Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 21 de julho de 2013

Dulce Rodrigues (1941) autobiografia

Lisboa, 29 de Abril de 1941.

O meu nome é Dulce Rodrigues e sou a autora de A Aventura do Barry e outros livros infanto-juvenis em português, francês, inglês e alemão, assim como do sítio multilingue para crianças e jovens www.barry4kids.net.

Nasci num dia de Primavera, já lá vão muitos anos... "Alfacinha" e portuguesa de nacionalidade e de coração, vivi grande parte da minha vida na cidade que me viu nascer. Mas embora traga Lisboa e o meu belo Portugal sempre no coração, a minha “aventura” profissional levou-me a outras cidades e países. Durante cerca de quarenta anos, reparti a minha vida profissional entre o meu país de origem - que adoro - e os países estrangeiros que adoptei e que me adoptaram. Isso tem-me permitido divulgar mais facilmente a enorme riqueza cultural do meu país e conhecer de perto novas gentes e mentalidades, o que inevitavelmente abriu o meu horizonte espiritual e influenciou a minha própria vivência.

Divido agora o meu tempo entre as viagens afectivas ou de lazer, e os livros - como leitora e como autora. Escrever, sobretudo para crianças, é fonte de grande prazer e realização pessoal.

E porque a língua é a alma de um povo, a melhor maneira que encontrei para compreender os outros foi aprender a língua deles. Sou poliglota, falo seis línguas vivas e escrevo regularmente pelo menos em três, o que me permitiu ganhar quatro prémios em concursos literários internacionais com contos para crianças em três línguas.

Os meus verdes anos passei-os no Bairro da Encarnação. Os meus pais mudaram-se para lá na véspera dos meus quatro anos. Ali frequentei a escola e encontrei os primeiros amigos e amigas, e muitas dessas amizades perduraram através do tempo; algumas, infelizmente, já nos deixaram prematuramente.

Fui uma adolescente como tantas outras, mas nesse período da minha vida começou a manifestar-se o meu interesse pela escrita, pela Ciência e pela História... Circunstâncias várias levaram-me, contudo, a seguir primeiramente o campo das Letras. Talvez porque comecei cedo a contactar com Alemães, uma vez que o meu pai praticamente sempre trabalhou na Siemens em Portugal, apaixonei-me pela língua alemã, e logo após ter terminado o meu curso do British Council, inscrevi-me no Goethe-Institut, que alguns anos mais tarde me ofereceu uma bolsa de estudos, o que me levou a viver pela primeira vez num país estrangeiro e a começar a tomar verdadeiramente gosto pelas viagens.

Regressei a Portugal, mas o apelo da Alemanha, que para uma jovem adulta da época representava a aventura e a liberdade, foi mais forte. Assim começou uma carreira professional internacional que interrompi para voltar de novo para Portugal. Mas alguns anos depois parti novamente. E como a vida às vezes nos prega partidas, embora eu seja contra a guerra e contra tudo o que é violência, a verdade é que as minhas vivências profissionais no entrangeiro me levaram sempre a trabalhar com organizações de carácter bélico. Nos anos 60, na Alemanha, fui tradutora de inglês/alemão junto do ENGCOMEUR, por outras palavras, do Comando de Engenharia das Forças Armadas Norte-americanas na Europa, entidade que pertencia ao Ministério da Defesa dos Estados Unidos. Anos mais tarde, já nos anos 80 e no Luxemburgo, fiz parte do pessoal internacional da NAMSA, ou seja, da agência que faz a manutenção e reparação de material bélico para os países que pertencem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Foi esta organização que me ofereceu a minha segunda bolsa de estudos, quando paralelamente à minha actividade profissional me decidi a pisar de novo os campos universitários, desta vez com uma universidade inglesa, para finalmente realizar o meu sonho no campo da Ciência.

Tenho uma grande ânsia de aprender sempre e cada vez mais, e todos os assuntos me fascinam. A História é outra das minhas paixões, especialmente a de Portugal, e dela tenho feito o tema das minhas conferências. Adoro viajar e sou um pouco como o vento - sempre em constante deslocação. Mas aprecio igualmente o aconchego da minha casa, quer seja a de Portugal ou a da Bélgica. Sou uma apaixonada pela Natureza, pela sua grandeza e diversidade. Aprecio todas as formas de expressão artística, desde que elas nos transmitam Beleza, pelo que sinto uma grande tristeza quando penso na Arte - se é que podemos dar-lhe esse nome - que nos legou o final do século XX e com que se estreou o século XXI. E porque amo a Vida, ela também tem sabido amar-me.

Sou membro de várias associações, tanto em Portugal como no estrangeiro.

BIBLIOGRAFIA:
“Era Uma Vez Uma Casa”;
“Piloto e Lassie, uma outra estória de Romeu e Julieta”;
“Há Festa no Céu”;
“O Pai Natal está constipado”;
“A Aventura do Barry”; 
“Barry’s Adventure”;
“Father Christmas has the Flu”;
“Il était une fois une Maison   ;
“Le Ciel est en Fête” ;
“Le Théâtre des Animaux” ;
“Piloto und Lassie, Romeo und Julia einmal tierisch anders";
"Der Weihnachtsmann ist verschnupft";
"Travelogue – Egypt through the Eyes of a Western Woman”

Fonte:
http://www.dulcerodrigues.info/dulce/pt/bio_pt.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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