Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

3ª Edição do Concurso Cultural Poesia Urbana (Vencedores)

Na quinta-feira, 29 de agosto, dia em que o Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE comemora 40 anos de fundação, será realizada a cerimônia de divulgação dos poemas vencedores da 3ª Edição do Concurso Cultural Poesia Urbana, que este ano contou com aproximadamente 400 poemas inscritos de todas as regiões do Brasil. O evento inicia às 19h no átrio do Bloco C e os postais vencedores serão distribuídos.

“Novamente o concurso foi um sucesso e recebemos poemas de autores de várias cidades brasileiras. É gratificante perceber que o Poesia Urbana ultrapassou as fronteiras de Brusque e incentivou a cultura e a produção literária”, afirma o presidente da comissão Rafael Zen.

Um postal para você

Os poemas vencedores serão impressos em postais, distribuídos pela cidade de Brusque. O concurso contou com o apoio da Gráfica NF e da Sabino Comunicação, que encartará 7 mil postais no Jornal Nosso Bairro. Ao todo, serão impressos 20 mil cartões postais, sendo dois mil de cada poema classificado.

“Desta vez, será possível guardar os poemas, como se faz com os cartões postais, que são sinônimos de boas notícias, de mensagens positivas e de carinho vindas de algum lugar interessante," completa o presidente.

Na edição anterior, o concurso levou poemas à comunidade em sacos de pão e em 2011 os colou nas janelas de ônibus.

Vencedores

Cada poeta pôde inscrever apenas um poema, que deveria ter no máximo 30 palavras. Todos são inéditos e foram analisados por uma comissão julgadora que avaliou os critérios de originalidade e criatividade na abordagem, bem como, sensibilidade e adequação ao tema proposto.

Conheça os vencedores desta edição:

RICARDO FONTANA ALVES - Porto Alegre - RS

HAICAI


De ponta-cabeça
O guarda-chuva implora
Que o sol apareça
________________________________________
RODRIGO LOPES PEREIRA DE MELO - Itajaí - SC

HAICAI DE JULHO


O inverno gritou:
- Abre-te e ouve, janela,
meu frio já te amou.
________________________________________
JUSSÁRA CUSTÓDIA GODINHO - CAXIAS DO SUL - RS

MEUS AMIGOS!


Quintana querido
Concordo contigo
Aqueles que colocam
Cascalhos no meu caminho
(ou pedras, Drummond?)
Eles vão...
Eu... Vinho!
________________________________________
ARTHUR HUGO RIBEIRO CORRÊA DE ARAÚJO - Recife - PE

MESTRE DO NADA


A ideia de tempo
É algo não-literal
Não existem atrasos
No tempo real

Tudo que escrevi
O poeta vociferou
O pretérito só é perfeito
Porque seu tempo já acabou.
________________________________________
REGINALDO COSTA DE ALBUQUERQUE - Campo Grande - MS

COLHEITA


Com mãos
de poesia
a madrugada
colhe sabores
e sabiás
nos ramos
das laranjeiras.
________________________________________
NATHALIE GONÇALVES DE MENEZES - Duque de Caxias - RJ

A DROGA DA POESIA


Dias ensolarados
Noites frias
Sinto cheiro de poesia
O ponto final
A palavra maldita
Temo a poesia
Os olhos esbugalhados
A dor da última vírgula
Não sei terminar poesia.
________________________________________
JORGE LANDER KENWORTHY - Holambra - SP

PELOS CORREIOS

Entrega registrada, necessário assinar
Propagandas coloridas, contas a pagar
Revista amassada e agora este postal...

Surpresa, amigo, sorria!
Subvertendo a ordem do dia
Hoje os Correios trouxeram poesia
________________________________________
DIEGO DA SILVA SALDANHA - Canoas - RS

POEMA CURTO


Dói feito dor a dor que é pedra
ou pluma
dói e pena
dói e dura
mas ainda
que dor pequena
sempre dor
________________________________________
THIAGO OLIVEIRA DE CARVALHO (NOME ARTíSTICO: THIAGO LUZ) - Rio de Janeiro - RJ

QUIXOTESCO


Sou herdeiro de Dom Quixote:
Busco manhãs em vaga-lumes
E sou como eles...
Ora me ilumino,
Ora me confundo com a noite.
________________________________________
ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS - Maringá - PR

LAMENTO


Sabiá posto
em gaiola
canta triste,
perde o alento:
lembra o som
de uma viola
tocada
por um detento.

Fonte:
Texto: Elizandra Damasceno
Disponível em  UNIFEBE – Centro Universitário de Brusque

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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