Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 13 de julho de 2013

Olga Agulhon* (Concursos da Academia de Letras de Maringá :Histórico) Parte 2, final

    Com a participação e o apoio de todos os escritores, amigos, prefeitura, imprensa, empresas e parceiros, que nos ajudam a tornar possível a realização desses concursos literários, novamente plantamos... Nasceu o IV Concurso Literário “Cidade de Maringá”, que atingiu estrondoso sucesso, recebendo inscrição de 1.197 textos de escritores de quase todos os estados brasileiros e várias regiões de Portugal, sendo 153 sonetos, 659 trovas, 14 textos de dramaturgia, 227 poemas e 144 crônicas.
 
Nessa quarta edição do concurso homenageamos, como nome dos troféus: Divanir Braz Palma, mecenas e grande incentivador da literatura maringaense; o artista plástico Reynaldo Costa, criador do brasão de nossa Academia; o filósofo, educador e diretor do SESC de Maringá, Antonio Vieira; e os acadêmicos Francisco Jorge Ribeiro e Antonio Facci, falecidos em 2008.

    Fizemos ainda uma homenagem póstuma a Antonio Roberto Fernandes e Nádia Huguenin, dois grandes escritores, e amigos, que faleceram em novembro de 2008.
A partir desse certame, valorizando ainda mais o troféu a ser conquistado por cada um dos talentosos escritores participantes, passamos a premiar, como vencedores, dez textos em trova e apenas cinco nas demais modalidades.

Uma novidade foi a inserção da modalidade dramaturgia, que nos proporcionou a grata satisfação de conhecer belíssimas peças, dentre as quais apenas uma foi premiada, conforme o regulamento do concurso.

Os vencedores na modalidade trova – troféu Francisco Jorge Ribeiro, foram:
Arlindo Tadeu Hagen (Belo Horizonte - MG),
Darly O. Barros (São Paulo - SP),
Domingos Freire Cardoso (Ílhavo - Portugal),
Edna Valente Ferracini (São Paulo - SP),
Francisco José Pessoa (Fortaleza - CE),
José Messias Braz (Juiz de Fora - MG),
José Ouverney (Pindamonhangaba - SP),
Maria de Fátima S. Oliveira (Juiz de Fora - MG),
Neide Rocha Portugal (Bandeirantes - PR) e
Pedro Ornellas (São Paulo - SP).

    Na modalidade poema livre – troféu Divanir Braz Palma, foram vencedores:
Antônio Rosalvo Accioly (Nova Friburgo – RJ),
Danieli Aparecida dos Santos Benatti (Maringá – PR),
Emerson Mário Destefani (Maringá – PR),
Maurício Cavalheiro (Pindamonhangaba – SP) e
Vilmar Ferreira Rangel (Campos dos Goytacazes - RJ).

Vencedores na modalidade soneto – troféu Reynaldo Costa:
Edmar Japiassú Maia (Rio de Janeiro - RJ),
Jaime Pina da Silveira (São Paulo - SP),
Lucília A. T. Decarli (Bandeirantes - PR),
Maria Helena Oliveira Costa (Ponta Grossa - PR) e
Neide Rocha Portugal (Bandeirantes - PR). 

Na modalidade crônica – troféu Antonio Facci, os vencedores foram:
Élbea Priscila de Sousa e Silva (Caçapava - SP),
Maria José Lindgren Alves (Rio de Janeiro - RJ),
Renato Benvindo Frata (Paranavaí - PR),
Sebas Sundfeld (Tambaú - SP) e
Volpone de Souza (Bragança Paulista - SP). 

    A vencedora da modalidade dramaturgia – troféu Antônio Vieira – foi Coracy Teixeira Bessa (Salvador - BA), com a peça O rio azul, que durante a festa de premiação, nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2009, foi encenada pela Companhia Teatro & Ponto Produções Artísticas, com a direção de Márcio Alex Pereira.

    A festa de premiação aconteceu juntamente com o IV Encontro das Academias de Letras do Paraná, que teve a participação de presidentes e outros representantes de 16 academias de letras, sendo algumas de outros estados brasileiros.

        Além da encenação da peça teatral vencedora, o evento contou com uma extensa programação, da qual destacamos:
apresentação da dupla Pedro Ornellas e Campos Sales, Os Trovadores do Campo;
Oficina de Haicai ministrada pela escritora Lena de Jesus Ponte, do Rio de Janeiro – RJ;
apresentação de “A música erudita e seus poemas”, com o pianista Júlio Enrique Gómez e a poetisa Roza de Oliveira, de Curitiba – PR;
apresentação do espetáculo “O menino que ganhou uma boneca”, com a Cia. Teatral Tipos & Caras, texto e direção da acadêmica Majô Baptistoni; e
show com o grupo Novo Trio, de Maringá – PR.

A comissão julgadora do IV Concurso Literário “Cidade de Maringá” foi composta pelos acadêmicos: Antonio Augusto de Assis, Antonio Roberto de Paula, Dari Pereira, Florisbela Margonar Durante, Hulda Ramos Gabriel, Jaime Vieira, Jeanette Monteiro De Cnop, Luiz Alexandre Solano Rossi, Majô Baptistoni, Maria Eliana Palma, Nilsa Alves de Melo, Olga Agulhon e Rogério Recco.

Depois veio o V Concurso Literário “Cidade de Maringá”, com 936 textos inscritos (597 trovas, 82 sonetos, 151 poemas livres e 106 crônicas), consagrando alguns escritores e revelando outros.

Nessa quinta edição do certame homenageamos como nome dos troféus: Antonio Mestriner, coordenador do “Prêmio de Leitura Rotary Club de Maringá” desde 1989; o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor dos best-sellers “1808” e “1822”; e os acadêmicos Cássia Arruda e Emílio Germani, que nos deixaram, respectivamente, em novembro de 2009 e junho de 2010.

    Fizemos ainda uma homenagem póstuma aos escritores Fernando Vasconcelos e Milton Nunes Loureiro, que faleceram em 2010, deixando a saudade plantada no coração de inúmeros amigos trovadores.

Na modalidade trova – troféu Emílio Germani, destacaram-se como vencedores:
Arlindo Tadeu Hagen (Belo Horizonte - MG),
Carolina Ramos (Santos - SP),
Éderson Cardoso de Lima (Niterói - RJ),
Héron Patrício (São Paulo - SP),
Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro - RJ),
José Ouverney (Pindamonhangaba - SP),
Márcia J. de Barros Moreira (Juiz de Fora - MG),
Maria Helena Oliveira Costa (Ponta Grossa - PR),
Maria Lúcia Daloce (Bandeirantes - PR) e
Neide R. Portugal (Bandeirantes - PR).

Em soneto – troféu Antonio Mestriner, venceram:
Alba Helena Corrêa (Niterói - RJ),
Edmar Japiassú Maia (Rio de Janeiro - RJ),
Gilson Faustino Maia (Petrópolis - RJ),
José Messias Braz (Juiz de Fora - MG) e
Lucília Alzira Trindade Decarli (Bandeirantes - PR).

Premiados na modalidade poema livre – troféu Cássia Arruda:
Antônio Rosalvo R. Accioly (Nova Friburgo - RJ),
Carlos Brunno Silva Barbosa (Valença - RJ),
Larí Franceschetto (Veranópolis - RS),
Roberto Resende Vilela (Pouso Alegre - MG) e
Rosana Dalle Leme Celidonio (Pindamonhangaba - SP).

Na modalidade crônica – troféu Laurentino Gomes, os vencedores foram:
André Telucazu Kondo (Jundiaí - SP),
Élbea Priscila de Sousa e Silva (Caçapava - SP),
Fábio Augusto Antea Rotilli (Maringá - PR),
Renato Benvindo Frata (Paranavaí - PR) e
Sebas Sundfeld (Tambaú - SP).

A festa de premiação foi realizada nos dias 24, 25 e 26 de junho de 2011, com uma rica programação. Na noite cultural do primeiro dia, aberta ao público, houve o lançamento dos livros:
Coletânea 2011 da ALM;
o livro do concurso, com os textos premiados;
“Diários de Solidão”, de Carlos Brunno Barbosa (Valença – RJ); e
“Contos do Sol Nascente”, de André Kondo (Jundiaí – SP).

Também tivemos a apresentação das crônicas premiadas, feita pelos próprios autores;
o espetáculo “Da Semente à Flor”, com o Coral Adulto da Fundação Luzamor; e
uma excelente palestra, com Laurentino Gomes, sobre “O Brasil de hoje, o renovado interesse pela história e a necessidade do uso de uma linguagem mais acessível para atrair o novo leitor que está entrando no mercado editorial”.

Na manhã seguinte, maringaenses e escritores visitantes foram agraciados com uma revoada de versos (trovas e poemas) e o Coral Cocamar, além das apresentações: “A música erudita e seus poemas”, com o músico Júlio Enrique Gómez e a poetisa Roza de Oliveira, de Curitiba – PR; e “Meu Amigo Guimarães – Revivendo Guimarães Rosa”, com o acadêmico Nivaldo Donizete Mossato.

Após a inesquecível solenidade de premiação, realizada no sábado à noite (dia 25/06), com grande público, a Oração Ecumênica em Trovas, de autoria do poeta Antonio Augusto de Assis, encheu de emoção o encerramento do evento na manhã fria de domingo. 

Pela primeira vez, realizamos um concurso de trovas relâmpago e ficamos entusiasmados com o resultado. Com o tema “Canção”, saíram vencedores:
1º lugar - Josafá Sobreira da Silva (Rio de Janeiro – RJ),
2º lugar – Carolina Ramos (Santos – SP),
3º lugar – Francisco José Pessoa (Fortaleza – CE).

Com o tema “Cocamar”, os vencedores foram:
1º e 3º lugares – José Ouverney (Pindamonhangaba – SP),
2º lugar – Maria Lúcia Daloce (Bandeirantes – PR).

Essa festa foi realmente inesquecível...

Lançamos, agora, este livro com o resultado de novos concursos de grande êxito: o VI Concurso Literário “Cidade de Maringá”, com o tema Preguiça para trovas humorísticas e Labor para as demais modalidades, que teve um concurso paralelo, com o tema Cooperativismo, em homenagem ao Jubileu de Ouro da Cocamar Cooperativa Agroindustrial; o I Concurso Literário “Maria Mariá”, com o tema O Labor da Mulher; e o II Concurso Literário “Antonio Facci”, com o tema Cooperar, também em homenagem aos 50 anos da Cocamar.

    É uma grande honra para a Academia de Letras de Maringá, para a UBT – Seção Maringá, para os nossos parceiros e para toda a “Cidade Canção” poder contar com o apoio de tantos talentos, alguns dos quais se tornaram amigos, e outros que se mostraram irmãos: de prosa, verso e alma.

O sucesso é fruto de um trabalho sério, competente e entusiasta.

    Depois de elaborado o regulamento, a divulgação é feita por meio de jornais, informativos e revistas literárias, programas de rádio e televisão, sites, comunidades do orkut e cartas endereçadas a centenas de escritores.

    Os trabalhos inscritos chegam às mãos da coordenadora, que guarda consigo uma cópia, grampeada ao envelope fechado, contendo os dados do escritor. As outras cópias, com título e pseudônimo, são distribuídas aos membros da comissão julgadora, que não têm, de maneira nenhuma, como identificar o autor.

    Cada membro da comissão, após as leituras necessárias, escolhe os 20 melhores textos, segundo sua avaliação. Vencida essa etapa, toda a comissão se reúne, quantas vezes forem necessárias, e, dentre os textos selecionados, são eleitos os vencedores.

Concursos literários são eventos que trazem grandes benefícios para Maringá. Por vários meses são divulgados na mídia em geral e na literária: dezenas de informativos especializados em literatura, além de colunas de jornais e revistas, programas de rádio e televisão etc. O nome da cidade promotora, em cada edição dos concursos, chega aos olhos e ouvidos de centenas de poetas e prosadores, em geral homens e mulheres de elevado nível cultural, muitos dos quais ligados aos meios de comunicação.

As entidades parceiras são vinculadas como instituições que valorizam a cultura em suas mais diversas manifestações, incentivam a leitura e a produção literária, bem como contribuem com a educação, a formação de leitores e a descoberta de novos talentos.

Os textos vencedores são publicados em coletâneas distribuídas gratuitamente aos participantes dos concursos, a bibliotecas, escolas e outras entidades culturais.
 
A doação dos livros, principalmente às escolas e bibliotecas públicas do município, é um incentivo à leitura e à produção literária, beneficiando a população por várias gerações.

    Iniciamos com 322 participantes e hoje registramos, ao final deste livro, os nomes de 850 escritores de quase todos os estados brasileiros e várias regiões de Portugal. Sucesso!

Todos os nossos plantios foram feitos com carinho em solo adubado, as lavouras foram bem conduzidas, as ervas daninhas capinadas, as adversidades controladas, e as colheitas... têm sido fartas, e abençoadas.
   
(* texto da acadêmica Olga Agulhon, ex-presidente da ALM e coordenadora geral dos concursos literários da entidade)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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