Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 6 de agosto de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 98)


Nota: Como um grande apreciador de música, não consigo digitar sem ouvir música. Domingo é um dia que coloco música erudita da parte da manhã (meus bons tempos que frequentava o Teatro Municipal de São Paulo), na parte da tarde Blues (noites de blues, vinho e queijos), e começo da noite musicas raiz. Eu estava ouvindo neste domingo um programa de rádio na UEM FM (olha a propaganda!), e ouvi uma música que me encantou sua letra. Na hora, pensei com meus botões (embora estivesse só de camiseta sem eles,mas ninguém me viu, então não há provas em contrário), tenho que colocar a letra desta música aqui para dedicar a dois grandes amigos poetas/trovadores lá do Ceará: Nemésio Prata e Francisco Pessoa, apesar de estarem tão longe, graças a Santa Internet, estão sempre tão perto daqui de Maringá. Portanto a letra desta música, lá no Universos Melódicos, quase no finalzinho desta postagem.
JF

–––––––––––––––––––––––––––––
Uma Trova do Paraná
-
MARIA DA CONCEIÇÃO FAGUNDES
(Curitiba)


A moda do silicone
trouxe alarme ao cemitério...
O fantasma, ao megafone:
- A carne deu revertério!
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Uma Trova sobre Esperança, do Rio de Janeiro
-
JORGE MURAD


Esperança - céu nublado
no nordeste, os bois ao léu;
 o sertanejo ajoelhado,
de mãos postas para o céu...
========================
Uma Trova do Izo
-
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


Com seu valor aumentado,
saudade é a restituição
do que já nos foi cobrado
pelos sonhos e a ilusão...
===================================
Uma Trova Lírica/ Filosófica do Ceará
-
GERALDO AMÂNCIO


Metade da humanidade
infelizmente não come;
e não dorme a outra metade,
temendo os que passam fome!
=======================
Uma Trova Humorística, de Maringá/PR
-
A. A. DE ASSIS


Tremor no hotel... toda gente
salta da cama assustada.
Falso alarme: era somente
efeito da feijoada...
======================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO 
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN


Descobri no envelhecer
que a musa que me enaltece
não deixa o verso morrer,
pois musa nunca envelhece!
========================
Uma Trova Hispânica da Venezuela
-
CARLOS RODRÍGUEZ SÁNCHEZ


Si la sonrisa te alumbra
 el camino de la vida,
 nunca sentirás penumbra
 en la senda recorrida.
===================
Uma Trova sobre Temperança, do Rio de Janeiro
-
DILMA RIBEIRO SUERO


Temperança é necessário,
nos atos do bem viver,
mas se agirmos ao contrário,
a vida não tem prazer!
========================
Trovadores que deixaram Saudades
-
JOÃO FREIRE FILHO
Rio de Janeiro (1941 – 2012)


Na tua ausência, meu fado
tornou-se eterna contenda:
corto os laços do passado,
mas a saudade os remenda!
========================
Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Eu... você... as confidências...
O amor que, intenso, cresceu...
- O resto são reticências
que a própria Vida escreveu...
========================
Um Haicai de Pedro Leopoldo/MG
-
WAGNER MARQUES LOPES


Vão crescendo as plantas:
amor de um agricultor
a doar mãos santas.
================
Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)

Rio de Janeiro 1891 – 1981

Sua cruz que eu sei pesada,
minha mãe leva sozinha.
Mesmo assim, velha e cansada,
me ajuda a levar a minha.
====================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)


nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima
======================
Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


Dizer adeus nada custa,
alguém me mandou dizer.
Mas quem diz que nada custa,
queira bem e vá dizer.
======================
O Universo de Florbela
-
FLORBELA ESPANCA
(Florbela de Alma da Conceição Espanca)
Vila Viçosa/Portugal 1894 – 1930 Matosinhos/Portugal

Lágrimas ocultas


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
========================
O Universo Poético de Cecília
-
CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

Reinvenção


A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
======================
O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

Equinócio

No fim da alameda
há raios e papagaios
de papel de seda.
==============================
Uma Poesia de Maringá/PR
-
MARIA EUDÓCIA

Peregrina


Me falta começo!
Cadê iniciativas?
Onde estou sou...
Peregrina.

Me falta espaço!
Cadê passagens?
Por onde vou sou..
Peregrina.

Me falta senso!
Cadê humor?
Neste momento sou...
Peregrina.

Me falta vontade!
Cadê o desejo?
Se tenho tudo, sou?
Peregrina...
E me vejo.
=================
O Universo Melódico de Assumpção
-
MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ

Inconstância


Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando
=====================
Uma Poesia de Jacareí/SP
-
 ANA ROSENROT

Eu quero livros


Eu quero livros
novos, velhos, bonitos, queridos...
podem ser de suspense, de terror,
picantes, acadêmicos, de amor...
De autores que gosto,
dos que eu não conheço,
mas nunca esqueço...
Dos que estão por ai,
daqueles que escrevi...

Eu quero livros
de poesia
biografia,
fobia,
mania,
grande epifania...

Eu quero livros
grandes, finos, pequenos,
gigantes, volumosos,
até obscenos...

Eu quero livros,
de capa dura, encadernados,
baratos, de jornal, comprados, achados,
trocados, emprestados, surrados...
Mas lidos, guardados, esperados, sonhados,
muito amados...

No chão, na estante, no armário,
tudo lotado, por todo lado, abarrotado,
decorando o cenário
coloridos, austeros, brilhantes, instrutivos,
acima de tudo, eu quero livros...
========================
O Universo de Pessoa
-
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


Deixaste cair a liga
Porque não estava apertada...
Por muito que a gente diga
A gente nunca diz nada.
========================
Uma Poesia de Portugal
-
ANTÓNIO NOBRE
Porto (1867 – 1900) Foz do Douro

Balada do caixão


O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte,
Ponteia e cose, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mognos, debruados de veludo,
Flandres gentil, pinho do Norte...
Ora eu que trago um sobretudo
Que já me vai a aborrecer,
Fui-me lá, ontem: (Era Entrudo,
Havia imenso que fazer...)
- Olá, bom homem! quero um fato,
Tem que me sirva? - Vamos ver...
Olhou, mexeu na casa toda.
- Eis aqui um e bem barato.
- Está na moda? - Está na moda.
(Gostei e nem quis apreçá-lo:
Muito justinho, pouca roda...)
- Quando posso mandar buscá-lo?
- Ao pôr-do-Sol. Vou dá-lo a ferro:
(Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)

Ó meus Amigos! salvo erro,
Juro-o pela alma, pelo Céu:
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Irá mais dândi, olhai! do que eu!
========================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

" Bilhete "

                                    (A Lair Leoni)

Eu hoje acordei rico de repente:
    foi tua carta que chegou, trazendo
esse ar fresco do Sul, e o colorido
          com que tinges as coisas que te cercam;
    e as palavras que colhes, e a alegria
    que espalhas a mancheias pela vida
         nesse deslumbramento dos que cantam
      com o coração ainda sem sal nem fel.
Eu hoje acordei rico de repente: 
com as mãos cheias de flores,     
                      essas flores que nem sabes, colheste para mim,
e me mandaste neste ramo verde 
      que floriu sobre a mesa - a tua carta, -
       e  eu  pus  na  jarra  do   meu  coração.
============================
Um Soneto de São Paulo
-
DARLY O. BARROS

Reciclagem


O outono chega e o seu poder externa,
provando ser do clima o novo dono
mas, prevenida, a natureza hiberna
– colo de mãe e só o quer, no outono…

E como é próprio da missão materna,
zelosa, a terra vela por seu sono:
entre deveres e atenções se alterna
sonhando-a, gloriosa, no seu trono…

Com esse fito, age – o tempo é breve –,
se a brisa sopra, ainda só de leve,
há que pensar no inverno e em seus rigores!

Meses mais tarde, coroando a espera,
a terra-mãe exibe a primavera,
engalanada de verdor e flores…
========================
O Universo das Sextilhas do Zé Lucas
-
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN (1934)


Vejo a poesia estampada
na manhã que se levanta,
na ternura dolorosa
dos olhos da Virgem Santa
e na grandiosa beleza
da cachoeira que canta!
===============================
Uma Poesia Além Fronteiras
-
JOÃO MAIMONA
Angola

Arte Poética

Que erosão
no choque genésico das marés
de encontro às pedras habitadas.

Cai areia na areia.

Assim o gasto da palavra
limando os duros conformismos
libertando as verdades mais remotas
tão necessárias ao fruir dos gestos.
=====================
Um Poema Livre Premiado, de Balneário Camboriú/SC
-
ELIANA RUIZ JIMENEZ

Talha a Terra


Talha a terra
fende a rocha
ruma à frente
desabrocha.

É a mulher
lida e labor
sol nascente
beija-flor.

Posta à prova
jamais temente
pois é da fé
recipiente.

É a mulher
vulcão, virtude
florão de amor
em plenitude.

(4o. Lugar no I Concurso Literário “Maria Mariá” 2013, modalidade Poema Livre, em Maringá/PR) 

=====================
O Universo de Drummond
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 - 1987) Rio de Janeiro/RJ

Hino Nacional
Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
O Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.

O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...,

Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis Jõao-Pessoas...

Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum BRasil existe. E acaso existirão os brasileiros?
========================
Uma Poesia de São Paulo
-
ZULEIKA DOS REIS

Declaração


Afirmo sob juramento: hoje
nesta terça-feira, dia de Marte,
na noite sequestrada pela urbe
vi uma estrela no profundo céu.

Temo que não consigas tu me ouvir
no bulício de tantas aflições.
Temo que não me possas tu falar
em hora assim, de céus longe demais.

Contrapondo, tal flor furando o asfalto,
ouso afirmar-vos: eu vi uma estrela
fugitiva das luzes de néon.

A vós, poeta por escolha e fado,
a contragosto arauto deste Reino,
reafirmo: uma estrela escapou.
======================
UniVersos Melodicos
-
Gordurinha e Nelinho

SÚPLICA CEARENSE


Súplica Cearense" é uma canção do cantor e radialista e humorista e artista de circo baiano Waldeck Artur de Macedo, mais conhecido como Gordurinha, em parceria com o compositor Nelinho, lançada em 1960 e gravada pelo próprio Gordurinha.

A canção, conhecida pela gravação original em 1960 , chegando a vender naquela época sem internet 400 mil cópias.

A música foi composta em um programa de tv que arrecadava dinheiro para ajudar a população do nordeste, o qual acabava de sofrer uma enchente que destruíra os lares.

Gordurinha e Nelinho, com seus talentos unidos , fizeram a música no camarim e apresentaram ao vivo.
(Fonte: wikipedia)


Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará
==========
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
MEU AZULÃO


Meu azulão, oi, paro aro aro
Avoador, oi, paro aro aro
Entrou na roda, oi, paro aro aro
Ai, meu amor, oi, paro aro aro

Eu queria ser papel
Pra voar de avião
Para ver o meu benzinho
No Colégio Diocesano

Atirei o limão verde
No fundo de uma bacia
Deu no cravo, deu na rosa
Deu na moça que eu queria

Fonte:
ARAÚJO, Alceu Maynard; Aricó Júnior. Cem melodias folclóricas; documentário musical nordestino. São Paulo: Ricordi, 1957, doc.07.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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