…
“Vida boa é de solteiro”!
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Uma Trova Hispânica de Porto Rico
-
ELENA GUEDE ALONSO

¡Vamos todos a bailar
que el merengue nos conquista
y a su música sin par
no hay nadie que se resista!
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Uma Quadra Popular Portuguesa
-
Aquela loura de preto
Com uma flor branca no peito,
É o retrato completo
De como alguém é perfeito.
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Trovadores que deixaram Saudades
-
SÓLON BORGES DOS REIS– Casa Branca/SP
1917 – 2007

O tempo não pára, escoa,
sim, o tempo não demora.
Há quem diga que ele voa
mas o certo é que evapora.
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Uma Trova sobre a Trova, do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
1916-1977

Dura menos que um suspiro
ou como a folha que cai…
Mas quando penetra na alma,
a Trova fica… Não sai…
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Um Haicai
-
JANDIRA MINGARELLI

dia de sol -
até o canto do passarinho
tem cor
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O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)
O mínimo do máximo


 Tempo lento,
 espaço rápido,
 quanto mais penso,
 menos capto.
 Se não pego isso
 que me passa no íntimo,
 importa muito?
 Rapto o ritmo.
 Espaçotempo ávido,
 lento espaço dentro,
 quando me aproximo,
 simplesmente me desfaço,
 apenas o mínimo
 em matéria de máximo
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Uma Poesia do Rio de Janeiro/RJ
-
DIRCEU QUINTANILHA
1918 - 1995
Poema do Arranha-Céu


Veste o vestido cor da noite,
Eu hoje vou embebedar-me de valsas
Para poder chorar...

Veste o vestido das noites
Sem estrelas.
Quero a pureza de uma dama antiga
Dentro de ti.
Dá-me amor, apenas.
O mais puro. O mais humano.
Quero sol na tua sensibilidade.

Eu hoje quero amar.'
Na ausência de todos os sonhos,
Aquela que tu foste...
A inocência do primeiro espanto.
E a queda no vazio
Na vertigem dos mundos descobertos...
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Uma Septilha de Batatais/SP
-
LEANDRO RAIMUNDINI


Meu corpo junto do seu
vira fonte de calor
que aquece meu coração
pois as chamas tem fervor
e assim seu quente beijo
realiza meu desejo
com o seu fogo do amor.
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Uma Poesia de Armamar, Alto Douro/ Portugal
-
AMÉRICO TEIXEIRA MOREIRA


Podemos dizer coisas enternecidas
diálogos de silêncios fugidios
frases quebradas na cumplicidade
de um tempo em fuga - imensa ternura
que nada brilhará mais no amor
que a voz inesgotável do corpo.
As palavras envelheceram no fingimento
- ácida angústia dos amantes
azul longo ardendo nas bocas
revelar ausência total do corpo.
Gesto da vida.
Chama de sangue.
Leve magia, submerso desejo
quando um frágil vazio
nos vem dizer pausa imensa.
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Um Soneto de Santos/SP
-
VICENTE AUGUSTO DE CARVALHO
1866 - 1924
Soneto (alma serena) 


Alma serena e casta, que eu persigo
com o meu sonho de amor e de pecado,
abençoada seja, abençoado
o rigor que te salva, e é meu castigo.

Assim desvies sempre do meu lado
os teus olhos; nem ouças o que eu digo;
e assim possa morrer, morrer comigo,
esse amor, criminoso e condenado.

Sê sempre pura! Eu com denodo enjeito
uma ventura obtida com teu dano,
bem meu, que de teus males fosse feito.

Assim penso, assim quero, assim me engano...
Como se não sentisse que, em meu peito
pulsa o covarde coração humano! . . .
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Uma Poesia de Longe
-
WILLIAM SHAKESPEARE- Stratford-upon-Avon/Inglaterra
1564 - 1616
Há quem diga


 Há quem diga que todas as noites são de sonhos...
 Mas há também quem diga nem todas...
 Só as de verão...
 Mas no fundo isso não tem muita importância...
 O que interessa mesmo não são as noites em si...
 São os sonhos...
 Sonhos que o homem sonha sempre...
 Em todos os lugares, em todas as épocas do ano...
 Dormindo ou acordado...
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Um  Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
-
ELIANA MORA
furo de reportagem


De mim sou fato
notícia que não deu
no teu jornal
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O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902 - 1987
O Amor Bate na Aorta


 Cantiga de amor sem eira
 nem beira,
 vira o mundo de cabeça
 para baixo,
 suspende a saia das mulheres,
 tira os óculos dos homens,
 o amor, seja como for,
 é o amor.

 Meu bem, não chores,
 hoje tem filme de Carlito.

 O amor bate na porta
 o amor bate na aorta,
 fui abrir e me constipei.
 Cardíaco e melancólico,
 o amor ronca na horta
 entre pés de laranjeira
 entre uvas meio verdes
 e desejos já maduros.

 Entre uvas meio verdes,
 meu amor, não te atormentes.
 Certos ácidos adoçam
 a boca murcha dos velhos
 e quando os dentes não mordem
 e quando os braços não prendem
 o amor faz uma cócega
 o amor desenha uma curva
 propõe uma geometria.

 Amor é bicho instruído.

 Olha: o amor pulou o muro
 o amor subiu na árvore
 em tempo de se estrepar.
 Pronto, o amor se estrepou.
 Daqui estou vendo o sangue
 que corre do corpo andrógino.
 Essa ferida, meu bem,
 às vezes não sara nunca
 às vezes sara amanhã.

 Daqui estou vendo o amor
 irritado, desapontado,
 mas também vejo outras coisas:
 vejo beijos que se beijam
 ouço mãos que se conversam
 e que viajam sem mapa.
 Vejo muitas outras coisas
 que não ouso compreender.
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UniVersos Melodicos
-
CHIQUINHA GONZAGA, LUIZ PEIXOTO e HECKEL TAVARES
Casa de caboclo (canção, 1929)


Os versos desta canção "Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais", consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.
Autores de "Casa de Caboclo", Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse "Casa de Caboclo" plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: "Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga".


Você tá vendo essa casinha simplesinha
Toda branca de sapê
Diz que ela vIve no abandono não tem dono
E se tem ninguém não vê

Uma roseira cobre a banda da varanda
E num pé de cambuçá
Quando o dia se alevanta Virge Santa
Fica assim de sabiá

Deixa falá toda essa gente maldizente
Bem que tem um moradô
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
O maió dos cantadô

Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
Pôs a mão no coração
Ela pegou não disse nada deu risada
Pondo os oinho no chão

E se casaram, mas um dia, que agonia
Quando em casa ele voltou
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
Tava lá Mané Sinhô

Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
Escrevero por detrás:
“Numa casa de caboclo um é pouco
Dois é bom, três é demais”
(Fonte: Cifrantiga)
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Uma Cantiga Infantil de Roda

TOM JOBIM & VINICIUS DE MORAES-
A cachorrinha – LP A Arca de Noé 2 - 1981


   Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!
Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?

Uau, uau, uau, uau!
Uau, uau, uau, uau!
Uau, uau, uau, uau!
(Fonte: Cifrantiga)
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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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