Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 30 de março de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 86)


Uma Trova de Paranavaí/PR
DINAIR LEITE

Quero ser sempre a criança
com desejo de estudar,
curiosa e na esperança
de nunca me completar...

Uma Trova Humorística de Sorocaba/SP
DOROTHY JANSSON MORETTI

– Este bolso é meritório,
nunca viu nada roubado!
Perguntam lá do auditório:
- Terno novo, Deputado?

Uma Trova Premiada em Pedro Leopoldo/MG, 2003
A. A. DE ASSIS (Maringá/PR)

Era um guri tão terror,
que a escola inteira o temia.
Cresceu... virou professor...
paga com juro hoje em dia!

Uma Trova de São Simão/SP
THALMA TAVARES

Se o destino desaprova
minha ilusão desmedida,
eu ponho ilusão na trova
e sigo iludindo a vida.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
ANASTÁCIO LUÍS DE BONSUCESSO
(1836 – 1899)

Os Ossos


Os ossos de um nobre se encontraram
Com os ossos de um peão. Estando a sós,
Nas tristes solidões de um cemitério,
Pergunta o nobre ao outro: “Os teus avós?…

Por entre essas ossadas que embranquecem
Da lua ao clarão mostrai-me os vossos.”
Responde-lhe o plebeu: “Não os distinguo;
São do nobre e plebeu iguais os ossos.”

Nas pedras sepulcrais ainda brilham
Dos homens a vaidade e a impostura!
Levantai-as, leitor, lede nos ossos…
Somos todos iguais na sepultura!

Trovadores que Deixaram Saudades
NILTON DA COSTA TEIXEIRA
Monte Alto/SP (1920 – 1983) Ribeirão Preto/SP


Neste abraço em que te aperto,
com a beatitude de um monge,
sinto meu amor tão perto...
minha esperança tão longe!

Uma Décima de Natal/RN
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN (1951 – 2013) Natal/RN

O Sertão é um poema…


Deus na sua magnitude,
fez do sertão um palácio,
deixou escrito um prefácio
na parede do açude;
disse da vicissitude
da flor e do gineceu,
de um concriz que se escondeu
nos garranchos da jurema,
o sertão é um poema
que a natureza escreveu.

Um Epigrama de Salvador/BA
ROBERTO CORREIA
(1876 – 1937)

 

No Brasil, é pragmática,
Das discussões na fervura,
Entrar – no meio – a gramática,
No fim a descompostura.

Um Haicai de São Paulo/SP
ROBERTO SAITO

Um sussurro cósmico.
Formigas que mexem
alguns grãos de terra.

Um Soneto de Cururupu/MA
RAIMUNDO CORREIA
Cururupu/MA (1860 – 1911) Paris/França

Fim de Comédia

 

O pano sobe, e o povo, satisfeito,
Aplaude a farsa, e ao riso não resiste;
“Gosta um moço da filha de um sujeito,
E este não quer que a filha case; ao triste

No fundo do jardim promete a amante
Um rendez-vous, longe do pai tirano;
Mas pilha o velho o escândalo flagrante,
E ambos vão casar-se… e cai o pano.”

Dizem os velhos que o teatro ensina.
Então tu podes sem pesar, menina,
Seguir este conselho: solta a rédea

Deste amor, que é o meu e o teu tormento,
Que há de a nossa comédia em casamento
Findar, como findou a tal comédia.
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O que é Décima?
A Décima, mais usada pelo repente, é uma estrofe de dez versos de sete sílabas poéticas, ela é o gênero usado pelos cantadores repentistas para os versos de mote.
Nas décima, as rimas são: o primeiro  verso rima com o quarto e quinto, o segundo rima com terceiro, o sexto rima com o sétimo e décimo, e o oitavo rima com o nono.
Segue abaixo um trecho em décima do cantador Ugolino do Sabugi:

1. As obras da Natureza [rima 1]
2. São de tanta perfeição, [rima 2]
3. Que a nossa imaginação [rima 2]
4. Não pinta tanta grandeza! [rima 1]
5. Para imitar a beleza [rima 1]
6. Das nuvens com suas cores, [rima 3]
7. Se desmanchando em louvores [rima 3]
8. De um manto adamascado [rima 4]
9. O artista, com cuidado, [rima 4]
10. Da arte aplica os primores [rima 3]

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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