Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 123 )


Uma Trova do Paraná
-
DÉSPINA ATHANÁSIO PERUSSO
São Jeronimo da Serra

-
Belo e vetusto pinheiro!
Tão alto... é grande a distância...
foi meu leal companheiro
nos doces anos da infância...
============================
Uma Trova sobre Ecologia, de Saquarema/RJ
-
JOÃO COSTA

-
O machado, a motosserra,
a ganância desmedida...
É o fim da verde na Terra,
é o extermínio da vida!
============================
Uma Trova do Izo
-
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP

-
A saudade não me poupa,
desenhando, fio a fio,
o perfil da tua roupa
no guarda-roupa vazio...
============================
Uma Trova Lírica/ Filosófica, do Rio de Janeiro
-
EDMAR JAPIASSÚ MAIA

-
Zarpei, em hora furtiva,
no meu barco de emoções...
E hoje navego,  à deriva,
o mar das desilusões!
============================
Uma Trova Humorística, do Rio de Janeiro
-

NOEL BERGAMINI
-
Os biquínis vão subindo,
e, cada vez mais cavados...
- Os moços ficam sorrindo!
- Os velhos ficam tarados!
============================
Uma Trova do Ademar
-
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN

-
Minha mente é qual jazida
onde o verso prolifera..
De poesia eu pinto a vida
com cores da primavera!
============================
Uma Trova Hispânica, da Argentina
-
STELLA MARIS TABORO

-
Primavera a tus colores
yo le robé sus pinceles
y a tus flores di sabores
con rocíos y con mieles
============================
Uma Trova Ecológica sobre Queimada, de Pindamonhangaba/SP
-
JOSÉ RAUL VINCI

-
Nossa fauna e nossa flora
são por vezes dizimadas
por um louco que ignora
o perigo das queimadas.
============================
Trovadores que deixaram Saudades
-
MENOTTI DEL PICCHIA
São Paulo/SP (1892 – 1988)

-
Que o amor é uma angústia enorme
sei porque amores já tive...
quem tem amores não dorme,
mas quem não ama não vive !
============================
Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
-
LUIZ OTÁVIO
(Gilson de Castro)
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP

-
Amarga insatisfação
que só desejo nos dá
de ter o que não se tem,
de estar onde não se está...
============================
Uma Trova da Rainha dos Trovadores
-
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981

-
Feliz nunca fui! Sem crença,
procuro a felicidade,
Como o cego de nascença
que quer ver a claridade.
============================
O Universo de Leminski
-
PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 - 1989)

-
Nunca houve isso,
uma página em branco.
No fundo, todas gritam,
pálidas de tanto.
============================
  O Universo das Glosas de Gislaine
-
GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS
-
P. DE PETRUS
-
Primavera

-
MOTE:
-
A primavera vem vindo!...
há festas, risos e amores...
é Deus que chega sorrindo
pelo sorriso das flores...
-
GLOSA:
-
A primavera vem vindo,
perfumada e colorida,
e o inverno vai fugindo
em sua louca corrida!

Nessa gostosa estação,
há festas, risos e amores,
que servem de inspiração
aos poetas trovadores!

Tudo é mais que muito lindo
na inigualável beleza...
é Deus que chega sorrindo
nas flores da natureza!

A Primavera nos traz
numa imensidão de cores,
a felicidade e a paz
pelo sorriso das flores...
============================
Uma Trova do Rei dos Trovadores
-
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ

-
Minha camisa velhinha,
lavada à flor de melão,
tira-me o peso da vida,
faz-me leve o coração.
============================
O Universo do Haicai de Seabra
-
CARLOS SEABRA
(São Paulo/SP)

-
gota de chuva
escorre na parreira
pára na uva
============================
Galáxia Poética do Francisco Pessoa
-
FRANCISCO JOSÉ PESSOA DE ANDRADE REIS
Fortaleza/CE
-
Gatu’s Bar

-
Tira gosto é cajarana
Para Pitú, Ypióca,
Mas eu prefiro paçoca
Sempre que vou a Santana
Eu tomo uma boa cana
Para poder me esquentar…
Sem saber onde parar
Vou seguindo pelo faro
Você sabe aonde paro?
Eu paro no GATU’S BAR.

Voltando liso, sem grana,
Deixo esta bela cidade
No bolso levo saudade
Quando saio de Santana
Bom boêmio não se engana
Quando é noite de luar…
Eu sei que vou viajar
Nesta estrada traiçoeira
Pra tomar a saideira
Eu paro no GATU’S BAR.
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O Universo Poético de Emilio
-
EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR (1816– 1918)
-
O Rio guerreiro

-
Rota a vertente, a rocha rebentando,
Impetuoso em esguicho o campo irrora;
Regato agora, agora largo e brando,
De branca espuma a superfície enflora.

Logo torrente o crespo dorsa impando,
- Quer seja noite, quer o veja a aurora –
Légua a légua o terreno conquistando,
Vai caudaloso pelo vale em fora.

Ei-lo afinal - o forte curso findo,
Num esforço estupendo, soberano.
Fero, revolto, arroja-se rugindo

Aos loucos roncos vagalhões do Oceano.
A Pororoca o estrondo repetindo
Eternamente do combate insano!…
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O Universo Poético de Sardenberg
-
ANTONIO MANOEL ABREU SARDERNBERG
São Fidélis/RJ (1947)
-
Arraial do Cabo

-
É mar, maré, maresia,
Morenas de fio dental
Livres na areia macia
Na “Prainha” de Arraial.


Céu azul e um sol ardente,
Água fria e cristalina,
Cinqüentona envolvente
Exibe toda contente
Seu corpinho de menina.


Oh! linda Arraial do Cabo,
Como é bom estar contigo!
Eu aqui quase me acabo
Com as cervejinhas geladas
No “Quiosque dos Amigos”.

 Poema dedicado a "Praínha" (Arraial do Cabo/RJ),
uma das mais belas praias do litoral brasileiro
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O Universo Poético de Cecília
-
CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ
-

Herança
  -
Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?
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O Universo Melódico de Assumpção
-
MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ
-
A Porta

-
É sempre assim, todo dia você se prepara e sai.
Não esquece a bolsa, as chaves, os jornais.
Mas nunca me pergunta como vai o amor.
Pode ser que no momento de atravessar a porta,
Você perceba o quanto nos tornamos sós.
A luz do sentimento quase se apagou.
Aí então, verá que o amor não é filme...
É como as rosas de um jardim que você deve regar,
Solidão a dois agora mais do que parece
Precisamos enxergar,
Antes da porta se fechar
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O Universo Haicaista de Guilherme
-
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP
-
Árvores no Outubro

-
Na casca, a ferida
 como mercurocromo.
A folha esquecida.
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O Universo Sonetista de Alma
-
ALMA WELT
Novo Hamburgo/RS (1972 – 2007)
-
O Corpo Imaginário

-
Sim, nosso corpo é imaginário,
Efêmero ele passa e se dilui
No fluxo contínuo sem horário,
No espaço em que pouco denso flui.

Derretemos como vela em devoção
Sem permanência sequer de boas obras
Nem dos pensamentos a intenção
Ou de nossa astúcia as vis manobras.

Mas a alma, essa sim, tem consistência
Pelo menos duradoura, não fugaz
Do corpo que é só pura aparência.

E assim, em nossa alma confiemos
Pois nela um universo se compraz,
E cabe todo no sonho que vivemos...
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Uma Poesia
-
ARTUR DA TAVOLA
Rio de Janeiro/RJ (1936 - 2008)
-
O Peixe

-
Cego e sagaz
tudo vê e nada sabe.
Mudo e falaz
é lâmina sem espada,
folha elegante de matéria
do abissal silêncio onde reina sem querer.
não
O peixe cumpre rituais
que desconhece.
Pecilotérmico,
é faca, escama, escuna
de peso levitado e fléxil.
Respiração sem ar.
O peixe escamoteia a inércia
e re-inaugura
a gratuidade do movimento
que o conduz à não direção
onde se esconde, copula,
e consome o invisível.
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Constelação de Versos de Paccola
-
RENATA PACCOLA
-
 São Paulo/SP (1963)
-
A espera angustia

-
A espera angustia.
Você pára,
a mente se esvazia.
Aí você acende um cigarro,
começa uma poesia,
e alguém,
que você nunca viu,
começa a encará-lo.
Aí você perde o embalo,
fica sem graça,
coça o braço,
e olha para o outro lado.

A saudade angustia.
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Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha Portuguesas
-
GLIN-GLIN

 -
Glin-glin, que tens ao lume?
 Glin-glin, tenho papas.
 Glin-glin, dá-me delas.
Glin-glin, não tenho sal.
Glin-glin, manda-o buscar.
 Glin-glin, não tenho por quem.
Glin-glin, por João Branco.
 Glin-glin, não pode, está manco.
Glin-glin, quem o mancou?
Glin-glin, foi um pau.
Glin-glin, que é do pau?
Glin-glin, o lume o queimou.
Glin-glin, que é do lume?
 Glin-glin, a água o apagou.
Glin-glin, que é da água?
Glin-glin, o boi a bebeu.
Glin-glin, que é do boi?
Glin-glin, foi moer o trigo.
Glin-glin, que é do trigo?
Glin-glin, a galinha o comeu.
 Glin-glin, que é da galinha?
Glin-glin, foi pôr ovos.
Glin-glin, que é dos ovos?
Glin-glin, o frade os comeu.
Glin-glin, que é do frade?
Glin-glin, foi dizer missa.
Glin-glin, que é da missa?
Glin-glin, já está dita.
Glin-glin, que é da campainha?
Glin-glin, está aqui! Está aqui!

http://luso-livros.net/
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O Universo Poético de Quintana
-
MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994)
-
O Auto-Retrato

-
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!
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O Universo de Fernando Pessoa
-
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935
-
Vendaval
 

-
Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!
Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles - teu pulso divida
Minh'alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!

Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?

Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!

E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!

Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!
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O Universo Poético de Vinicius
-
VINICIUS DE MORAES
(Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes)
Rio de Janeiro (1913 – 1980)
-
O bom pastor

-
Amo andar pelas tardes sem som, brandas, maravilhosas
Com riscos de andorinhas pelo céu.
Amo ir solitário pelos caminhos
Olhando a tarde parada no tempo
Parada no céu como um pássaro em vôo
E que vem de asas largas se abatendo.
Amo desvendar a vaga penumbra que desce
Amo sentir o ar sem movimento, a luz sem vida
Tudo interiorizado, tudo paralisado na oração calma...

Amo andar nessas tardes...
Sinto-me penetrando o sereno vazio de tudo
Como um raio de luz.
Cresço, projeto-me ao infinito, agitando
Para consolar as árvores angustiadas
E acalmar os pinheiros moribundos.
Desço aos vales como uma sombra de montanha
Buscando poesia nos rios parados.
Sou como o bom-pastor da natureza
Que recolhe a alma do seu rebanho
No agasalho da sua alma...E amo voltar
Quando tudo não é mais que uma saudade
Do momento suspenso que foi...
Amo voltar quando a noite palpita
Nas primeiras estrelas claras...
Amo vir com a aragem que começa a descer das montanhas
Trazendo cheiros agrestes de selva...
E pelos caminhos já percorridos, voltando com a noite
Amo sonhar…
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Constelação Poetrix de Goulart
-
GOULART GOMES
Salvador/BA (1965)
-
Rima

-
coledocojejunostomia
(não sei o que é
mas serve pra poesia)
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Uma Poesia de Portugal
-
JOAQUIM NAMORADO
Alter do Chão (1914 – 1986) Coimbra
-
7 Poemas

-
Sete pequenos poemas para uma obra de Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957), ilustrador, que exerceu influência determinante nas modernas artes gráficas portuguesas, quer através de capas, quer de ilustrações que realizou para obras de escritores seus contemporâneos
-
1
Um menino chora,
sem razão?!…
A mãe limpa com um lenço branco
as lágrimas e chora,
chora porque chora
o seu menino,
sem razão?!…

2
Manta de maltez: sol do
inverno e sombra do
estio, mortalha pronta,
dossel do amor, tecto e
sobrado de não ter casa.
Manto de um rei das
encruzilhadas, sudário
rasgado de dentes e cutiladas;
uma almofada sobre as ortigas…
uma bandeira de Liberdade.

3
Flor da terra, carne dos
homens, de papoilas
bravas entre searas
coroada. Agua da fonte
corrente do rio, pão
ainda quente haste do
trigo. Porto seguro na
vida incerta, paz dos
teus braços da luta
incerta. Esperança e
consolo, pano de linho
sobre as feridas ainda
abertas; bandeira ao
vento. A manhã
que nasce está
nos teus olhos.

4
Os calos da mão apertam cabos
de enxadas quebradas e os
ferros dos arados rasgam
caminhos abertos nas futuras
madrugadas.

5
Um traço largo e profundo
debrua um corpo cansado,
sob a forma rígida de um braço
desenha-se o músculo empedernido
dos trabalhos.
Mapa da vida o teu rosto.
lavrado pelo trabalho,
um pergaminho vincado
da cicatriz da amargura.
Mas no fundo dos teus olhos,
tão firmes e tão seguros,
raia a certa madrugada
dos mundos futuros.

6
Num mundo de maiorais, de
feitores, de cães de guarda,
ficou no pó das estradas a
marca dos nossos passos
continuando outros passos. O
caminho é por aqui, dirá quem
vier depois olhando estes
sinais e disso estará tão certo
que o que ainda é distante lhe
será perto.

7
Sobre a planície cai
uma chuva de lume
do sol a prumo.
A solidão sem sombras
incendeia-se de estrelas
e o silêncio estala
como a pele de frenéticos tambores
batidos furiosamente.
Os homens dobrados para a terra levantam
as cabeças medindo os horizontes rasos e
distantes com olhos ávidos, sem piedade.
============================
O Universo de Auta
-
Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN
-
Noites Amadas

 -
Ó noites claras de lua cheia!
Em vosso seio, noites chorosas,
Minh’alma canta como a sereia,
Vive cantando n’um mar de rosas;

Noites queridas que Deus prateia
Com a luz dos sonhos das nebulosas,
Ó noites claras de lua cheia,
Como eu vos amo, noites formosas!

Vós sois um rio de luz sagrada
Onde, sonhando, passa embalada
Minha Esperança de mágoas nua...

Ó noites claras de lua plena
Que encheis a terra de paz serena,
Como eu vos amo, noites de lua!
============================
O Universo Triverso de Millôr
-
MILLÔR FERNANDES
(Milton Viola Fernandes)
Rio de Janeiro (1923 – 2012)

-
Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.
============================
O Universo de J. G.
-
J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ
-
Consolo Inútil

-
Feliz ou infeliz,
continuarei te falando de amor
(mesmo que não queiras)
- nos versos que te fiz
ou te farei...

Basta para mim, que os releias às escondidas,
sozinha,
e sofras porque não és
tu que já foste minha...
============================
Galáxia Haicaista de Posselt
-
ALVARO POSSELT
Curitiba/PR
 

-
Sentado no banco
o gato finge
que é uma esfinge
===============================
Um Soneto de Recife/PE
-
JOSÉ GILVAN SILVA
-
Soneto da Consolação

-
 Eu encontro tua ausência no silencio
 do meu triste e desolado apartamento,
 Em cada canto, em cada pensamento
 Deixaste um pouco da tua presença.

 Foi tanto amor, de fato, tanta história
 Escrita todo dia sem que eu lesse,
 Que a minha vida era um céu aberto
 E ficou fechado sem que eu percebesse.

 Eu sei que te perder foi a maior
 Porrada que recebi no meu nariz.
 Chorei uísque, sangrei vinho, orei,

 Senti-me abandonado e infeliz,
 Mas não esqueço que nossos momentos
 Foram mais intensos que minha cicatriz.
============================
O Universo das Setilhas do Zé Lucas
-
ZÉ LUCAS
(José Lucas de Barros)
Natal/RN (1934)

-
Entre as coisas que a vida me propôs,
desde o tempo feliz da tenra idade,
e eu procuro seguir com todo o empenho,
vêm, na linha de frente, a honestidade
e os princípios do amor e da harmonia,
porque Deus vai querer que eu prove, um dia,
o que fiz pra ganhar a eternidade.
-
Fonte:
Debate em Setilha Agalopada entre os potiguares Zé Lucas, Prof.Garcia e Ademar Macedo)

============================
O Universo Poético de Constantino
-
LÚCIA CONSTANTINO
(Maria Lúcia Siqueira)
Curitiba/PR
-
Sobre os Lírios

-
Esta Tua mão se abaixa
e toca o lírio do campo.
Me dás o fruto dos Teus gestos
ao tecer meu sorriso
ao determinar meu pranto.

Teus pés caminham firmes.
Cidadela em torno d'alma,
de minha alma que vestistes
sob o contorno de Tua palma.

Tu te abaixas e persistes
a acolher lírios dos campos.
Neste meu tão breve céu
sou lírio asilado sob Teu manto.
============================
Uma Poesia Além Fronteiras
-
WALT WHITMAN
Estados Unidos (1819 – 1892)
-
Enquanto eu lia o livro

-
Enquanto eu lia o livro, a famosa biografia:
- Então é isso (eu me perguntava)
o que o autor chama
a vida de um homem?
E é assim que alguém,
quando morto e ausente eu estiver,
irá escrever sobre a minha vida?
(Como se alguém realmente soubesse
de minha vida um nada,
quando até eu, eu mesmo, tantas vezes
sinto que pouco sei ou nada sei
da verdadeira vida que é a minha:
somente uns poucos traços
apagados, uns dados espalhados
e uns desvios, que eu busco
para uso próprio, marcando o caminho
daqui afora.)
============================
O Universo de Adélia
-
ADÉLIA PRADO
(Adélia Luzia Prado Freitas)
Divinópolis/MG (1935)
-
Poema Começado do Fim

-
Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
============================
O Universo Poético de Bilac
-
Olavo Bilac
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)
-
Delírio

-
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci.…
============================
O Universo de Carlos Drummond de Andrade
-
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 - 1987) Rio de Janeiro/RJ
-
Nota Social

-
O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.

O poeta entra no elevador
O poeta sobe
O poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
============================
UniVersos Melodicos
-
Ary Barroso
-
FAIXA DE CETIM

(samba, 1942)
-
Bahia, terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia de Iaiá e Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou

Quando eu nasci
Na cidade baixa
Me enrolaram numa faixa
Cor de rosa de cetim

Quando eu cresci
Dei a faixa de presente
Pra pagar uma promessa
Ao meu Senhor do Bonfim

Pedi que me abrisse um abrigo
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Por minha felicidade
Sou feliz e ninguém mais feliz que eu
Senhor do Bonfim
============================
Uma Cantiga Infantil de Roda
-
LA CONDESSA

-
Nesta cantiga de roda aparecem vários personagens: A mãe, com a filha mais moça no colo, e as restantes ficam umas de um lado e de outro, e dois cavalheiros. Então, chegam os cavalheiros e cantam:

La condessa, la condessa,
Língua de França, lei de lanceta

A mãe responde:

O que quereis, qual a condessa,
Que por ela perguntais?

Os cavalheiros:

Mandou dizer rei meu senhor,
Que das filhas que ela tem,
Lhe mandasse a mais moça,
Para eu casar com ela

A mãe:

Eu não dou as minhas filhas
No estado em que elas estão;
Nem por ouro, nem por prata,
Nem por sangue de Aragão

Os cavalheiros:
Tão alegres que viemos
E tão tristes que voltemos,
Que a filha de la condessa
Nós daqui não a levemos

A mãe:

Volta cá, bom cavalheiro
Para ser homem de bem
Escolhei neste convento
Aquela que vos convém

Os cavalheiros:

Esta quero, esta não quero
Esta come o pão da ceia
Esta carne do espeto
Esta o vinho da galheta

A mãe:

Vós levais a minha filha
Veijai o trato que lhe dão
O pão que o rei comer
O vinho que o rei beber
Ela também beberá

O cavalheiro leva então a menina escolhida, que senta a uma certa distância, e canta novamente com ele:

Assentai-vos aí menina
A coser e a bordar;
Que do Céu te há de vir
Uma agulha e um dedal

Quando eu for ao Maranhão
Hei de trazer-te um bom cordão
Se não for de ouro fino
Há de ser de um bom latão

Para trazer as outras meninas, o cavalheiro repete todos os versos e a que faz de mãe repete igualmente os seus. A última criança, que está no colo, é arrancada à força dos braços da mãe
-
Fonte:
Veríssimo de Melo. Rondas infantis brasileiras. Sã
o Paulo: Departamento de Cultura, 1953
.
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O Universo Poético de Feitosa
-
SOARES FEITOSA
(Francisco José Soares Feitosa)
Ipu/CE (1944)
-
Do Belo-Belo

-
para Manuel Bandeira,
inventor de outros belos.

-
É mentira dos paisagistas,
quando dizem:
o belo deve ser o grande canion;
as paisagens da tundra gelada;
os coelhos, os alces da planície;
um olho distante,
a mata
em flor.
Belo também deve ser à tarde rubra
(que eu mesmo cantei,
dos meus paredões, Ibiapaba,
a serra vasta),
o sol rasgando a montanha,
quando s’escondia
pro outro dia...
Também belo, o sorriso
da mulher
(ou do homem, conforme)
amada, amado,
que o amor é belo
e ninguém contesta.
Nenhuma beleza maior,
porém, do que a dos dois-dentes,
dois,
podem ser os de cima,
podem ser os de baixo,
quatro;
também pode ser assim, quatro,
ensaiados de um sério para um sorriso,
os dentes - ou somente o lugar deles, dentes;
uma gengiva, melhor assim, só a gengiva,
banguela, ao nascedoiro do que há de vir -
e a criança, e os dois meses
e o seio pleno,
derramado,
pingado, apojado, cheio:
- meu filho...
A profunda paz de fêmea-mãe,
que a voz e os olhos se transmudam,
se regaçam de multi,
multitons de paraíso - deve ser igual -,
e os cherubins
abaixam, trêmulos, as espadas, deixam-na entrar...
que lá,
por certo, e o sorriso,
um dia fora assim mesmo:
- mãe,
sou eu, amor.
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Universo Poético de Du Bois
-
PEDRO DU BOIS
Itapema/SC (1947)
-
Ao Poeta

-
Ao poeta
os restos
recompostos
das palavras
multiplicadas
em versos:

o esconderijo revelado
no cansaço ensimesmado
das pedras dispostas em alas;

ao poeta o rosto
na musa desvelado.
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Universo Acróstico de Motta
-
SILVIA MOTTA
(Silvia de Lourdes Araujo Motta)
Belo Horizonte/MG (1951)
-
Quanto Vale Amar?
-
Homenagem para Cromeu nº 5084
-
Q-Quanto vale amar se tiver
U-Um coração desavisado?...
A-Ardor de um beijo pode trazer
N-No puro ato descombinado
T-Toda a decepção da não aceitação
O-Oferecendo o rol dos mal-amados!
 -
V-Vale a pena esperar o momento certo?
A-Amor acontece, assim, tão de repente...
L-Leva a razão para um lugar incerto...
E-E nem tem medo da lição consequente...
 -
A-Amar exige demonstrar sentimento?
M-Mas, se a declaração não ganhar retorno
A-Aprenderá quanto vale o sofrimento:
R-Refrear o juízo que só traz prejuízo.
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O Universo Poético de Ordones
-
RAQUEL ORDONES
Uberlândia/MG
-
Entre o céu e o chão

-
Entre o céu e o chão existe um alguém
Um anjo trigueiro que me faz navegar
Entre o céu e o chão me sinto tão bem
Por ter batido as asas no meu caminhar.

E às vezes sinto o céu tão perto de mim
Quase sinto as nuvens em algodão doce
Às vezes o chão sai dos meus pés, enfim.
É como se mudar para o vento eu fosse.

Entre o céu e o chão minha alma mora
Parece que namora a tua desde sempre
E é como se o céu existisse aqui e agora

E no espaço entre esse céu e esse chão
Respira um alguém que me faz suspirar
Simples, só por existir me causa emoção.
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O Universo Poético de Machado
-
MACHADO DE ASSIS
(Joaquim Maria Machado de Assis)
-Rio de Janeiro (1839 – 1908)
-
Um Anjo

À Memória de minha irmã

Se deixou da vida o porto
Teve outra vida nos céus.
A. E. ZALUAR


FOSTE A ROSA desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada,
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.

Rasgaste o manto da vida,
E anjo subiste ao céu
Como a flor enlanguecida
E pouco a pouco morreu!
Que o vento pô-la caída

Tu’alma foi um perfume
Erguido ao sólio divino;
Levada ao celeste cume
C’os Anjos oraste ao Nume
Nas harmonias dum hino.

Alheia ao mundo devasso,
Passaste a vida sorrindo;
Derribou-te, ó ave, um braço,
Mas abrindo asas no espaço
Ao céu voaste, anjo lindo.

Esse invólucro mundano
Trocaste por outro véu;
Deste negro pego insano
Não sofreste o menor dano
Que tu’alma era do Céu.

Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.
===================================
Universo de Versos de Simone
-
SIMONE BORBA PINHEIRO
Dom Pedrito/RS
-
Amor aos pedaços
 

-
Tal qual dois ladrões,
aqui estamos,
sob a égide da noite silenciosa,
roubando beijos, roubando sonhos
desta vida ilusória
que traçou nossos destinos assim:
Tão distintos, tão separados.

Contrariando as regras do destino,
nos unimos no anonimato e
fizemos cada momento,passado juntos,
ser valioso, único!

Nossas vidas, antes tão monótonas,
são hoje, recheadas de aventura,
viciadas num amor, carente de nós dois.
É triste, muito triste pensar,
que esse amor, tão alegre,
jamais sairá das sombras,
existirá somente entre nós dois
pois, você tem uma vida, antes de mim e,
eu jamais pedirei que se desfaça dela
por mais que me doa o coração.

Quero apenas, de alguma forma,
ser feliz com você, por isso,
aceito de bom grado,
esse amor aos pedaços,
que você me dá!
================================
Galáxia Poética de Nicolini
-
AMAURY NICOLINI
Rio de Janeiro/RJ (1941)
-
O Primeiro Amor

-
O meu primeiro amor, eu bem me lembro,
tinha quatorze ou quinze anos de idade,
e entrou na minha história num setembro
que se perdeu nas brumas da saudade.

O meu primeiro amor, eu bem me lembro,
também pensava em amar eternamente,
e me contava seu sonho, num dezembro
que também hoje sumiu da minha mente.

O meu primeiro amor tinha a esperança
de guardar a vida inteira na lembrança
mesmo o que fosse banal ou corriqueiro.

Mas esse amor era um sonho de criança,
e pelo que lembro, e a memória alcança,
não durou nem até o mês de fevereiro.
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Galáxia de Indrisos, de Iturat
-
ISIDRO ITURAT
Villanueva e La Geltrú/Espanha (1973)
-
O Poço de Água

                                  A Elis
-
Sonhei que eu era um poço,
sonhei que você era um poço,
que você, eu, éramos poço.

Éramos poço de água,
o mesmo poço de água,
um só poço de água.

Imensurável água

e sempiterno poço.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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