Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 33 )



Uma Trova Lírica-Filosófica do Paraná
JOSÉ FELDMAN

Reencontros e despedidas
são qual colcha de retalhos,
vão tecendo as nossas vidas,
transformando-as em cascalhos.
-
Uma Trova Humorística de Minas Gerais
HELOÍSA ZANCONATO PINTO
-

O Destino irreverente,
pôs no mundo, por capricho,
bicho com cara de gente,
gente com "jeito" de bicho!
-
Uma Trova Premiada em Bandeirantes/PR, 1980
MÁRIO PEIXOTO (RJ)

Velho trem, triste e rangente,
o horizonte é o teu estojo:
quanta esperança, na frente;
quantos LAMENTOS no bojo...
-
Uma Trova de Santa Catarina
ARI SANTOS DE CAMPOS

No palco do meu viver,
com a mente distraída,
eu sou ator sem saber
neste teatro da vida. 
-
Um Poema do Mato Grosso do Sul
TÂNIA GAUTO
Taperas


Não há cultura!
Ajudem! Rabisquem histórias.
Ergam costumes deliciosos.
plantem pés Mbaiá,
colham ritos Guarani,
encham o mar Xarayé.

Salguem carnes moças,
Temperem almas pobres.
Cantem noites vazantes,
Debrucem ais Paiaguá.
Vistam manhãs bonitas,
Namorem Maracajús.

Nas prateleiras de Barros
guardem bugras Conceições,
soldem nas calhas do tempo
Ferreiras, florais e Baís,
abram Mirandas estradas
salvem lendas Terena.

Proseiem Helenas horas
em dez cordas afinadas
e marquem de céu a chão
com as sementes, sangue porã,
que não há cultura nas águas,
mas, taperas escondidas nos Homens,
a serem catalogadas.
-
Trovadores que Deixaram Saudades
ANTONIO ALEIXO
Vila Real de Santo António/Portugal 1899 — 1949


Meus versos são dos piores;
não sou poeta distinto…
Mas talvez fossem melhores,
se os lessem como eu os sinto.
-
Um Haikai do Paraná
ALICE RUIZ

A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia
-
Um Soneto do Paraná
ARIOSWALDO TRANCOSO CRUZ (PR)
Contraponto


Eu fui feliz quando te vi cantando,
Como feliz eu fui quando sorrias,
Na tua vida fui-me abandonando,
Nos teus caprichos consumi meus dias.

Hoje, tu passas, nem sequer notando
Este coitado em quem tu te valias
Quando, de angústia, muita vez chorando,
Neste ombro amigo, as mágoas desfazias.

Mas, pouco importa se tudo esqueceste,
Pois, de nós dois, somente tu perdeste
Quando, afinal, me deste liberdade.

Um coração magoado injustamente,
Compreende logo que uma dor mordente
É o contraponto da felicidade.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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