Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 6 de julho de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 74)


Uma Trova do Paraná
-
VANDA FAGUNDES QUEIROZ - Curitiba

Olhando do meu terraço
o céu que ilumina a rua,
com enlevo um gesto eu faço...
e quase que abraço a lua!
========================
Uma Trova sobre Esperança, de Maranguape/CE
-
MOREIRA LOPES

Acalento tanto sonho
dos meus tempos de criança
que me conservo risonho
e repleto de esperança.
 ========================
Uma Trova Lírica/ Filosófica de Caicó/RN
-
PROF. GARCIA

Mãe que tem fé, não se esquece,
de orar pelos filhos seus!...
Pois, no silêncio da prece,
Toda mãe fala com Deus!
=======================
Uma Trova Humorística, de Niterói/RJ
-
ALBA HELENA CORRÊA

No samba, queixou-se a Inês,
do abuso de um mascarado,
o levaram pro xadrez
-era o próprio delegado!!!
======================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO 
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN

Com os temas mais dispersos,
eu mesmo me fiz enchente
numa enxurrada de versos
jorrando da minha mente…
========================
Uma Trova Hispânica da Venezuela
-
LUIS ALFREDO RIVAS MAZZEI

Dios de nubes con su manto
ellas conversan dormidas
sollozan aguas de llanto
para mostrar sus heridas.
===================
Uma Trova sobre Paz , de São Paulo/SP
-
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

Sem ódio... sem armamento...
sem heróis, que a guerra faz,
será, o mundo, um monumento
erguido em nome da PAZ!
========================
Trovadores que deixaram Saudades
-
CUSTÓDIO DE AZEVEDO BEIRAL
Piúma/ES  (1915 – 1999)

Dissipa as sombras. Avante!
Canta os versos que puderes
e acenderás adiante
as estrelas que quiseres!
========================
Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP

Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição...
========================

Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981

"Que levas tu na mochila?"
Diz ao corcunda um peralta.
E o corcunda: - "A alma tranqüila
e a educação que te falta."
====================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)


essa idéia
ninguém me tira
matéria é mentira
======================
Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ

Amar é obra perdida
mas, que dissessem, queria,
se não fosse amar na vida,
a vida, que valeria?!
======================
O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP
A Insônia


Furo a terro fria.
No fundo, em baixo do mundo,
trabalha-se: é dia.
==============================
Uma Poesia de Itapema/SC
-
PEDRO DU BOIS
Amores


Sim, sou náufrago seco em versos
vaso despossuído em terras aradas
e os arreios com que me prendo
impávido animal terrestre

só não sou espaço
que a vertigem
tolhe meus passos

nem submerso instante
de seres em guelras tranversas

no bolso o dinheiro da venda
e mãos trêmulas na entrega

sim, sou o coração sangrado
onde o infausto se faz condizente
com o corpo movimentado
sob lençóis tão limpos

na mão direita o sincopado som
do exterior comprimido e composto
em desgraças e alegrias fúteis.
========================
O Universo de Pessoa
-
Fernando Pessoa
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


Velha cadeira deixada
No canto da casa antiga
Quem dera ver lá sentada
Qualquer alma minha amiga.
========================
Uma Poesia de Portugal
-
VITÓRIO NEMÉSIO
A Concha


A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
========================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ
Canção Triste


Vivemos novamente como dois seres cerimoniosos
quando chego me beijas como a uma amiga na rua,
não te despes na minha frente, tão diferente daquele tempo
em que a tinha em meus braços despudorada e nua...

E um arrepio ainda estremece os meus desejos lassos...
Muitas vezes me pergunto: então isto é o amor?
Quero ser o que fui, prometo que te tomarei nos braços
que te enlouquecerei como antigamente, sem nenhum pudor...

Ao tentar entretanto, percebo o vão desejo,
reconheço que há uma ternura entre o vago e o fastio,
mas não consigo vencer esta estranha distância
e ir além das minhas forças, ressuscitar essa ânsia...

Às vezes penso, em desespero, que talvez se fugíssemos
não sei pra onde, mas pra longe, entre sombras e muros,
se pudesse ser de novo a fresca e imprevista flor,
talvez nos reencontrássemos mais forte e mais puros
e no grande isolamento ressuscitássemos o amor...

Que fazer, meu amor ? Há de soar diferente de outros tempos
minha voz a te repetir: - que fazer, meu amor ?
Sinto que levo nos braços por desesperado caminho
um sonho que em vão floriu e em vão frutificou!

Tu sabes bem que ainda te amo, e eu percebo que me amas,
qualquer coisa ainda há, talvez, para salvar o amor,  
não vamos deixá-lo assim abandonado em meus braços
em meus braços pesados de angústia e de amargor . . .


Talvez ainda viajemos juntos, ainda nos encontremos
para as nossas emoções, se somos jovens e há tempo...
Aterroriza-me pensar que se o deixarmos morrer
seremos também arrastados para a desolação irremediável
e nada restara de nós, quando a última onda o envolver!
============================
Um Soneto de São João da Barra/RJ
-
ANTONIO BRAGA
1898 – ????
Carro de Bois...


A pensar neste amor, nesta tarde cinzenta,
tão distante de ti - primavera gloriosa -
paira o meu triste olhar pela estrada poeirenta,
onde um carro de bois segue em marcha morosa.

Rola o carro a gemer nessa música lenta
que me faz recordar tanta coisa saudosa!
Velho carro de bois! O seu gemer aumenta
esta ânsia que me põe toda a alma dolorosa.

Eu invejo, afinal, esse carro gemente,
que parece ter alma e parece que sente
a tristeza do amor que palpita em nós dois...   

Coração! Coração! A saudade é infinita.
E não podes gritar como esse carro grita,
e não podes gemer qual o carro de bois! . . .
========================
Uma Poesia Além Fronteiras
-
ULLA HAHN
Alemanha (1946)
Pré- Escrita


 Esta Saudade
de te chamar pelo nome
Este receio
de te chamar pelo nome

 Esta saudade
de manter a palavra
Este receio
de apenas manter a palavra

 Esta saudade de uma vida
que não dê em poema
Este receio de um poema
que antecipe a vida.
=====================
Um Poetrix de São Sebastião/SP
-
REGINA ROMEIRO
Primavera


Primavera ri
Bocas em florescentes
Dizeres por ti
========================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902 - 1987
Carta


Bem quisera escrevê-la
com palavras sabidas,
as mesmas, triviais,
embora estremecessem
a um toque de paixão.
Perfurando os obscuros
canais de argila e sombra,
ela iria contando
que vou bem, e amo sempre
e amo cada vez mais
a essa minha maneira
torcida e reticente,
e espero uma resposta
mas que não tarde: e peço
um objeto minúsculo
só para dar prazer
e quem pode ofertá-lo;
diria ela do tempo
que faz do nosso lado;
as chuvas já secaram,
as crianças estudam,
uma última invenção
(inda não é perfeita)
faz ler nos corações,
mas todos esperamos
rever-nso bem depressa.
Muito depressa, não.
Vai-se tornando o tempo
estranhamente longo
à medida que encurta.
O que ontem disparava,
desbordado alazão,
hoje se paralisa
em esfinge de mármore,
e até o sono, o sono
que era grato e era absurdo
é um dormir acordado
numa planície grave.
Rápido é o sono, apenas,
que se vai, de mandar
notícias amorosas
quando não há amor
a dar ou receber;
quando só há lembrança,
ainda menos, pó,
menos ainda, nada,
nada de nada em tudo,
em mim mais do que em tudo,
e não vale acordar
quem acaso repousa
na colina sem árvores.
Contudo, esta é uma carta.
========================
UniVersos Melodicos
-
JOUBERT DE CARVALHO
Lembro-me ainda
(valsa, 1936)

 

O amor que desfolhei
Viveu na luz das madrugadas
As noites enluaradas
Que passam...
Levando em seu destino
Os nossos corações
Que se deixam levar à toa
Nas mais ingênuas ilusões
Que são um grande amor
Perdoa...

Lembro-me ainda
De um beijo que você me deu
Guardo na boca
Esse beijo que você esqueceu
No momento que mais desejava
Ter na boca
A boca que me atormentava
Amor...!

Lembro-me que ainda
Que foi por seus olhos bizarros
Que os meus olhos molhados
Por variaram pela noite adentro
E pelas madrugada
O amor e depois
Mais nada...
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
O MEU GALINHO

 

Há três noites que eu não durmo, ola lá !
Pois perdi o meu galinho, ola lá !
Coitadinho, ola lá ! Pobrezinho, ola lá !
Eu perdi lá no jardim.

Ele é branco e amarelo, ola lá !
Tem a crista vermelhinha, ola lá !
Bate as asas, ola lá ! Abre o bico, ola lá !
Ele faz qui-ri-qui-qui.

Já rodei em Mato Grosso, ola lá !
Amazonas e Pará, ola lá !
Encontrei, ola lá ! Meu galinho, ola lá !
No sertão do Ceará !

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to