Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Que é Haicai (Kigô)

É comum entre escritores dizer que falta o kigô em um determinado haicai. Na definição ocidental de haicai, uma regra básica é a inclusão do kigô. Mas o que vem a ser kigô? Kigô é um termo tal como um nome de animal ou de planta que o escritor de haicai inclui em seu poema para informar ao leitor a estação em que esse poema foi escrito. Assim, a presença do termo sapo, um kigô de primavera para os japoneses, indica que o haicai foi escrito no nessa estação. Mas para entender se o kigô é ou não é importante vamos voltar um pouco no tempo.

Como informa Jane Reichhold, desde as primeiras tankas, as estações do ano, verão, inverno, primavera, outono, já eram importantes para os poetas antigos. A tanka, que era escrita em cinco frases foi quebrada ao meio, e passou a ser escrita por duas pessoas, uma para escrever os primeiros três versos e outra para escrever os dois últimos versos, o que deu origem à renga. As antologias imperiais da tanka (800 AD) usaram as estações como divisões. Mas indicar sempre a estação pelo nome, tornava os versos que já eram curtos, menos atraente. Então os poetas passaram a usar os elementos próprios de uma estação, mas para isso era necessário saber se uma aranha, por exemplo, era um elemento do outono ou da primavera. Contudo, nem toda tanka possuia os termos conhecidos próprios de uma estação, e então ficava difícil indicar a qual estação este termo pertencia. Assim, os escritores de tanka da época passaram a usar termos como "viagem", "lamentos" e naturalmente "amor" como pertencentes a uma determinada estação. Enquanto os poetas estavam no comando do gênero, eles aprenderam esta informação de seus mestres (como Bashô). Conforme a prática da renga espalhou-se além dos poetas para a "pessoa comum" esta informação erudita não foi mais passada de pessoa a pessoa mas pelo uso de um tipo de dicionário de kigô chamado Saijiki.

O uso do kigô em um haicai se torna complicado entre os próprios escritores japoneses. Como bem lembra Reichhold (com. pes.), o Japão, como muitos outros países é estreito e longo, fisicamente atravessando diversos graus de latitude, de modo que as estações vêm e vão diferentemente em suas seções norte e sul. Entretanto, para consistência, as estações consideradas pelos poetas são SOMENTE as de Tokyo, a capital, onde se concentrava a maioria dos poetas. Para nós de outros países, especialmente de outros hemisférios, os termos da estação tornam-se muito distorcidos. Assim, ao escrever o haicai em outra língua que não seja o japonês, nos confrontamos com esta diferença. Escrever um haicai cujo momento é o aqui e agora e usar um kigô que não corresponde a nossa realidade seria um total contra senso.

Fonte:
http://www.sumauma.net/haicai/haicai-teoria.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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