Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Oscar Nakasato (Nihonjin)

Por José Castello

Oscar Nakasato nasceu em Maringá-PR (1963), graduado em Letras, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, doutor em Literatura Brasileira.

Atualmente reside em Apucarana-PR e é professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Premiado no III Festival Universitário de Literatura Xerox – Livro Aberto em 1999, com o conto
Olhos de Peri e Alô; ganhador do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio, Categoria Especial Paraná em 2003, com o conto Menino na árvore; do Prêmio Benvirá de Literatura em 2011; do Prêmio Bunkyô de Literatura em Língua Portuguesa em 2011 e do Prêmio Jabuti na categoria romance em 2012 com Nihonjin.
Autor do livro Imagens da integração e da dualidade: personagens nipo-brasileiros na ficção.

======================
“Nihonjin”, o primeiro romance de Oscar Nakasato - vencedor do prêmio Jabuti de 2012 em sua categoria - é, antes de tudo, um livro delicado, escrito com clareza e prudência. Através da saga de Hideo Inabata, um japonês que emigrou de Kobe, Japão, para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo, o romance relata, com elegância e sem excessos, a história da imigração japonesa para o Brasil, iniciada no alvorecer do século 20.

É um romance sutil, narrado com firmeza e sem qual qualquer interesse pelas ousadias estéticas. Um romance escrito como se todo um século - o de Joyce, Kafka, Faulkner - não importasse. Ao contrário: Nakasato (como ele mesmo declarou em entrevistas recentes) deseja, antes de tudo, contar uma história, resgatar um tempo que, embora recente, parece perdido. Neto, ele mesmo, de imigrantes japoneses, sua figura se mistura com a do narrador sem nome, neto do protagonista Hideo, que, com frieza e objetividade, recupera a aventura do avô e de seus descendentes.

Um romance simples que, fiel a um passado anterior à revolução modernista, no qual se ambienta, guarda a aparência de um álbum de recordações íntimas. Álbum composto não de fotografias, mas de relatos que têm como único objetivo registrar impressões e capturar nacos da memória. Mesmo nos momentos mais dramáticos, como a morte de Kimie, primeira e frágil mulher de Hideo, que faleceu com a esperança de ver os cafezais paulistas cobertos de neve, um prudente Nakasato não se permite o extravasar das emoções. A contensão que caracteriza sua escrita se expressa neste breve trecho: “A morte chegou lentamente. Há quanto tempo morria? Tranqüila, congelada pela neve, congelada pelo sol”.

O romance expõe, de modo igualmente sereno, a luta entre duas visões de mundo: entre aqueles que, mesmo vivendo do outro lado do mundo, se mantêm fiéis ao culto do Japão Imperial, e os que, cientes de que o tempo não volta atrás, preferem se agarrar às coisas do presente. Movido, mais uma vez, pela ponderação, e fiel a sua estética realista, Oscar Nakasato não toma partido, nem usa a literatura para desfraldar bandeiras. Como um retratista calejado, limita-se a registrar imagens e a reproduzir relatos, sem desejo algum de neles interferir.

A opção de Nakasato pelo estilo seco e pelo equilíbrio evoca, de certa forma, a mística a respeito do temperamento japonês, que seria sempre criterioso (“zen”), sem se deixar abalar pelos extremos, e que se caracteriza por um comportamento comedido e protocolar. O protocolo realista domina, de ponta a ponta, Nihonjin, como se, para o autor, as palavras fossem apenas um instrumento para a captura do real. Como se, indiferente às turbulências do modernismo, ele escrevesse ainda agarrado às calças do avô.

Não se pode negar que há uma beleza nessa atitude. Em nossos tempos velozes, quando vivemos hipnotizados pelo futuro, ousar um vigoroso passo atrás não deixa de ser uma prova, senão de coragem, pelo menos de independência intelectual. A certeza de si rege o romance de Oscar Nakasato, um escritor discreto, que faz da timidez e da cautela o seu estilo.

Fontes:
Biografia: SESC Maringá
artigo de José Castello: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/11/30/resenha-de-nihonjin-de-oscar-nakasato-477057.asp. 30/11/2012

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to