Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 101)


Uma Trova do Paraná
-
ORLANDO WOCZIKOSKY
(Curitiba)


É na ausência que a saudade
nos invade e fere a gente,
porque a ausência, na verdade,
na saudade está presente.
========================
Uma Trova sobre Esperança, de Paraibuna/SP
-
CARLA ROBERTA DE MELO
3A – EE. Cel. Eduardo José de Camargo


Jamais perca a esperança,
seja mais estudioso.
Quem sabe tem confiança
e se torna um vitorioso
========================
Uma Trova do Izo
-
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


Bate o sino em tom profundo,
lembrando a mulher que um dia
entregou seu Filho ao mundo,
sabendo que O perderia!
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de Belo Horizonte/MG
-
ARLINDO TADEU HAGEN


Levo meu pai pelos braços
e vou, em passos certeiros,
guiando os últimos passos
de quem guiou meus primeiros

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Uma Trova Humorística, de São Paulo
-
SELMA PATTI SPINELLI


Vendo o luxo da cigarra,
que não trabalha... faz “ponto”,
a formiga quer, na marra,
alterar aquele conto!
======================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO 
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN


Na minha dor, pus de pé,
com esperanças sem fim,
a Fortaleza de fé
que existe dentro de mim.
========================
Uma Trova Hispânica da Argentina
-
MIGUEL ÁNGEL ALMADA


Pide a Dios por su justicia,
porque es verdad y es amor;
es el gran juez que propicia
¡ la justicia sin error!
===================
Uma Trova sobre Temperança, de São José dos Campos/SP
-
MIFORI


Seja prudente se sonha
seus sonhos de adolescente;
ao realizá-los, lhes ponha,
temperança, tão somente.
========================
Trovadores que deixaram Saudades
-
MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994) Porto Alegre/RS


Sorri com tranquilidade
quando alguém te calunia;
se ele dissesse a verdade,
quem sabe o que não diria…
========================
Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Foste embora... A tarde é fria...
Cai o sol, languidamente...
E eu sinto a praia vazia
no meio de tanta gente!
========================
Um Haicai de Ilhéus/BA
-
ABEL PEREIRA

Desabafo

Para contar mágoas,
inclina-se a haste franzina
no espelho das águas.
================
Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981


Pra que acender a candeia
da minha choça? Pra quê?
Basta a luz que me incendeia
que há nos olhos de você.
====================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)

Manchete


Chutes de poeta
Não levam perigo à meta
======================
Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


Amor que eu saiba em vitória,
No rumo do firmamento,
Deve perder toda escória
No fogo do sofrimento.
======================
O Universo Triverso de Pellegrini
-
DOMINGOS PELLEGRINI
(Londrina/PR)


Aproveita bastante
amanhã esta lua cheia
já será minguante
========================
O Universo Poético de Cecília
-
CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

Mapa de Anatomia: O Olho


O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globo brilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas, naufrágios e peixes de ouro.

Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.

O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam atores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.
======================
O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

N. W.


Dilaceramentos.
Pois tem espinhos também
a rosa-dos-ventos.
==============================
Uma Poesia de Belo Horizonte/MG
-
HÉLIO PELLEGRINO
(1924 – 1988)


A doença devastou teu corpo
roeu tua carne
sacudiu teus ossos

A doença fustigou tua figura
secou teus músculos
expurgou tua forma

Ficaste a cada dia menor
como um pássaro na grande chuva
como um pobre animal tosado

Até que a morte
– acabamento e fim -
de ti extraiu tua essência:
um pequenino –   apaziguado –
menino de marfim.
=================
Uma Poesia de Pontal do Paraná/PR
-
DORIVAL C. FERNANDES

Quero


Quero que o seu dia seja
suave como a brisa matutina…
Todas as vezes, sempre calma e contínua.

Que o Sol tenha o calor
dos corpos que se desejam e amam…
Todas as vezes, sempre com muito amor.

Quero que a brisa afague você
num abraço envolvente “caliente”…
Todas as vezes, sempre com o meu querer.

Quero porque quero, um momento nosso
cheio de ternura, paixão e candura…
E por todo sempre porque o amor
assim vive, existe e assim perdura.
========================
O Universo de Pessoa
-
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


Trazes uma cruz no peito.
Não sei se é por devoção.
Antes tivesses o jeito
De ter lá um coração.
========================
Uma Poesia de Portugal
-
DAVID MOURÃO-FERREIRA

Crepúsculo


É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
quando a noite se destaca
da cortina;
quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
quando a força de vontade
ressuscita;
quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
e quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz livida, a palavra
despedida.
========================
O Universo Triverso de Millôr
-
MILLÔR FERNANDES
(Milton Viola Fernandes)
Rio de Janeiro (1923 – 2012)


O pato, menina
É um animal
Com buzina
======================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

Canto Inconformado nº 2 


 Sou um poeta pequeno burguês
vivendo a sua rotina, a sua pequena linha circular
- acanhada província cotidiana -
com hora de almoço, hora de dar aulas, hora de deitar,
fabricando umas poucas madrugadas para escapar com a poesia,
mas que se casou com a própria aventura, e domesticou
seus ímpetos boêmios.

Este o sarcófago sem epitáfio.
Nele me encontro hirto a frio como se já não houvesse
amanhã.

Uma pena que a vida - rio turvo, - tenha me arrancado
como um arbusto de frágeis raízes,
e me arraste indefeso para o mar inexorável.

E olho a terra que foge, e me debato, a desespero
porque levo a mensagem que deveria semear
e vejo que me acenam, e sinto que me esperam, e morro
sem poder partilhar meu canto.
============================
Um Soneto de Piraquara/PR
-
HORÁCIO PORTELLA

A Marcha do Tempo


Sem pressa as horas passam uma a uma,
escorrem para o túnel do passado,
– não se consegue segurar nenhuma -
pois cada qual já deu o seu recado.

Para a memória humana resta a bruma
que pode dar prazer ou desagrado.
Querendo nós ou não assim se esfuma
a vibração do tempo – este é seu fado.

Essa rotina segue sem descanso,
no transcorrer sutil da eternidade,
num caminhar tranquilamente manso.

Assim também os versos do soneto
vão no papel deixando a novidade
envelhecer no último terceto.
========================
O Universo das Sextilhas do Zé Lucas
-
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN (1934)


Eu sei manejar o remo
no balanço da jangada,
sentindo o vento do mar
e as ondas da larga estrada,
mas, sem o remo da fé,
todo esforço dá em nada.
===============================
Uma Poesia Além Fronteiras
-
JOSÉ CRAVEIRINHA
(Moçambique)

A nossa casa


Ambição
minha e da Maria
foi termos uma casa nossa
onde nos contarmos os cabelos brancos.

Sonho realizado.
Casa definitiva já temos.
Lote 42.
Talhão 71883.
Fachada pintada a cal.
Classica arquitectura rectangular.
Uma via asfaltada com um único sentido.
Tudo sito no derradeiro bairrismo
que e' morar no bairro de Lhanguene.

Pelo menos envelhecer já não é problema.
O resto na altura mais propícia
surgirá por si.

Parece que está por pouco.
Na lista onde eu consto
É injusto que tarde
estarmos juntos.
=====================
Um Poema Livre Premiado, do 1º ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual Marco Antonio Pimenta, de Maringá/PR
-
CAROLINE DE FÁTIMA DA SILVA AZEVEDO
15 anos

Se Você Cooperasse


Se você cooperasse,
Seria tudo diferente,
O mundo não estaria tão quente,
E a vida não seria ruim pra gente.

Se você cooperasse,
Não haveria tanta discriminação,
Haveria mais paz em nosso coração,
Você só precisa ter educação,
E não contribuir para a corrupção.

Se você cooperasse,
Não haveria tanta morte,
Todos teriam mais sorte,
E o mundo seria mais forte,
Do sul ao norte.

Se você cooperasse,
Os bichinhos não morreriam,
As crianças ririam,
E as árvores não se acabariam.

Se você cooperar,
O mundo vai mudar,
Faça sua parte,
Porque cooperar, é arte!

(2. lugar no II Concurso “Antonio Facci”, Edição em Homenagem ao Jubileu de Ouro da Cocamar, in Concurso Literário “Cidade de Maringá”)=====================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 - 1987) Rio de Janeiro/RJ

Itabira


Cada um de nós tem seu pedaço no pico do Cauê
Na cidade toda de ferro
as ferraduras batem como sinos.
Os meninos seguem para a escola.
Os homens olham para o chão.
Os ingleses compram a mina.

Só, na porta da venda,
Tutu caramujo cisma na
derrota incomparável.
========================
UniVersos Melodicos
-
Heriberto Muraro e Osvaldo Santiago
ROLETA DA VIDA
(valsa, 1940)


A vida é uma roleta
Gira...gira...
A sorte é uma mentira
Que logo se desfaz
Uns ganham venturas
Outros amarguras
E troca-se o prazer
Pelo sofrer

Tu foste em minha vida
O pano verde da ilusão
Em ti, como uma ficha
Eu arrisquei o coração
Tive delícias
De mil carícias
Ao começar
O olhar em fogo
Senti o jogo
Me alucinar !

Depois a sorte ingrata
Abandonou o jogador
Perdi no pano verde
O coração e o teu amor
E a roleta, indiferente
Ao meu penar
Prosseguiu, sem descanso
A girar... a girar...
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
BORBOLETINHA


borboletinha ta na cozinha 
fazendo chocolate para a madrinha
poti poti
perna de pau
olho de vidro
e nariz de pica pau

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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