Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 18 de agosto de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 103)


Uma Trova do Paraná
-
SONIA MARIA DITZEL MARTELO
(Ponta Grossa)


Entre todos os recantos
é aqui que me sinto bem:
- o meu lar tem tais encantos
que outros lugares não têm!
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Uma Trova sobre Esperança, de Pouso Alegre/MG
-

GERALDO PIMENTA DE MORAES

Esperança - bem que enleva
nossa vida, no presente;
- um raio de luz na treva
do incerto amanhã da gente.
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Uma Trova do Izo
-
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


És um arbusto florido...
Eu sou o vento que passa,
e, num delírio atrevido,
te despe e depois... te abraça..
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de Pindamonhangaba/SP
-
JOSÉ VALDEZ DE CASTRO MOURA


Sou, no retorno ao passado,
- meu teatro de deslizes,
um mero ator fracassado
no palco dos infelizes!
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Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
-
SELMA PATTI SPINELLI


Com a bagunça rolando,
sem ter mais o que falar,
chilique, de vez em quando,
bota tudo no lugar!!!
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Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO 
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN


Eu, numa peça que fiz
no palco da minha Fé,
fiquei deveras feliz…
Fui aplaudido de Pé!
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Uma Trova Hispânica da Argentina
-
MARIA CRISTINA FERVIER


Luna que en la dicha o pena
a los poetas acompaña
que escriben sobre la arena
de las letras su hazaña.
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Uma Trova sobre Temperança, de Parede/Portugal
-
OLÍVIA ALVAREZ MIGUEZ BARROSO


A vida, com temperança,
vinda desde pequenino,
é rumo de confiança,
ensinamento divino.
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Trovadores que deixaram Saudades
-
ADAUTO GONDIM
Pedra Branca/CE (1915 – 1980) Fortaleza/CE


No teu jardim, entre flores,
feliz estou ao teu lado
meu calendário de dores
hoje marcou feriado.
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Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Saudade – brisa tristonha…
e o meu coração magoado
desprende Trovas… e sonha…
é um rosal despetalado…
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Um Haicai de Belo Horizonte/MG
-
Haruko

(pseudônimo haicaistico de Clevane Pessoa de Araújo Lopes)

A crosta de gelo
Camisa de força, branca,
A conter o lago.
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Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981


És de beleza um portento,
no perfil, nas formas puras.
Mas beleza sem talento
é um palácio às escuras.
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O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)


O inseto no papel insiste
Traço um círculo em volta
Só o círculo existe
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Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


Do mundo quando te fores,
mais que outra glória qualquer,
deixa a sombra de tua alma,
num coração de mulher.
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O Universo de Auta
-
Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

Pelo Passado


Era um dia de maio... Encheu-se o Templo
De grande multidão;
Só rezavam aquelas que queriam
A paz do coração.

Eu era desse número: ajoelhei-me,
Fiz o sinal da Cruz...
Estava muito triste e desejava
Conversar com Jesus.

Ao pé de seu santo Tabernáculo
Comecei a chorar...
Lembrava-me da infância que fugira
Para nunca voltar.

E repassei na mente atribulada,
Assim, nessa atitude,
Os sonhos liriais e perfumosos
De minha juventude.

Porém, se o triste lábio murmurava
Sentidas orações,
Eu ouvia o soluço angustiado
De minhas ilusões.

De minhas ilusões que se partiam,
Dolentes e chorosas,
Como os anjos voando d’este mundo
Às plagas luminosas.

E enquanto assim aos pés do Redentor
Choviam meus lamentos...
Já no Templo de todo se extinguia
A luz dos círios bentos.
======================
O Universo Triverso de Pellegrini
-
DOMINGOS PELLEGRINI
(Londrina/PR)


Aquela tigela
aquela faca
e uma bela jaca
========================
O Universo Poético de Cecília
-
CECÍLIA MEIRELES

(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

Improviso do amor-perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe,
atrás do oceano que nos meus se alteia
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.
======================
O Universo Melódico de Assumpção
-
MARCOS ASSUMPÇÃO

(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ

Mentiras
(do CD “A Flor de Florbela”)


Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito teu?

Ai, se o sei, meu amor! Eu bem distingo
O bom sonho da feroz realidade…
Não palpita d'amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais,
O gelo do teu peito de granito…

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!
================================
O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA

(Guilherme de Andrade de Almeida)

Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

Lembrança


Confete. E um havia
de se ir esconder, e eu vir
a encontrá-lo, um dia.
==============================
Uma Poesia de Itapema/SC
-
PEDRO DU BOIS

Hora


A hora da batalha no sorriso nervoso
com que olha entre lágrimas a certeza
de que a morte espreita nas balas
perdidas do inimigos

faz da conquista profissão e a fé esmaece
sua força e físico ao saber das razões
do início e do dinheiro que lhe é pago

as posições definidas antes do início
em que os amigos estão ao lado
e na outra face a mesma angústia
que a espera encerra no antegozo
do momento

a perda perpassa a mente
e seus olhos turvam
e as mãos tremem
sua morte capturada em duras realidades
famintas
sedentas nas políticas
extremadas de discursos foscos
(paredes em que tiros entranham
a carne que não é sua)

do nada ao extremo gesto
no empunhar a arma
apontar
e disparar o tiro
no inimigo
que também dispara
contra você atento
ao sibilar da bala
que lhe atravessa o uniforme
e explode o corpo
em ossos e vísceras

é você o soldado errôneo
nesta guerra (estúpida)
em que os sentidos se perdem
antes dos tiros e cabeças feridas
não se entendem e violam leis
no aguardar os instantes
finais do embate
em que se perdem vidas
(por nada).
=================
Uma Poesia de Alegrete/RS
-
MÁRIO QUINTANA

A Torre Azul


É preciso construir uma torre
- uma torre azul para os suicidas.
Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,
qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.
É preciso construir-lhes um túnel
- um túnel sem fim e sem saída
e onde um trem viajasse eternamente
como uma nave em alto-mar perdida.

É preciso construir uma torre…
É preciso construir um túnel…
É preciso morrer de puro,
puro amor!…
========================
O Universo de Pessoa
-
FERNANDO PESSOA

(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935

Na praia de Monte Gordo.
Meu amor, te conheci.
Por ter estado em Monte Gordo
É que assim emagreci.
========================
Uma Poesia de Portugal
-
ANTÓNIO GEDEÃO

Lição sobre a água


Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
========================
O Universo Triverso de Millôr
-
MILLÔR FERNANDES

(Milton Viola Fernandes)

Rio de Janeiro (1923 – 2012)
Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a lua.
======================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE

(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

Desabafo Fraterno


Deixem que fale um pouco de mim, que eu
não falo de mim mesmo, estou falando
de tantos que sem voz carregam ânsias
surdas angústias, grávidas tormentas.

Por Deus não é egoísmo esse meu canto
que sou irmão do homem humilde e só
sem Deus, sem liberdade, sem amor,
a quem sirvo este canto de esperança.

Tanto quis e sonhei, cantei com a vida,
- porque trouxe essa luz que Deus me deu?
e essa força de ser, que realizada
tanto faria além de mim talvez?

O mais triste é sentir que estou morrendo
carregando comigo, intatos, puros,
todos os cantos que esperei, e a força
que seria capaz, e levo ainda.

Em que palavras poderei me achar?
Como batizarei tanto sonhar
que se agita, a esperdiça inutilmente
como algo vivo que morreu sem ser?

Ver as dias pesados, como os anos
passando, e as circunstâncias quase sempre
se armarem conspirando contra o sonho
como um fruto distante a balançar.

No íntimo a carregar os mesmos lances
que fariam do anônimo um herói,
e a sentir como um vento o tempo frio
levando tudo, enquanto fecho os olhos.
============================
Um Soneto de Pernambuco
-
VINÍCIOS GREGÓRIO

Eu e o Galo de Campina


Triste sina de um Galo-de-Campina
Que era alegre bem antes da prisão,
Mas foi preso nas grades do alçapão
E hoje chora no canto a triste sina.

Eu também tive a sina repentina,
Pois um dia fui livre e hoje não.
Na tristeza, esse Galo é meu irmão:
Minha sina da dele é copia fina.

Hoje a casa do Galo é a gaiola.
Notas tristes no canto é que ele sola.
A saudade do Galo - a vastidão.

O meu canto é um canto de lamento.
A gaiola é o meu apartamento.
E a saudade que eu sinto é do sertão.
========================
O Universo das Sextilhas do Zé Lucas
-
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN (1934)


Não há justiça perfeita
no seio da humanidade…
O desacerto na vida
do homem não tem idade,
e é mais feliz, velho ou novo,
quem só erra sem maldade.
===============================
Uma Poesia Além Fronteiras
-

JULIÃO SOARES SOUSA
(Guiné-Bissau/África)

Cantos do Meu País


Canto as mãos que foram escravas
nas galés
corpos acorrentados a chicote
nas américas

Canto cantos tristes
do meu País
cansado de esperar
a chuva que tarde a chegar

Canto a Pátria moribunda
que abandonou a luta
calou seus gritos
mas não domou suas esperanças

Canto as horas amargas
de silêncio profundo
cantos que vêm da raiz
de outro mundo
estes grilhões que ainda detêm
a marcha do meu País
=====================
Uma Poesia de Natal/RN
-
ADEMAR MACEDO


Não pode nunca morrer
nesse nordeste da gente,
nem o coco de zambê
nem cantador de repente;
e da cultura popular
não vou deixar se apagar
o fogo da lamparina,
do fogão nem da fogueira,
pra iluminar a bandeira
da cultura nordestina.
=====================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 - 1987) Rio de Janeiro/RJ

A um Bruxo, com amor


Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.
========================
Uma Setilha de Natal/RN
-
FRANCISCO MACEDO


Do sertão sou oriundo...
Aprendiz de agricultor,
no meu “roçado” eu cultivo,
a semente, o fruto, a flor.
Colhendo em cada leirão,
dentro do meu coração,
os doces frutos do amor!
======================
UniVersos Melodicos
-
Vicente Celestino

SERENATA
(canção, 1940)


Na Guanabara um barco a vela navegava
Dentro de um raio de luar franjado de prata
Em um bandolim, lá no barquinho alguém tocava
A mais sublime e deliciosa serenata

Segui o barco em outro barco para ver
Quem manejava o bandolim com tanto ardor
E uma sereia oiço cantando assim dizer:
- Onde estará meu grande amor ?

Meu bandolim, leva tua voz
Ao coração que não me quer
Chama-o de cruel e de atroz
Que quem te pede é uma mulher

Diga que o amo e que o adoro
Tu que conheces o meu padecer
Meu bandolim, vai com tua voz
Ao meu amor, falar por mim,
Porque sem ele eu vou morrer...

Do meu barquinho respondi:
Igual a ti eu vivo em solidão
E ela de lá me respondeu:
Se teu amor é igual ao meu
Te entrego inteiro, o coração.
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
A MACHADINHA
Outra versão

Ah! Ah! Ah! Minha Machadinha !
Ah! Ah! Ah! Minha Machadinha !
Quem te pos a mão, sabendo que és minha ?
Quem te pos a mão, sabendo que és minha ?

- Se tu és minha, eu também sou tua.
Se tu és minha, eu também sou tua.
- Pula, Machadinha, para o meio da rua.
Pula, Machadinha, para o meio da rua.

No meio da rua, não hei de ficar.
No meio da rua não hei de ficar.
- Pula, Machadinha, para o seu lugar.
Pula, machadinha, para o seu lugar.

Falando:

Esta é a rosa,
Este é o portão,
Esta é a chave
Do meu coração.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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