Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 47)


Uma Trova Lírica-Filosófica de São Paulo
OLIVALDO JUNIOR
Pobre é quem não sabe o quanto vale a companhia. Alento é tudo o quanto um Paulo César Pinheiro pode escrever, ou compor. Compor é transpor para outros olhos o quanto seus olhos já viram.
.
Nem de nylon e nem de aço:
tuas cordas, violão,
são de nada quando abraço
toda a nossa solidão.
-
Uma Trova Humorística
CLÓVIS MAIA, num baile, à uma senhorita que trazia um “generoso” decote:

Este babado cercando
o teu decote rasgado,
deixa os barbados babando
prá babar no teu babado…
-
Uma Trova Premiada em São Paulo, 1988
VASQUES FILHO (CE)
.
Neste alaúde singelo,
dedilhando sons tristonhos,
vou, de castelo em castelo,
cantando em trovas meus sonhos.
-
Uma Trova do Rio de Janeiro
SÉRGIO F. DOS SANTOS

.
Nem me lembro mais do gosto
da tal noite de verão,
e até hoje pago imposto
que ela chama de pensão...

Um Poema do Piauí
ALBERTO LUIS DA SILVA PINTO
Deixe
.
Deixe qu’eu me ande em seu caminho,
Que dele faça meu destino
E sinta em você o meu amanhã.
Deixe qu’eu me entre em seu íntimo,
Que dele faça meu descanso
E sinta em você o meu abrigo.
Deixe qu’eu me desfrute em seu sabor,
Que dele faça meu alimento
E sinta em você o meu viver.
Deixe qu’eu me sonhe em seu sonho,
Que dele faça meu fanatismo
E sinta em você o meu mundo.
Deixe qu’eu me encontre em seu corpo,
Que dele faça meu leito
E sinta em você o meu acalanto.
Deixe qu’eu me admire em seu olhar,
Que dele faça meu farol
E sinta em você o meu brilho.
Deixe qu’eu me viva em seu desejo,
Que dele faça meu prazer
E sinta em você o meu dia-a-dia.
Deixe qu’eu me deite em seu colo,
Que dele faça meu aconchego
E sinta em você o meu adormecer.
Deixe qu’eu me fique em seu ser,
Que dele faça meu querer
E sinta em você o meu
Único, eterno e verdadeiro amor.
-
Trovadores que Deixaram Saudades
EMILIANO PERNETA
(Emiliano David Perneta)
Curitiba/PR 1866 -1921

.
Pensais de mim que sou cego,
e que sou doido perfeito.
Mas eu também não vos nego
ter de vós igual conceito.
-
Um Haikai de São Paulo
MARIO ISAO OTSUKA
.
Veloz e gracioso
mais rápido que o olhar –
O voo da libélula.
-
Um Soneto do Rio Grande do Sul
ALMA WELT
.
Anti-Soneto
.
Hoje decidi não escrever.
Sinto muito, não haverá soneto.
Não se trata de inspiração não ter,
Mas me faltou este quarteto.
 
O segundo me parece duvidoso:
É este que só quer aparecer.
Sem ter realmente o que dizer
Poderá criar um círculo vicioso.
 
Então me reduzi a um terceto:
O próximo, se este me resvale
E seja só um prólogo ou moteto.
 
Mas pensando bem, é melhor não:
Esta montanha é apenas o seu vale,
Ou uma torre que é só o rés do chão…
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Trova Humoristica obtida no Curso de Trovas, de Izo Goldman

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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