Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 24 de agosto de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 106)


Uma Trova do Paraná
-
APOLLO TABORDA FRANÇA


Das rosas do meu jardim,
Maria sempre a mais bela…
Perfuma mais que o jasmim,
Que floresce em torno dela!
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Uma Trova sobre Esperança, de Belo Horizonte/MG
-
ODETE DONAH


A Esperança é a voz divina
que a alma da gente acalanta;
nesta terra pequenina
nenhuma voz a suplanta.
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Uma Trova do Izo
-
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


Lá na casa da Maria
é muito estranha a porteira ...
Não faz barulho de dia,
bate e range a noite inteira …
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de Moji-Guaçu/SP
-
OLIVALDO JUNIOR


Se só tenho a poesia,
comovida, em meu viver,
onde fica esta alegria
que só sinto ao te rever?
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Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO 
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN

 

Fiz do quarto um santuário,
pus sua foto no andor
e rezei um novenário
para louvar nosso amor!
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Uma Trova Hispânica da Argentina
-
SUSANA STEFANIA CERUTTI


Siempre nacerá el mañana
cuando reine la esperanza,
con redobles de campana
como arrullos de bonanza.
===================
Uma Trova sobre Respeito, de Recife/PE
-
GERALDO LYRA


Prefira a sinceridade
e faça o bem nesta vida.
Quem usa de falsidade
torna a existência sofrida...
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Trovadores que deixaram Saudades
-
ADALBERTO DUTRA REZENDE
Cataguazes/MG (1913 – 1999) Bandeirantes/PR


Que o negro ao branco revele
sentenças deste teor:
a alma humana não tem pele
e a virtude não tem cor.
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Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Não sei que tristeza é esta,
que profunda nostalgia
com gosto de fim de festa,
que eu carrego, noite e dia...
========================
Um Haicai de Pedro Leopoldo/MG
-
WAGNER MARQUES LOPES


Agosto na vila:
floridos, bem coloridos,
os ipês em fila.
================
Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981


São meus ouvidos dois ninhos
onde guardo, ao meu sabor,
um bando de passarinhos!
- Tuas mentiras de amor.
====================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)


saber é pouco
como é que a água do mar
entra dentro do coco?
======================
Um Haicai Hispanico da Espanha
-
MANEL SANTAMARIA


En primavera
los florecidos sueños
llegar esperan.
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Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


Que tens tu, que és tão sombrio,
e hoje a rir, alegre, assim? ...
- Mal sabem que só me rio,
porque riste para mim .
======================
O Universo Triverso de Pellegrini
-
DOMINGOS PELLEGRINI
(Londrina/PR)


Carma, assim é a vida
quanto mais longa
mais cumprida
========================
O Universo Poético de Cecília
-
CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

 
Noite

Tão perto!
Tão longe!
Por onde
é o deserto?
Às vezes,
responde,
de perto,
de longe.
Mas depois
se esconde.
Somos um
ou dois?
Às vezes,
nenhum.
E em seguida,
tantos!
Avida
transborda
por todos
os cantos.
Acorda
com modos
de puro
esplendor.
Procuro
meu rumo:
horizonte
escuro:
um muro
em redor.
em treva
me sumo.
Para onde
me leva?

Pergunto a Deus se estou viva,
se estou sonhando ou acordada.
Lábio de Deus! - Sensitiva
tocada.
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O Universo Melódico de Assumpção
-
MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ

Desejos Vãos

(do CD “A Flor de Florbela”)


Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
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O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

Festa Móvel


Nós dois? - Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?
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Uma Poesia de Santos/SP
-
CAROLINA RAMOS

Delimitando Santos


Manhã de sol, luminosa,
dourando as águas do mar…
brisa mansa… onda morosa…
um barquinho a balouçar…

Nesse barco pequenino,
os sonhos do pescador
compõem o próprio destino,
vencendo frio e calor.

Ao fundo, o azul horizonte,
Ilha das Palmas! E alçado
à frente Itaipu no monte
e a Serra do Mar, ao lado.

Ao centro, a concha serena,
de tão sublimes encantos,
guarda pérola pequena
e tão valiosa – Santos!

E essa concha de ternura,
sempre cercada de flores,
oferece a alma pura
na gama de tantas cores!

De norte a sul, leste a oeste,
há perfume de poesia,
de orquídeas de aroma agreste,
mesclado de maresia.

No porto, grandes navios…
Nas praias, verdes jardins,
palmeiras, troncos esguios
das alturas sempre afins.

E o azul por cima de tudo!
No altar do Monte, a Padroeira,
com seu olhar de veludo,
abraça a cidade inteira!

Santos, o berço da História!
E de tão grandes poetas
que honram da Pátria a memória,
traçando brilhantes metas!

Liberdade e Caridade
Santos traz no coração…
E em troca, levam Saudade
os que de Santos se vão!
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O Universo Poético de Francisca
-
FRANCISCA JÚLIA
(1871, Xiririca (atual Eldorado Paulista)/SP – 1920, São Paulo/SP)

Musa Impassível


Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma angüiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

Dá-me o hemistíquio d' ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d' alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.
========================
Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha Portuguesas
-
JOANINHA VOA, VOA


(Em várias versões)

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai está em Lisboa
Com um caldinho de galinha
Para dar à Joaninha.

***

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai está em Lisboa
Com um rabinho de sardinha
Para comer que mais não tinha…

***

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai foi a Lisboa
Com um saco de dinheiro
Pra pagar ao sapateiro

***

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai foi para Lisboa
Com um saco de farinha
Para ti, ó Joaninha.

***

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai está em lisboa
A tua mãe no moinho
A comer pão com toucinho.

***

Joaninha, voa, voa
Que o teu pai foi pra Lisboa
Leva cartas para Lisboa
Que eu te darei pão e broa

Fonte:
E-book da equipa do Luso-Livros]
http://luso-livros.net/

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O Universo Poético de Auta
-
Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

Flores


Quando começa a raiar
O dia cheio de amor,
Eu gosto de contemplar
O coração de uma flor,

Desmaiada e tremulante,
Pendendo triste no galho,
Tendo o pistilo brilhante
Embalsamado de orvalho:

A rosa só me parece,
Assim tão casta e sem véu,
Um anjo rezando a prece
Um’alma voando ao Céu.

Do jasmim puro e mimoso,
A corola embranquecida,
É como um seio formoso
De criança adormecida.

Esqueço-me, então, das horas
A contemplar estas flores,
As violetas, auroras,
Saudades, lindos amores.
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O Universo de Pessoa
-
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


Puseste a mantilha negra
Que hás de tirar ao voltar.
A que me puseste na alma
Não tiras. Mas deixa-a estar!
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Uma Poesia de Portugal
-
ANTERO DE QUENTAL

O Palácio da Ventura


Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, O Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
========================
O Universo Triverso de Millôr
-
MILLÔR FERNANDES
(Milton Viola Fernandes)
Rio de Janeiro (1923 – 2012)


Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos
======================
Uma Poesia Hispanica, da Argentina
-
LIBIA CARCIOFETTI


Vacía

Fueron horas, minutos, segundos..
Eternidad del tiempo
sin espacio...
Solo se, que se movía.
Mis uñas se clavaron en mi palma
dejando mi mano adormecida.
Intenté dejar de respirar
para insuflarle vida...
Mis entrañas se conmovieron
y un sudor frío me recorría.
La luna se asomaba entre las cortinas
y por ratos me sonreía...
Abracé mi vientre y me quedé dormida.
Desde ese momento comencé a caminar
sobre algodones, que por momentos desaparecían
dando paso a pétalos rojos, acuosos
que sobre las sábanas alguien esparcía.
Lentas las horas, como lenta la vida...
que despertarme de este sueño
yo ya no quería.
¡Tarde besó el sol mi frente ardida!
Y tu mano fue compresa de agua fría.
¡DIOS! ¡Si pidieras mi vida!
Seguro te la daría.
Tu dedo selló mi boca...
Y tus lágrimas rodaron por mis mejillas.
Acaricié mi vientre, ya sin lunas.
Regresamos los dos a casa
que también como yo; "estaba vacía"...
================================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

Lendo Vinícius


Me assalta um medo estranho
quando leio Vinícius.

Algo me aperta a garganta
e quase trava o meu verso.

Para que continuar
se aonde quero ir
ele já foi?

Se enquanto cato palavras
ele faz música?

Para que? Se quando vou cantar,
de repente
me quedo a ouvi-lo
como toda gente?
============================
Um Soneto de Curitiba/PR
-
ANDRÉA MOTTA

Despertar


É pena que esta noite sempre acabe,
que a chuva forte o teto meu desabe”.
Versos de Lisieux de Souza

É pena que esta noite sempre acabe
e acorde deste sonho de amor,
e que o descaso seja o arremate,
cortando o coração de tanta dor.

Inda aprendo a te amar sem ilusões
e me entregar à tua carnal lascívia,
como se fosse, o amor, rua de u’a via,
sem medo de futuras punições.

Então esqueço todo o meu cansaço
e as rugas que já marcam minha face.
Finjo não ter o meu peito em pedaço.

Deixo, assim, de ser mera coadjuvante.
Nesta vereda não haverá noite
que a chuva forte o teto meu desabe.
========================
O Universo das Sextilhas do Zé Lucas
-
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN (1934)


Quem não aprendeu a amar
não tem olhos para ver
as coisas belas do mundo
que nos enchem de prazer;
existe enquanto está vivo,
mas se esquece de viver!
===============================
O Universo de Silviah
-
SILVIAH CARVALHO e ARNOLDO PIMENTEL
Curitiba/PR e Belford Roxo/RJ

A Menina do Rio Amazonas


Fiquei na margem do rio,
Desanuviando minha mente,
Meditando na constância das águas,
No desapego da alma, neste vazio...

Vi pessoas passarem às margens,
E notei, cada um faz seu próprio rio!
E navegam em suas esperanças,
Levando as lendas em suas bagagens.

Vi a menina sentada à beira do rio,
Sonhando com a felicidade,
Esperando o boto... Não sei!
Que a tire da beira e se faça seu rei.

Na espera inútil a tristeza vem à tona,
Não há encantamento... Eu chorei!
Vendo a tristeza nos olhos da menina
Do rio amazonas...

Eu a vi partindo só e com frio,
Deixando nas margens o fim do seu rio,
Eu a vi sofrer por um conto infantil,
Eu soube que ela nunca mais sorriu.

E eu! Ainda espero só,
Na margem do rio... do meu Rio.
=============
Uma Poesia Além Fronteiras
-
    FRANCISCO JOSÉ TENREIRO
      (S. TOMÉ e PRÍNCIPE)

Ciclo do Álcool


1

Quando seu Silva Costa
Chegou na ilha
Trouxe uma garrafa de aguardente
Para o primeiro comércio.

A terra era tão vasta
Havia tanto calor
Que a água
Parecia não ter potência
Para acalmar a sede da sua garganta.

Seu Silva Costa
        Bebeu metade...

E sua garganta ganhou palavra
Para o primeiro comércio.

2

A lua batendo nos palmares
Tem carícias de sonho
Nos olhos de Sam Márinha.
Silêncio!
O mar batendo nas rochas
È o eco da ilha.
Silêncio!
Lá no longe
Soluçam as cubatas
Batidas dum luar sem sonho.
Silêncio!
No canto da rua
Os brancos estão fazendo negócio
A golpes de champagne!

3

Mãe Negra contou:
"eu disse:
    filhinho
beba isso coisa não...
    Filhinho riu tanto tanto!..."

Nhá Rita calou-se.
Só os olhos e as rugas
Estremeceram um sorriso longínquo.

- E depois Mãe-Negra?

"Oh!
    Filhinho
Entrou no vinhateiro
Vinhateiro entrou nele..."

Os olhos de nhá Rita
Estão avermelhando de tristeza.

"Hum!
    Filhinho
Ficou esquecendo sua mãe!...
=====================
O Universo Poético de Olavo
-
Olavo Bilac
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)

A Vida


Na água do rio que procura o mar;
No mar sem fim; na luz que nos encanta;
Na montanha que aos ares se levanta;
No céu sem raias que deslumbra o olhar;
No astro maior, na mais humilde planta;
Na voz do vento, no clarão solar;
No inseto vil, no tronco secular,
— A vida universal palpita e canta!
Vive até, no seu sono, a pedra bruta...
Tudo vive! E, alta noite, na mudez
De tudo, – essa harmonia que se escuta
Correndo os ares, na amplidão perdida,
Essa música doce, é a voz, talvez,
Da alma de tudo, celebrando a Vida!
======================
Um Poema, de Campo Mourão/PR
-
CLARA ANDRADE MIRANDA DE ARAÚJO

Estrangeirismo


Pobre do nosso idioma
Que o estrangeirismo assola
Pra se falar hoje em dia
Na língua é preciso mola

Estar bem na vida é o must
O habitat é um flat
Onde o chic é ter um site
Relax na internet.

My Darling tem mais um hobby
Diz o brother da society
Em weekend no Blue Moon
Com Sunday e soda light

Ganhei charm e new look
Usando training de stretch
Se o stress te deixa down
Vá comer chips ou fresh

No window uma homepage
E um fax modem na house
Para convidar pro new age
É só clicar o seu mouse

I love you para o baby
I’m sorry, como dói,
Recado só por e-mail,
Ou pelo Office boy

Playback num happy end
En passant com champignon
Ticket num happy hour
Champagne no reveillon

O baby look dá o tom
Antigo é o pullover
Na rua tem dance street
Cantor da moda é um cover

Special é uma star
Que usa babouche ou um Nike
O fashion é o black tie
Desconfiou é insight

Bye bye que eu vou pros States
Trabalhar num workshop
Na bag só um Rocaille
De cotton blue levo um top
Talvez eu vire uma lady
Ou uma star superpop.
=====================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 - 1987) Rio de Janeiro/RJ

Mãos Dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
========================
UniVersos Melodicos
-
Dorival Caymmi

A JANGADA VOLTOU SÓ
(canção, 1941)


A jangada saiu
Com Chico Ferreira e Bento
A jangada voltou só
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
A jangada voltou só...

Chico era o boi do rancho
Nas festa de Natá
Chico era o boi do rancho
Nas festa de Natá
Não se ensaiava o rancho
Sem com Chico se contá
E agora que não tem Chico
Que graça é que pode ter
Se Chico foi na jangada...
E a jangada voltou só... a jangada saiu
Com Chico Ferreira e Bento
A jangada voltou só
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
A jangada voltou só...



(2x)

Bento cantando modas 
Muita figura fez    
Bento tinha bom peito    

E pra cantar não tinha vez  

As moça de Jaguaripe
Choraram de fazê dó
Seu Bento foi na jangada
E a jangada voltou só
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
A CORUJINHA
Vinicius de Moraes e Toquinho


Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer

Corujinha, pobrezinha
Todo mundo  que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você

Quando a noite vem  chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas  vaidosa
Orgulhosa como quê

Toda noite tua carinha
Aparece   na TV
Corujinha, corujinha
Que feinha que é você!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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