Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Wilame Prado (Loas ao Rei da Trova)

A.A. de Assis, 80 anos, autor de mais de 10 mil trovas, possivelmente o maior escritor maringaense, será, ao lado de Manuel Bandeira (seu patrono na Academia de Letras de Maringá), o grande homenageado da Semana dos Escritores Maringaenses, que começa amanhã e vai até sexta-feira no Sesc, com lançamentos de livros, mostra, varal de poesia e encontros, em alusão ao Dia do Escritor, comemorado em 25 de julho (próxima quinta-feira).

Laide Cecilia de Sousa, organizadora da semana e assistente administrativa do Sesc, diz que A. A. de Assis participa do evento literário desde sua primeira edição, em 1993, quando o Sesc ainda dialogava com a extinta União dos Escritores de Maringá, presidida pelo saudoso doutor Galdino Andrade. De lá para cá, conta, todos os anos Semana dos Escritores é realizada em julho e permite o encontro dos autores locais, troca de ideias e, consequentemente, divulgação da literatura maringaense.

Mais de 60 escritores da cidade confirmaram presença e serão citados na mostra de biografias e livros. Além disso, haverá varal de poesia, o espaço interativo "Construindo a Poesia" e o lançamento de dois livros infantis (veja nesta página). O jornalista e escritor Antonio Roberto de Paula, membro da Academia de Letras de Maringá e ex-cronista do D+, confirmou presença na semana. Para ele, é mais do que justa a singela homenagem para Manuel Bandeira e A. A. de Assis.

"Bandeira dispensa comentários. Deveria ser levantada uma bandeira para ele em qualquer lugar deste País quando se falar de literatura. Quanto ao Assis, é um dos maiores trovadores do Brasil e que tem uma produção ininterrupta e de qualidade. Uma pessoa com 80 anos e que é um menino, de uma sensibilidade que emociona, de uma generosidade exemplar. Acho o Assis genial, ele brinca com as palavras com sutileza ímpar, um domador de letras. Assis é o senhor da trovas. Assis merece ser reverenciado sempre. Além de tudo, é um dos maiores divulgadores de Maringá", ressalta De Paula.

"Amadores"

Assis precisava sair para um almoço, mas, com sua afabilidade de sempre, gentilmente demonstrou por telefone à reportagem o seu apreço pela Semana dos Escritores do Sesc. "O Sesc é uma das raras entidades que se lembram dos escritores amadores, até porque o escritor profissional vive sempre badalado por aí. A entidade nunca se esquece de prestigiar a prata da casa", diz ele. Humilde, prefere dizer que foi "um carinho" da Laide a sua escolha como homenageado da semana. "Todo ano, ela se lembra de um de nós e tive a felicidade de ser escolhido este ano. Estou aqui desde 1955 e sempre lidei com isso. Deve ser por isso que me escolheram."

Do alto do sétimo andar do seu apartamento no Centro, Assis conta que reserva um cantinho para escrever em seu computador - sua principal companhia após a aposentadoria, -  segundo ele , olhando para a imagem proporcionada pela janela aberta que permite ao poeta ver os prédios de uma cidade em crescimento constante. Quando precisa de um pouco de ar, o destino é curto: atravessa a rua e desce poucos metros até o Parque do Ingá, onde se encontra com o "ar verde".

Assis ensina que a principal inspiração para um escritor deve ser, simplesmente, a vida. "A vida e o que está acontecendo no momento em volta dela. A coisa está acontecendo e aquilo entra em você, você se sente um ator dentro do palco da história, e, como a gente escreve, passa isso pro papel", diz. Para o escritor homenageado pelo Sesc este ano, o fato de morar em Maringá facilita em muito as coisas para quem se arrisca nas mal traçadas linhas. "Maringá é uma cidade que vibra, a vida aqui é muita intensa, é só estar com antenas ligadas que você capta e transforma isso em texto.”

Fonte:
capa do caderno de cultura do O Diário do Norte do Paraná. Publicado em 20/07/2013 02:00
Montagem da imagem com imagens obtidas na Internet.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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