Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 28 de março de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 84)


Uma Trova de Curitiba/PR
LUIZ HÉLIO FRIEDRICH

Trova, pequena poesia,
que tantos encantos traz,
canta o amor, canta a alegria,
canta a pureza da paz.

Uma Trova Humorística de Caçapava/SP
ÉLBEA PRISCILA SOUZA E SILVA

Cumprida a pena, o coitado,
cuja mulher é bem feia,
suplicava ao delegado:
-"Deixa eu ficar na cadeia !"

Uma Trova Premiada  em Natal/RN, 2008
WANDA DE PAULA MOURTHÉ (Belo Horizonte/MG)

Estas rugas em meu rosto,
mais que vestígios da idade,
são trilhas do meu desgosto
onde passeia a saudade…

Uma Trova de Pedro Leopoldo/MG
WAGNER MARQUES LOPES

A trova me credencia
a ser feliz nesta vida:
ela - que traz alegria -
para o bem sempre convida.

Um Poema de Belo Horizonte/MG
CLEVANE PESSOA

Lunar

 

Nasci sob teus signo e signais.
Se estou em solidão, recolho-me minguante,
à míngua de carinhos entressonhados
ou já vividos...
Se a esperança acena sua mãozinha de jade
alegro-me,  permito-me imaginar, crescente...
Quando empobreço de cansaço, perdas e ausências,
visto-me de dourado, alma nua,
em campo aberto, deixo que tua luz me envolva,
vestido longo e fascinante,
seda pura...
E então, volto a bailar...
Quando engravido,
meu corpo é semiplenilúneo,
ventre túmido, imenso.
E nasce um novo ser...
Minha mente abre a porta do imaginário
e criativa, dá à luz
tudo que nela foi gestado...
Lua, lua, sou lunar,
minha bela fada madrinha ,
inspiração perene,
rainha...

Trovadores que Deixaram Saudades
BENNY SILVA
Campinas/SP


Há trovas tão engraçadas
e tão repletas de humor,
que, às vezes, damos risadas,
não delas, mas sim do autor…

Uma Setilha de Natal/RN
JOSÉ LUCAS DE BARROS

Entre as coisas que a vida me propôs,
desde o tempo feliz da tenra idade,
e eu procuro seguir com todo o empenho,
vêm, na linha de frente, a honestidade
e os princípios do amor e da harmonia,
porque Deus vai querer que eu prove, um dia,
o que fiz pra ganhar a eternidade.

Um Epigrama de Salvador/BA
JOÃO AMADO PINHEIRO VIEGAS
(1865 – 1937)


Entre as folhas amarelas,
A melhor é o Imparcial.
Mas, como paga em parcelas,
Só pode ser Parcial.

(contra o jornal baiano O Imparcial que pagou a Pinheiro Viegas parceladamente um artigo de sua autoria)

Um Haicai de Salvador/BA
CARLOS VERÇOSA

confuso
lutam em mim um kung fu
e um confúcio

Um Soneto de São Paulo/SP
CORNÉLIO PIRES
Tietê/SP (1884 – 1958) São Paulo/SP

A Origem do homem

 

– O senhor por acaso não descende
dos bugres que moravam por aqui?
– Hom’eu num sei dizê, vance comprende
que essa gente inté hoje nunca vi.

Mais porém o Bernado diz-que intende
que os moradô antigo do Brasi
gerava de macaco!… Inté me ofende
vê um véio cumo ele, ansim, minti.

D’otra feita um cabocro, – aí um caiçara, -
diz-que nascium de dois e inté de trêis
quando estralava um gomo de taquara!

Nóis num temo parente portuguêis,
nem mico, nem cuati, nem capivara…
Semo fio de Deus como vancêis!
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O Que é Setilha:
A setilha, com estrofes de sete versos, tem a seguinte rima:
o segundo, quarto e o sétimo verso rimam entre si e o quinto e sexto têm uma segunda rima entre si. Como exemplo, segue abaixo o cordel “As coisas do meu sertão”, do poeta Zé Bezerra de Carvalho.

1. Já falei de saudade [não rima]
2. Tristeza e ingratidão [rima 1]
3. De amor e de prazer [não rima]
4. E cantei de emoção [rima 1]
5. Quero agora cantar [rima 2]
6. E também quero falar [rima 2]
7. Das coisas do meu sertão [rima 1]
(Fonte: http://acorda.net.br/?page_id=1061)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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