Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 16 de fevereiro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 44)



Uma Trova Lírica-Filosófica de Goiás
ANATOLE RAMOS


Aquele, sim, é poeta,
de um gênero caricato,
pois faz poesia concreta
de um amor bem abstrato.
-
Uma Trova Humorística
Num dos jogos Florais de Nova Friburgo, Colbert Rangel foi chamado para receber seu troféu; JOÃO RANGEL COELHO, pai do Colbert levantou-se e disse:
.
O troféu dele uma “ova”.
Porque este troféu é meu,
que se ele é o autor da Trova,
o autor deste autor sou eu!…
-
Uma Trova Premiada em Ribeirão Preto/SP, 1993
LOURDES REGINA FERREIRA GUTEBROD (RJ)
.
Se há sombras nos teus caminhos
e é pesada a tua cruz,
planta o bem, que em vez de espinhos,
colherás rosas de luz!…
-
Uma Trova do Rio de Janeiro
ANTONIO CARLOS PIRAGIBE
.
Que imensidão de amarguras
transporta, em seu bojo, a nau,
nas notícias e gravuras
de um barquinho de jornal!

Um Poema De São Paulo
OLIVALDO JUNIOR
Um Poeta Está de Luto
.
Entre os livros, tantas letras,
um poeta está de luto.

Entre os móveis, quase imóvel,
um poeta está de luto.

Nunca soube ser amigo,
nem amou tal qual Vinícius.

Não consegue ser antigo,
nem se atreve aos precipícios.

Disse adeus, mas não se foi,
nem se vai sem reclamar.

Um poeta está de luto,
cansadíssimo da luta.

Entre os livres, borboletas,
um poeta está de luto.

Entre os ossos, quase em ócio,
um poeta está de luto.

Sofre a dor de ser amargo,
quando a vida é bem mais doce.

Colhe a flor de seu estrago,
quando a morte é quem a trouxe.

Não responde, não por mal,
para quem o vem chamar.

Um poeta está de luto,
cansadíssimo, na luta.

Entre e-mails, tantos meios,
um poeta está ao meio.

Entre os olhos, tantos olhos,
um poeta está de molho.

Nunca soube ser poeta,
mas amou alguém difícil.

Não consegue ser esteta,
mas se atreve a ter um vício.

Disse adeus, mas não se foi,
nem se vai sem ver o mar.

Um poeta está de luto,
mas prossegue na labuta.

Entre os louros, tantos logros,
um poeta está de luto.
-
Trovadores que Deixaram Saudades
BELMIRO BRAGA (MG)
Distrito de Vargem Grande (hoje Município com o seu nome)/MG (1872 – 1937) Juiz de Fora/MG
.
Eu morro por Filomena,
Filomena por Joaquim,
o Joaquim por Madalena
e Madalena por mim.
-
Um Haikai do Rio de Janeiro
NELSON SAVIOLI
.
Ao fechar os olhos –
a libélula continua
sobre a lagoa.
-
Um Soneto da Espanha
FRANCISCO DE QUEVEDO
(1560 – 1645)
Soneto


A fugitivas sombras dou abraços,
em sonhos cansa-se a alma nesta via,
passo sozinho em lutas, noite e dia,
com um trasgo que trago entre meus braços.

Quanto mais vou cerni-lo com meus laços,
em vendo meu suor se me desvia.
Volto com nova força a esta porfia
e tal teima de amor faz-me em pedaços.

Vou vingar-me na imagem doidivana,
que não me sai da vista onde a recrio;
de mim se burla, e se burla ufana.

Se começo a segui-la, falta brio;
e, como de alcançá-la tenho gana,
faço correr-lhe atrás o pranto em rio.

–––––––––––
NOTAS

1: A cada 2 meses, o Chuva de Versos em e-book.

2: Tenho recebido muitos e-mails de trovadores agradecendo e/ou enviando seus trabalhos, peço que me perdoem, não os respondo  de imediato, mas gradativamente, para que o tempo seja hábil para oferecer novos versos ao despontar da aurora.

3: Trova Humoristica obtida no Curso de Trovas, de Izo Goldman, 1994

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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