Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 31 de março de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 87)




Uma Trova de Caicó/RN
MARA MELLINI GARCIA

A velha esquina esquecida
toda enfeitada de flor,
sem querer, fez-se guarida
de nossa história de amor.

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP
ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO

Pergunta em sã criancice
quando a visita aparece:
com que bicho o papai disse
que essa mulher se parece?

Uma Trova Premiada em Balneário Camboriú/SC, 2004
SARAH CASTELO BRANCO M. RODRIGUES (Belém/PA)


Ó Senhor! Com teu poder
deixa na praia eu sonhar,
pois as ondas irão ver
que eu também pertenço ao mar.

Uma Trova de Ponta Grossa/PR
MANUEL MARIA RAMÍREZ Y ANGUITA


Bem pouco significa
a amizade morna e muda.
Aquele que te critica
é sempre quem mais te ajuda.

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
AUGUSTO FÁBREGAS
(século XIX)

O Guarani do Imperador

 

Os cinco bugres chegados
A viajar de tão longe
Provaram ontem a verdade:
Não faz o hábito o monge.

Um monarca que conhece
Grego, sânscrito e tupi,
Deitou conversa animada,
No idioma guarani.

“– Ocugelê perereca,
Pitanga jequitibá,
Copaíba tiririca,
Abacaxi araçá!”

Nada. Ficaram na mesma.
Nem um sinal se trocou.
– “Pindaíba grumixama,
Botocava quimgombô?”

Quem disse? A nada atendiam.
A prosa perdeu co’a troca.
– “Mindinga maçaranduba
Mocaíba cororoca!”

Afinal, um dos tais bugres
Todo o mistério desvenda:
– “Com licença… Não percebo.
Fale coisa que se entenda.”

Trovadores que Deixaram Saudades
ANALICE FEITOZA DE LIMA
Bom Conselho/PE (1938 – 2012) São Paulo/SP

 

Tua carta inesperada
tantas lembranças me trouxe,
que eu vivi de um quase nada,
um quase tudo tão doce!…

Um Epigrama de Serro/MG
JOÃO SALOMÉ QUEIROGA
(1810 – 1878)


Oh, deste patrono a musa,
Diz o povo, não se entende,
Pois quando defende, acusa,
E quando acusa, defende…

(a um advogado no júri)

Uma Aldrávia de Ipatinga/MG
GORETH DE FREITAS


O
trem
leva
e
traz
poesia

Um Indriso de São Paulo/SP
ISIDRO ITURAT

Lua cheia


A velha mandinga contava à sua neta
sobre os sortilégios da Mãe Lua,
lá na boa noite, lá na noite quieta:

“Para a deusa nunca vais olhar,
porque se te mira quando tu a miras,
o Pássaro Prata ouvirás cantar.

E ao canto da ave o ventre se alua

e do bom marido, saberás das iras”

Um Haicai de Limoeiro/PE
PEDRO XISTO
Limoeiro/PE (1901 – 1987) São Paulo/SP


abro após as sombras
de par em par as vidraças:
alçam voo as pombas

Um Soneto de São Luís/MA
ARTUR NABANTINO GONÇALVES DE AZEVEDO
São Luis/MA (1855 – 1908)Rio de Janeiro/RJ

Tertuliano, o paspalhão


Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

— Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso?

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: — Juízo!
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O que é indriso?
  
O indriso é um poema que consta de dois tercetos e duas estrofes de verso único, isto é, que está organizado segundo um padrão 3-3-1-1, e surge a partir de uma reelaboração do soneto no que poderia explicar-se como um processo de condensação estrófica. Os quartetos do soneto passam a ser tercetos no indriso. Depois, os dois tercetos do primeiro passam a ser estrofes de verso único no segundo.
O indriso foi criado por Isidro Iturat, que nasceu em Vilanova i la Geltrú, España, 1973. Escritor e professor de lingua e literatura espanholas. Reside em São Paulo desde 2005.
(Fonte: www.indrisos.com)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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